Itacaré: dicas de passeios e restaurantes bons e baratos

 

Como prometi lá na página do blog no Facebook, hoje vou agregar um post bem completo à nossa pastinha Viagens & Turismo, sobre a linda cidade de Itacaré, na Costa do Cacau, na Bahia. Ela tem várias qualidades que adoro: é pequena (27 mil habitantes), charmosa, tem a natureza preservadíssima, tem muitas opções de passeio, é barata e, de quebra, tem uma ótima infraestrutura para os turistas (bancos, Correios, vários restaurantes bons e pousadas etc). Pra melhorar ainda mais, é uma cidade de fácil acesso, com voos diretos de Belo Horizonte (e várias outras capitais) a Ilhéus, que fica a apenas uma hora de distância – a passagem de avião BH-Ilhéus ficou a apenas R$ 120.

Vejam as dicas que registrei a partir da minha experiência em Itacaré neste mês de maio:

TRANSPORTE

A forma mais fácil de ir do aeroporto de Ilhéus para Itacaré é de táxi. Existem vários serviços, mas aproveito para recomendar o que eu contratei, que foi excelente: Ramos Turismo (73- 99962595/98081598 e o email ramostour@yahoo.com.br, sempre respondido com agilidade). Na baixa temporada, eles cobram R$ 140 por trecho, que é o preço que todas as empresas pediram. Você pode pagar na hora, não precisa fazer adiantamentos.

Atenção: há vários transportes clandestinos na cidade, oferecidos a todo momento, seja de mototáxi ou de lanchas. Fique atento para evitar entrar em uma fria. Já ouviu falar no “barato que sai caro”? Desconfie se o preço estiver muuuuito abaixo da média.

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HOSPEDAGEM

Confira algumas opções de pousadas AQUI e em sites como o Booking.com, ficando atento às avaliações de outros hóspedes! Achamos diárias de pousadas para casais na faixa de R$ 70 (ficamos em uma de R$ 84, que era um flat, com café da manhã incluso). A principal rua para os turistas é a Pedro Longo, na região de Pituba, que fica bem perto da praia da Concha. Aquele pedaço é o ideal para se hospedar — de preferências nas ruas paralelas à Pedro Longo, para você ter sossego quando não quiser mais badalações. Fazendo uma pequena caminhada, sem muito esforço, é possível chegar às outras praias da cidade: Resende, Tiririca, Costa e Ribeira. Há muitas opções de pousadas, hostels, flats e casas para alugar. Esta é uma boa cidade para conhecer turistas de todos os lugares do país e do mundo 😉

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PRAIAS e PASSEIOS

  • Concha – A praia do Concha é a mais próxima de Pituba, a região turística de Itacaré. Tem várias pousadas lá na orla mesmo, mas recomendo ficar em algum lugar entre a praia e a rua Pedro Longo, para a caminhada não se estender demais à noite. O mar ali é supercalmo, sem ondas, ideal para a prática de stand up paddle e de caiaque, ambos esportes fáceis mesmo para quem não está muito acostumado (tudo bem que eu fui sentada na prancha, em vez de em pé, rs). Há várias barracas/cabanas/quiosques ao longo de toda a orla, além dos tradicionais ambulantes, que vendem de tudo um pouco: o queijinho coalho no espeto, frutos do mar, cocadas, acarajé, cangas, saídas de praia, óculos escuros, chapéus etc. A cabana Brisa do Mar foi a que escolhemos para ficar. Eles sempre tinham coco gelado, mesmo estando em falta em outros quiosques, cerveja gelada, além de terem uma porção deliciosa de bolinho de aipim. Atendimento muito bom.

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  • Mirante – em uma das pontas da praia do Concha, na ponta do Xaréu, há um mirante, de onde se vê um espetáculo de pôr do sol! Já na outra ponta da praia há o farol.

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  • Coroa – esta é a praia do porto, não é para banhistas. Ela fica no centro histórico de Itacaré e também rende belas fotos.

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  • Resende – seguindo para o outro lado de Itacaré, a partir da praça da Mangueira, há uma estrada linda, cercada de mata atlântica preservada (como, aliás, em toda a cidade), que leva às outras quatro praias urbanas, começando pela Resende. Ela não tem muita infraestrutura, mas é bem bonita, com muitos coqueiros.

