Livro de um aposentado feliz

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Conheço um brasileiro de 73 anos de idade feliz com sua aposentadoria. Ele se chama Wellington Abranches de Oliveira Barros. A felicidade transparece em seu 17º livro, “Dúvidas e Dívidas”. Pelo menos 12 desses livros foram escritos depois que se aposentou aos 60 anos e aprendeu que “o importante é saber aproveitar bem cada etapa da vida, de preferência, sem dívidas”.

Sem dívidas, talvez, porque não se aposentou pelo INSS, e sim por algum dos empregos públicos que teve, incluindo o de professor da Universidade Federal de Viçosa, onde se formou engenheiro agrônomo.

Eu o conheci em 1975 na Secretaria de Agricultura de Minas, onde ele era chefe de gabinete e eu assessor de imprensa, por nove meses, antes de ser chamado de volta ao Jornal do Brasil. Na época, eu me deliciava com os casos contados por Wellington – um contista nato, nascido numa pequena fazenda próxima de Viçosa, na Zona da Mata mineira.

Não conhecia seu dom de escritor, que fui descobrindo na medida em que ele publicava seus livros para dar de presente aos amigos. O último, eu o recebi há alguns dias pelo correio. Em poucas horas, li suas 70 crônicas e artigos. Todos bem escritos e concisos. Quase sempre, finalizados com singela trova ou quadrinha. O autor parece ter aprendido a arte de trovador com Fernando Sabino. A última: Continuar lendo

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Manual de como se comportar num show de rock

Meu primeiro show do Paul, em São Paulo.

Rock, por natureza, não deveria requerer qualquer manual. Afinal, trata-se do gênero e da atitude da liberdade, não das regras. Da contravenção, não da obediência. Mas minha experiência no último show do sir Paul McCartney, no dia 17, me obrigou a criar este manual. Muito por causa do item 5 que eu destaco abaixo.

Fiz o manual a partir da minha experiência em vários showzaços ao longo da vida, a maioria de rock: Paul McCartney (três vezes), Eric Clapton, Rolling Stones, Deep Purple (duas vezes), B.B. King, Queen, Buddy Guy, Creedence, Jethro Tull, Mud Morganfield, John Mayall, Focus, Herbie Hancock, Milteau, Sonny Rollins, Maceo Parker, Madeleine Peyroux, Novos Baianos, Mutantes, Paralamas, Titãs, Rita Lee, Jorge BenJor, Skank, Caetano, Marisa Monte, Paulinho da Viola, Luiz Melodia, dentre outros, inclusive em várias Viradas Culturais (SP e BH) e Pop Rocks da vida.

Yes, eu vi o B.B. King!

Anote aí: Continuar lendo

Um filme sobre qualquer família

Para ver na Netflix: OS MEYEROWITZ: FAMÍLIA NÃO SE ESCOLHE (The Meyerowitz Stories (New and Selected))
Nota 8

Vou listar com calma para ficar bem registrado: Dustin HoffmanAdam SandlerBen Stiller. Emma ThompsonElizabeth Marvel. Candice Bergen.

Com um elenco desses, fica difícil um filme dar errado. Bom, poderia dar muito errado se o roteiro e a direção fossem um lixo. Aqueles filmes longos sobre famílias desajustadas (qual família é ajustada?), que não chegam a lugar algum. Mas o roteiro e a direção são de Noah Baumbach, que já tinha abordado o espinhoso assunto “família” em “A Lula e a Baleia” (2005), único filme que eu já tinha visto dele, que concorreu ao Oscar justamente por seu excelente roteiro.

Não tinha como dar errado mesmo.

Estou falando de um filme de 1 hora e 52 minutos que eu tive que interromper em duas partes e assistir em dias diferentes, porque meu filhote acordou e, excepcionalmente, não quis mais saber de voltar a dormir. E, ainda assim, com esse corte abrupto, não perdi o fio da meada. Mérito das boas histórias.

É a história de três irmãos e de um pai, que é um artista aparentemente esquecido/desvalorizado ou realmente de menor importância. É um filme sobre egos inflados, famílias desestruturadas, crianças abandonadas pelos pais, irmãos que vão se afastando com a vida, rancores que se acumulam.

Mas sabe o que achei mais legal nesse filme? Continuar lendo