O dia em que achei que falaria com Boechat

Nunca vi o Boechat pessoalmente, não peguei elevador com ele, ele não ajudou a alavancar minha carreira, não ganhei prêmio de jornalismo junto com ele, não dividi bancadas com ele, nada disso que li em tantos “eubituários” (expressão maravilhosa que pego emprestada de uma amiga) que surgiram ontem, com homenagens mais autoprestadas do que direcionadas ao grande jornalista da vez que o Brasil perde.

A única história pessoal que tenho envolvendo o Boechat é tão prosaica e tão nada a ver, que vou compartilhar só por isso.

Minha irmã Viviane Moreno era foca e eu estava ou no colégio ou no primeiro ano de faculdade. Ela estava cobrindo o “Criança Esperança” e me ligou de lá, toda empolgada. Uma barulheira infernal do outro lado da linha.

– Alô, Cris? Estou aqui com um grande ídolo seu, um cara de quem você é fãzona, por isso falei com ele que tinha que te ligar!
– Que legal! Quem?
– (Barulheira horrível, a resposta é ininteligível)
– QUEM?
– O (barulho) Bo… (barulho indecifrável)
– Quem?!
– (Impaciente) O (barulho parecendo “boche”)!!!!!!
– Boechat? Ricardo Boechat???
– NÃO, CRIS! O GUSTAVO BORGES! O nadador!
– Ah, tá…

A esta altura, quando ela passou o telefone pra eu falar com ele, Gustavo Borges já estava achando que eu não era fã coisa nenhuma, que minha irmã era doida, e ela já estava morrendo de vergonha. E eu sem saber o que falar com meu atleta favorito, que confundi com um jornalista famoso, graças aos ruídos telefônicos e ambientais…

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Agora, falando em depoimentos realmente singelos para o jornalista que morreu de forma tão inesperada, recomendo a leitura deste da Mônica Bergamo, que dividiu a bancada com ele durante mais de 10 anos.

Ela também é famosa, também é uma baita jornalista, mas seu depoimento não é sobre ela própria, e sim sobre o carinho que Boechat despertava em seus ouvintes/telespectadores/leitores. Aí, sim!  😀

 

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O escorregão de Boechat 18 anos antes da queda do helicóptero

Texto escrito por José de Souza Castro:

Enquanto a Aeronáutica pesquisa a causa do acidente de helicóptero que matou nesta segunda-feira o jornalista Ricardo Boechat – para que fatalidades parecidas não se repitam – lembrei-me de um episódio de junho de 2001 que serviu para reforçar minha convicção de que é vital manter a ética na profissão que escolhemos. Até onde sei, foi a única vez que Boechat se descuidou, pagando com sua demissão do jornal “O Globo” e seu afastamento do “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo.

Como muitos leitores não se lembram do episódio e outros não terão sido informados a respeito pelos generosos necrológios devidos a um dos mais importantes jornalistas brasileiros da atualidade, vou tratar disso aqui.

A demissão de Boechat me deixou marcas. Em 2001, quando ambos estávamos n’O Globo, eu como simples repórter e ele o mais importante colunista do jornal, Boechat foi demitido. Era um domingo, 25 de junho. Aos leitores, não foi explicado o motivo, limitando-se o jornal a informar que estaria de volta a Coluna do Carlos Swann.

Não demorou para que a revista “Veja” descobrisse a causa da surpreendente demissão. A notícia pode ser lida AQUI e, com mais detalhes, anos depois, por Reinaldo Azevedo, em seu blog na Veja.

O fato é que Boechat havia tido acesso, mediante fonte amiga, de bastidores da luta do grupo canadense TIW, com apoio de três fundos de pensão de estatais que participaram do leilão de privatização da Telemig Celular e Tele Norte Celular, em 1998. Estes se juntaram para tentar, na Justiça, tomar o controle de Daniel Dantas – dono do Banco Opportunity –, que, apesar de ter investido menos de 1% na compra das duas empresas de telefonia, passou a geri-las com plenos poderes.

O deslize ético de Boechat ficou claro num diálogo telefônico dele com Paulo Marinho, principal assessor do dono do “Jornal do Brasil”, Nelson Tanure, que tentava ganhar uma nota fazendo lobby em favor dos adversários de Daniel Dantas.

Boechat lê para Marinho a reportagem que havia escrito e que seria publicada pelo Globo no dia seguinte. E lamenta não ter podido evitar que ela saísse assinada com seu nome. Desse modo, ficaria evidente para a direção do jornal “O Globo” sua ligação com Nelson Tanure, o operador do negócio noticiado.