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  • Tiririca – Esta praia é procurada por surfistas, porque tem ondas mais agitadas. Tem também uma pista de skate lá. Uma de suas atrações são as bicas de água doce natural, deliciosas!

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  • Costa – esta praia tem ondas bem fortes e fica praticamente deserta, sem qualquer infraestrutura, pelo menos nesta época do ano.

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  • Ribeira – minha praia favorita, muito bonita, com um riacho de águas claras cheio de peixinhos desaguando no mar, formando belas piscinas naturais. Há duas cabanas no local, com preços mais salgados de cervejas, coco e petiscos. O mar também é mais agitado, mas muito bom de nadar e de surfar. Procurada também por quem gosta de tirolesa (altíssima!) e é o ponto de partida para a Prainha (após 40 minutos de caminhada), cartão postal da cidade e tida como uma das praias mais bonitas do Brasil.

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REFEIÇÃO

A rua Pedro Longo, que já citei, está lotada de bares e restaurantes de ótima qualidade e para todos os gostos e bolsos. Também é lá que você vai encontrar as lojinhas para comprar souvenires 😉 Vou indicar os meus favoritos, todos nessa mesma rua:

  • No Boteco – almoçamos lá três vezes, sinal do quanto achamos gostosa a comida. Aviso: é MUITO farta! Um prato executivo que seria teoricamente para uma pessoa é, na verdade, uma refeição que dá, com folga, para dois. Uma refeição que pedimos era tão grande que pedimos para embalar uma parte e ainda comemos na pousada, no dia seguinte. E tudo a um preço muito bom, com ótimo atendimento do casal dono do lugar. Recomendo os três pratos que comi: a picanha com queijo coalho e aipim na manteiga, o filé à parmegiana e o executivo de frango grelhado. Eles também têm telão, onde passaram lutas de UFC e jogos de futebol. Funcionam todos os dias, no almoço e na janta.
  • Casa de Taipa – Outra boa opção para o almoço, que só descobrimos no último dia. É self-service e a comida é muito saborosa, com várias opções e a um preço muito bom. Também muitas opções de suco — como, aliás, em quase todos os restaurantes de Itacaré.
  • Tio Gu Creperia – há diversas opções de crepes maravilhosos e fartos, entregues no maior capricho, junto a um molho de pimenta verde que é delicioso. Recomendo os dois que comi: um de peito de peru com tomate, queijo e outras coisas, e outro de frango desfiado, ricota temperada e azeitonas. Fiz questão de ir lá na última noite, só para me despedir. Abre de 18h às 23h, menos na terça, quando fecharam, de folga.
  • Gelato Gula – sorvete artesanal delicioso. Arrisco dizer que o sorvete de chocolate branco, chocolate ao leite e pé-de-moleque que comi lá foi o melhor que já tomei na vida. Eles também têm vários sorvetes de frutas nativas, para quem prefere algo mais saudável. Pena que funcionam em horários meio irregulares.
  • Mediterrâneo – comemos um bom filé à parmegiana lá, mas também há muitas opções de massas e outras comidas. Boa carta de sucos naturais. Só vi eles abrirem à noite.
  • Favela Coffee Shop – este bar estava sempre relativamente cheio, mesmo na baixa temporada. O forte lá são os drinks e coquetéis (eu tive que tomar o primeiro coquetel sem álcool da minha vida — quase um iogurtinho, rs –, porque estou grávida), expostos bem na entrada, com várias frutas. Abrem à noite.

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LEMBRANCINHAS

Para quem gosta de voltar para casa com um souvenir, a melhor opção em Itacaré é o chocolate. Afinal, estamos na Costa do Cacau! O chocolate ali é totalmente diferente, desde a textura até o sabor, e o vendedor da Itacaré Cacau garantiu que ele não derrete. Outras boas opções de presente são as cocadas (vêm em caixinhas e com vários sabores, como cacau, maracujá, gengibre e coco queimado), os ímãs de geladeira, os balõezinhos e outras artes feitas com cabaça envernizada, as artes de palha e madeira, os quadros etc.

