Pausa para um fim de semana desconectado

garfielddescanso3721Volto na segunda-feira 😉

 

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Mais uma chance de sermos solidários

Foto: Douglas Magno/"O Tempo" - 1.3.2013

Foto: Douglas Magno/”O Tempo” – 1.3.2013

Já falei AQUI da Fundação Sara, que ajuda a receber famílias que vêm do interior para Belo Horizonte para o tratamento de suas crianças com câncer. Elas já têm o sofrimento de lidar com um tratamento tão difícil, então a fundação as poupa do sofrimento de ainda ter que encontrar onde ficar e arcar com mais esses gastos de hospedagem, alimentação, transporte até o hospital etc.

Ainda não consegui criar coragem para me envolver, com a responsabilidade que isso requer, em um trabalho voluntário — como, por exemplo, faz minha colega Ana Paula Pedrosa, que foi quem me falou sobre o belo trabalho da Fundação Sara. Então, pelo menos, contribuo com a divulgação aqui pelo blog. Na esperança de que outros possam contribuir também, cada um à sua maneira, inclusive passando adiante a informação para os amigos 😉

Aos interessados, muita atenção: no próximo sábado, 31 de agosto, vai ser possível ajudar a fundação apenas comendo um sanduíche. Quem nos informa é a Ana Paula:

“No próximo dia 31 de agosto acontece em todo o país o McDia Feliz, ação coordenada pelo Instituto Ronald McDonald, que reverte toda a renda da venda de Big Macs para instituições que atendem crianças e adolescentes com câncer. Em Belo Horizonte, a beneficiada será a Fundação Sara Albuquerque Costa, que dá apoio ao tratamento de crianças e adolescentes. Empresas ou pessoas físicas podem ajudar comprando os tíquetes no valor de R$ 11,50, que podem ser trocados pelo Big Mac no dia 31 de agosto em qualquer McDonald’s do país. Telefone para informações: 31-3284-7690.
O dinheiro do McDia Feliz será usado no projeto Escola Viva, destinado a manter o vínculo dos pequenos com o ambiente escolar.
A Fundação foi criada há 15 anos pelo casal Álvaro e Marlene, quando eles perderam a filha, Sara, vítima de leucemia aos 4 anos. Na época do tratamento, a família, que mora em Montes Claros, teve que permanecer em Belo Horizonte por quase quatro meses e conheceu de perto as dificuldades de quem precisa sair de casa para acompanhar um filho em tratamento.”

A Ana assina uma matéria sobre o evento nas edição dos jornais “O Tempo” e “Super” de hoje. CLIQUE AQUI para ler.

Atenção: só vale o Big Mac. Se a rede de fast-food aproveitar para fazer uma promoção de outro sanduíche, ou lançar um brinquedo novo no McLanche Feliz, não caiam na tentação de trocar, porque a renda do Big Mac que vai para a Fundação Sara!

Então é isso. Amanhã, as calorias estão liberadas, mas por uma boa causa 😀

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Os médicos e a blogueira — o fator Cuba

Recebi o depoimento, que reproduzo abaixo, de alguém que não pode ser acusado de comunista (nesses tempos de Nova Guerra Fria que vivemos no Brasil): o ex-presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais, Stefan Bogdan Salej.