A seguir, dois trechos do diálogo (gravado por uma empresa de espionagem paga por Dantas) entre Ricardo Boechat e Paulo Marinho:

Boechat – Eu pensei em dizer ‘não assina, não’. Mas preferi ficar calado.
Paulo – Acho que você dizer pra não assinar eu acho um erro. Tu não pode dar esta montaria pra esses caras…
Boechat – Sabe o que mais? O último detalhe é o seguinte: aquela última nota nossa do dia 3, quando a gente… quando teve a reunião do conselho, que eu dei a história da demissão, lembra? Da demissão do Arthur (Carvalho, cunhado, braço direito de Daniel Dantas no Opportunity e o representante do banco nos conselhos de administração das telefônicas)…
Paulo – Lembro.
Boechat – Eles… quando deu, eu assinei. Eu dei na Agência Globo sem assinar.
Paulo – Eu sei, você disse que eles identificaram em dois minutos que era sua a nota…
Boechat – Eles botaram no ar um desmentido com meu nome. Então é ridículo eu ficar dissimulando… (…)
Boechat – Aí, comecei da seguinte maneira. É um texto curto e tal. Dizendo assim: (O jornalista lê na íntegra a reportagem que foi publicada em O Globo no dia seguinte.)
Paulo – Tá ótima a matéria, diz tudo o que a gente queria falar.
Boechat – Agora, não dá pra dizer que a atitude é ilegal, entendeu? Mas é isso aí.
Paulo – A matéria tá muito bem-feita, meu querido. Tá na conta. Não precisa botar mais p… nenhuma, não. O resto é como você falou: é adjetivação que você não pode colocar. (…)
Boechat – Os caras disseram que vão dar bem a matéria, vamos ver. (…)
Paulo – Amanhã, eu te ligo pra te dar notícia da matéria.
Boechat – Pra saber se deu certo.

Os advogados dos Fundos de Pensão e da TIW reproduziram a reportagem de Boechat na ação judiciária que propuseram dez dias depois contra Dantas. Quanto ao jornalista, soube-se pelo “Jornal do Brasil” o que aconteceu no dia em que seu diálogo foi divulgado pela imprensa:

“Boechat conversou na manhã de domingo com o editor-chefe do jornal, Rodolfo Fernandes. O jornalista perguntou se deveria escrever um artigo explicando seu diálogo ou apresentar pedido de demissão. Como resposta, escutou que sua situação já estava insustentável. À noite, o diretor-executivo do jornal foi até a casa de Boechat e oficializou a demissão”.

A decisão de demitir o jornalista foi unânime, ainda segundo o “Jornal do Brasil”. Os responsáveis pelo jornalismo das Organizações Globo consideraram que a conduta de Boechat feriu as normas do código de ética da empresa. Eles concordaram que o jornalista não poderia ter lido seu texto para Marinho nem discutido questões internas do jornal.

Eu gostava do Boechat. Fiquei triste, na época e agora.

 

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Por um 2019 com as melhores conquistas pessoais em meio a um ano tão ruim para o país

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É impossível pensar em um 2019 que seja bom no campo geral, nacional, social, tendo este presidente eleito que tivemos. Em um mês após as eleições, eu já tinha contado 40 retrocessos e absurdos. Média de mais de um por dia. Depois parei de contar. A lista certamente será maior – e mais definitiva para os brasileiros – a partir deste Primeiro de Janeiro de 2019.

Seguiremos acompanhando o desmonte do patrimônio nacional, a começar pelo petróleo e pré-sal, e as perspectivas de reduções drásticas de direitos civis, principalmente para as minorias. Seguiremos escrevendo a respeito, até onde nos for possível, aqui neste blog. E participando de eventuais protestos, caso os ânimos ressaqueados dos brasileiros os realizem.

E desejamos que, no campo pessoal, 2019 seja um ano de mais conquistas. Afinal, é como me disse meu sábio pai, quando cheguei aos prantos aqui em casa, depois da vitória do milico pró-tortura no segundo turno: “Foi durante a ditadura militar que eu me casei e tive quatro filhos. A vida segue, apesar dos pesares” (algo assim: eu captei com minhas palavras, mas ele deve ter dito bem melhor).

Meu ano de 2018 foi especialmente bem estressante, com três empregos diferentes em um mesmo ano, e um grande calote tomado, sem perspectiva de recebimento algum dia. Torço para que meu 2019 seja mais sereno, com direito a férias remuneradas (não tenho isso desde 2016; não tive quando achei que teria) e tudo o mais.

