A prisão do jornalista Márcio Fagundes

Texto escrito por José de Souza Castro:

O jornalista Carlos Cândido, que iniciou a carreira na Sucursal do Jornal do Brasil em Belo Horizonte há bem uns 40 anos, deu-me elementos, em seu blog, para escrever sobre a prisão do jornalista Márcio Fagundes, com quem trabalhei no jornal Hoje em Dia, onde ele tinha coluna muito lida de política. Ultimamente, era coordenador de Comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Muitos anos antes, fora chefe da assessoria de imprensa do governador Hélio Garcia.

Cândido relata testemunho dado pelo jornalista Carlos Barroso, aflito pela prisão do colega, ao advogado de Márcio Fagundes. Barroso tem um programa de entrevistas no canal de televisão por assinatura BH News, no qual o agora preso participou algumas vezes, antes de aceitar o convite do vereador Wellington Magalhães para sua assessoria. Essa participação no programa tirou-o do ostracismo em que se encontrava desde que foi demitido do Hoje em Dia, sob nova direção.

Carlos Barroso precisava de patrocínio para seu programa na TV e procurou Fagundes, ouvindo dele o seguinte: “Barroso, eu te devo um favor e gostaria de te ajudar, mas não decido sobre publicidade, esse assunto fica nas mãos do presidente Wellington Magalhães. Se você quiser falar com ele…”. Não quis, e seu programa nunca teve publicidade da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

O testemunho, escreve Carlos Cândido, corrobora a versão de Fagundes de que assinava as ordens de publicidade da Câmara, atribuição do cargo que exercia, acrescentando a observação: “Ordem do presidente”.

Também ouvi de Márcio Fagundes, quando eu era repórter de O Globo e ele assessor de Hélio Garcia, um episódio que, a mim, confirmou o conceito que eu tinha dele.

Ele me ligou dizendo que queria trocar ideias comigo (saiu no prejuízo, claro) e me convidou para conversarmos no seu apartamento. Um trecho do artigo de Carlos Cândido (“Ele não ostenta sinais de enriquecimento ilícito – e foi preso num apartamento modesto no qual mora, na zona sul de Belo Horizonte”) deu-me a impressão de que é o mesmo apartamento onde me encontrei com Márcio Fagundes lá pelos idos de 90.

Não me lembro mais sobre o que conversamos (lá se vão uns 28 anos), mas me recordo de um episódio que me contou quase no fim de nossa conversa. Chegando ao prédio, depois da caminhada matinal, viu estacionado em frente um Fiat novinho (ou seria um Fusca zero quilômetro?) e, mal entrando no apartamento, o telefone tocou. Era o dono da agência de publicidade que atendia ao governo de Minas.

– Márcio, você viu aí na porta o seu carro?

– Que carro?

– O que a agência te deu de presente…

Bem, não vou querer transcrever o diálogo, depois de tantos anos. Mas posso resumir o que Márcio me contou. Depois do espanto inicial, ele ordenou ao dono da agência de publicidade que mandasse levar dali imediatamente o carro, “senão vou chamar a polícia!” Foi a hora de o bom homem se espantar. Isso nunca acontecera antes! O presente sempre fora recebido agradavelmente pelos antecessores de Márcio, ao longo de muitos anos atendendo a conta de vários governos.

E o carro foi levado embora o mais depressa possível.

Não sei para quem mais Márcio contou a história. Talvez ele só quisesse desabafar e por acaso eu estava ali. Se ele nunca mais relatou o caso, é hora de fazê-lo, depois do espalhafato com que sua prisão foi divulgada pela imprensa. Como diz Carlos Cândido:

“Como bem observaram os parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa que visitaram Fagundes na prisão, além do seu advogado, não existiam as condições exigidas para a prisão preventiva do jornalista: ameaças a testemunhas, risco de fuga, destruição de provas etc. No entanto, ele foi preso com estardalhaço.

Notícia do dia seguinte à prisão informa que Márcio Fagundes teria dito aos parlamentares: “Vou provar minha inocência”. Ora, o próprio jornalista se confunde diante da situação terrível em que foi jogado: ele não tem de provar nada, a polícia é que tem de provar sua culpa!

