Lula é o bode no desfile do Paraíso do Tuiuti

Texto escrito por José de Souza Castro:

É querer muito, mesmo baixando entre nós o espírito carnavalesco, que os que elegeram o atual presidente do Brasil descubram no desfile na Sapucaí, na madrugada desta terça-feira gorda, o verdadeiro mito, o Salvador da Pátria.

Não é o capitão Jair Bolsonaro. Quem virou mito, de fato, conforme Paraíso do Tuiuti, é o Bode Ioiô, que em 1922, numa eleição dominada pelo coronelismo, se tornou o símbolo do voto de protesto.

O bode foi eleito vereador de Fortaleza. Não tomou posse, mas virou mito. Ioiô morreu em 1931, “mas sua carcaça e seu legado estão preservados no Museu do Ceará e no coração do cearense”, diz o carnavalesco Jack Vasconcelos, ao justificar a escolha da história de Ioiô para o desfile deste ano.

No ano passado, com o Vampirão, Paraíso do Tuiuti se tornou vice-campeã no Carnaval carioca. Todos sabiam quem era o Vampirão, menos a TV Globo, que transmitia o desfile, incapaz de associá-lo com Michel Temer, o usurpador da faixa presidencial que pertencera a Dilma Rousseff.

O vampirão da Tuiuti

 

Como se sairá desta vez Chico Pinheiro? Quem será o bode Ioiô?

Não há como deixar de identificar o mito do Tuiuti. “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de seu povo. Um herói da resistência”.

No “Histórico do Enredo”, o nome de Lula não é mencionado. É preciso? Jack Vasconcelos dá uma dica: “Ioiô é a imagem da resiliência de um povo que, inigualável, nos revela o genuíno salvador da nossa pátria: o bom humor”.

Que mais podemos querer, nesses tempos de ódio? Se não podemos esperar que uma dia Lula seja livre e que o bom humor volte a imperar, teremos nesse desfile do Paraíso do Tuiuti um bode Ioiô como símbolo “de um país que, apesar de insistir em velhas práticas políticas, sempre saberá rir de si mesmo”

Obrigado, Jack Vasconcelos. Nesse desfile, diz o carnavalesco, Ioiô é uma espécie de Davi em luta contra o gigante Golias. “Um legítimo Salvador da Pátria capaz de nos reconectar com a alegria e com a esperança”.

Mais informações AQUI.

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As 3 melhores marchinhas do Carnaval de BH em 2019

Hoje é a finalíssima do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas e, desde o início da semana, já é possível escutar as 15 marchinhas selecionadas. Basta clicar AQUI 😉

[Correção em 23.2.2019: Ontem foi apenas a seletiva, com escolha das 10 marchinhas finalistas, e não a final, como escrevi no parágrafo anterior. A finalíssima, com decisão da grande vencedora, vai ser no dia 28 de fevereiro, no Baile de Marchinhas Mestre Jonas, no Mercado Distrital do Cruzeiro, a partir das 20h. Saiba mais e confira os prêmios no regulamento do concurso.]

Pra falar a verdade, neste ano não achei que nenhuma se destacou, como em anos anteriores, de pérolas como “Baile do Pó Royal” e “Cidadão de Bem”. O pessoal estava menos inspirado. Senti muita falta de marchinhas criticando a Vale e a tragédia em Brumadinho/Mariana e em todas as outras cidades mineradoras que já estão começando a gerar centenas de desabrigados. E não se pode dizer que foi por falta de tempo: as inscrições iam até 12 de fevereiro, muito depois do dia do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em 25 de janeiro. A única marchinha que faz alguma referência ao episódio mais triste de 2019 foi a “Vale pra mim”, mas num tom que achei extremamente inadequado.

Dito isso, selecionei minhas três marchinhas favoritas e, coincidência ou não, todas elas zoam deste presidente ridículo que puseram no poder. Afinal, tem hora que temos que rir para não chorar (mesmo quando o cara destrói o direito dos mais pobres de se aposentarem algum dia, dentre outros absurdos – em menos de dois meses de governo).

Divirta-se:

Vou torcer para que uma delas leve o prêmio principal da noite, o Oscar das marchinhas politizadas de Beagá! Saberemos na madrugada de amanhã 😉

Máscaras que estão sendo vendidas na rua 25 de Março, em São Paulo. Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

 

Agora, que tal relembrar as vencedoras dos últimos anos? Cada uma foi melhor que a outra!


 

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Tuiuti, a campeã moral do Carnaval carioca

Texto escrito por José de Souza Castro:

Na tarde desta quarta-feira de cinzas, a leitura de artigo de Kiko Nogueira, diretor do Diário do Centro do Mundo, antes de conhecidos os vencedores do Carnaval carioca, lembrou-me uma passagem de meus tempos de repórter de “O Globo”, meses antes das eleições municipais de 1992.

