Contribuição de leitor: ‘Velhacos’

Hoje publico mais uma contribuição de leitor. O conto a seguir foi enviado por Juan Pablo Vieira Duarte, que prefere ser conhecido como Junas. Se gostar do estilo dele, pode clicar AQUI e ler mais contos como este 😉 Você também escreve contos, crônicas, poemas, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog, na seção de textos enviados pelos leitores 😉

 

“Longos anos de disputas e brigas intensas. A trivialidade dos irmãos Jorge e José foi estruturada com base em seus constantes atritos. Desde quando moravam juntos, com seus pais Josias e Grêta, a dupla já esboçava a típica aversão repetitiva. Como ainda eram apenas crianças, esses conflitos se resumiam em beliscões e deduradas. Porém atos menores já invocaram sentimentos piores em pessoas menos intensas. Não há uma relação mensurável entre a ação e a reação, sentimentos permeiam o subjetivo de forma instável. A única coisa indiscutível, é que o tempo atenua e encrava assuntos mal resolvidos. E o tempo passa rápido. Muito rápido. O suficiente para que todo o rancor deles permanecesse ávido.

Ao contrário do que se possa imaginar, não eram gêmeos. Havia uma diferença de 2 anos de idade entre os irmãos. Que quando ainda em fase de crescimento, tinha enorme relevância. Jorge, o mais velho, possuía enorme vantagem em relação à educação informal que o pai deles lhes fornecia diariamente. “Seja um bom menino na mesa  de jantar, mas na vida seja um canalha”. Jorge inevitavelmente possuía um grau de canalhice mais elevado em sua personalidade. Pobre José, teve que se esforçar muito mais ao longo da vida até conseguir ser repulsivo. O que também o prejudicou, mas nem tanto, foi a derrocada de seu pai ao alcoolismo. Enquanto antes suas frases causavam um impacto contundente em seus filhos, aos poucos, transformaram-se apenas em bobagens de um velho beberrão. Continuar lendo

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Não há marechal Lott que salve o Brasil. Só o povo!

Texto escrito por José de Souza Castro:

Procuro, dentro do possível, manter-me informado sobre a história do Brasil. Li com interesse carta de Nelson Lott de Moraes Costa, neto do marechal Lott, publicada neste dia 29 de agosto AQUI. Leitores mais jovens de jornais provavelmente nunca ouviram falar de Henrique Batista Duffles Teixeira Lott. Nomeado ministro da Guerra dois anos antes da posse de JK à presidência da República, em 1956, o marechal foi mantido no cargo por JK e, em 1960, teve apoio do presidente na disputa por sua sucessão, como candidato do PSD.

O marechal teria como vice João Goulart, do PTB. Mas Jango acabou preferindo levar seu partido a apoiar Jânio Quadros, da UDN, tal como Carlos Lacerda. Os dois derrotaram Lott e… O resto é história bem conhecida dos que estudaram o golpe de 1964. O marechal, que queria chegar ao poder mediante disputa democrática, pelo voto, foi castigado pelos colegas que participaram do golpe, que tudo fizeram para que ele fosse esquecido. Diz o neto:  Continuar lendo

‘Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar’

Jose Saramago por bottelho (Flickr/reprodução)

 

Bom momento para relembrarmos o desabafo de José Saramago:

“A mim parece-me bem.

Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan,
privatize-se a Capela Sistina,
privatize-se o Pártenon,
privatize-se o Nuno Gonçalves,
privatize-se a Catedral de Chartres,
privatize-se o Descimento da Cruz,
de Antonio da Crestalcore,
privatize-se o Pórtico da Glória
de Santiago de Compostela,
privatize-se a Cordilheira dos Andes,
privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu,
privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei,
privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno
e de olhos abertos.

E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez
a exploração deles a empresas privadas,
mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo…

E, já agora, privatize-se também
a puta que os pariu a todos.”

(Texto de “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996, que tirei da revista Prosa Verso e Arte.)

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