A prisão preventiva virou ao avesso a justiça brasileira: agora é o acusado que tem que provar ser inocente, não é mais o Estado – representado pela polícia e pela promotoria – que tem de apresentar provas! Depois que um procurador da República afirmou em coletiva de imprensa – sempre para a imprensa! – que ele não tinha provas contra o ex-presidente Lula, mas tinha convicção, tudo se tornou possível.

A ditadura militar, com seu aparato de torturas, certamente foi pior do que o estado de exceção atual, mas foi mais cruel? Ser preso político tem uma auréola heroica, já ser preso por corrupção desmoraliza irremediavelmente o sujeito.”

No que depender de mim, Márcio Fagundes não ficará desmoralizado. Mas, quem sou eu? Recorro novamente a Carlos Cândido: “No caso específico de Márcio Fagundes, ele recebeu mais uma condenação: foi exonerado do seu emprego no Tribunal de Contas do Estado. E no entanto, leiam-se as notícias: ele é suspeito! Não foi condenado, não foi julgado, não foi sequer acusado. Trata-se por enquanto apenas de um inquérito policial”.

Mas o TCE é implacável! Como bem sabem Aécio Neves e Antonio Anastasia! Que falta nos faz um sinal de ironia, onde abundam sinais de exclamação.

 

Nota da Kika: Não deixem de ler as várias manifestações de solidariedade a Márcio Fagundes no site que seus filhos, Luísa e Vitor, criaram em apoio ao pai.

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As melhores séries e desenhos na Netflix para crianças de até 3 anos

Aqui em casa o dilema de deixar ou não o filho assistir a televisão já foi superado. Meu filho de quase 2 anos e meio assiste, não tem jeito. Claro que também brincamos bastante, passeamos, e evito que ele fique o dia inteiro em frente à tela, mas um pouquinho, principalmente quando estamos preparando o café da manhã, o almoço e a janta, é até de grande ajuda.

Portanto, se ele assiste a TV, e isso é um fato consumado, o que me resta é assistir junto, sempre que possível, para acompanhar o conteúdo que chega ao meu filho, e garantir que se trata de um conteúdo de qualidade, minimamente educativo e bem-intencionado.

Na lista abaixo, separei apenas os melhores conteúdos que já descobrimos juntos, seja de clipes musicais infantis, desenhos animados ou mesmo de séries voltadas para crianças, como é o caso de Na Sala da Julie, com personagens em carne e osso, além de bonecos. Recomendo todos eles, como produtos de qualidade e educativos.

Começo a lista pelos que eu já tinha citado aqui no blog, NESTE POST, mas separando apenas o que está disponível na Netflix:

