12 posts sobre o AMOR para os românticos do Dia dos Namorados

Nunca tive muita paciência com o Dia dos Namorados, nem quando solteira, nem quando namorando, nem hoje, casada. Mas sempre gostei de falar sobre o amor! Já foi tema de diversas reflexões aqui do blog, tanto pelo lado mais otimista quanto pelo mais desalentado do sentimento – porque eu já vivi as duas extremidades (e quem nunca?).

Separei meus favoritos aí embaixo, para quem estiver no clima hoje, só ou bem acompanhado:

  1. Neste Dia dos Namorados, inspire-se com o amor real
  2. 147 maneiras de chamar o seu amor
  3. Post dedicado aos solteiros desesperados para estarem com alguém
  4. Mas “eu te amo”
  5. Dia do amor
  6. Erro de digitação: uma história de amor real
  7. Equação do amor
  8. Flanando sem rumo, esbarrei no amor alheio
  9. Procura-se um amor
  10. “Descontratando” o pedido de casamento
  11. O amor é lindo (mas cafona)
  12. 10 textos para refletirmos sobre o respeito a TODA FORMA de amor

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Começou a contagem regressiva para as férias!

Eu tive muito poucas férias na vida.

Mesmo quando era “funcionária pública”, concursada pelo Banco do Brasil — a empresa mais certinha em termos de direitos trabalhistas na qual já trabalhei na vida –, eu sempre tirava férias quando já estava quase vencendo o prazo de dois anos. Na época, o esforço era para conciliar as férias no trabalho com a pausa na faculdade, em meses muito disputados também por outros colegas.

Daí entrei na “Folha de S.Paulo” e, bom, fiquei quatro anos sem férias de verdade. No máximo, uns dias de pausa perto do Natal.

Depois voltei a Beagá em outubro de 2012 e fui tirar minhas primeiras férias em maio de 2014. Merecidíssimas, desejadíssimas, foram minhas melhores férias de que consigo me lembrar. Pegamos o carro e descemos vários quilômetros em uma road trip até Santa Catarina, com diversas paradas por praias, cachoeiras e pela maravilhosa Serra da Mantiqueira. Lavei a alma e voltei com pique total para o jornal “O Tempo”.

Depois tive férias de novo em julho de 2015, já grávida, bastante prejudicadas por uma sinusite que me derrubou por uma semana. E em maio de 2016, emendando com a licença-maternidade, que eu não considero que tenham sido férias de verdade, porque era o dia inteiro por conta do Luiz, naquela fase da vida de mãe em que eu mal conseguia sair de casa por meia hora sozinha, porque tinha que amamentar toda hora e blablablá. E foi isso.

Daqui a exatamente 1 mês, terei minhas primeiras férias de verdade desde 2015, férias com direito a viajar, a desconectar, a refugiar, a esquecer senhas, a ler um bom livro, a sair da rotina até cansar. Ahhh, mais uma vez, espero ansiosamente pela oportunidade de lavar a alma, para voltar renovada, desestressada, pronta pra dar o gás total de novo.

Eu sou uma pessoa quase workaholic, custo a me desligar do trabalho no dia a dia, dou um gás sobre-humano em todos os empregos, visto a camisa completamente do trabalho que eu estiver exercendo no momento, nunca faço só o que me é pedido, sempre tento ir além, e além, e além. Mas considero o descanso uma das coisas mais essenciais do universo. Pra alguém com tanta carga de energia como a que eu dedico, se não tiro um descanso nos fins de semana, uma hora, eventualmente, eu pifo.

Folgas são fundamentais.

Com isso em mente, e curiosa, fui pesquisar sobre a origem das férias. Fiquei surpresa ao constatar que são poucos os textos a respeito no Google, e poucos com qualidade. O melhor que achei foi este do TST, que traz um histórico mundial da adoção das férias, além de algumas regras e curiosidades. Recomendo a leitura na íntegra, mas destaco uns trechos muito interessantes:  Continuar lendo

Algumas histórias sobre Alberto Dines (1932-2018) no livro ‘Sucursal das Incertezas’

Alberto Dines fará falta ao jornalismo brasileiro | Foto: Divulgação / EBC

 

Enquanto escrevo este post, na noite de terça-feira (22), meu pai está trabalhando na roça, sem acesso a tevê ou internet. Provavelmente ainda não ficou nem sabendo que o grande jornalista Alberto Dines, com quem trabalhou no “Jornal do Brasil”, morreu algumas horas atrás.

Na falta de um texto do meu pai, o jornalista José de Souza Castro, sobre seu quase contemporâneo (meu pai tem 74 anos, Dines tinha 86), dei uma busca no livro “Sucursal das Incertezas” (disponível para download gratuito na Biblioteca do Blog), em que meu pai conta várias histórias sobre o jornalismo brasileiro desde os tempos do telex ponta a ponta. Alberto Dines é citado nominalmente lá 33 vezes.

