Você sabia que BH é um ‘polo nacional’ do esporte radical e da aventura?

Voo de parapente na Serra da Moeda, pertinho de BH. Foto: Youtube / reprodução

Voo de parapente na Serra da Moeda, pertinho de BH. Foto: Youtube / reprodução

 

Não se preocupe: eu também não sabia.

Mas talvez seja porque não pratico esportes radicais. O pessoal adepto de acquaride, acrobacia aérea, arvorismo, automobilismo, asa-delta, BMX, bungee jumping, canoagem, canyoning, corrida aérea, orientação, corrida de aventura, kitesurf, mergulho, motocross, mountain bike, paintball, parapente, parkur, paraquedismo, patinação, rafting, rapel, sandboard, skateboard, tirolesa, trekking, triathlon, voo livre, wakeboard, wheelie e – UFA! – windsurf pode me informar, por gentileza, se esta capital mineira, outrora tão recatada, é mesmo o lugar que as pessoas do Brasil inteiro procuram em busca de aventuras radicais?

Se não for na prática, acaba de tornar-se assim por força da lei. É que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) sancionou a lei 10.966/2016, publicada no “Diário Oficinal do Município” (DOM) na última segunda-feira (12), que determina o seguinte: Continuar lendo

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Já está em clima de Carnaval? Aprenda o hit deste ano e escolha sua fantasia!

As melhores fantasias do Carnaval de Belo Horizonte em 2015 :D Fotos: CMC

As melhores fantasias do Carnaval de Belo Horizonte em 2015 😀 Fotos: CMC

Faltam ainda três semanas para o início do Carnaval e já reparei que tem muita gente no clima, pelo menos aqui em Belo Horizonte, cidade que promete ter recorde de foliões mais uma vez.

Adivinhem qual o post do blog que está entre os mais lidos nos últimos dias? Ele mesmo: “As Melhores Fantasias do Carnaval de BH“. Esse post reuniu, em uma galeria, dezenas de fotos de fantasias muito criativas usadas nos bloquinhos do ano passado, clicadas por mim. Quer se inspirar para sair às ruas caprichado neste ano? CLIQUE AQUI e veja as ideias inusitadas que o pessoal teve em 2015 😉

MARCHINHAS DE CARNAVAL

Já acabaram as inscrições para o tradicional Concurso de Marchinhas Mestre Jonas e os finalistas serão anunciados em breve. Mas uma marchinha com pinta de vencedora já está bombando na internet. “Prefeito, libera o cooler”, do coletivo Canto da Lagoa, faz uma crítica ao decreto polêmico (pra dizer o mínimo) do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, que proíbe a instalação de churrasqueiras, coolers ou similares nas ruas ou em carros estacionados na cidade. Pra saber mais sobre o decreto, CLIQUE AQUI.

Quer aprender a letra da marchinha? Veja o vídeo abaixo! 😀

Relembre aí os vencedores das edições anteriores do concurso de marchinhas:

Atualização em 18/1: As 15 melhores marchinhas pré-selecionadas pelo concurso foram divulgadas hoje! CLIQUE AQUI para ouvir todas elas e escolher suas favoritas 😉

PROGRAMAÇÃO DE BLOQUINHOS

Vocês acham que só porque tenho um bebezinho pequeno não vou pular o Carnaval? Estão muito enganados! Estou em dúvida se me fantasio de grávida (tá fácil, hahahaha), de mamadeira ambulante ou de supermãe maravilha 😉

Você também tem criança em casa? Saiba que, como todo ano, também deve ter bloquinho para os pequenos. A programação completa ainda não foi divulgada pela Belotur, mas logo poderá ser vista AQUI. Por enquanto, dá pra ver AQUI a programação de ensaios e pré-Carnaval na cidade, que já começam nesta sexta-feira.

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Quem são nossos moradores de rua? – parte 3

Morador de rua em Belo Horizonte. Foto: Leo Fontes

Morador de rua em Belo Horizonte. Foto: Leo Fontes/O Tempo

Em maio do ano passado, quando a Prefeitura de Belo Horizonte divulgou o terceiro censo dos moradores de rua que vivem na cidade, eu me debrucei sobre os números e os trouxe para o blog, na tentativa de fazer um retrato, ainda que tímido, dessas pessoas. Depois obtive mais números e complementei num segundo post.

