‘Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar’

Jose Saramago por bottelho (Flickr/reprodução)

 

Bom momento para relembrarmos o desabafo de José Saramago:

“A mim parece-me bem.

Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan,
privatize-se a Capela Sistina,
privatize-se o Pártenon,
privatize-se o Nuno Gonçalves,
privatize-se a Catedral de Chartres,
privatize-se o Descimento da Cruz,
de Antonio da Crestalcore,
privatize-se o Pórtico da Glória
de Santiago de Compostela,
privatize-se a Cordilheira dos Andes,
privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu,
privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei,
privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno
e de olhos abertos.

E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez
a exploração deles a empresas privadas,
mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo…

E, já agora, privatize-se também
a puta que os pariu a todos.”

(Texto de “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996, que tirei da revista Prosa Verso e Arte.)

Leia também:

Privatização da Eletrobras: a hora do espanto

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