Pincei quatro trechos marcantes, mostrando como Dines era inteligente e driblava a censura da ditadura militar brasileira, além de um que fala sobre como foi demitido do “Jornal do Brasil”. Boa leitura:

 

“Alberto Dines, convidado no começo de 1962 para ser o editor-chefe, substituindo Jânio de Freitas (Odylo havia saído em 1958), consolidou as mudanças no jornal. No começo da década de 70, o JB era o maior jornal do Rio, com tiragem de 150 mil exemplares em dias úteis e 230 mil aos domingos. Considerando-se que a população brasileira era metade da atual, os números são impressionantes, se comparados com os de agosto de 2007, quando o Globo vendeu 276.733 exemplares por dia, em média, ficando em terceiro lugar no ranking do Instituto Verificador de Circulação (IVC), atrás da Folha de S. Paulo e, surpreendentemente, do tablóide mineiro Super Notícia, o mais vendido no país.

Como editor-chefe, Dines criou, entre outros, o Caderno Especial, a Revista de Domingo – um caderno de oito páginas, precursor da revista de nome igual lançada em abril de 1976 –, o suplemento Livro (um guia quinzenal de idéias e publicações), o Caderno i (infantil), o JBzinho e o Festival JB de Curta-Metragem. Conviveu com a censura prévia e com a intimidação e a prisão de diretores e editores, em pelo menos duas ocasiões. O JB teve a sede invadida por militares em 1964, sofreu boicote econômico na década de 70 e publicou algumas páginas “subversivas” que ficaram na história do jornalismo brasileiro.

Com base no AI-5, editado dia 13 de dezembro de 1968, no ano seguinte um redator do JB, Antônio Callado, teve os direitos políticos cassados por dez anos. Nascido em Niterói em 1914, Callado foi contratado pelo JB em 1963. Esteve preso por alguns dias logo depois do golpe militar. O jornal enviou-o à Ásia, em 1968, para cobrir a Guerra do Vietnã. Na volta, foi preso e ficou na cadeia por 15 dias. Os militares no poder, aliados e admiradores dos Estados Unidos, não gostaram das reportagens. Além de cassar seus direitos políticos, o presidente Arthur da Costa e Silva, por decreto, proibiu Callado de trabalhar em qualquer veículo de imprensa no Brasil.

Ele não podia também lecionar ou exercer outras atividades intelectuais no país. Ser trabalhador braçal, se exilar ou morrer de fome – eis as opções que lhe oferecia, sem explicitá-las, o amável general. Pressionada, a condessa Pereira Carneiro demitiu Antônio Callado, mas manteve-o, secretamente, na folha de pagamentos, até que o decreto fosse revogado pelo próprio Costa e Silva.”

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“Elio Gaspari, que foi editor de Política, por algum tempo, afirma no livro A Ditadura Escancarada que, na década de 70, o JB não ostentava a mesma ousadia do final dos anos 60. No dia da decretação do AI-5, que institucionalizou a ditadura, o editor-chefe Alberto Dines encontrou uma forma de ludibriar os censores. Usou o espaço em que o jornal normalmente divulgava a previsão meteorológica, no canto superior esquerdo da primeira página, para informar aos leitores: “Tempo negro. Temperatura sufocante, o ar está irrespirável, o país está sendo varrido por fortes ventos”.

Passou batido pelo censor, mas não pelo governo, que prendeu o diretor José Sette Câmara, ex-governador do Estado da Guanabara. A condessa Pereira Carneiro reagiu: avisou que a circulação do JB ficaria suspensa enquanto seu diretor continuasse preso. O governo tentava passar a idéia de que o país era democrático, e recuou temendo a repercussão que tal fato teria internacionalmente. No mesmo dia da prisão, Sette Câmara foi solto.”

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“Alberto Dines havia transformado o JB numa espécie de escola de jornalismo. Ele lançou em 1965, depois de terminar o curso na Columbia University, os Cadernos de Jornalismo (mais tarde chamados de Cadernos de Jornalismo e Comunicação). Seu editor, até o caso do seqüestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, era o mineiro Fernando Gabeira, responsável também pelo Departamento de Pesquisa, com o qual o jornal podia aprofundar temas tratados em reportagens, artigos e editoriais.”

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“Alberto Dines lembra que havia planejado publicar com grande destaque o golpe no Chile e a morte do presidente Allende, em 11 de setembro de 1973. Depois de fechada a edição, Dines tomou conhecimento, já em casa, da comunicação da Polícia Federal de que o assunto não poderia ser manchete. Ele voltou ao jornal e resolveu publicar a primeira página sem qualquer título – sem manchete, como exigia o governo –, mas com o texto, em corpo maior que o normal, ocupando toda a página (com exceção, é claro, do sagrado “L” dos Classificados). O truque agradou a todos, menos ao governo.

– Coincidência ou não, três meses depois fui demitido do JB – afirmou Dines, num depoimento para o projeto Memória da Imprensa Carioca.

A saída de Dines foi traumática. No dia 7 de dezembro, no cantinho esquerdo, no alto da página 3, o JB publicou, sob um singelo título (Aos leitores): “Deixou ontem o lugar de Vice-Diretor Editor-Chefe do Jornal do Brasil o jornalista Alberto Dines. Na mesma ocasião, a Diretoria decidiu extinguir o cargo de Vice-Diretor Editor-Chefe”.

