Marchinha vencedora do concurso de 2018 fala sobre piada que é metrô de BH; ouça

“Há tempos tou esperando, esperando o metrô! Eu era criancinha, hoje sou avô!”

Quem mora em Belo Horizonte vai se identificar imediatamente com esta marchinha, de autoria de João Batera e Dimas Lamounier, que venceu o Concurso de Marchinhas Mestre Jonas neste ano. A final foi no último domingo (4).

Beagá só tem uma linha em operação, de 28,1 km, apenas em trechos de superfície, que liga o Eldorado, em Contagem, a Vilarinho, em Venda Nova. O tempo de viagem é de 44 minutos. Passa por uma pequena porção da região central da cidade. Não tem nenhuma estação na região da Savassi, por exemplo, que é extremamente movimentada e com grande concentração de prédios comerciais. Nada também na Pampulha ou no Barreiro:

São 25 trens, mas só 21 em operação, cada um com capacidade para atender 1026 passageiros. Eles atingem velocidade máxima de 80 km/h. O intervalo entre as viagens chega a 7 minutos em horário de pico e 12 minutos nos demais horários (ou até 15, nos sábados). Estas informações estão AQUI.

Uma linha, minha gente!

E não é por falta de promessas: leia AQUI, AQUI e AQUI três boas reportagens sobre o assunto, em ordem cronológica de publicação.

Pra piorar, o noticiário da semana informa que o metrô de BH corre o risco de ter o funcionamento reduzido ou até parar, por falta de recursos. Ou seja, o que já era insuficiente e ineficaz vai ficar ainda pior. E dá-lhe carros nas ruas!

Por tudo isso, a marchinha vencedora do concurso carnavalesco mais politizado do Brasil mereceu o prêmio. Estava atualíssima!

OUÇA ABAIXO: Continuar lendo

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Abaixo a gourmetização do mundo!

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Apesar de não ter sido selecionada entre as finalistas do Concurso de Marchinhas, a música “Explosão Gourmet”, de Alexandre Pimentel e Guilherme Freitas, tem, para mim, uma das melhores letras entre os candidatos deste ano.

Já faz tempo que quero escrever um post sobre isso, mas eles, de forma irônica e divertida, disseram quase tudo o que eu penso dessa gourmetização que vivemos hoje em dia. Vocês podem ouvir abaixo:

Outro dia tive que ir a um salão de beleza (uma das coisas que só faço a cada seis meses, e olhe lá; toda vez que invento de fazer a unha com manicures profissionais, elas me arrancam um bife e saem se justificando: “Nossa, mas como sua cutícula é fininha, né! Parece de um bebê”. Eu fico com cara de já-sabia-que-iam-fazer-isso-então-deixa-pra-lá-mas-nunca-mais-volto-aqui). Como eu ia dizendo, tive que ir a um salão, mas este era tão metido a besta que o nome era “estúdio” (ou studio?) não sei das quantas. E aí percebi que: se o salão é normal, chama salão. Se é gourmetizado, virou instituto, estúdio ou ateliê de beleza.

Padaria gourmetizada é ateliê de pão. Cafeteria gourmetizada é laboratório de café. Lanchonete gourmetizada é poãodequeijaria. Os prédios de luxo não vêm mais com churrasqueira coletiva, vêm com “espaço gourmet”. E, é claro, se alguma coisa ganha este adjetivo pendurado no nome, o preço dobra ou triplica.

Gourmetizar é tipo o tucanizar, cunhado pelo brilhante Zé Simão, mas muito piorado. Porque não é raro que qualquer feijão com arroz da vovó seja tachado de gourmet – e aí, meu amigo, prepare para pagar o preço de um caviar. É tipo a galinhada do Alex Atala: é a galinhada da vovó, idêntica, mas com grife. Galinhada gourmet.