“Quando tive uma aguda crise de saúde na visita oficial que fiz a Caracas na função de enviado especial da Eslovênia para América Latina e Caribe e Presidente do Grupo para América Latina e Caribe do Conselho da União Européia, levaram-me, em vez de para um hospital, para o Palácio Presidencial Miramar. Lá fui tratado por um médico do Presidente Chávez, um cubano.
Quando voltei para a Europa com uma verdadeira gambiarra no corpo porque não tinha nem isso e nem aquilo no ambulatório chaveta, o médico europeu disse que fui, do ponto de vista clínico, muito bem tratado. E os diplomatas cubanos em Bruxelas me colocaram imediatamente a par de todo o tratamento, felizes de que fui tratado por um conterrâneo deles.
Em dois anos que participei de reuniões da UE sobre a América Latina, e a maioria tratava de Cuba, não houve reunião de que os cubanos não soubessem em tempo real o que havia sido discutido pelos europeus. Em detalhes, o que falava quem. Nenhuma varredura conseguiu descobrir o vazamento. A diplomacia cubana era pertinaz, persistente, educada e inflexível. E apresentava o país como eterna vítima do imperialismo mundial. Mas, mais importante, era o uso com perfeição de sua posição geoestratégica e a mensagem de que a sua independência era importante para todos e em especial para a América Latina.
Os cubanos sabem o que querem e sabem quão importante para a independência deles é o bom relacionamento com o Brasil.
Depois de terem cutucado a onça com vara curta quando forçaram a condecoração de Che Guevara por Jânio Quadros e treinaram os guerrilheiros brasileiros, mudaram o disco e permitiram que uma tabacaria brasileira de origem anglo-americana se tornasse símbolo de resistência ao bloqueio americano, funcionando como brasileira na ilha. Permitiram que empreiteiros brasileiros, com generosos empréstimos, construíssem magníficas obras, e até permitiram a vinda da blogueira oposicionista ao Brasil.
A política externa cubana é coerente e tem objetivo e visão. E tem flexibilidade. Acabou a ajuda militar a Angola, forma-se um exército de dentistas, oculistas e outros médicos e manda-os para o mundo. Aliás, essa abertura, usando mão de obra qualificada para obter divisas, começou com o Marechal Tito, na década de setenta, quando a Alemanha precisou de mão de obra qualificada e a Iugoslávia mandou milhares de emigrantes. Mas não ficaram com as famílias amarradas e a absoluta maioria ficou na Alemanha.
E nesta história de vinda de médicos cubanos, é, do ponto de vista logístico, formidável um país dispor de 4.000 mil profissionais prontos, da noite para o dia, sem que seu sistema de saúde sofra qualquer alteração.”

Para mim, afora a questão do corporativismo médico, defendido pelos CRMs e sindicatos da categoria, e afora uma certa xenofobia e racismo em geral, na recepção dos médicos estrangeiros (como a “jornalista” que disse que as médicas cubanas mais pareciam empregadas domésticas e os jovens vaiando os médicos no Ceará aos gritos de “ESCRAVO! ESCRAVO!”), há, ainda, o fator Cuba.

Sim, porque os médicos cubanos estão sendo muito mais hostilizados do que os espanhóis, portugueses, argentinos e outros que já chegaram por essas paragens, atendendo à proposta (que não é de todo má) do “Mais Médicos”.

Os médicos acham um absurdo o governo criar um programa para alocar pessoas para trabalhar onde não querem (e não querem não só por ser um lugar “sem estrutura”, como alegam, mas também pelo direito, legítimo, que eles têm de quererem ficar perto da família, nos grandes centros, onde há supostamente mais conforto, embora os hospitais também estejam aos cacarecos, como em todo o sistema público e privado de saúde no Brasil). Beleza, têm todo o direito de achar e de protestar contra isso, mas o alvo não deveria ser o governo, em vez dos colegas estrangeiros?

Para mim, uma das razões para toda essa mobilização é o fato de Cuba, ainda hoje, mais de 50 anos após sua revolução, despertar paixões — de amor e de ódio –, em especial nos vizinhos latino-americanos.

Se não fosse isso, o que explicaria mobilização semelhante, mas partindo dos ditos “de esquerda”, contra uma blogueira cubana que apenas tinha vindo ao Brasil para expor, livremente, suas ideias, como espera-se que qualquer pessoa possa fazer num país democrático?

São motivos, propósitos, contextos e grupos diferentes que se mobilizaram no caso de Yoani Sánchez e agora, dos médicos cubanos. Mas os dois casos têm dois fatores em comum: a paixão pró e contra Cuba e a falta de educação, em geral, dos brasileiros, que ainda não se afeiçoaram à ideia de que uma democracia só é real quando as pessoas podem se expressar livremente, mesmo que defendendo uma posição contrária à nossa — e deveríamos lutar, se queremos uma democracia mais forte, justamente pelo direito de os outros gritarem as ideias contrárias às que defendemos.

Sobre isso, um rapaz, que não conheço, postou uma frase maravilhosa, que vai direto ao ponto, e que já foi compartilhada, até o momento em que escrevo, por mais de 73 mil pessoas no Facebook. Fecho este post com ela:

placacuba

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O discurso mais importante da História completa 50 anos (e o sonho ainda não foi realizado)

Marcha Sobre Washington, em 28.8.1963

Marcha Sobre Washington, em 28.8.1963

Há exatos 50 anos, 250 mil pessoas se reuniram na “Washington para a Marcha por Emprego e Liberdade” e ouviram o discurso mais importante da História, saído da boca de um emocionadíssimo Martin Luther King Jr., que tinha apenas 34 anos de idade. Aquele momento foi o cúmulo de protestos que tinham começado em 1955, quando a costureira Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar num ônibus para um branco e foi presa pelo gesto de revolta. King ganhou o Nobel aos 35 anos de idade e morreu, assassinado, aos 39 apenas. Mas suas palavras ecoam até hoje e até hoje me arrepio quando ouço ele dizer, por exemplo:

“Tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter.”