Faltava uma coisa para o raio X ser completo: conversar com essas pessoas que moram nas ruas — que já são mais de 1.800! — e com os responsáveis pelas políticas públicas voltadas para elas.

Agora não falta mais: no último domingo, foi publicada no jornal “O Tempo” uma série de reportagens muito completa e sensível, apurada e escrita pela repórter Juliana Baeta.

Clique AQUI para ler todo o especial.

Ao fim da leitura, constatamos o que já intuíamos: que ninguém quer morar nas ruas e que a solidariedade dos voluntários e das pessoas que se sensibilizam com a situação dos moradores de rua é fundamental para que eles sobrevivam. (Ao contrário do que sugeriu o prefeito Marcio Lacerda, em mais uma de suas declarações infelizes, ao pedir aos moradores (com teto) da cidade que não ajudassem os moradores de rua com “objetos, comida ou dinheiro, para que eles dependam da assistência social da prefeitura e possam ser convencidos a deixar a rua”. Como se se tratasse apenas de uma questão de convencimento…)

No final do meu primeiro post sobre o censo, escrevi: “Eles se concentram na região mais rica da cidade, a Centro-Sul, não por acaso: contam com a solidariedade dos mais afortunados, com suas doações e esmolas, com ajuda dos comerciantes e donos de bares e restaurantes. Que tal retribuirmos esse voto de confiança?”

Agora que o outono já começou, e a vida dos moradores de rua ficará duplamente mais difícil, com o frio (que, em cidades mais geladas, como São Paulo, leva vários à morte), essa solidariedade é ainda mais importante.

Se tememos contribuir com dinheiro, pelo fato de um percentual não desprezível dessa população recorrer às drogas, podemos ajudar com comida, agasalhos, roupas, sapatos e outro bem valiosíssimo e muito raro para eles: água. Já repararam que não existem muitos bebedores públicos em Belo Horizonte (e em quase nenhuma cidade)? Lembro que a primeira vez que isso me chamou a atenção foi graças a uma reportagem da “Folha de S.Paulo”, de 2009. Ou seja, até 2009, nunca tinha me ocorrido como era difícil que um morador de rua conseguisse um bem tão básico como água potável. E que existissem pessoas que negassem um copo de água para eles. Copo de água não se nega, gente!

A reportagem da Juliana ainda vai além, ao mostrar que, se fôssemos seguir a cartilha do prefeito Marcio Lacerda, os moradores de rua estariam lascados, porque o número de vagas em albergues só dá conta de receber metade deles. Pra piorar, os moradores de rua sofrem com uma prática absurda, cometida por agentes públicos: têm seus poucos bens (como cobertores e até remédios) confiscados, numa tentativa de “higienizar” as ruas. Tipo assim: sem a caixa de papelão e o cobertor, ele terá de sair daqui! Mesmo após decisão judicial proibindo a prática, em julho de 2013, vi o problema se repetir um ano depois. Então, não duvido que continue acontecendo até hoje.

Vale lembrar que, se os moradores de rua recebem o devido apoio, podem voltar a ser “humanos” como qualquer um de nós, com todos os potenciais que temos. Lembram do caso da fada madrinha que tirou o poeta Raimundo das ruas? Levou 18 anos, mas aconteceu.

Helena Pereira, ex-moradora de rua de BH, hoje trabalha para ser fada madrinha dos atuais homens e mulheres nesta situação degradante. O vídeo contando sua história é a cereja do bolo da reportagem de Juliana, com imagens de Leo Fontes:

“Eles às vezes nem água têm. E a gente tem isso tudo: teto, cobertor…”

Pois é, dona Helena 😦

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A novela das capivaras e o prefeito que não pode ser babá

capivaras

Foto: João Godinho / O Tempo

 

Já faz tempo que prometi à Dri, leitora deste blog, escrever sobre uma novela que ronda os moradores de Belo Horizonte — e os turistas que passam pela cidade — há vários meses.

Mais especificamente, há 20 meses.

