PMDB mineiro recebe pedido de expulsão de Newton Cardoso

Texto de José de Souza Castro:

Dois deputados federais e o prefeito de Ouro Preto, eleitos pelo PMDB, pediram hoje, dia 11 de julho, ao presidente do diretório estadual a expulsão do deputado federal Newton Cardoso por infrações ao Código de Ética do partido. Acusado de enriquecimento ilícito desde a época em que foi governador de Minas, na década de 1980, a ética de Newton só agora preocupa seus companheiros de partido. Não em defesa da população e dos eleitores, mas deles próprios.

Newton Cardoso foi o dono incontestável do PMDB quando governador, como ele mesmo gostava de dizer. Mas veio colecionando revezes e revoadas de partidários. Na representação apresentada hoje, os deputados Leonardo Quintão e Ivair Nogueira e o prefeito Ângelo Oswaldo, entre outros, destacam alguns desses revezes:

  1. Em 1990, o PMDB lançou o nome de Ronan Tito para o governo mineiro, mas ele não teve apoio do então governador, Newton Cardoso, e foi derrotado por Hélio Garcia.
  2. Em 2002, Newton Cardoso, que era vice-governador, implodiu o processo de reeleição do governador Itamar Franco e se lançou candidato, obtendo apenas 7% dos votos válidos ao Governo de Minas. O PMDB perdeu sete das 13 cadeiras na Câmara dos Deputados e o mesmo número na Assembleia Legislativa, elegendo apenas nove deputados estaduais.
  3. Em 2008, ele detonou a candidatura do deputado Leonardo Quintão a prefeito de Belo Horizonte. Depois de conseguir ir para o segundo turno, com 41,26% dos votos válidos, Quintão foi surpreendido com o apoio não solicitado de Newton Cardoso, o que foi explorado amplamente na propaganda eleitoral dos adversários, e “o PMDB viu sua campanha ruir”.
  4. Em 2010, após ser derrotado por Hélio Costa na Convenção Estadual do PMDB, Newton Cardoso usou a mesma estratégia: postou um vídeo no Youtube de apoio a Hélio Costa ao governo de Minas. Diz a representação: “O vídeo em questão, de tom jocoso, demonstra claramente que Newton Cardoso o produziu e o publicou para prejudicar a candidatura de Hélio Costa, pois a rejeição de Newton Cardoso na região metropolitana de Belo Horizonte é extraordinária.”

Neste ano, Newton Cardoso apresentou ao Diretório Estadual 194 pedidos de intervenção em diretórios municipais, “uma verdadeira caça às bruxas”. O diretório deferiu apenas quatro delas, o que irritou o deputado. Em matéria publicada no jornal “Hoje em Dia”, há cinco dias, Newton Cardoso teria dito: “Isso não é executiva. É um bando”. E em entrevista à revista “Encontro”, deste mês de julho, ele chamou toda a Executiva do PMDB Estadual de bandidos, acrescentando: “Bandidos não podem continuar à frente do PMDB”.

Como se dizia antigamente, “é o porco falando do toucinho”.

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