Dâmina, a nossa brava deputada cunhista

Foto: Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil, em abril de 2015

Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil, em 4/2015

Texto escrito por José de Souza Castro:

Li no jornal ‘O Tempo’ que, dos 53 deputados mineiros, 44 votaram pela cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, e apenas Dâmina Pereira, hoje no PSL, votou contra. É o tipo de coisa que me deixa curioso. Resolvi pesquisar. Nunca ouvira falar em Dâmina. Uma pesquisa no Google só mostrou uma Dâmina, a tal deputada. (Há muitas Da Mina, porém.)

Confesso que não foi fácil ouvir um discurso dela na sessão de impeachment de Dilma Rousseff, presidida por Eduardo Cunha, no dia 18 de abril deste ano. Não é a oratória que se espera de uma filósofa. Porém, vejo AQUI que Dâmina é filósofa.

Deve ter sido como filósofa que Dâmina votou a favor do impeachment de Dilma. “Aqueles que cometem crimes precisam ser julgados e penalizados”, diz ela, naquele célebre discurso entrecortado por algumas vaias. “As ruas não descansarão enquanto houver corrupção.”

Quem se animar a ouvir o discurso de nossa ilustre filósofa, se tiver um pouco de paciência, verá também na sequência, no Youtube, o marido dela, Carlos Alberto Pereira, dono do Grupo CAP, falando sobre os projetos que Dâmina apresentou na Câmara dos Deputados.

Na Câmara ela se acha porque o marido foi impedido pela Justiça Eleitoral de se candidatar novamente a deputado federal em 2014, por ser ficha-suja. Sujou a ficha por causa de crimes que teria praticado, segundo o Ministério Público e a Justiça, quando prefeito de Lavras, no Sul de Minas, eleito pelo PDT.

Em seu lugar, foi eleita sua mulher, que concorria a um cargo eletivo pela primeira vez. Dâmina justificou o sacrifício dizendo que era preciso aumentar a participação feminina na política. Para isso, investiu pesado. Gastou na campanha eleitoral mais de R$ 3,39 milhões. Foram sete empresas doadoras, num total de cerca de R$ 25 mil, e duas pessoas físicas: a própria candidata, que entrou com R$ 3,34 milhões, e seu marido, com R$ 22,8 mil.

Dâmina foi a terceira menos votada entre os deputados federais mineiros eleitos em 2014. Como se candidatou por um partido pequeno, o PMN, pôde se eleger com 52.679 votos, quase seis vezes menos que Reginaldo Lopes, por exemplo, do então formidável PT. Mas era a mais rica, conforme as declarações de bens apresentadas pelos candidatos à Justiça Eleitoral, com patrimônio declarado de R$ 38,8 milhões.

Talvez não seja tão rica quanto Eduardo Cunha, cujo mandato tentou salvar, mas deve ganhar em muito de Dilma, contra quem não se frustrou ao votar na Câmara dos Deputados pelo impeachment.

Terá sido apenas solidariedade entre milionários, esse voto favorável a Cunha? Só ela poderá responder. Sendo filósofa… Quanto a mim, espero que Dâmina (que nome!) não consiga se explicar convincentemente aos mais de 52 mil eleitores que votaram nela em 2014. Torço para que a deputada cunhista não se reeleja, por mais dinheiro que gaste nas próximas eleições.

Sujou a ficha…

Ah, talvez o marido tenha que vender a mansão que comprou em Brasília por R$ 3,5 milhões para dar à família conforto enquanto Dânima se esfalfa na Câmara dos Deputados. Quem se animar, pode pesquisar: será que a deputada milionária recebe auxílio-moradia em Brasília, como a maioria dos colegas?

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Diário do golpe

Foto: Wikimedia Commons

Foto: Wikimedia Commons

Hoje é 7 de Setembro. Uma daquelas datas que os patriotas adoram, com direito a desfile da Polícia Militar, bandeira hasteada, cantoria do Hino Nacional.

Vou dar minha contribuição para a comemoração de uma data tão patriótica: a dica de leitura do blog “Diário do Golpe“, que descobri ontem e já assinei para ler todos os dias no meu Feedly.

O que o autor do blog, Fagner Torres, faz, é parecido com o que tentei fazer quando Temer assumiu interinamente. A diferença é que criei uma lista elencando todos os retrocessos do primeiro mês de “governo” – em média 1 por dia. Nos meses subsequentes, tive que parar, senão eu não faria outra coisa da vida. Já Torres se propõe a listar um retrocesso por dia, logo de cara. Espero que ele não desista de manter o blog, quando perceber que será um trabalho infinito.

Quer você tenha batido panelinhas pedindo a cabeça de Dilma ou esteja agora sendo batido por PMs na tentativa legítima de protestar contra o golpe, a leitura deste diário é interessante. É curto e grosso: uma facada nas costas por dia. Às vezes a informação crítica é mesmo dolorosa.

CLIQUE AQUI para ler o Diário do Golpe.


Um aperitivo:

diario


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30 charges sobre o impeachment/golpe contra Dilma

Quando estou sem palavras para comentar alguma coisa, apelo sempre aos mestres das imagens, os chargistas. Que conseguem dizer muito — tudo — usando apenas uma frase curta, ou nem isso. Selecionei ainda na noite desta quarta-feira (31) algumas charges publicadas recentemente, em vários veículos, que traduzem este triste momento da História do Brasil, do impeachment golpe de contra uma presidente eleita democraticamente. Veja na galeria abaixo: Continuar lendo

Dilma escolhe Maiakovski como seu guia no inferno

Dilma em seu pronunciamento nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. Foto: Lula Marques/ AGPT

Dilma em seu pronunciamento nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. Foto: Lula Marques/ AGPT

Texto escrito por José de Souza Castro:

Acredito que os que vinham combatendo o golpe contra a democracia, representado pelo impeachment da presidenta da República por 61 votos dos senadores (contra 20) sentiram-se desanimados e tristes nesta quarta-feira, 31 de agosto. Eu fiquei assim, sem qualquer ânimo para escrever neste blog, até ouvir o discurso de Dilma Rousseff, pronunciado depois de ser cassada. “Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?”, disse ela, citando Maiakovski.

Maiakovski, o grande poeta russo, que completou:

“O mar da história é agitado/ As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,/ Rompê-las ao meio,/Cortando-as como uma quilha corta.”

É um discurso histórico, o de Dilma. Por que não tomar conhecimento dele? Se os jornais, rádios e tevês não o divulgarem, certamente o farão os sites na internet, como AQUI. Continuar lendo

Polícia Federal sai na frente nas Olimpíadas

Encenação que é parte de um protesto de policiais federais, pedindo melhores condições de trabalho. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Encenação que é parte de um protesto de policiais federais, pedindo melhores condições de trabalho. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

O Brasil já tem um medalhista de ouro nas Olimpíadas que começam no dia 5 de agosto. O primeiro ganhador é a Polícia Federal. Uma simples ameaça de greve antes da corrida pelo ouro levou o presidente em exercício Michel Temer a assinar um projeto de lei concedendo reajuste de 37% a todas as carreiras da PF, em parcelas a serem pagas entre 2017 e 2019.

Há quatro anos, no dia 7 de agosto, os policiais federais desafiaram Dilma Rousseff, numa greve que durou 70 dias e foi acompanhada por policiais rodoviários federais e outras categorias. O governo apresentou proposta de aumento de 15,8% dividido em três anos, e encerrou as negociações no dia 26 de agosto.

Dilma Rousseff pagou caro pela ousadia. O vice, Michel Temer, aprendeu como é arriscado desafiar grevistas armados com memória de elefante. Continuar lendo