7 dicas de um neurologista para melhorar a memória e o foco

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O cérebro humano em foto de David Matos / Unsplash

Início de dezembro de 2024. Fui à confraternização da turma de karatê do meu marido, numa pizzaria na avenida Afonso Pena. Eles estavam animados lá, mas eu e Luiz já ficamos cansados umas 21h e resolvemos ir embora mais cedo pra casa.

Ao entrar no carro, não consegui engatar a marcha de jeito nenhum. Tentei, tentei, e nada. Aflita, chamei meu marido para ver o que estava acontecendo. Ele se sentou ao volante e, enquanto eu observava seus movimentos, meu rosto ficou todo vermelho de vergonha.

Eu tinha entendido tudo. Estava esquecendo de pisar na embreagem.

Vocês devem estar pensando que, sei lá, tenho o costume de dirigir carros automáticos. Ou que nunca dirijo, aquela tinha sido uma exceção. Mas não é nada disso. Tenho CNH há 22 anos, dirijo frequentemente, sempre carros com câmbio manual e, aliás, sou uma ótima motorista, que nunca bateu o carro.

O que aconteceu naquela noite, então? Um bug.

Aliás, aquela não foi a primeira vez que tive um esquecimento grotesco desse tipo. Minha memória já falhou assim em outros momentos. Um desses bugs, quando o Luiz ainda era apenas um bebezinho, me motivou a pedir demissão do jornal onde eu trabalhava na época, em meados de 2016. Eu tinha passado a manhã inteira sem lembrar como atualizava a capa do portal de notícia, que eu editava todo santo dia, havia meses.

Como das outras vezes, esta da embreagem me fez pensar: “Isso não é normal”. Já fiquei imaginando que tinha algum problema grave no cérebro, um Alzheimer precoce, algo como no filme Para Sempre Alice. Resolvi fazer uma coisa que eu nunca tinha feito antes: marquei uma consulta com um neurologista.

Cérebro humano. Foto: Shawn Day / Unsplash
Cérebro humano. Foto: Shawn Day / Unsplash

Entrei na sala dele nervosa, achando que ele logo decretaria minha interdição. Contei o episódio da embreagem, e outros, que ele mal ouviu, já acenando com a mão, descartando qualquer problema grave, como quem diz: “Isso não é nada, minha filha, não me faça perder tempo com você”.

E foi aí que ele contou que todo dia aparecem várias pessoas como eu no consultório dele, que não temos absolutamente nada, mas que aquela coisinha (mostrou o celular) estava deixando todo mundo sem memória mesmo. Frisou: nosso cérebro não está preparado para receber a carga de informações e tarefas que estamos jogando sobre ele a cada minuto.

Além do excesso de telas, ele me perguntou se eu praticava exercícios. “Sim, todos os dias”. E ele disse que era pra manter essa prática, que os exercícios não são importantes só para os músculos, coração etc., mas também são FUNDAMENTAIS para o cérebro e a memória.

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À guisa de uma receita, ele me estendeu um papel em que já tinha escrito “Dicas para melhorar memória e foco” genéricas, que ele distribuía a todos os pacientes que iam procurá-lo com os mesmos “sintomas” que eu.

No alto do papel, tinha escrito o seguinte:

Entenda suas queixas: os sintomas de memória e falta de foco podem estar relacionados ao estresse do mundo moderno, uso excessivo de telas e hiperestímulos, e não a uma patologia”.

Em seguida, aparecia uma lista com as 7 “dicas práticas”.

Achei interessantes as tais dicas, embora nada personalizadas. Sinal de que podem ser úteis a todos. Por isso, lembrando delas hoje, resolvi compartilhá-las com todos que me leem por aqui:

As 7 dicas práticas para melhorar a memória

1. Limite o tempo de tela [sim, esta é a primeiríssima]

“Estabeleça horários específicos para o uso de dispositivos. Evite telas antes de dormir para garantir um sono de qualidade. Reserve espaços e momentos livres de tecnologia para se concentrar em tarefas específicas. Desabilite todas as notificações não essenciais.

2. Organize sua rotina

“Crie uma rotina diária com horários bem definidos para trabalho, lazer e descanso. Isso ajuda a reduzir a sensação de sobrecarga.”

3. Mantenha hábitos saudáveis

“Priorize uma alimentação equilibrada e saudável, e pratique exercícios físicos regularmente para melhorar o bem-estar mental.”

4. Durma bem

“Estabeleça uma rotina de sono regular e cuide da higiene do sono, garantindo o descanso à noite.”

5. Evite multitarefas

“Seu cérebro consegue lidar com poucas informações de cada vez. Foque em uma tarefa de cada vez. Isso melhora a eficiência e a retenção de informações.”

6. Exercite-se regularmente [sim, ele repetiu esta dica]

“A atividade física aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, o que pode melhorar a função cognitiva. O exercício físico previne demências no futuro.

7. Priorize interações sociais

Dê prioridade a interações face a face, que podem ser mais enriquecedoras e ajudar a aliviar a pressão do dia a dia.”

***

E esta foi a “receita” que o neurologista me entregou, e que copiei acima, inclusive com os destaques em negrito dele. Só não divulgo o nome do médico neste post porque não pedi sua autorização para trazer suas “dicas práticas” para cá.

Mas, caso precisem de um neurologista para alguma patologia real, podem me perguntar no privado, porque não me importo de indicá-lo. Ele foi bastante atencioso e, no fim das contas, didático. E foi também muito honesto, porque poderia ser um picareta e ter me enchido de remédios (até para me manter como paciente recorrente), mas preferiu me dizer: siga estes 7 hábitos simples e seu cérebro vai agradecer.

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Foto: Bhautik Patel / Unsplash

Eu já tinha mudado muitos dos meus hábitos desde 2022, como até compartilhei aqui na época. Por exemplo, tenho me exercitado diariamente desde então, tenho acessado as telas num ritmo bem menos frenético, desabilitei TODAS as notificações do meu celular, tenho dormido muito bem.

Só preciso ainda melhorar a questão de ser multitarefa, porque é uma característica muito minha. Tenho esse péssimo hábito de resolver várias coisas ao mesmo tempo. E as interações sociais face a face estão cada vez menos frequentes, desde que passei a trabalhar em home office (e prefiro continuar assim).

Mas, depois daquele bug de dezembro de 2024, não voltei a ter nenhum outro episódio digno de nota. Muito porque percebi que todo aquele modo de vida mais saudável que eu já vinha adotando desde 2022 era não só importante como recomendado pelos médicos. Então, tenho cuidado cada vez mais de segui-lo.

Não é que sejam práticas FÁCEIS, né, gente? Comer bem, dormir bem, fazer exercícios regularmente… Isso tudo é a receita básica conhecida para a longevidade e o bem-estar há anos, mas é tudo difícil de seguir no dia a dia. Ainda assim, são procedimentos SIMPLES. Com certeza bem mais simples que todas as drogas, pílulas, injeções e outros remédios que está todo mundo usando por aí.

Bora colocar esta receitinha em prática a partir de hoje? 😉 Nunca é tarde pra começar.

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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