Ele repete sua frase “Eu tenho Um Sonho” como um refrão de uma música gospel ou de um lindo blues e, a cada hora que essa frase é disparada, vemos as lágrimas escorrendo no rosto dele e dos milhares que são filmados no momento.

King ainda não conseguiu ver seu sonho realizado. Nem em sua “América”, onde o número de negros presos é seis vezes maior que o de brancos. Nem no restante do mundo, onde ainda vemos mais negros assassinados no Brasil, por exemplo. Mas enquanto esse discurso continuar sendo ensinado às crianças, jovens e adultos, e mais e mais pessoas se conscientizarem de que as diferenças devem ser respeitadas e que o maior respeito é a igualdade perante a lei, ainda teremos esperança de que esse sonho de King um dia seja, enfim, realizado.

E “todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestante e católicos, poderão se dar as mãos e cantar, nas palavras da velha canção negra, ‘livres, enfim! Livres, enfim!'”

Quem quiser ler o discurso na íntegra AQUI ESTÁ.

Eu, pessoalmente, acho muito mais emocionante escutá-lo, direto do orador. Tem pouco mais de 15 minutos e são 15 minutos de mudar um mundo inteiro:

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Defesa desleal do mercado para médicos brasileiros

Charge do Lute para o jornal "Hoje em Dia" de  25.8.2013.

Charge do Lute para o jornal “Hoje em Dia” de 25.8.2013.

Texto escrito por José de Souza Castro:

Os brasileiros têm assistido nos últimos dias grande batalha entre o Ministério da Saúde e os Conselhos de Medicina. O primeiro parece defender o direito à saúde, explicitado na Constituição de 1988, mesmo que esteja de olho nas eleições de 2014 como alegam os que a ele se opõem; o segundo parece mais atento, salvo melhor juízo, à reserva de mercado para meio milhão de médicos brasileiros, se tanto, num país de quase 200 milhões de habitantes.

Depois das tentativas de demonstrar que há médicos em número suficiente no Brasil, o Conselho Federal de Medicina, que nos últimos anos vinha se destacando no combate à abertura de novas escolas de medicina, parece ter-se retraído, abatido pelos números impressionantes de falta de médicos nos municípios e regiões mais pobres divulgados pelo governo. O alarido maior agora vem dos Conselhos Regionais de Medicina. No último sábado, o correspondente da Agência Folha em Minas, Paulo Peixoto, publicou na “Folha de S. Paulo” o seguinte:

“Em tom de ameaça, representantes regionais da classe médica rotularam ontem de ‘ilegal’ a atuação de profissionais cubanos no Brasil por meio do programa Mais Médicos e prometeram acionar a polícia quando eles começarem a trabalhar no país.

Presidentes de CRMs (Conselhos Regionais de Medicina) também chamaram o programa de ‘afronta’ e disseram que eventuais erros cometidos por cubanos não serão corrigidos por brasileiros”.

O ministro da Saúde, de acordo com a Agência Estado, repudiou veementemente a declaração do presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas, João Batista Gomes Soares, que aconselhou médicos brasileiros a não socorrerem erros que venham a ser cometidos por colegas cubanos no programa Mais Médicos. “Não sei em qual juramento ele se baseou para fazer essa declaração. É omissão de socorro e é afronta ao código de ética médica. Nenhum profissional pode se negar a atender ou socorrer qualquer brasileiro ou brasileira”, disse o ministro Alexandre Padilha.

E acrescentou:

“Não admitimos qualquer incitação ao preconceito ou à xenofobia. Temos de receber de braços abertos os médicos e médicas que aceitaram convite do governo brasileiro, muitos deles colocando dinheiro em segundo plano”.