Já inventaram picolé gourmet, sorvete gourmet, brigadeiro gourmet, vinho, cerveja, praticamente tudo. Falta o torresmo gourmet, pra acompanhar a cachaça, já gourmetizada há tempos (outro dia fui a um restaurante que tinha “cachaçaer”, o sommelier da cachaça).

Fica a ideia: quem lançar o torresmo gourmet vai ganhar o meu respeito e admiração! O paradoxo que junta a sofisticação com a tosqueria, praticamente uma versão culinária da marchinha zoada que ficou de fora do concurso de Carnaval.

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Ouça as 15 marchinhas que foram para a semifinal do concurso!

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Na quinta à noite a página oficial do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas divulgou as 15 marchinhas que foram pré-selecionadas para uma apresentação na Banda Mole (de graça, aberto ao público, na ruuuua!), que será no dia 7 de fevereiro, a partir das 13h.

Lá, cinco serão eliminadas e vão sobrar dez finalistas, dos quais sairão os seis vencedores premiados. Por isso, estou chamando esta fase de semifinal 😉

Já ouvi todas as marchinhas. Achei algumas muito boas, outras acho que fogem da proposta (viraram axé ou samba, mas muito sofisticado para uma marchinha de Carnaval), embora também sejam ótimas. Teve músicos experientes participando, como Chico Amaral, Makely Ka, Gustavo Maguá e Marcos Frederico, além de outros que eu não conheço de nome, mas devem estar na área com suas bandas aqui de BH.

Neste ano, não teve um supertema politizado, como aconteceu nos anos anteriores, em que os vencedores foram marchinhas sobre o helicóptero de Zezé Perrela, a Copa do Mundo e um escândalo encolvendo Léo Burguês, então presidente da Câmara Municipal de BH. Desta vez, os temas são mais leves e variados: calor, falta de chuva, trânsito e mobilidade, canabidiol, juízes que se acham deuses, Charlie Hebdo, pau de selfie (uma das mais divertidas, com aqueles trocadilhos bem típicos de marchinhas), a gourmetização de tudo, a declaração infeliz do prefeito de Guarapari (ótima letra!!!) etc.

Enfim, acho que não tem nenhuma unanimidade neste ano, nenhuma favoritíssima ao prêmio, como aconteceu no ano passado com o Baile do Pó Royal.

Por isso, ouça todas elas e escolha a sua favorita:

  1. Adão e Eva (Mauro Bainha / Douglas Silva / Victor VDS / Ewerton Augusto)
  2. Bibi fomfom (Du Macedo/Francisco Forreaux/Julia Bianchi)
  3. Cordão da Conceição (Chico Amaral)
  4. Do desespero à alegria (Pablo Castro)
  5. Essa cana-bidiol (Ruston Albuquerque, André Albuquerque e Ricardo Gomes)
  6. Eu quero todo mundo dando beijo na boca (Luiz Rocha)
  7. Eu sou Charlie (Valdênio da Adelaide)
  8. Explosão Gourmet (Alexandre Pimentel e Guilherme Freitas)
  9. Marchinha do Chove não move (Maurício Ribeiro)
  10. O Diabo que carregue (Makely Ka)
  11. Rejeitados de Guarapari (Flávio Boca, Rae Medrado, Sérgio Duá)
  12. Rock’and roll de carnaval (Rafael Fares, Thiakov, Nando Goulart)
  13. Selfolia (Gustavo Maguá/Vitor Veloso/Alexandre Horta)
  14. Sudorese em BH (Thiago Dibeto / Marcelo Guerra / Olavo Botelho)
  15. Tira a mão do meu pai (Zezé Daniel e Marcos Frederico)

Minhas favoritas e que ganharão minha torcida são a da gourmetização, a de Guarapari e a do pau de selfie — a única, aliás, a fazer trocadilhos sexuais, que são uma tradição no Carnaval brasileiro desde os tempos da minha bisavó, mas quase não foi explorada pelas outras marchinhas. Eta, povo certinho…! 🙂

E você, gostou mais de qual ou quais delas? 😀

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