Crônica de Eduardo Augusto: ‘Os filhos. E nós.’

Meu filhote Luiz e seu sorriso espontâneo

Hoje compartilho aqui no blog o texto do escritor, mineiro de Ouro Preto, Eduardo Augusto. Casado com a Ana e pai da Clara, de 10 anos, Eduardo é escritor e cronista, com diversos textos publicados em sites, jornais e revistas. Em 2014 lançou seu primeiro livro infantil, Marioleia, a pulguinha que gostava de ler (editora Impressões de Minas). Prepara um livro de crônicas para 2018.

Aí vai o texto dele:

OS FILHOS. E NÓS.

Desde que minha filha nasceu, fui percebendo pouco a pouco como é dinâmico o processo de educar uma criança. Quando você acha que já sabe alguma coisa, o processo muda. Já não é mais você quem ensina ao seu filho, e sim, ele. Quando você acredita que chegou a um denominador comum sobre algumas questões, eis que o inusitado surge: uma explosão de raiva, uma pirraça por causa de algo banal, uma teimosia das grandes.

Filhos nos ensinam o que não sabemos ainda de nós. Sequer suspeitamos. Mas acredito também que o amor é o melhor combustível dessa relação. Com amor, o sono se dissipa, a preguiça dá lugar a uma ida ao parquinho, a chateação pode virar nada, diante de um sorriso meigo e feliz.

Então, você se vê diante da necessidade de se melhorar, de encontrar mais tempo para o seu filho, de tentar compreendê-lo mais, de cativar, de acolher. E isso, não tem hora para terminar.

Por isso, esteja por perto quando o seu filho quiser brincar! E há de querer centenas de vezes. Néctar da atenção. Escute, fale. Descubra junto com ele que existe beleza nas coisas pequenas e grandes. E que o tempo guarda seus mistérios! Pule, corra, role! Distenda os seus músculos, relaxe a cabeça; esqueça as preocupações. Depois, deixe caber tudo num abraço. Olho no olho, de coração pra coração! Estamos aqui!

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Ao menininho de Aleppo


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Texto escrito por Eduardo Augusto*:

 

Tudo estava claro. Depois veio um estrondo. Tudo ficou escuro. Homens gritam lá fora. Um deles me pegou no colo, me sentou numa cadeira. O lugar está muito claro. Meu cabelo tá sujo. Sujou. Tem uma coisa escorrendo no meu rosto…

(Os militares sírios realizaram um ataque aéreo onde morava o menino Omran Daqneesh com sua família. O ataque foi uma resposta às ações das forças contrárias ao governo Bahsar al-Assad. Era o dia 18 de agosto de 2016).

*

Querido Omran Daqneesh, suas mãos tão pequenas me comovem. Elas tocam o seu rosto ensaguentado. Talvez você nem saiba o que é sangue. Me comovo também, quando você olha pra sua mão. Estará nela inscrito um mapa que nos mostrará a saída? Agora, já são três crianças na ambulância.  Elas estão tão paralisadas quanto você! Três preciosas vidas. Haverá outras a serem resgatadas dos escombros da maldade e da ignorância humanas? Continuar lendo