No texto de Peixoto, chamou atenção essa declaração de outro presidente de CRM, o do Maranhão, Estado que tem um dos piores atendimentos de saúde do país: “Não vamos dar registro para médico estrangeiro só porque a Dilma, o Padilha e o Mercadante, a tríade do mal no Brasil, estão mandando”. [O presidente desse Conselho Regional de Medicina chama-se Abdon Murad Neto.] E esta outra, do presidente do CRM do Paraná, Alexandre Bley: “É lei [o Revalida]. Não importa se o médico veio no colo do ministro ou da Dilma. É exercício ilegal da profissão, e isso é caso de polícia”.

Será? Mas não é lei, também, a Medida Provisória que liberou tais médicos – nesse caso específico – do exame de validação de diplomas para formados em escolas de medicina estrangeiras? O Revalida, pelo que se alega, tem servido de barreira quase intransponível para que médicos estrangeiros possam trabalhar no Brasil. Não sei quanto à sua dificuldade, pois nada entendo de medicina, mas bem que gostaria de ver quantos dirigentes do CFM e dos CRMs seriam aprovados num exame desses.

O que parece claro para mim é a defesa intransigente de um mercado, à custa de uma população sofrida. Sem dúvida, é atitude legítima de entidades de classe querer valorizar a profissão, mas não à custa de um povo e de outros profissionais. E muito menos sob o pretexto de estar defendendo a saúde dos brasileiros.

Um pretexto que não colou quando quiseram derrubar os vetos da presidente Dilma Rousseff à Lei do Ato Médico aprovado pelo Congresso Nacional. A manutenção dos vetos era defendida por 13 categorias não médicas, entre elas, psicólogos e enfermeiros. Os vetos foram mantidos pela maioria dos 458 deputados e 70 senadores que participaram da votação, há seis dias. “Com os vetos, prova-se possível que a atividade dos médicos seja regulamentada, sem que isso interfira de forma perniciosa na atuação de outros profissionais que se orgulham por participar da construção diária de uma saúde multiprofissional”, comemorou o Conselho Federal de Psicologia, que congrega 235 mil profissionais. Para o presidente do Conselho Federal de Enfermagem, Osvaldo Albuquerque, “os parlamentares tomaram o remédio da lógica e da razão”.

Enquanto os Conselhos de Medicina não fizerem o mesmo, veremos esse assunto tomando o tempo de juízes. Já se tentou no Supremo Tribunal Federal a declaração de inconstitucionalidade do programa Mais Médicos. Outras ações estão previstas. A cada ação deve corresponder uma reação. Como ocorreu, há um ano, quando o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) quis proibir o trabalho de parteiras e a realização de partos, mesmo feito por médicos, fora dos hospitais.

Essa defesa da profissão de médicos – reforçada, no caso, pela defesa dos hospitais – se vingasse, poderia impedir o trabalho de uma profissão tradicional no Brasil, reconhecida pelo Ministério da Saúde e regulamentada pela lei nº 7.498/86. A proibição foi derrubada pela 2ª Vara Federal do Rio, em ação proposta pelo Conselho Regional de Enfermagem. Segundo o juiz Gustavo Arruda Macedo, as resoluções 265 e 266 do Cremerj são incompatíveis com as normas federais e inviabilizam o exercício da atividade de parteiras, “porquanto ao mesmo tempo em que proíbem a atuação de médicos em partos domiciliares, com exceção das situações de emergência, também vedam a participação das aludidas profissionais em partos hospitalares”.

As resoluções do Cremerj eram pioneiras e, certamente, seriam acompanhadas por outros Conselhos Regionais, se subsistissem.

A mim, sobram motivos pessoais para defender essa categoria visada, pois eu e a maioria dos meus 11 irmãos – inclusive o que é médico – nascemos aos cuidados de uma parteira, numa área rural do interior de Minas. Infelizmente, não sei o nome dela, ao contrário de Alair Martins, o fundador do Grupo Martins, de Uberlândia, cuja biografia foi escrita por dois professores da Fundação Dom Cabral e está sendo lançada pela Campus/Elsevier. A parteira que foi à fazenda Córrego da Gordura, onde ele nasceu em fevereiro de 1934, era conhecida como Sá Marica. Feliz com mais um parto bem-sucedido, ela teria profetizado ao pai de Alair, seu Jerônimo: “Olha, esse menino vai ter muita sorte.”

É o que queremos para todos os brasileiros, principalmente para os que tiverem a sorte de serem atendidos por médicos, qualquer que seja a sua nacionalidade.

Infográfico da "Folha de S.Paulo" muito antes do imbróglio atual.

Infográfico da “Folha de S.Paulo” muito antes do imbróglio atual.

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