Os gordos vivem numa ditadura

De aliceecila.tumblr.com

Imagens tiradas de aliceecila.tumblr.com

Li agora um excelente post do excelente blog “Escritos ao Vento”, da jornalista Ana Paula Pedrosa (ele está listado entre os blogs favoritos, ali na coluna da direita; não deixem de conferir todos os que estão lá! ;)). Leia TAMBÉM.

Ela fala sobre a ditadura da magreza em que vivemos nos dias de hoje. E termina relembrando uma das campanhas da Unilever sobre a “real beleza”, que é mesmo linda. Não me lembro se já postei o vídeo aqui no blog, mas não tem problema repetir:

O comentário que deixei lá no blog da Ana ficou tão grande e tão empolgado, que resolvi trazê-lo para cá. Já faz tempo que prometi abordar aqui o preconceito que os gordinhos e gordões sofrem no mundo de hoje. Chegou a hora:

“Realmente é linda essa propaganda. A Unilever/Dove tem investido nas “mulheres reais” há bastante tempo em suas campanhas e sempre achei isso fantástico, já que a maioria das propagandas de xampu mostram aqueles cabelos que parecem um tecido e a maioria das propagandas de hidratantes mostram aquelas mulheres com “barriga negativa”.

Eu também sempre preferi ter a liberdade de comer o brigadeiro quando dá vontade ou tomar a cerveja na quarta à noite do que ficar fritando com meu excesso de peso, que, pela OMS, também nem atingiu o nível do “excesso”. Também, como você, desde a adolescência ouço que estou engordando. E não é fácil a gente assumir essa postura de E.T. numa sociedade tão enlouquecida pelo assunto. Mas pessoas com essa postura são cada vez mais necessárias.

Isso porque, no mundo de hoje, quem mais sofre preconceito — preconceito mesmo, de olhares desviados a olhares retorcidos — são os “gordos”. Não os “acima do peso”, como eu, mas os gordos mesmo. Não se vê um comercial de roupa com gordos, só agora estamos começando a ver manequins nas vitrines com roupas tamanho G ou GG, muito por causa do surgimento daquelas lutadoras modelos “plus size”.

Os gordos sofrem MUITO mais do que negros, mulheres, gays, pobres, carecas, judeus, ateus, qualquer “minoria” histórica que se preze. Com uma diferença: não têm uma associação política que faça lobbies por eles no Congresso ou lute contra o preconceito que sofrem, com cartilhas, passeatas e cartas a jornais. Não, são tão oprimidos e massacrados pela ditadura da magreza que nem sequer pensam em se expor pelo direito de terem o peso que quiserem ou que sua genética permite (porque há mil estudos que contestam a tese de que todo gordo é um infartante em potencial. Tem muita gente com gordura em excesso e com a saúde impecável). E são tão oprimidos que passam 100% do tempo pensando em como se tornarem, finalmente, ex-gordos.

Isso pra não falar dos que já estão magros e ficam perseguindo uma quase-anorexia. Tem algo de muito errado num mundo que permite sites vendendo remédios para a bulimia ou defendendo a anorexia. Um mundo que permite que modelos desfilem sua suposta beleza num corpo que parece o de crianças dos lugares mais famélicos da África, só cabeça, pele e osso.

Por isso, pessoas com a nossa postura são tão importantes neste mundo, mesmo sendo E.T.s. Continuemos nessa luta! :D”

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Não tenho nada contra um gordo almejar ser magro, inclusive por eventuais razões de saúde. Inclusive admiro muito as histórias daquelas mulheres e homens que estavam muito gordos e, por pura força de vontade, começaram a praticar exercícios saudáveis e acompanhados e seguir um cardápio mais nutritivo, até, aos pouquinhos, terem chegado a ficar com um peso “normal”. Só não acho saudável o gordo ser massacrado por todos os lados para fazer isso e viver infeliz, à cata do regime milagroso da vez. Ou apelar para exercícios extenuantes e errados e para alimentação de fome. Muitos acabam em depressão, na angústia eterna do regime sanfona. E nem sempre se trata de uma questão de “força de vontade”, como devem ouvir sempre. Há, sim, o fator genético. E há o hábito arraigado.

Uma pessoa que escreveu muito bem sobre o assunto foi o escritor Walcyr Carrasco, “ex-gordo”, em sua coluna da revista “Época” de 1º de julho. Aliás, as colunas dele nessa revista são muito boas. Nesta, ele também afirma que “atualmente gordos são mais discriminados que os negros” e que “ser gordo virou crime”. Também fala que a “anorexia, em vez de distúrbio, está se tornando virtude” e que “sutilmente, nos empregos, gordos perdem as vagas para magros”. Por fim, diz que “muitos gordos passam a acreditar que jamais serão amados”. “Quando encontram alguém, agem como se estivessem recebendo um favor.” Clique AQUI para ler.

Eu gostaria muito de ouvir a opinião de vocês, tanto dos gordos, quanto dos ex-gordos quanto dos magros e dos defensores da magreza. Os comentários abaixo estão aí pra isso 😉

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