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Apesar de ser uma cidade cheia de esportes radicais e com prática intensa de surfe, além de muitos passeios com canoas, lanchas e afins, nestas minhas primeiras férias grávida eu preferi ficar sossegada, visitando só as seis praias urbanas, fáceis de acessar por uma pequena caminhada. Por isso, se você quiser mais informações sobre as ilhas, cachoeiras e outros passeios mais agitados de Itacaré, sugiro que confira as “aventuras” NESTE PORTAL.

Itacaré é, em resumo, uma cidade muito boa para passar as férias, especialmente em baixa temporada, quando os preços são justos e nada está muito cheio (dizem que ela LOTA no verão). Pra fechar, mais algumas fotos de beleza que encontrei por lá:

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Tem alguma curiosidade ou acha que deixei de abordar alguma coisa no post? Comente aí embaixo ou me envie um email com sua dúvida! 😉

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Receita de minipizza com pão sírio

Todas as fotos: CMC

Todas as fotos: CMC. Clique nas imagens para vê-las em tamanho real

Taí uma receita facílima de fazer, que mata a fome e ainda pode ser uma ótima entrada num jantar com os amigos ou a família — ou o prato principal de um lanche. Anote aí:

INGREDIENTES

  • Quatro pães sírios tamanho grande
  • Meio tomate
  • Meia cebola
  • Queijo a gosto
  • Manjericão a gosto
  • Chimi-churri
  • Azeite

(Você também pode trocar os ingredientes conforme o que tiver disponível na geladeira. Fiz uma minipizza com calabresa, por exemplo)

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MODO DE PREPARO

  • Pré-aqueça o forno por 10 minutos.
  • Em uma assadeira untada com azeite, coloque os pães sírios e cubra-os com queijo. A seguir, acrescente rodelas de tomate, a cebola, o manjericão e o chimi-churri, ou outros ingredientes que tiver separado.

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  • Asse no forno por cerca de 15 minutos (fique de olho, porque cada forno é de um jeito e o meu não é dos melhores! Talvez o seu fique pronto antes…).
  • Bom proveito!

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Tempo total de preparo: 30 minutos
Rende para duas pessoas (você pode fazer bem mais, assando mais pães sírios em outras rodadas!)

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Minas deve subir no ranking de salários dos professores

Charge de Jarbas

Charge de Jarbas

Texto escrito por José de Souza Castro*

Em 30 anos, a partir de 1979, os professores estaduais mineiros fizeram 15 greves, somando 640 dias parados na luta por salários menos injustos. Não faltou empenho dos trabalhadores no ensino público, mas os resultados foram pífios. Minas continuou sendo um dos Estados que pagavam salários mais baixos a seus professores. Em 2010, ocupava o 18º lugar, embora fosse o terceiro Estado em arrecadação de tributos e em Produto Interno Bruto (PIB), no Brasil.

Foi preciso o PT assumir o poder para que o Sindicato Único dos Trabalhadores no Ensino de Minas Gerais visse luz no fim do túnel. Conforme ESTE artigo assinado pela coordenadora-geral, Beatriz Cerqueira, o Sind-UTE MG só via trevas, até assinar um acordo com o governo Fernando Pimentel.

“E o que assinamos no dia 15 de maio não foi por bondade de governo, foi resultado de anos de luta”, escreveu Beatriz Cerqueira. “E continuamos mobilizados! Este documento foi o começo da recuperação do que perdemos na última década. Aqui em Minas a pauta da educação se transformou na pauta dos movimentos sociais! Não lutamos sozinhos. E isso causa ainda mais medo na casa grande!”, conclui.

Entre outras conquistas, o acordo prevê o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional aos professores para uma carga horária de 24 horas semanais. Ao longo de dois anos, será concedido reajuste de 31,78% na carreira do Professor de Educação Básica, ficando assegurado o pagamento daquele piso salarial. O reajuste será feito em três parcelas, durante dois anos, e o valor ficará incorporado ao salário, para fins de aposentadoria.

A primeira das três parcelas, a ser paga a partir do próximo mês de junho, é de apenas R$ 190, o que corresponde a um aumento de 13,06% para o Professor de Educação Básica. O que dá bem a ideia de quanto ganha pouco esse professor. E explica porque minha irmã mais velha, a Maria Afonsa, quando se aposentou como professora num grupo escolar da cidade onde morava (Bom Despacho), passou a costurar camisas em casa, para vender.

