As capas dos jornais nos protestos do #EleNão

O jornalista José Roberto de Toledo escreveu na “piuaí“, no sábado, que os protestos daquele dia contra o candidato fascista do PSL foram históricos, “menos na tevê”.

Um trecho:

“A falta de cobertura ao vivo dos atos do #EleNão e, mais grave, a ausência de contextualização e ênfase nas raras reportagens sobre a mais importante manifestação de rua da campanha eleitoral de 2018 até agora não se deve ao departamento jurídico das emissoras. O movimento não é partidário nem promove nenhuma candidatura específica. É contra um candidato, sim, mas não prega que é melhor votar neste ou naquele outro.

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.”

Se ele destaca a cobertura da tevê, eu destaco, como sempre faço aqui no blog, as capas dos jornais.

Separei sete publicações de relevância: “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “O Tempo”, “O Estado de S. Paulo”, “Zero Hora”, “Correio Braziliense” e “Jornal do Commercio”.

Coloco abaixo um ao lado do outro, primeiro a edição de domingo, que poderia repercutir os protestos anti-Bolsonaro, e depois a edição de segunda-feira, que podeira trazer os protestos pró-Bolsonaro:

 

E aí, o que acharam da cobertura? Equilibrada? Proporcional aos tamanhos de cada manifestação? Qual jornal se saiu melhor e qual foi decididamente pior?


Ainda sobre o protesto suprapartidário do #EleNão, recomendo este texto da BBC e vídeo do UOL, com imagens no Brasil e no mundo:

Leia também:

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BH em pé de guerra pelos 20 centavos

Foto: Cristiano Trad / O Tempo

Foto: Cristiano Trad / O Tempo

Beagá está em pé de guerra por causa do aumento de 20 centavos na passagem de ônibus. E porque:

  1. esse aumento foi calculado com base em uma consultoria contestada por movimentos da sociedade civil e pelo Ministério Público;
  2. a Justiça concordou com o MP e suspendeu a cobrança até que uma perícia fosse feita no estudo, mas, mesmo assim, as empresas de ônibus peitaram a decisão por mais de um dia (embolsando, indevida e impunemente, 20 centavos x todos os passageiros transportados), enquanto o prefeito veio a público dizer que o reajuste é “justo“;
  3. os ônibus continuam péssimos e os do Move viraram moeda de troca para os consórcios barganharem lucros maiores — enquanto o trânsito segue insolúvel;
  4. foi por causa de aumentos de ônibus que os protestos começaram a acontecer em junho do ano passado (ganhando força com os ingredientes repressão policial + cobertura intensa da mídia e transmissão forte via redes sociais + presença da Fifa para a Copa das Confederações, que são um ensaio para a contestada Copa do Mundo no país) e estamos a menos de 100 dias da Copa, quando os movimentos voltarão a se organizar cada vez mais para protestar de novo e de novo, em nome de seus interesses vários.

Enfim, por enquanto há trégua. Mas, daqui a 30 dias, novos protestos devem acontecer. E, a esta altura, estaremos a um mês da Copa. E os movimentos estarão mais organizados. Fico me perguntando como estão as reuniões de gerenciamento de crise na prefeitura e no Estado, para conter eventuais fervuras na sociedade? Ou apostam alto que nada na dimensão do que aconteceu em 2013 irá se repetir e, por isso, dão de ombros e insistem no aumento das passagens de ônibus? (OBS.: Em Minas nós falamos “passagem”, não “tarifa”. Não sei de onde tiraram o nome do movimento Tarifa Zero, mas deve ter sido de outro lugar).

Eu, pessoalmente, não acredito que teremos protestos daquele tamanho de novo. E acredito que, em 30 dias, ou pouco mais, as passagens de ônibus de BH estarão devidamente mais caras, em 20 centavos ou pouco menos, ou até pouco mais.

E também acredito que, passados 30 anos, ou pouco mais, ou pouco menos, nossos ônibus seguirão com prioridade zero e com todos os defeitos, falhas e problemas que possuem hoje, mas embebidos em um trânsito muito mais caótico.

Quem viver, verá.

Leia também:

As marchinhas politizadas do Carnaval do Rio

Já contei aqui das marchinhas politizadas do Carnaval de Beagá. São sempre as vencedoras no concurso de marchinhas, que acontece todos os anos, desde 2012. Neste ano, como não podia deixar de ser, a grande vencedora foi o Baile do Pó Royal, que apresentei aqui no blog antes de todos os veículos, no dia 15 de janeiro, logo que ela foi publicada no YouTube.

Leio agora na “Folha de S.Paulo” deste domingo que as marchinhas do Rio também estão muito politizadas, mas de um jeito diferente. O pessoal fez paródias com aquelas canções carnavalescas mais clássicas de todas, como “Mamãe eu quero”, “Turma do Funil” e “Me Dá um Dinheiro Aí”, colocando o clima de protesto em todas as letras. Há críticas de sobra contra políticos como Eduardo Paes e Sérgio Cabral, contra a Copa e, principalmente, contra a Polícia Militar e sua truculência, que persegue até jornalistas no exercício da profissão, como aconteceu ontem com o colega Reynaldo Turollo Jr.