  1. Mundo Bita – São clipes musicais, com ilustrações muito bonitas e coloridas, letras bem elaboradas e mensagens positivas e educativas ou simplesmente divertidas sobre o dia a dia, o corpo humano, os animais e as brincadeiras. Não tem história, são apenas clipes curtinhos com músicas, para essa fase em que os pequenos se interessam mais pelas trilhas do que pelas histórias. Leia AQUI a entrevista que fiz com o criador do Mundo Bita.
  2. Masha e o Urso – Baseado no conto de fadas de Cachinhos Dourados, essa animação russa é cheia de mágica, aventuras e é praticamente sem falas, com lindíssima trilha sonora de orquestra. Masha é muito levada e sei que haverá um grupo dizendo que ela ensina maus hábitos aos nossos filhos etc, mas ela também tem um carinho imenso pelo urso, que representa uma figura paternal na vida da garotinha minúscula, e a ternura e afeto entre os dois é comovente. Leia AQUI a entrevista que fiz com o diretor do estúdio de Masha e o Urso, em Moscou.
  3. Backyardigans – Além de ter historinha cheia de aventuras, esse desenho é lotado de músicas, cantadas pela própria trupe de personagens, que ainda por cima fazem coreografias para acompanhar! Acho legal por incentivar os pequenos a brincarem apenas com fantasia e imaginação, explorando mundos fantásticos sem sair do quintal de casa.
  4. Palavra Cantada – As letras de Paulo Tatit e Sandra Peres dispensam maiores apresentações, mas o Luiz nunca gostou de ver os dois tocando, ao vivo e tal. Pegou no gosto quando apresentei a animação que a dupla lançou no ano passado, Pauleco e Sandreca, que tem 10 clipes musicais lindinhos demais. As músicas e letras continuam excelentes, mas agora ilustradas com desenhos! Depois que fez 2 anos, Luiz também começou a gostar das apresentações de shows, como “Canções do Brasil“. Leia AQUI entrevista da revista Canguru com a dupla do Palavra Cantada.
  5. Little Baby Bum – É o que tem conteúdo mais explicitamente educativo, dentre todos que citei. Tem a musiquinha para ensinar a guardar os brinquedos na caixa, outra pra escovar os dentes, outra pra mostrar a diferença das formas e cores, e assim por diante. Além de músicas clássicas, como a da roda do ônibus que gira e gira.
  6. Bob Zoom – Produção nacional que já tem tradução para inglês e espanhol, com musiquinhas clássicas da nossa infância (assim como fizeram os criadores da Galinha Pintadinha), numa ilustração bem simples, cujo personagem principal é uma formiguinha azul. Os pequenos adoram!
  7. Festa de Palavras – Animação original da Netflix, com quatro bebês que interagem a todo momento com nossos pequenos do lado de cá. A cada episódio, eles tentam descobrir palavras novas (por exemplo, há o episódio em que aprendem o que é “cotovelo”). Didático.
  8. Turminha Paraíso – Mais um de clipes musicais, com desenho realmente muito bonito.
  9. A Turma do Seu Lobato – Outro de clipes musicais bonitinho.
  10. Na Sala da Julie – Esta série é maravilhosa, com a grande atriz Julie Andrews, que fez Mary Poppins, por trás da produção e no papel da protagonista. Foi a favorita do Luiz por um tempo. Falei mais sobre ela AQUI.

Por fim, outros conteúdos que eu ainda não havia citado no blog, começando pelo meu favorito: Continuar lendo

Gigante desconhecido toma posse das águas minerais de Caxambu e Cambuquira

Parque das Águas de Caxambu

Texto escrito por José de Souza Castro:

O mundo dá voltas e vai deixando Minas Gerais um Estado cada vez mais pobre e sedento, sem a posse sequer de suas águas minerais. Numa de suas voltas, em setembro de 1979, seis meses depois da posse de Francelino Pereira no governo de Minas – o último nomeado pela ditadura – o presidente da Hidrominas, estatal dona das principais fontes minerais mineiras, foi à Europa para vender a de São Lourenço para a Perrier. Hoje Fernando Pimentel, de um partido que nasceu do combate à ditadura, transfere as estâncias de Caxambu e Cambuquira para uma empresa que nem é do setor e cujo capital social era de apenas cem mil reais.

É um negócio que deve engrossar a folha corrida de Pimentel na Justiça, tantas as irregularidades já apontadas e que, estranhamente, passa despercebida à imprensa mineira. Só soube lendo nesta semana o Segundo Blog do Ricardo. Pesquisei no Google e encontrei boa reportagem no Blog do Lana, mas quase nada mais [nota da Kika: o Intercept, em reportagem de Joana Suarez, e o Beltrano, portal de notícias de Minas, também noticiaram o negócio obscuro].

Lembrei-me da privatização feita no governo Francelino Pereira e fui atrás. Encontrei nota na Coluna do Zózimo, publicada pelo “Jornal do Brasil” no dia 25 de setembro de 1979, com o título “Gigante x gigante”. Dizia que se esboça “uma nova guerra de gigantes no mercado consumidor nacional, desta vez tendo como cenário o setor de águas minerais”. O governo de Minas estaria preocupado com o fato das águas de suas estâncias hidrominerais estarem desaparecendo pouco a pouco do mercado e, por isso, mandou à Europa o presidente da Hidrominas, Orlando Vaz Filho, com a missão de propor “que a Perrier passe a distribuir todas as águas minerais mineiras, única forma de enfrentar em igualdade de condição a Nestlé, que ameaça dominar o mercado com a Minalba”.

Outras voltas do mundo e a Nestlé adquiriu em 1992 a Perrier, então proprietária da Companhia de Águas de São Lourenço, e tornou-se também a responsável pelo parque. E no dia 28 de março último, anunciou a venda de sua divisão de águas no Brasil à Indaiá Minalba, do Grupo Edson Queiroz.