Ela teria ficado feliz, se não tivesse morrido antes desse generoso aumento salarial, por tantos anos esperado. “Conquistamos as mesmas condições para trabalhadores e aposentados”, disse Beatriz Cerqueira, ao comentar o acordo na assembleia dos professores. E prosseguiu:

“Nós acabamos com o subsídio como forma de remuneração, mantivemos os níveis de percentuais da carreira, de promoção e progressão, conquistamos a garantia de reajustes anuais para todas as carreiras, não apenas os profissionais de magistério, 60 mil novas nomeações de concurso público, aprovação de perícia médica para aposentadoria de trabalhadores da lei 100, ou para os que estão em ajustamento funcional.”

O acordo foi elogiado por políticos petistas, como o deputado estadual Rogério Correia, que fez questão de comparar com episódios recentes envolvendo governos tucanos: “É importante ressaltar a diferença do que está acontecendo, no Paraná, com professores espancados, pela PM, a mando do governo do PSDB, a greve que já dura 60 dias em São Paulo, a greve no Pará e em Goiás, com exemplos que não devem ser seguidos”, enfatizou ele em sua página na Internet.

Depende ainda dos deputados estaduais mineiros transformar em lei o acordo, para que ele passe a vigorar. O governo prometeu enviá-lo à Assembleia Legislativa para apreciação em regime de urgência. Rogério Correia é líder do Bloco do Governo e espera a aprovação da proposta já no início de junho. Como Pimentel tem folgada maioria na Assembleia, é possível que Minas, finalmente, passe a ocupar um lugar menos vergonhoso no ranking estadual dos salários dos professores. Décimo oitavo lugar, nunca mais!


 

* A blogueira continua de férias, mas o blogueiro seguirá postando sempre que puder, viu? 😉

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Minha homenagem a B.B. King, o rei do blues

Obrigada por tudo, B.B. King!

Obrigada por tudo, B.B. King!

Hoje acordei com a notícia de que o rei do blues havia morrido, enquanto dormia. Apesar da tristeza, não me surpreendi. Não por ele ter 89 anos de idade — até muito recentemente, B.B. King ainda mantinha seu ritmo frenético de um show a cada dois ou três dias, como ele fazia desde a juventude. (Outros astros do rock e do blues, depois que se consolidam no sucesso, preferem parar com essa maratona de turnês, que é tão desgastante. Mas B.B. amava fazer shows!). Não me surpreendi por causa de uma foto que a filha de B.B. divulgou há 15 dias, mostrando um velhinho tão abatido que nem parecia aquele que eu vi nos palcos apenas cinco anos atrás. Como acontece com outros astros, no caso de B.B. parece que há uma disputa judicial entre família e empresário, uma daquelas coisas nojentas envolvendo dinheiro e herança.

Foi lendo sua autobiografia (escrita em coautoria com David Ritz), que aprendi um pouco sobre a história do Blues Boy King, nascido Riley Ben King. Como tantos outros negros de sua geração, ele nasceu e cresceu em uma plantação de algodão — local onde vários blues foram cunhados, worksongs cantadas pelos negros escravos e semiescravos para amenizar o árduo trabalho que tinham que desempenhar. Assim como B.B. King, Magic Slim (morto em 2013) passou pelos “cotton fields”. Também passaram por esta “escola” forçada os bluesmen T-Model Ford (morto em 2013), Pinetop Perkins (morto em 2011) e o incrível Muddy Waters (morto em 1983), dentre vários outros do Delta do Mississippi.

