Há coisas com as quais nunca nos acostumamos…

… por mais que tenhamos que conviver com elas de tempos em tempos:

  • Ferrinho de dentista
  • Depilação
  • O tempo louco de São Paulo
  • A zica do Galo
  • Comentaristas anônimos covardes e loucos pela internet afora
  • Plantão em fim de semana e feriados

Daqui, deste plantão de domingo, desafio vocês a pensarem em outras coisas com as quais ainda não se acostumaram.

Comentem aí! 😉

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Saramago para iniciantes (mesmo)

Bela dica do Roberto Takata no post abaixo:

Pra quem preferir ler o livro:

 Mas leiam o Conto da Ilha Desconhecida, garanto que não vão se arrepender! 😉

Saramago para iniciantes

Atendendo ao pedido do meu colega Samy (o único da Folha que lê meu blog ;)), coloco aqui o trecho de um texto de José Saramago que adoro, chamado “O Conto da Ilha Desconhecida”.

Não é muito grande e vocês deveriam ler até o final, viu?

Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá-me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém a chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldraba de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar. Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado se ria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não conforme estivesse de maré.
Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele.

CONTINUE A LEITURA

Lembrete: somos todos complexos demais

Peço desculpas por preencher minha falta de ideias para posts com remissão a matérias minhas pela segunda vez nesta semana (e acho que terceira desde que abri este buteco), mas é que a matéria abaixo, sobre o skinhead gay que encontrei, por acaso, em São Paulo (durante a Parada Gay) me dá a oportunidade de levantar uma reflexão que nunca sobra:

somos pessoas complexas, somos multifacetados, somos muitos, não somos apenas um rótulo raso, uma identidade fácil, uns predestinados. Somos vários; em nós, seres humanos, cabem muitas perspectivas. Somos difíceis. Daí porque não nos cabe julgar os outros pelo que eles aparentam ser, porque as aparências não comportam tudo o que um sujeito carrega em suas convicções e pesadelos mais íntimos.

Agora fiquem à vontade para conhecer um desses seres humanos complexos, clicando AQUI.