Qual terá sido o gigante que tomou posse agora das águas minerais e dos parques de Caxambu e Cambuquira? Ainda não se sabe. Parece evidente que o gigante utilizou uma empresa minúscula de Contagem como testa de ferro.

Recorro agora ao blog do Fernando Lana, que foi repórter da “Folha de S.Paulo” e editor do “Diário do Comércio”. Diz ele que, contrariando moradores de Caxambu e Cambuquira, o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Marco Antônio Castelo Branco, homologou, “mesmo sob risco de incorrer em crime de improbidade administrativa, o pregão nº 7/17, declarando vencedora a empresa Maximus Prestação de Serviços, que ficará assim autorizada a explorar as fontes de água mineral naqueles municípios”. E acrescenta: Continuar lendo

Bolão do blog: agora quando o STF vai condenar Aécio?

Fiz esta pergunta no Twitter do blog e reproduzo também aqui:

agora que o isentíssimo Supremo Tribunal Federal brasileiro transformou Aécio Neves (PSDB) em réu, quase 1 ano depois de receber a denúncia, em quanto tempo vocês acham que o tucano que foi gravado pedindo R$ 2 milhões a um investigado, para pagar por sua defesa na Lava Jato (que depois foram entregues ao primo do senador, diga-se), e dizendo outras tantas atrocidades, será efetivamente condenado pelo STF?

Participem do bolão do blog! 😉

 

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Juros altos e o caos na economia

Texto escrito por José de Souza Castro:

Só assisto ao “Bom Dia Brasil” da TV Globo enquanto tomo o café da manhã. Nesta terça-feira, surpresa!, a Miriam Leitão saiu-se com uma crítica aos altos juros cobrados pelos bancos, algo impensável quando Roberto Marinho era o dono do Banco Roma nos maus dias da ditadura. E bem depois disso, é verdade. Não sei se me senti bem ou mal acompanhado. Durante anos, desde os tempo em que dirigi o jornalismo da Rádio Alvorada em Belo Horizonte, sentia-me isolado ao criticar bancos.

Naquele tempo, cheguei a ser proibido de dar notícias ou fazer comentários sobre bancos brasileiros. Afinal, o dono da rádio era o proprietário do Banco Bandeirantes. Se Gilberto Faria houvesse me escutado, talvez seu banco não precisasse ter sido vendido quase às vésperas da bancarrota (ainda existe essa palavra que aprendi na adolescência lendo “O Homem da Máscara de Ferro” de Alexandre Dumas?). Hoje banco em dificuldade não vai à bancarrota, pois recebe uma mãozinha do governo e é comprado por outro banco na bacia das almas. O Bandeirantes, comprado por um banco português em 1998, acabou no ano 2000 caindo nas mãos do Unibanco e, em seguida, do Itaú.

Só não tive impedimentos aqui, no blog, e no “Hoje em Dia”, quando eu escrevia os editoriais do então jornal do bispo Edir Macedo que, tenho certeza, não precisava pagar juros a bancos, dono de uma igreja talvez mais rendosa do que muitos deles.

Eu me pergunto: o que terá levado Miriam Leitão a cair na real? Será que clientes de sua carteira de bem remuneradas palestras já não aguentam mais os juros? Mas, e os bancos que, se não me engano, também contratam seus serviços? Com extrema boa vontade, diria que se deve à real preocupação dela com o estado atual da economia brasileira, que se encontra num caos, como bem descreveu, domingo passado, em editorial, o novo “Jornal do Brasil”, que pode ser lido aqui e que chegou a propor a estatização do sistema bancário, “Porque somente sem eles nossa economia poderá voltar a crescer”.

Trabalhei no JB por 16 anos e, por um tempo bem mais curto, a Miriam Leitão foi sua editora de economia e o Paulo Henrique Amorim, o chefe da redação. Agora, diz o novo “Jornal do Brasil”, a taxa Selic caiu para 6,5%, a mais baixa de toda a história, mas o “oligopólio que forma o sistema bancário brasileiro, composto por quatro famílias que administram 60% da base monetária, não se sensibiliza diante do caos instalado na economia, cujo principal motivo são as taxas de juros que cobram, não só de quem cria riquezas e gera empregos, mas também de 62 milhões de trabalhadores que se encontram inadimplentes junto aos bancos e financeiras”.