Vejam algumas letras:

(Me dá dinheiro aí)
Ei! Você aí!
Me dá um vinagre aí, me dá um vinagre aí!

Imagem: Beto Trajano

Imagem: Beto Trajano

(Maria sapatão)
Lá vem o batalhão, batalhão, batalhão
De dia é UPP, de noite é caveirão

Imagem: Beto Trajano

Imagem: Beto Trajano

(Cachaça não é água)
Se você pensa que a Copa é nossa
A Copa não é nossa não
A Copa é das empreiteiras
Não sobra nada pro povão

Imagem: Beto Trajano

Imagem: Beto Trajano

(Máscara negra)
Quanto tiro, oh, quanta polícia!
A tropa de choque em ação
Ditador de helicóptero e, no meio da cidade,
um monte de caveirão…

Imagem: Beto Trajano

Imagem: Beto Trajano

(Mamãe eu quero)
Tarifa zero, tarifa zero
O imposto é que vai pagar
Pula a roleta, pula a roleta
Pula a roleta que eu também vou pular!

Imagem: Beto Trajano

Imagem: Beto Trajano

(Remador)
Se o governo não mudar
Olê-olê-olá
Eu vou ocupar

(Alah-lá-ô)
Alá-lá-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
O professor ô-ô-ô-ô-ô-ô
Sai pelas ruas e a cidade toda para
Prefeito ignora, a polícia dá na cara

Sugiro que todos nós comecemos a treinar bastante, pra cantar tudo isso, em alto e bom som, durante o Carnaval. Quem disse mesmo que o Carnaval é uma festa alienante? 😉

Leia também:

A notícia mais triste do dia 10.2.2014

Agência O Globo

Agência O Globo

A quatro meses da Copa,
o protesto é só por tarifa
Vai cobrir, longe da tropa
que já cegou jornalista.

Ele é os olhos do Brasil,
câmera a postos, filma tudo
Atento às brigas em frente
Às costas, fica sem escudo.

(Sem máscara, capacete, colete,
porque os veículos de imprensa
desconhecem a CLT
e o artigo 166 dispensam)

Explode o vulcão, cai a lava.
Morre o homem Santiago Andrade
Pai de quatro, 49 de idade
Morre o homem que só trabalhava
Um jornalista em plena atividade

Estava no lugar errado?
Ou foi o alvo premeditado
dos que protestam contra a imprensa
chutando  o lado assalariado?

Outros 117 jornalistas feridos
desde junho do ano passado
um cego, um surdo e agredidos
por polícia ou manifestante armados
(É bom que mudos não tenham ficado.)

Uma caixa de rojão:
Setenta reais.
Uma arma de borracha:
de graça, a policiais.

(Um cérebro pensante
— explodido —
já não informa mais.)

Leia também:

Oito cenas emblemáticas dos protestos no Brasil, por Beto Trajano

O jornalista Beto Trajano selecionou algumas das imagens mais emblemáticas das manifestações que varreram o país desde junho para compor a série de ilustrações “Protestos”. Lembram do senhor que encarava uma barreira de policiais em Fortaleza? E da menina que foi presa com base em lei da época da ditadura? Lembram da jornalista que teve o olho quase arrancado por uma bala de borracha? E como esquecer de Amarildo, cujo rosto ficou estampado em camisetas de todo o Brasil?

O resultado do trabalho, em oito cenas, vocês veem abaixo em primeira mão. Sou suspeitíssima para falar (já que o Beto é meu marido), mas achei a série sensacional:

todas

01 03 04 05

02

As ilustrações originais foram feitas no formato 19,5 cm x 14 cm, com nanquim e canetinha. Se você tiver interesse em comprar a reprodução de alguma dessas gravuras (que pode ser feita em outros tamanhos), é só ENTRAR EM CONTATO 😉

Leia também: Outros 20 posts sobre as manifestações:

  1. Amarildo e os desaparecidos da democracia
  2. O dia em que virei colunista
  3. A caixa-preta da BHTrans (e a do governo de Minas)
  4. Plebiscito pra quê?
  5. Os políticos que responderem, bem ou mal, vão se dar bem
  6. Muito cansada (mas sempre os protestos)
  7. Já são 20 respostas de Executivos, Legislativos e STF ao povo
  8. Tem certeza absoluta? Que pena!
  9. Com este pronunciamento, pauso meu protesto particular
  10. Ou o rumo ou a pausa
  11. Melhores charges e quadrinhos sobre os protestos
  12. As primeiras vitórias importantes, em mais um dia histórico (atualizado até 21/8/2013)
  13. 20 vídeos da violência da PM durante os protestos pelo país
  14. Um poema em homenagem aos que gritam
  15. Tentando entender os protestos, nesta barafunda de interpretações
  16. Cenas do protesto com milhares de pessoas em BH
  17. O brasileiro trabalha mais para pagar seu ônibus
  18. O mundo grita
  19. O vômito entalado o dia todo no meu cérebro borbulhante
  20. 10 observações sobre os protestos contra a tarifa de ônibus