Soube por um jornalista nascido em São Lourenço, Manoel Marcos Guimarães, que um neto do famoso bicheiro carioca Tenório Cavalcanti, o “Homem da Capa Preta”, filme de 1986 estrelado por José Wilker no papel do bicheiro, era candidato a prefeito. Natalício Tenório Cavalcanti Freitas Lima, o neto, tinha grandes chances de ganhar, pois estava gastando muito dinheiro na campanha. Newton Cardoso, quando governador de Minas, entre 1987 e 1991, havia facilitado a penetração dos bicheiros cariocas em São Lourenço e outras estâncias do Sul de Minas.

Depois de entrevistar moradores, cheguei ao neto de Tenório. Natalício relutou em me dar entrevista, e, depois de ouvir minhas perguntas, avisou: “Você está perdendo seu tempo: vou telefonar para meu tio, que é amigo do Dr. Roberto Marinho, e a reportagem não será publicada”.

Caprichei, mesmo assim. Na noite de sábado, a TV Globo anunciou a minha, entre as principais reportagens do jornal de domingo. Soube depois que ela seria publicada na página 3. Mas, no lugar dela, saiu um calhau de página inteira. Calhau é um anúncio frio, do próprio jornal, que fica na gaveta para ser publicado no lugar de uma reportagem retirada na última hora. Liguei para o editor, e ele me disse: foi ordem do próprio Roberto Marinho. Ele viu a chamada na tevê, ligou para o jornal e mandou tirar.

Mas por que me lembrei disso? Porque Kiko Nogueira contava “como eram os réveillons no triplex de Roberto Marinho em Copa, vendido ao bicheiro Aniz Abraão, patrono da Beija Flor”. Começa assim:

“A Globo curtiu a Beija Flor e seu enredo lavajateiro do Carnaval. A relação da emissora com a escola é muito antiga. São instituições cariocas. Em 2014, Boni foi tema. Ficou em sétimo lugar.

O bicheiro Aniz (Anísio) Abraão David, patrono da agremiação, comprou uma cobertura de 2 mil metros quadrados em Copacabana, na Avenida Atlântica, que era de Roberto Marinho. Em 2011, ela foi invadida por policiais civis na Operação Dedo de Deus.

Estadão aproveitou a ocasião para contar como eram os réveillons mais chiques do Rio de Janeiro no tempo em que o doutor Roberto era dono do imóvel”.

E mais não digo, porque o texto merece ser lido na íntegra AQUI.

Depois de anunciado que a Beija Flor havia sido eleita campeã, Kiko Nogueira escreveu  outro artigo, sustentando que a verdadeira campeã é a Tuiuti, que ficou em segundo lugar.

Não acompanhei os desfiles, não entendo de Carnaval e não tenho como opinar. Mas, julgando pelos enredos das duas escolas, tendo a concordar com Kiko Nogueira. Eu não saberia escrever tão bem assim, como ele: Continuar lendo

Marchinha vencedora do concurso de 2018 fala sobre piada que é metrô de BH; ouça

“Há tempos tou esperando, esperando o metrô! Eu era criancinha, hoje sou avô!”

Quem mora em Belo Horizonte vai se identificar imediatamente com esta marchinha, de autoria de João Batera e Dimas Lamounier, que venceu o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas neste ano. A final foi no último domingo (4).

Beagá só tem uma linha em operação, de 28,1 km, apenas em trechos de superfície, que liga o Eldorado, em Contagem, a Vilarinho, em Venda Nova. O tempo de viagem é de 44 minutos. Passa por uma pequena porção da região central da cidade. Não tem nenhuma estação na região da Savassi, por exemplo, que é extremamente movimentada e com grande concentração de prédios comerciais. Nada também na Pampulha ou no Barreiro:

São 25 trens, mas só 21 em operação, cada um com capacidade para atender 1026 passageiros. Eles atingem velocidade máxima de 80 km/h. O intervalo entre as viagens chega a 7 minutos em horário de pico e 12 minutos nos demais horários (ou até 15, nos sábados). Estas informações estão AQUI.

Uma linha, minha gente!

E não é por falta de promessas: leia AQUI, AQUI e AQUI três boas reportagens sobre o assunto, em ordem cronológica de publicação.

Pra piorar, o noticiário da semana informa que o metrô de BH corre o risco de ter o funcionamento reduzido ou até parar, por falta de recursos. Ou seja, o que já era insuficiente e ineficaz vai ficar ainda pior. E dá-lhe carros nas ruas!

Por tudo isso, a marchinha vencedora do concurso carnavalesco mais politizado do Brasil mereceu o prêmio. Estava atualíssima!

OUÇA ABAIXO: Continuar lendo

Com que roupa eu vou? Escolha a melhor fantasia para o Carnaval 2017

Desde que o Carnaval de BH começou a bombar, aproveitei todas as folgas dos plantões para curtir um pouquinho a festa. E uma das minhas maiores diversões sempre foi observar as fantasias ultracriativas que os foliões inventam e fotografar as mais legais (hábito que adquiri ainda nos tempos de cobertura da Parada Gay de São Paulo).

Foi assim que montei a galeria de fotos “As Melhores Fantasias do Carnaval de BH“. Tem algumas bem diferentes, como: Continuar lendo