Não é brincadeira

Tem coisa melhor que brincar com água e lama? Foto: CMC

 

O Luiz, assim como todas as crianças, fica completamente hipnotizado diante de uma tela. Já decorou os episódios de Peppa Pig e Masha e o Urso e aprendeu a falar “Youtube” antes do próprio nome – e olha que nem eu nem meu marido deixamos que ele fique com smartphone nas mãos por muito tempo.

Mas basta eu falar uma palavrinha mágica e o Luiz larga as telas sem pensar duas vezes: “BRINCAR“.

Pode ser que algum dia, provavelmente quando ele for uma “criança grande”, ou adolescente, nenhuma palavra, mágica ou não, faça com que ele desgrude do celular ou do videogame ou de qualquer que seja a moda da época. Aposto que isso vai me dar um aperto danado no coração também. Mas hoje, com seus 2 aninhos de vida, basta eu chamar pra brincar uma única vez e ele fica na maior alegria. Isso quando não é ele que me chama: “Bincar, mamãe!” Bonitinho demais.

Nada é melhor do que brincar com a mamãe ou o papai!

Não precisa ser nenhuma especialista para saber que nossas melhores memórias afetivas são criadas nesses momentos de brincadeira, lazer, passeios ou viagens. Escrevi sobre isso na semana passada. Basta qualquer um de nós fechar os olhos e se lembrar: nossas próprias lembranças confirmam a teoria. As mais doces envolvem brincadeiras.

Sabem como eu aprendi a ler e a escrever? Brincando de escolinha com minhas irmãs. Lembro direitinho da felicidade da minha mãe num dia em que ela pegou um envelope já usado, que estava sobre seu criado-mudo, e começou a escrever várias palavrinhas nele, enquanto fui lendo uma a uma. “Olha, a Cris já sabe ler!”, ela dizia, eufórica. Depois, ouvi a mesma história sendo repetida para várias pessoas: “Ela aprendeu a ler de tanto brincar com as irmãs, que fingiam ser as professoras e escreviam no quadro-negro de brinquedo”. Eu tinha 5 anos e lembro disso como se tivesse sido ontem. Olha o poder que esta memória tem! Continuar lendo

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Qual é sua melhor lembrança?

Viva aventuras! Foto: Elvis Ma

No dia 26 de dezembro, logo depois do Natal, é celebrado o Dia da Lembrança. Tudo bem que, naquele momento, nossas lembranças provavelmente giraram em torno de ceias com perus e farofas ou reencontros com familiares sumidos. Mas a data pode ser também uma oportunidade para uma reflexão mais profunda sobre quais são nossas lembranças mais importantes.

Vira e mexe me pego pensando em como é assustador o fato de que uns 90% da nossa vida vão parar no esgoto da nossa memória. São trilhões de momentos esquecidos sorrateiramente, dia após dia. Só uma minoria incrível é impressa em nosso cérebro. E são geralmente as lembranças mais marcantes, as menos corriqueiras, aquelas coisas que fogem da rotina, ou acontecimentos tragicamente ruins ou outros maravilhosamente bons.

Lembro muito bem do dia em que descobri que estava grávida, por exemplo. E também do dia em que o Luiz nasceu. Mas é custoso lembrar do que fiz há duas semanas. Meus aniversários estão gravados na minha memória de forma razoável, principalmente dos 16 anos para cá. Antes disso, ficam meio nebulosos, mas lembro bem do niver de 7 anos em que ganhei uma corda de presente e fui com a prima Marcela e a melhor amiga, Ju, brincar lá na garagem do prédio. Tem uma foto minha, toda suada e descabelada, ao lado da Kika, minha cachorrinha de quem herdei meu apelido, que ajudou a imprimir essa recordação na minha mente.

Naquele dia 26 de dezembro, as redes sociais da revista Canguru, na qual trabalho, lançaram a desafiadora pergunta aos seus leitores: “Qual é sua melhor lembrança?” Não resisti e respondi também. Foi difícil e seguramente não respondi com A MELHOR lembrança, mas com uma boa lembrança, com um sentimento perene que ficou marcado no meu coração. Até porque não tenho esse ranking das vivências mais marcantes de toda a minha vida (será que alguém tem? Um definitivo mesmo? Não invejo). Mas eis o que respondi:

Difícil escolher a melhor… Lembro com carinho da época em que a família toda ia ao sítio, eu adorava subir nas árvores, ficava bem acima do telhado da casa, no alto do ipê, me sentindo uma fada da natureza… A gente colhia amoras juntos, ou goiaba, ou andu, o que estivesse na época, e descascava ou debulhava em torno da mesa… Eu varria e limpava a casinha e às vezes passava o resto do dia lá dentro, lendo um livro, não raro com um barulho de chuva caindo lá fora… Cheiro de terra, passarinhos… As lembranças na roça, de uma época em que a família era mais unida, e eu ainda era criança, são as mais doces.

Gostei também de ler as respostas das outras pessoas:  Continuar lendo

A coisa mais legal de ser mãe: reviver meu lado criança

Dia desses, talvez influenciada pela Semana das Crianças, cheguei a uma conclusão sobre o que é a coisa mais legal de ter virado mãe: o mais legal de ter um filho é poder voltar a viver a infância!

Quando eu era criança, não queria crescer de jeito nenhum. Meu pai me apelidou de Peter-Pana, porque eu queria ser criança para sempre, vivendo na Terra do Nunca da minha imaginação fértil. Sempre gostei de brincar — brinquei de bonecas até os 15 anos, quando os hormônios e a pressão social já começaram a pesar. Mas brinco muito até hoje, já falei sobre isso aqui.

A diferença é que, com um filho pequeno, posso brincar MUITO MAIS! Logo depois do café da manhã, sento com o Luiz no chão da sala e brincamos de tudo: carrinho, pianinho, de jogar as coisas no chão, de guardar os brinquedos menores na latinha do Galo, de cantar, bater palminhas, olhar as figuras dos livros enquanto faço sons engraçados, rolar a bola grande, esconder e achar de novo, e mais uma infinidade de invencionices deliciosas. As gargalhadas que o Luiz dá e a carinha de surpresa, espanto, concentração, esforço, encantamento ou felicidade (são carinhas fofas que se alternam) tornam esse momento ainda mais divertido!

Depois que volto do trabalho, mais uma sessão de brincadeiras mil, mas desta vez com um ritmo menos frenético (porque é melhor o Luiz ir desacelerando no fim do dia, e porque já estou cansada). No fim de semana e em feriados, nem se fala. É o dia inteirinho brincando, com pequenos intervalos para as sonecas.

E fico pensando: vai ficar cada vez melhor, à medida que meu bebê for crescendo. Porque os jogos vão ficando mais interessantes, complexos, instigantes, desafiadores, até chegar o momento em que o Luiz vai me dar um xeque-mate no xadrez (ou não: joguei milhões de vezes com meu pai e só conquistei um xeque-mate e um empate; em todas as outras vezes, perdi de lavada).

Vou curtindo cada fase sem pressa, porque sei que a vida já corre por si só, mas cheia de expectativa pelas milhares de brincadeiras que eu e Luiz ainda vamos inventar juntos. Duas crianças: o filhinho e a mamãe Peter-Pana.

Definitivamente, esta é a parte mais incrível e divertida de ser mãe…! 😀

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