Mesmo que o cenário fique nublado demais, desejo a todos que consigam tocar suas vidas da melhor forma possível nestes próximos 365 anos, com fôlego renovado após a virada do calendário.

Aí vai uma ajudinha para 15 metas muito comuns, resgatada de um post de quatro anos atrás:

  1. Quero cultivar uma horta dentro de casa. Leia AQUIAQUI e AQUI.
  2. Quero perder peso ou ter uma vida mais saudável. Leia AQUIAQUIAQUI e AQUI.
  3. Quero trabalhar menos, ser menos workaholic ou me estressar menos no emprego. Veja AQUIAQUIAQUI e AQUI.
  4. Quero conseguir um emprego ou mudar para um emprego melhor. Veja AQUI e AQUI (para jornalistas).
  5. Quero aprender coisas novas, como um outro idioma. Leia AQUI.
  6. Quero mudar de apartamento. Leia AQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI.
  7. Quero mudar de cidade/Estado. Leia AQUIAQUI e AQUI.
  8. Quero viajar mais. Leia AQUI e todos os posts desta PASTINHA.
  9. Quero ler mais e ver mais filmes. Leia AQUIAQUI e AQUI.
  10. Quero parar de fumar. Veja os seguintes posts: AQUI AQUI.
  11. Quero parar de beber. Leia AQUIAQUIAQUI e AQUI.
  12. Quero fazer trabalho voluntário, doações ou exercer minha solidariedade. Leia AQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI.
  13. Quero conhecer um grande amor. Leia AQUI e AQUI.
  14. Quero superar uma grande dor ou uma fossa. Leia AQUI e AQUI.
  15. Quero superar uma doença. Leia AQUI.

Leia também:

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Filmes em 2018, melhores e piores

Tradição deste blog desde os primórdios, listo hoje os 40 filmes a que assisti neste ano, separando os melhores, os mais ou menos e os terríveis.

A grande maioria merece ser vista, considerando cada gênero. Entre parêntesis, em boa parte dos casos, você pode acessar o link para a resenha completa de cada filme, com notas mais específicas e o trailer:

Vale a pena ver:

  1. Bohemian Rhapsody (mais AQUI, nota 10)
  2. Infiltrado na Klan (mais AQUI, nota 10)
  3. Viva – A vida é uma festa (mais AQUI, nota 10)
  4. A Forma da Água (mais AQUI, nota 9)
  5. The Post (mais AQUI, nota 9)
  6. Eu, Tonya (mais AQUI, nota 9)
  7. A grande jogada (mais AQUI, nota 9)
  8. Todo o dinheiro do mundo (mais AQUI, nota 9)
  9. Três anúncios para um crime (mais AQUI, nota 9)
  10. Sr. Sherlock Holmes (mais AQUI, nota 9)
  11. Extraordinário (mais AQUI, nota 9)
  12. Corra! (mais AQUI, nota 8)
  13. Eu, Daniel Blake (mais AQUI, nota 8)
  14. Artista do desastre (mais AQUI, nota 8)
  15. O experimento do aprisionamento de Stanford (mais AQUI, nota 8)
  16. Roman J. Israel, Esq. (mais AQUI, nota 8)
  17. Doentes de amor (mais AQUI, nota 8)
  18. Benzinho
  19. Roda Gigante (mais AQUI, nota 8)
  20. Dunkirk (mais AQUI, nota 8)
  21. Mudbound (mais AQUI, nota 7)
  22. O destino de uma nação (mais AQUI, nota 7)
  23. Trama fantasma (mais AQUI, nota 7)
  24. Christopher Robin (mais AQUI, nota 7)
  25. Lady Bird (mais AQUI, nota 7)
  26. Os Incríveis
  27. Heidi

Veja se estiver com tempo sobrando:

  1. Nasce uma estrela (mais AQUI, nota 6)
  2. Me chame pelo seu nome (mais AQUI, nota 5)
  3. A melhor escolha
  4. A mulher mais odiada dos Estados Unidos
  5. Pegar e largar
  6. Será que?
  7. Pequena grande vida
  8. Perfeitos desconhecidos
  9. O bicho vai pegar 3
  10. Projeto Flórida (mais AQUI, nota 4)

Não veja!

  1. A Freira
  2. Cartão de Natal
  3. Peixonauta

 

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#Playlist: 10 canções para Belo Horizonte

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Hoje é aniversário da minha cidade do coração, Beagá, Belo Horizonte, Belô.

Por isso, fiz uma playlist especial, com canções que remetem a BH, muitas delas de artistas locais, como Affonsinho, Skank e Graveola.

Bom proveito!

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Ouça também:

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