Os bancos fazem isso sob o “olhar complacente da Justiça, pois, na maioria das ações contra as empresas e trabalhadores, dá-se ganho de causa aos bancos, jogando o devedor no precipício da desesperança, diante dessa injustiça ‘legalizada’”, diz o JB, acrescentando que ocorre o mesmo quando os bancos são perdoados de dívidas, “como foi o caso do Itaú, que teve perdoada, no CARF, dívida fiscal de R$ 25 bilhões.”

O jornal aponta os quatro bancos privados que fazem o oligopólio do sistema financeiro no Brasil: Itaú, Santander, Bradesco e Safra. Os três últimos também estão sendo processados por suposta compra de votos no CARF para anular multas bilionárias.

O JB mencionou ainda que “a causa do endividamento público nos últimos 20 anos deveu-se, sobretudo, às taxas de juros que o Estado brasileiro pagou aos bancos e, na última linha, aos rentistas que, sem nada produzir, vivem do suor alheio”.

Renascido em papel, o jornal carioca demonstra aqui a velha têmpera do JB no qual trabalhei. Por exemplo, não vê justificativa “para que as quatro famílias continuem cobrando, das empresas e dos trabalhadores deste país, juros acima do que cobra qualquer agiota que atua na clandestinidade. E ainda gozam do privilégio de não pagar imposto sobre os generosos dividendos. Não é possível – e já provamos neste jornal – que à revelia de qualquer fundamento macroeconômico e/ou político, as taxas praticadas possam continuar sendo de 400% ao ano!”

Pois é, eu dizia algo assim, sem a mesma contundência, nos artigos que tenho escrito. Em 10 editoriais do “Hoje em Dia”, em 2014, tratei do problema trazido à economia pelos bancos. Naquele ano, Dilma Rousseff disputaria a reeleição e não conseguira segurar a Taxa Selic. Ela começou com 7,25% em janeiro de 2013 e chegou a 10% ao fim desse ano. No dia 31 de janeiro, escrevi: “Se a política econômica do governo tem sido boa para os trabalhadores, que vêm obtendo salários melhores e enfrentando menos dificuldade para pagar suas dívidas, ela tem sido ótima para os bancos, que lucram com maiores taxas de juros e inadimplência menor”.

Não vale a pena transcrever outros trechos, pois, como eu previa, já que não sou de todo tapado, os editoriais não mudaram em nada a política econômica. Até mesmo porque, como observa o JB, os presidentes do Banco Central “são sempre funcionários dos bancos que formam o oligopólio”. Um escárnio.

Tão grande a aberração, que até a “Folha de S.Paulo” descobriu, em reportagem de Mariana Carneiro, na última segunda-feira, que “um ano e quatro meses depois do início do corte dos juros pelo governo, a taxa cobrada pelos bancos no cheque especial praticamente não saiu do lugar”.

Só lembrando que a formação do oligopólio começou na década de 1990, no governo Fernando Henrique Cardoso, o feliz comprador do apartamento de 450 m² no rico bairro paulistano de Higienópolis, logo depois de deixar a presidência da República. O apartamento pertencia a Edmundo Safdié, dono do Banco Cidade, vendido no último ano de seu governo (2002) ao Bradesco.

Bradesco, Itaú e o espanhol Santander foram grandes beneficiários do programa de privatização dos bancos estaduais levada a efeito pelo governo FHC. Foram parar nas mãos do Itaú: Banerj, Bemge, BEG e Banestado. Com o lucro do primeiro ano de funcionamento do Bemge privatizado, o Itaú recuperou os R$ 583 milhões que pagara ao governo de Minas, governado por Eduardo Azeredo, do PSDB. Que, não por isso, foi condenado em segunda e terceira instância, mas continua em casa.

Foi depois de Azeredo que seu amigo Aécio Neves se tornou presidente nacional do PSDB. E que ontem se tornou réu, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Quando e se será condenado, Deus sabe.

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