#PérolasDoFelipe – Uma questão de lógica

Hoje peço licença ao meu filhote Luiz para compartilhar uma pérola do Felipe, seu priminho e meu afilhado.

Estávamos em um almoço de família, celebrando o Dia dos Pais, quando ele, que sempre me chamou de “dinda” ou de “tia Cris”, começou a me chamar de “Mãe do Luiz”.

Era “mãe do Luiz” pra cá, “mãe do Luiz” pra lá.

Daí ele me pergunta:

– Cadê o Luiz?

– Está lá dentro, no seu quarto. Vai lá brincar com ele!

E o Felipe sai correndo, e gritando:

– Estou indo brincar com você, filho da mãe do Luiz! 😀

 


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Toda criança tem algum objeto de devoção: a fase do boi

Boi da cara preta 🙂

O pai do Luiz foi com ele a uma livraria pequenininha que existe aqui no bairro, por onde eles passam quase todos os dias. Desta vez, entraram, e o Luiz pôde escolher o livro que quisesse de presente. Ele viu um livro com um boi imenso na capa e imediatamente escolheu aquele.

O pai comentou com a dona da lojinha:

— Luiz é doido com boi! (Já foi doido com passarinho, depois com urso — por causa de Masha e o Urso –, mas agora ele só fala em boi, pede para ouvir a música do boi da cara preta, pede para ver ilustrações de bois nos livros, pede para achar bois no YouTube etc.)

Ao que ela respondeu:

— Engraçado, cada criança que vem aqui tem alguma fixação diferente. Tem menino que é louco por carros, outros são doidos com aviões, outros preferem dinossauros. Mas toda criança é doida por alguma coisa!

Em casa, quando ouvi essa história, concluí que a fixação do Luiz é com animais. Todos os dias, antes de dormir, ele pede para ver um livro de contos favorito. Fica irritado quando tento ler um conto: o que ele quer mesmo é sair ditando os animais, um a um, enquanto corro para encontrar suas ilustrações pelas páginas. Começa sempre pelo boi. Depois é o peixe, o urso, o fapo (sapo), o au-au, a popó, o gol (Galo), a anhanha (aranha), o côrco (porco), e assim por diante. É emocionante ver a empolgação com que ele narra essas palavrinhas lindas, nomes de animais, que estão entre as primeiras de seu já extenso vocabulário, e vai brilhando os olhos à medida que reconhece os desenhos correspondentes a cada nome.

Depois, ele se despede do livro e me pede de novo: “Boi! Boi”. Desta vez, sei que ele quer é ouvir minha versão adaptada para a música do boi da cara preta, que hoje é sua favorita para a hora de dormir:

Como eu disse mais acima, o boi não foi sempre o rei das preferências do Luiz. Já foi precedido pelo urso e pelo passarinho. E suspeito que logo dará lugar a outro herói mais fácil de se encontrar nos desenhos animados e produtos licenciados. Até que talvez chegue o dia em que ele não tenha mais nenhuma fixação, em que nada faça seus olhinhos brilharem com a mesma alegria devota de hoje. Ele terá, então, deixado de ser criança.

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Conte para mim: seu filhote é doido com quê? Qual é a fixação dele/a?

Cedi à Galinha Pintadinha! (E dei adeus às cartilhas da criação de filhos)

Na semana passada, compartilhei aqui no blog minha decisão, naquele momento, de cortar o acesso do meu bebê à danada da Galinha Pintadinha. Isso porque, pela primeira vez nos 18 meses de vida do pequeno, vi o Luiz ficando totalmente viciado em algum programa na tevê, e transtornado com a ausência da Popopó cantando todas aquelas músicas tradicionais brasileiras.

Escrevi o texto, postei no blog e, quando cheguei em casa… fiz tudo diferente do que tinha escrito mais cedo! Sim, eu cedi à Galinha Pintadinha. Não aguentava mais ver meu filho dançando o Pintinho Amarelinho (dedinho indicador esquerdo batendo na palma da mãozinha direita, sabem?) e apontando para a tevê, inconsolável, fazendo um apelo por seu programa favorito recém-descoberto. Fiquei com dó.

Ao mesmo tempo, fiz algumas ponderações para aplacar minha culpa: ora, ele não passa o dia inteiro conectado a alguma tela. Pelo contrário, são algumas boas horas por dia apenas brincando no ambiente lúdico da escolinha, onde nem televisão existe, ao lado de dezenas de outros pequenos. Em casa, também brinca bastante, desenha, se diverte na banheira. Sempre temos a preocupação de levá-lo a passeios pelo bairro, à pracinha, aos parques, ao clube… Enfim, a Galinha Pintadinha é só uma pequena fatia de toda a informação que ele recebe e de toda a energia que pode gastar no dia a dia.

Então, qual é o problema? Continuar lendo

Criança namora ou não namora? E agora?

Foto: Pixabay

Já contei aqui a história do meu primeiro namoradinho. Como foi um dos primeiros posts do blog, escrito em 2010, vou reproduzir o trechinho aqui:

“Aos 6 anos eu também tinha um namoradinho, desses que davam tênis da Xuxa no dia 12 de junho. (…) Nos conhecemos aos 3 anos, vizinhos de prédio e colegas de maternal 🙂

Deve ter sido amor à primeira vista – dos nossos pais, já que eu não saberia o que é amor àquela idade e nem me lembraria disso, anyway.

Quando mudei de colégio, para ir ao pré-primário, ele mudou junto. Naquela altura já tínhamos 6 anos. Era um romance maduro, como se vê.

