Cedi à Galinha Pintadinha! (E dei adeus às cartilhas da criação de filhos)

Na semana passada, compartilhei aqui no blog minha decisão, naquele momento, de cortar o acesso do meu bebê à danada da Galinha Pintadinha. Isso porque, pela primeira vez nos 18 meses de vida do pequeno, vi o Luiz ficando totalmente viciado em algum programa na tevê, e transtornado com a ausência da Popopó cantando todas aquelas músicas tradicionais brasileiras.

Escrevi o texto, postei no blog e, quando cheguei em casa… fiz tudo diferente do que tinha escrito mais cedo! Sim, eu cedi à Galinha Pintadinha. Não aguentava mais ver meu filho dançando o Pintinho Amarelinho (dedinho indicador esquerdo batendo na palma da mãozinha direita, sabem?) e apontando para a tevê, inconsolável, fazendo um apelo por seu programa favorito recém-descoberto. Fiquei com dó.

Ao mesmo tempo, fiz algumas ponderações para aplacar minha culpa: ora, ele não passa o dia inteiro conectado a alguma tela. Pelo contrário, são algumas boas horas por dia apenas brincando no ambiente lúdico da escolinha, onde nem televisão existe, ao lado de dezenas de outros pequenos. Em casa, também brinca bastante, desenha, se diverte na banheira. Sempre temos a preocupação de levá-lo a passeios pelo bairro, à pracinha, aos parques, ao clube… Enfim, a Galinha Pintadinha é só uma pequena fatia de toda a informação que ele recebe e de toda a energia que pode gastar no dia a dia.

Então, qual é o problema?

Fato é que, nesta última semana, meu filho assistiu várias vezes à Galinha Pintadinha, principalmente naqueles momentos clássicos e necessários, como a espera enquanto o jantar está sendo preparado. Assistiu, dançou, escolheu as musiquinhas favoritas e até aprendeu formas de comunicar aquelas que ele queria ver de novo (apontava insistentemente para o sapo desenhado no livro, só para pedir “O sapo não lava o pé”, por exemplo). E percebi que, depois de algumas músicas, ele mesmo parava de prestar atenção e ia brincar, desenhar, fazer outras coisas… Perdi um pouco o medo de que ficasse encasquetado com a Galinha Pintadinha pra sempre.

Mas, de novo, trago a pergunta que fiz no post anterior: será que todos aqueles experts das entidades pediátricas ao redor do mundo estão certos ou errados ao pregar a proibição de qualquer contato das crianças com a televisão até o 2 anos de idade? Ao fim desta semana de aprendizado prático, só consegui chegar a uma conclusão: de que essas cartilhas muitas vezes servem mais para nos deixar com culpa do que para ajudar de verdade na melhor criação dos nossos filhos. E de que a experiência pessoal de cada um, e muitas vezes transmitida/compartilhada de mãe pra filha, de irmã pra irmã, de amiga pra amiga pode fazer mais sentido do que um amontoado de regras que mudam de tempos em tempos e não são consensuais nem no meio científico.

Enfim, talvez estejamos precisando de menos regras e certezas absolutas e mais dilemas e experimentações, sujeitas a erros e a aprendizados maravilhosos. Não acham? 😉


Com isso em mente, compartilho aqui, para finalizar este post e este assunto, o que aprendi com os amigos, parentes e demais leitores deste blog que comentaram na semana passada sobre o dilema da Galinha Pintadinha. Uma coisa que se nota de cara é que cada um tem uma visão única e que todos me parecem igualmente certos em seus pontos de vida. Isso porque, é claro, estamos todos tateando para fazer o melhor possível por nossos filhos 😉

Espero que possa ser útil a outras mães e pais que estejam passando por situação parecida:

“Também vivo nessa luta. Aqui, quando tinha que recorrer ao tablet, eu sempre selecionava o Mundo Bita, mas o YouTube acabou sugerindo a Galinha, e meu filho, com seu pequeno dedinho, clicou, conheceu, apaixonou. Mas, oh, não durou muito tempo. A galinha é viciante nos primeiros dias, mas é muito chata né. Nem eles aguentam. Hoje ele gosta mais do Patati, mas daqui uns dias muda de novo. E eu vou tentando distraí-lo com outras coisas, tentando acertar ou não errar tanto, hehehe.”

