Estamos ficando velhos

Cassette_Tapes

Olha, tenho só 28 anos.

Mas já tenho 28 anos.

E o “já” vai se tornando cada dia mais forte com o avanço tecnológico velocíssimo dos nossos tempos. Tudo bem, a expectativa de vida está se ampliando também, com os anos. Mas quando vemos uma criança de 4 anos nos dando um banho sobre como usar um iPhone, i-X, smart-não-sei-quê etc, o peso da idade crava nas nossas costas com as garras de um gavião.

Em dois jornais onde trabalhei, passei por mudanças de tecnologia na Redação. Trocaram um software pelo outro, treinaram o povo e as pessoas se adaptaram, mas, num primeiro momento, foi aquele pandemônio, um temor generalizado da mudança. É nosso gavião pendurado nas costas pedindo pras coisas serem como sempre foram.

Eu vivo numa ambiguidade, como esta que abre o post: ao mesmo tempo que aprendo rápido as novas tecnologias e acho que são bem-vindas, sinto uma enorme nostalgia das coisas “de antigamente”. Meu último carro tinha um toca-fitas no lugar do CD, e nem era original: isso já diz muito. Pra não falar que passei anos sem celular, enquanto todos já tinham um, depois passei anos com celular TDMA quando todos já tinham o GSM e, agora, continuo com a internet 2G, num celular comum, quando todos já migraram para o smartphone 3G, e alguns mais afoitos já compraram o 4G mesmo sem sinal compatível na maioria dos lugares. Isso porque sou jornalista e a tecnologia acaba fazendo a diferença no meu dia-a-dia. Mas não sinto que estou “defasada” só por viver como muitos viviam poucos anos antes ou muito melhor do que todos viviam antes ainda. Por isso, não tenho pressa.

Outra ambiguidade é que sinto que estamos cada dia mais apressados e que essas tecnologias trabalham para sempre nos apressarem mais. Mas o ritmo do mundo, da natureza e até do nosso organismo é mais lento. Será que essas tecnologias estão nos ajudando a ter mais qualidade de vida ou mais constantes ansiedade e estresse?

Assim, com todas essas perguntas na cabeça e um gavião encravado nas minhas costas, sinto que ainda sou jovem (às vezes, me vejo ainda como uma criançona), saudável e que tenho muitos anos pela frente, mas ao mesmo tempo velha, nostálgica e defasada. Uma ambiguidade ambulante.

O comercial abaixo, foi feito pelo Itaú já há alguns anos e provavelmente está defasado e velho. Mas, como aborda tecnologias ainda mais distantes, sua mensagem permanece atual. Já o assisti várias vezes e ainda me espanto com o que vejo ali. Hoje, decidi compartilhar minha velhice com vocês:

Posso estar ficando velha, essas crianças podem estar num mundo bem mais fácil, mas confesso que fico na maior tristeza ao ver uma delas reclamar do tamanho do bocal do telefone e outra exclamar: “Já viu CD quadrado?!”

A geração atual está ganhando — e perdendo muito.

Leia também:

Anúncios