Um belo dia, a sala de aula numa bagunça danada, a professora fazendo algo do lado de fora, os capetinhas gritando e pulando e fazendo coisas que crianças fazem, quando meu namoradinho me chamou: vamos lá pra frente, quero falar uma coisa com você.

Cochichando no meu ouvido, longe da balbúrdia do resto da sala, ele me perguntou: “Vamos terminar?” E eu respondi, solícita: “Tudo bem!”. Seria minha primeira DR, daquele jeito direto e descomplicado.

Tudo teria ficado bem se, no recreio, eu não tivesse visto meu ex-namoradinho de mãos dadas com a Ju, minha melhor amiga. Aos 6 anos, descobri o que era deslealdade. E esse tipo de lição, por mais que envolta no clima de brincadeira, a gente carrega pela vida afora.

O bom é que naquela época não existia no meu vocabulário a palavra fossa. A Ju continuaria sendo minha melhor amiga e eu gastava os recreios seguintes brincando de aprontar planos mirabolantes contra uma turma rival, só de meninos.”

Mais tarde, quando eu tinha 9 anos, participei do filme “Menino Maluquinho”. Meu papel era de Julieta, apresentada para mim como “a namoradinha do Menino Maluquinho”.

Reprodução

Como se vê, cresci achando a coisa mais normal do mundo uma criança namorar. Bom, não namoraaaar de verdade, como adultos namoram, mas namorar como criança namora, como Julieta e Menino Maluquinho, como eu e meu amiguinho que me dava tênis da Xuxa. Mãos dadas, posar pra foto, essas coisas.

Para mim, era algo corriqueiro como uma criança brincar de casinha ou uma criança calçar o sapato do pai ou da mãe: é tudo brincadeirinha, brincar de ser adulto, parte do processo de imaginar e de amadurecer.

Eis que uma campanha, iniciada lá no Amazonas e repercutida em todo o Brasil graças às redes sociais, deu uma sacudida em meus pensamentos. A campanha parte da hashtag #criançanãonamora e prossegue com um “nem de brincadeira!”. A discussão que se levanta é que incentivar uma criança a achar que tem namorado ou namorada é incentivar a sexualização e erotização precoce, é incentivar casos de abusos sexuais contra crianças e até mesmo pedofilia.

Na primeira vez que vi a campanha, fiquei cabreira. Afinal, tenho todo esse histórico me dizendo que a brincadeirinha não me fez mal algum. E olha que sou o oposto da menina que queria virar adulta logo: fui criança até uns 15 anos de idade, meu sonho era ser criança pra sempre, como Peter Pan.

Meu segundo olhar mudou depois de ler os argumentos dos entendidos do assunto, como o pessoal do CNJ, que endossou a campanha. Afinal, sou uma mera jornalista, não sou entendida de nada. Se há quem veja o namoro de crianças com preocupação, os mais entendidos devem ter motivos para isso.

No meu atual terceiro olhar, sigo um pouco em cima do muro, na tendência da não radicalização e da ponderação, que vem sendo minha tendência pra muita coisa ultimamente. Só um ponto já me parece bem razoável na minha cabeça: os adultos não devem ESTIMULAR que a criança pense que está namorando, não devem incitar a ideia, fazer uma criança dizer para a outra que é namorado ou namorada dela, essas coisas. Mas daí a condenar veementemente se a própria criança resolver se imaginar namorando, aí eu já não sei. Tenho medo de que isso gere o efeito reverso, de fazer a criança se preocupar com algo que deveria ser apenas a brincadeira inocente dela. Volto à estaca zero da minha ignorância nessas horas.

E você, o que pensa desse assunto? Tem uma enquete rolando sobre isso no Facebook da Canguru, e você pode registrar seu voto clicando AQUI. Mas melhor ainda se deixar um comentário 😉

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Crescer é difícil, mas pode ser divertido

Não deixe de assistir: DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Nota 8

divertidamente

Alegria, tristeza, raiva, medo e aversão. Esses sentimentos nos controlam desde o dia em que nascemos e ditam a forma como nos relacionamos com o mundo. Cada um deles tem sua importância.

É essa a mensagem que o filme “Divertida Mente” passa a seus espectadores, mirins ou não. Mas, apesar de ser uma animação, teoricamente voltada para crianças, este filme tem um dos roteiros mais filosóficos da Disney.

Tanto que, além de concorrer como melhor animação no Oscar deste ano, Inside Out também concorre na categoria de melhor roteiro original. Escrito e dirigido por Pete Docter, a mente por trás de outros sucessos como “Toy Story”, “Montros S.A.” e “Up”, o filme envereda fundo dentro da mente humana, passando pelas memórias profundas, as que moldam nossas personalidades, pelos sonhos, pela imaginação, pelo subconsciente e até pelo esquecimento. A história aborda, de forma simples e didática, temas como a nostalgia e o amadurecimento. Mostra como crescer é difícil, principalmente quando estamos deixando de ser crianças, como a personagem do filme, que tem 11 anos de idade.

Originalmente, o filme incluiria outras das várias emoções que sentimos, como orgulho, surpresa e confiança. Elas foram cortadas e os roteiristas deixaram apenas aquelas cinco principais, para facilitar o entendimento. Afinal, mesmo com a redução, a animação já comporta grande nível de complexidade.

Mas não fiquem pensando que é um filme-cabeça disfarçado de animação. Como sugere o nome em português, trata-se de um filme muito divertido, capaz de agradar a todas as crianças — inclusive aquelas que ainda não morreram dentro de nossos cérebros adultos.

Que a ilha da bobeira nunca desapareça! 😀

Veja o trailer do filme:

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