O que aprendi em outubro de 2007, com essa leitura, coloquei no sétimo programa de rádio da Barbearia de Blues, todo dedicado ao rei do blues, que já abre com a estonteante guitarra de “Everyday I have the blues”. Contei, por exemplo, que os dois grandes ídolos de King eram Blind Lemon Jefferson e Lonnie Johnson — que fecha o programa com “Me and my crazy self”. No programa número 8, falo sobre a guitarra Lucille e como ela foi batizada assim por King. E ainda dediquei o último programa da Barbearia, o mais importante e especial, à parceria entre B.B. e o “deus da guitarra” Eric Clapton, com a maravilhosa “Three O’Clock Blues”. CLIQUE AQUI para baixar e ouvir gratuitamente todos os programas da Barbearia 😉

Em 2010, já morando em São Paulo, fiquei sabendo que B.B. voltaria a se apresentar na cidade, com seus 84 anos de idade. Os ingressos para o show no Bourbon Street eram, como sempre, escandalosamente caros (algo como R$ 1.500) e, na Via Funchal, estavam por R$ 300 pra cima. E eu, naqueles tempos mais do que nunca, estava totalmente dura. Provavelmente não teria conseguido ir ao show, se não fosse por uma promoção da rádio Eldorado, daquelas que pedem que a gente envie uma frase com as palavras X e Y. Se não me engano, as palavras tinham que ser B.B. King, Eldorado e Bourbon Street. Fiz uma frase despretensiosa e quase caí da cadeira quando recebi o email dizendo que havia sido uma das escolhidas! Ganhei dois ingressos para a plateia premium, bem pertinho do palco, e chamei a amiga Maná para ir comigo, principalmente como agradecimento por ela ter sido a pessoa que me avisou sobre a promoção.

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Gravei o show inteirinho no meu gravador de áudio, mas, infelizmente, não consigo achar o arquivo em nenhum lugar mais. Mas ainda ficaram dois pequenos vídeos, que hoje divulgo pela primeira vez. Um mostrando a entrada triunfal do rei do blues, aplaudidíssimo, e já procurando sua cadeirinha em que tocaria sentado durante as duas horas seguintes:

E outro mostrando como ele era conversador e adorava contar piadas e fazer gracinhas antes de começar a tocar uma música. Ficou papeando o show todinho! 😀

Não filmei as músicas porque eu queria estar 100% concentrada em ver B.B. King tocando guitarra. Mas isso foi uma pena, porque não tenho nenhum registro meu daquele show. Felizmente, várias outras pessoas fizeram filmagens daquele show, que podem ser encontradas em uma busca simples no Youtube.

No final do show, B.B. King, com toda a sua simpatia indescritível, ainda ficou uns 30 minutos sentadinho em seu trono, diante de uma fila gigante de fãs com vinis e CDs, autografando um a um e posando para fotos! Quantos ídolos da música fazem o mesmo por seus fãs?

Eu tinha o hábito de enviar emails semanais para a família e os amigos mais chegados de Beagá, contando como estava sendo a vida na Terra Cinza. Naquela semana, a mensagem foi assim:

“Nem me lembro mais o que aconteceu no resto da semana, depois da noite de ontem. Fui ao show do BB King, um dos meus grandes heróis da música (e ainda vivo, aos 84 anos, com o mesmo vozeirão que tinha aos 40). (…) Ontem vi o melhor show da minha vida! Ele ainda toca e canta como ninguém, a banda é toda maravilhosa e ele não pára de conversar com o público, contar piadas etc. Anexo algumas fotos pra vocês verem.”

Pra fechar este post, então, coloco algumas dessas imagens que enviei naquele email. Para sempre lembrarmos de um B.B. King impressionante em sua alegria, simpatia, talento, bom humor, e todos os outros requisitos, musicais e pessoais, que o coroaram como rei do blues!

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Primeiro livro das férias

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Keli tem um talento especial para “fotografar” as cenas e pessoas por meio de palavras. Sua capacidade de descrever detalhes, sobre como alguém está vestido ou como se expressa, por exemplo, nos faz enxergar direitinho a situação, como se a estivéssemos presenciando.

Enxergamos perfeitamente, por exemplo, o cearense José Abílio Moreira, do conto “Abílio Conselheiro”, que abre o livro: “o simpático senhor de cerca de 1,60 metro, camisa azul, calça de alfaiataria cinza e boina, portando um enorme guarda-chuva de verão num dia chuvoso; parado em frente de casa, com os pés molhados nas sandálias.”

Ou esta missa na Capela São José, em Aparecida: “o altar, que tem vista de trezentos e sessenta graus, se encheu e todos ficaram em torno do cercado para receber uma bênção de água-benta. Uns carregavam réplicas de Nossa Senhora, garrafas d’água, algumas até com a figura da santa, outros com molhos de chaves, a foto de um ente doente, velas com a medida de sua altura (ou do pedido que anseia) e também com formas de partes do corpo, como braços, cabeça, coração, além de camisetas.”