Foi exatamente no dia 4 de julho de 2013 que o jornal “O Tempo” publicou a primeira reportagem sobre a morte de Alysson Ribeiro de Miranda, de 42 anos, por falência múltipla de órgãos causada pela febre maculosa. Ele contraiu a doença passeando com a família por um dos pontos turísticos mais famosos de Belo Horizonte — o Parque Ecológico da Pampulha –, onde foi picado por um carrapato-estrela contaminado com a bactéria da febre maculosa. Esse carrapato é encontrado aos montes nas capivaras que povoam a orla da Lagoa da Pampulha. E foi aí que começou a novela.

No dia 28 de junho daquele ano, a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada sobre a suspeita. No dia 5 de julho, após a notícia exclusiva sobre a morte de Alysson, a prefeitura disse que lançaria um edital de licitação para contratar uma empresa para solucionar o avanço das capivaras na orla da lagoa. A abertura da concorrência iria começar em um mês e a empresa iria atuar a partir de setembro de 2013, segundo reportagem do dia 9 de julho daquele já longínquo ano.

Não aconteceu nada disso. Em JANEIRO de 2014 — ou seja, passados seis meses da morte de Alysson e três meses do que seria o início do remanejamento previsto pela Prefeitura de Belo Horizonte — a gestão de Marcio Lacerda decidiu contratar uma empresa sem licitação, “para agilizar” o processo (!!!!). Segundo a reportagem de 24 de janeiro de 2014, a retirada das capivaras começaria em fevereiro daquele ano e levaria só 40 dias.

Guardaram a data e os novos prazos? Beleza. Acontece que, no meio-tempo, passados sete meses da primeira morte por febre maculosa, uma outra pessoa morreu infectada pelo carrapato contaminado presente nas capivaras: o estudante de engenharia Samir Assi, de apenas 20 anos. Ele contraiu a doença com uma inocente pedalada na orla da lagoa da Pampulha — passeio favorito de centenas de belo-horizontinos que lotam as ciclofaixas nos fins de semana.

Sem solução por parte da prefeitura, os moradores e frequentadores da Pampulha passaram a andar com medo e mudar seus hábitos.

Apenas no dia 31 de março de 2014 — ou seja, quando as capivaras já teriam que ter sido remanejadas, se a prefeitura tivesse cumprido o SEGUNDO prazo fornecido à população, em janeiro — uma empresa (Equalis Ambiental) foi contratada para realizar o serviço. Valor do contrato: R$ 182 mil. Desta vez, não arriscaram informar prazo para início dos trabalhos.

Até 9 de maio, a empresa contratada continuava mapeando o grupo de animais. Paralelamente, a prefeitura instalava placas alertando a população para o risco de carrapatos. “Verifique as roupas e o corpo cuidadosamente a cada três horas”, diziam as placas. Causaram pânico? Nããão, imagina.

Em julho, o jornal noticiou que as capivaras começaram a invadir jardins de casas da Pampulha, sem ninguém para retirá-las de lá. Naquele momento, a PBH aguardava liberação do Ibama para fazer o manejo dos animais. O Ibama também “brilhou” em agilidade: só liberou o manejo no dia 3 de setembro! A captura das capivaras só começou a ser feita 26 dias depois da liberação pelo Ibama. Até o dia 4 de novembro, das 250 capivaras que vivem no local, 43 tinham sido recolhidas. Menos de um quinto do total (17%). E foi comprovado que estavam mesmo cheias de carrapatos com bactéria da febre maculosa.

Em dezembro, a PBH informou que as capivaras seriam esterilizadas. No dia 26 de janeiro, a notícia era que a esterilização estava ainda “sem data para ocorrer”, dependendo de acordo com a UFMG.

Pra piorar, diante dessa morosidade da Prefeitura e do Ibama, um terceiro caso de febre maculosa foi detectado em janeiro deste ano. Desta vez, felizmente, não levou à morte. A vítima da vez era um garoto de apenas 15 anos. A resposta da prefeitura foi a distribuição de cartilhas.

No fim de janeiro, a aposta para combater o problema era o uso de um carrapaticida. De novo, o assunto morreu. Já estamos em março e o remédio ainda não foi aplicado. Pior: a última notícia que tivemos, no domingo, foi que as capivaras estão morrendo no cativeiro!