*

“Minha filha tem dois meses a mais que o Luiz. Ela também ficou miticamente hipnotizada com a Galinha Pintadinha. De uns tempos pra cá, contudo, ela foi desligando da coisa. Até prefere outros desenhos agora, como a Peppa Pig. Eu acho assim: ‘use com moderação’ e ‘não esquenta que passa’.”

*

“Eu já me culpei muito por conta da TV. Aqui em casa ela é usada só em últimos casos e eu vejo minha filha às vezes implorando pelo Pocoyo, ela quase não pede a Galinha. Entre a TV e o celular, acho mais educativo os apps do personagem que ensinam alguma coisa, como cores e formas, então às vezes ela pede para assistir e deixo ela brincar um pouco com o aplicativo.”

*

“Meu filho amava a galinha 🙂 Tanto que o tema do aniversário de dois anos foi esse. Mas eu controlava o tempo e, com dois anos e pouco, ele já começou a se interessar por outros personagens. Agora, aos 4 anos, não dá bola nenhuma para a Galinha Pintadinha, haha! Eu chamava de “santa galinha”, porque me ajudava para eu tomar banho, arrumar alguma coisa etc.”

*

“Eu deixei minha filha ver toneladas de TV nessa idade. Tô avaliando se foi bom ou ruim ainda. Só posso te adiantar que serão inúmeros dilemas adiante.”

*

“Minha filha mais velha gostou por um bom tempo da Galinha, já o caçula demorou a gostar, mas hoje adora e ela fala que “a galinha é chata”… Tudo passa, até a popó, rs”

*

“A Galinha Pintadinha era também o sonho de consumo de minha primeira neta, lembra-se? Mas havia um momento de horror: a chegada do gavião. O Luiz não tem esse medo? Então, não se preocupe… Como tudo mais, isso também passa.”

*

“Não vejo nada de errado em permitir que a criança assista a TV, desde que com moderação e com uma programação adequada para a idade. Para que não fique uma atividade solitária, em alguns momentos deveria haver uma interação com o adulto, onde ele faria comentários sobre o conteúdo do desenho: ‘Veja, a galinha é azul! Quantos pintinhos apareceram ali? Lavar as mãozinhas é muito legal!’ E tantos outros comentários interessantes que servem pra promover o diálogo e enriquecer as experiencias dos pequenos.”

 

Alguns amigos também sugeriram alternativas à Galinha Pintadinha, já que ninguém aguenta aquelas músicas chatérrimas na cabeça o dia inteiro! Não era falta de alternativas o meu dilema com o Luiz, já que ele não quis saber de mais nada além da Popopó nos últimos dias, mas registro aqui as sugestões que chegaram:

  • “MPBaby. As músicas são mais calminhas, o estilo de ilustração muito mais lindo.”
  • “Beat Bugs. É uma animação de desenhos curtinhos, todos com músicas dos Beatles. É liiindo!!”
  • “Se quiser experimentar e mudar um pouco o repertório, na playlist do meu filho tocou muito Reino das Crianças e Turminha Paraíso.”

Como escrevi no outro post, antes de descobrir a Galinha Pintadinha há umas duas semanas, Luiz adorava três outros desenhos: Masha e o Urso, Dinotrem e o meu favorito: Mundo Bita! Este me foi apresentado por minha irmã Mônica e eu indico para todo mundo. Saiba mais sobre ele AQUI.

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6 comentários sobre “Cedi à Galinha Pintadinha! (E dei adeus às cartilhas da criação de filhos)

  1. Que bom!
    Tava começando a te achar meio neurótica rsrsrsrs

    Quer um desenho muito muito legal? COCORICÓ! Ingênuo, doce, encantador.
    Juuuulioooooo patas de cavalo, dança de galinha, Julio chacoalhando olha o cocoricó começando!
    Ou
    Nos dias quentes de verão ãoãoão a gente vai ao rio nadar..
    Ah! Dez anos depois e eu ainda sei o refrão kkkk

    Curtir

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