Só. Nos dias e meses seguintes, Dines não voltou a ser mencionado no jornal, nem mesmo nas muitas colunas assinadas. O nome virou tabu.

No entanto, o jornal não tinha do que reclamar, a julgar pelo balanço de 1973, publicado no dia 22 de abril do ano seguinte. O JB faturou bem no último ano de Dines no jornal e lucrou o equivalente a 7,7 milhões de reais, para um capital social de 50,8 milhões de reais. Com a conclusão da nova sede, na Av. Brasil, 500, afirmava o relatório da diretoria, “as operações, economicamente melhor desenvolvidas nas novas instalações, geraram uma Receita 40,2% superior à do exercício anterior, incrementando a tiragem vendida em 32% e a produção de páginas de publicidade em 28%”. Contudo, o balanço expunha números que levariam, mais tarde, ao estrangulamento financeiro do jornal. Inclusive, o exigível em longo prazo equivalente a quase três vezes o montante do capital social.”

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Não preciso nem dizer que recomendo a todos que se interessem pela história recente do Brasil (que alguns querem trazer de volta, lamentavelmente) ou que se interessem por jornalismo a leitura do livro “Sucursal das Incertezas”, que meu pai escreveu e deixou disponível para quem quiser baixar, de graça, bastando clicar AQUI. Em outro trecho que não coloquei aí em cima, ele lembra uma frase que diz muito sobre a personalidade de seu ex-chefe Alberto Dines: “Comandar não é dar ordem, comandar é aprender, fazer junto, co-mandar: o outro também manda, você manda junto”. Como deve ter sido bom ser comandado por alguém que pensa assim, não é mesmo?

Outro jornalista que respeito muito e que prestou homenagens a Alberto Dines foi o Ricardo Kotscho. AQUI é possível ler o texto dele. Esta matéria da Agência Brasil traz um resumo biográfico de Dines, para quem não conviveu tão bem com ele quanto os jornalistas Kotscho e José de Souza Castro.

 

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Chego aos 33 anos de idade e o que aprendi é: precisamos mudar mais

Chego aos 33 anos de idade hoje e a única palavra que passa pela minha cabeça ao tentar me definir, neste momento, é esta:

cansada.

Sim, também estou feliz com algumas conquistas pessoais, estou cada dia mais encantada com meu pequeno filhote, estou ainda na batalha por um jornalismo decente e por um mundo melhor, amo meu marido, e acho que estou aprendendo a valorizar mais essas coisas básicas, como a família e os amigos de verdade. São muitos sentimentos bons passando pelas minhas veias, apesar da inevitável preocupação com os rumos políticos do país.

Ainda assim, sou puro cansaço. Enquanto escrevo estas linhas, são apenas 22h e já estou pescando na frente do computador. Só quero dormir. Vou lá pra cama assim que terminar.

E hoje, neste 27 de março, quando o post vai ao ar, estarei fazendo mais uma mudança de endereço. Nos últimos 10 anos, eu me mudei 8 vezes:

  1. Da casa dos meus pais em Beagá para um hotel em São Paulo, onde vivi por 5 meses durante o trainee da “Folha”;
  2. Do hotel para uma kitnet compartilhada, onde vivi por outros 5 meses;
  3. Da kitnet compartilhada pra uma kitnet onde morei sozinha, durante 18 meses;
  4. Desta para outra kitnet maior e mais barata, quando me avisaram que o aluguel iria dobrar (!);
  5. Desta para uma kitnet em Beagá, para onde voltei depois de quase 5 anos na Terra Cinza;
  6. Desta para um apartamento onde fui morar, já casada;
  7. Deste para outro apartamento, onde fui morar, já com filhote;
  8. E agora que o contrato de aluguel venceu, para um outro apartamento.

Só de lembrar de todas estas mudanças, eu me canso mais. Mas mudar é bom. Seja de profissão, de hábitos, de rotina, ou de vizinhança.

Hoje, estarei off-line, no caos das caixas por fazer e desfazer, dos utensílios por guardar em armários, sem poder receber cumprimentos virtuais de parabéns. Estarei vivendo mais uma mudança. E mudar dá um trabalho do cão, cansa mesmo. Mas também rejuvenesce. Reorganiza. Várias coisas serão doadas ou jogadas fora nesse processo. Só o necessário permanecerá.

Com a vida, quero que o mesmo se dê, cada vez mais. Nesses 33 anos, já desfiz várias amizades que estavam me fazendo mais mal do que bem. Já pedi demissão de três empregos, que também estavam me fazendo mais mal do que bem – um deles era inclusive concurso público disputado. Coisas e pessoas foram dispensadas da minha jornada, por razões diferentes, mas parecidas. Seguirei nesse processo de reciclagem constante, para que os próximos 33 anos, se eu tiver a sorte de vivê-los, tenham a bagagem mais leve possível.

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