Então vamos ver se entendi bem: toda a burocracia, envolvendo licitação, dispensa de licitação, autorização do Ibama e acordo com UFMG era para garantir que as capivaras fossem preservadas, ficassem bem, mas livres de carrapatos contaminados. Assim, elas poderiam permanecer em seu lugarzinho na natureza, mas sem causar doença às pessoas. Seriam controladas, para não se multiplicarem muito rápido, e tudo seria legal, joia, ambientalmente correto. Mas o que aconteceu de verdade? Duas pessoas morreram, uma terceira quase morreu, e, mesmo com toda a lerdeza para resolver o problema, com a bela intenção de manter as capivaras vivas e saudáveis, no final das contas, descobrimos que metade delas também estão mortas!?

Ou seja, a Prefeitura de Belo Horizonte agiu tão desastradamente nesta história que, além de não impedir novas mortes de humanos, tampouco garantiu a sobrevivência dos animais.

Realmente, não precisamos de babás assim, caro prefeito Marcio Lacerda. É melhor tomarmos nossas próprias precauções, sem contar com o poder público: trocarmos o principal cartão postal de Belo Horizonte por outro lugar qualquer. E, claro, avisarmos aos turistas que, se forem passear pela lagoa da Pampulha, correm um risco muito grande, conhecido há 20 meses e ainda não solucionado pelos gestores da cidade.


Atualização em 9/3/2015: A Secretaria Municipal de Meio Ambiente me encaminhou uma longa nota, nesta segunda-feira (9/3), para complementar as informações do post. Da nota, os dois últimos itens se destacam, porque contestam as informações das reportagens de “O Tempo”, nas quais me baseei para fazer o post acima (como vocês podem ver em todos os links), de que um adolescente de 15 anos teria sido detectado com febre maculosa e de que as outras duas vítimas fatais pegaram febre maculosa na orla da lagoa da Pampulha, como disseram seus familiares aos repórteres do jornal.

Como acho que os leitores têm o direito de conhecer todas as versões de uma história, e a liberdade de acreditarem na que acharem mais plausível, compartilho a íntegra da nota da prefeitura. CLIQUE AQUI para ler.

Atualização em 11/3/2015: o Ministério Público tampouco está muito satisfeito com o trabalho feito pela Prefeitura de Belo Horizonte e fez várias recomendações à PBH na noite de ontem. CLIQUE AQUI para ver todas.

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Poema para as vítimas da tragédia que fez a Copa acabar (ao menos para mim)

tragedia

As duas vítimas da tragédia: Charlys e Hanna. Toda a minha solidariedade às famílias, de coração.

Charlys saiu mais cedo de casa
— não voltou.
Hanna iria à Fan Fest hoje
Mas a Copa acabou.

Não era moto, era um Uno Vivace
Que levou 15 horas para sair
Charlys ia passar às 15h
Para fazer sua mulher sorrir.

Mas o que caíram foram lágrimas
Porque a pequena de Hanna
Fará 6 anos de idade
Sem o abraço da mama.

Prefeito que diz não ser babá
Diz também que foi acidente
“É normal”, “acontece”, anota lá
Mas é claro que muito se sente.

(Caiu pedaço de viaduto!
Já se viu tal absurdo?)

“Não quero avançar em responsáveis”,
Que ninguém sabe mesmo quem são
Fiscais, engenheiros, a Copa?
A pressa, a corrupção.

O que sei é que Hanna e Charlys
Tinham 24 e 25 anos
E as outras 22 vítimas
Terão toda uma vida de danos.

E uma cidade inteira
Perdeu a fé em seu próprio chão
“Debaixo de viaduto não passo”
Escuto do cabreiro povão.

Para mim, a Copa acabou
Perdi a vontade de torcer
E, se antes a Seleção chorou,
Agora quem chora sou eu e você.

Era verdade mesmo, então:
Brasil não merece evento-celebração
Porque só levou 22 dias
Pra festa virar decepção.

04.07.2014

***

Escrevi o poema acima em homenagem às vítimas da tragédia do viaduto da avenida Pedro I, no dia 3 de julho de 2014, em BH, que é parte das obras de mobilidade da Copa do Mundo. Os links dentro do poema direcionam a reportagens importantes sobre o “acidente” e seus principais responsáveis. Todas as reportagens são do jornal “O Tempo” — que fez, disparado e sem qualquer suspeita da minha parte, a cobertura mais completa da tragédia, sob todos os pontos de vista.