A jornalista Keli Vasconcelos, leitora deste blog, me enviou seu primeiro livro, com contos que tratam de pessoas interessantes, dessas que esbarramos de vez em quando no metrô, no ônibus ou em qualquer esquina — e que costumam ser invisíveis para quase todos, menos os mais observadores, como ela. O livro também fala bastante da vida no bairro de São Miguel Paulista, extremo-leste de São Paulo, onde a cronista nasceu e ainda mora. E também sobre outros pontos da “terra cinza”, como a avenida Paulista, no conto “‘Não emporcalhem a minha Paulista'”, que foi meu favorito. Deixo aqui como degustação:

“Dia desses, precisei dar uma passada na avenida Paulista. Já fazia tempo que não ia para lá. De salto, o desfile pela passarela de pedra é meio sinuoso – e perigoso. Não sou muito expert em usá-lo e, não raro, me escorava em algum muro, poste ou escadaria do metrô, sem exagero.

Interessante “revisitar” as pilastras do Masp, a imponência do prédio da Fiesp, a variedade de formas do Conjunto Nacional e o ponto verde do parque Trianon em meio à selva de concreto. Contrastes entre homens “de terno e termo” e seres “obscuros e calados”, chamados moradores de rua.

Mesmo na anestesia dos prédios que parecem nos engolir, não há como fechar os olhos para essas pessoas que vagam errantes, desesperadamente, por muros, alamedas e ruas que entornam esse sulco da cidade.

Lembro de uma senhora, que ficava envolvida na caixa de papelão ondulado – parecida com aquelas de máquina de lavar – com um guarda-chuva desbotado pelo sol por cima. Falava coisas desconexas (ou melhor, sem sentido para nós que não sabíamos da história), dos tempos quando trabalhava em casa de gente chique, enquanto imitava os movimentos com as mãos, como se lavasse as pratarias em pia de inox.

Era comovente, naquelas madrugadas de chuva fina, vê-la falando sozinha, encolhida. Um moço, certa vez, entregou o hot-dog a ela e, por incrível que pareça, aquela senhora quis apenas os sachês de mostarda e ketchup, desprezando o pão envolto em plástico, batalha palha, salsicha e outros condimentos coloridos.

Pois bem, voltando ao desafio de salto alto… Fui atravessar a rua para comer alguma coisa. Afinal, no império do fast-food, o que não faltam são opções para se esbaldar. A pé, já com os pés calejados e uma estranha dor na panturrilha, fiquei esperando os dois faróis para pedestres ficarem verdes.

Nisso apareceu um homem com cabelos na altura dos ombros, jaqueta azul-marinho, aparentava ter mais de 50 anos.

— Moça, você tem um trocado? É que estou com fome e queria ajuntar umas moedas para comprar uma coxinha…

Naquele momento de impotência, não sabemos o que fazer. Entrega as moedas? Ignora a situação? Finge que não é com você? E se, ao pegar bolsa, neste afã, é assaltada? Pede a Deus para que o farol fique verde logo e sai correndo?

Não deu tempo de pensar. Um outro senhor, de camisa polo vermelha, bermuda bege e sandálias marrons, começou a gritar incessantemente, para alvo de olhares de executivos, secretárias, office-boys

— Não se aproxime dela! Não ouse chegar perto desta menina!

— Mas eu só estou pendido um trocado…

— Não se aproxime dela! Estou avisando, saia logo daqui!

— Mas, senhor, eu s…

— Não aguento mais vocês emporcalhando este bairro. Não emporcalhem a minha Paulista!

E os faróis se acenderam. Fiquei do modo que estava outrora: inerte. O senhor saiu esbravejando palavrões e maledicências contra o pobre homem, que apenas se defendia com um abafado “que cara louco”.

Saí assim errante, naquela avenida que “começa no Paraíso e termina na Consolação”, com a sensação de que muitos são os que estão emporcalhando a Paulista.”

Informações sobre o livro:

“São Miguel em (uns) 20 contos contados”
Keli Vasconcelos
Ed. In House
136 págs.
R$ 24,90

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