Três Anúncios Para um Crime: roteiro simples, personagens complexos

Para ver no cinema: TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Nota 9

Gostei especialmente de duas coisas neste filme indicado a 7 categorias do Oscar: a simplicidade em torno da trama e os personagens que são todos, sem exceção, anti-heróis.

Explico. A história gira em torno de pouquíssimos personagens principais: três, para ser mais exata. Todos interpretados por atores tão feras que os três foram indicados ao Oscar: Frances McDormand, que veste a camisa de Mildred; Woody Harrelson, que é o chefe de polícia Willoughby; e Sam Rockwell, que faz Dixon, o personagem mais interessante de todos, que me lembrou um pouco o Lennie de “Ratos e Homens“, em termos de mente e coração. O restante é apenas figuração, inclusive o ótimo ator Lucas Hedges, que faz o filho de Mildred e já tinha brilhado, recentemente, no outro filmaço Manchester À Beira-Mar.

Aliás, foi bom ter lembrado desse filme. Assim como Três Anúncios para um Crime, também era um longa de roteiro poderoso, dramático, mas extremamente simples. Agora, estamos falando de uma mãe que viu a filha ser morta e, sete meses depois, ainda não foi vingada com a prisão do assassino. Decide, então, provocar as autoridades locais pagando três grandes outdoors numa estrada velha da cidade, questionando a ineficácia na solução do crime. Pronto, a premissa do filme é essa: mãe em luto, polícia ineficaz, autoridade questionada. Algo até corriqueiro nos noticiários brasileiros, né? Mas daí por diante, abrem-se várias portas da trama, com o desenrolar desse ato de rebeldia numa pequena cidade (fictícia) do Missouri que tem apreço especial pelo chefe de polícia, por razões que também vão aparecer ao longo do filme.

E aí entra o segundo quesito que mais me impressionou no filme. Continuar lendo

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Os 20 filmes mais importantes do Oscar 2018: resenhas e trailers

 

Começou uma das épocas do ano de que mais gosto! Não, não é a quaresma: é a época de fazer maratonas de filmes do Oscar, a tempo da cerimônia, que neste ano será no dia 4 de março 😉

Neste ano comecei tarde, então tenho exatamente 17 dias para assistir aos 20 filmes da minha meta, listados abaixo. Ou pelo menos os 11 principais deles. Minha meta leva em conta os prêmios que acho mais legais: melhor filme, direção, atores/atrizes principais e coadjuvantes e melhores roteiros.

Tenho que ver isso tudo paralelamente a muito trabalho, fechamento de revista, filho de 2 anos pra criar, casa pra cuidar etc. Mas todo ano é assim, e esta correria é parte da graça! Será que vou dar conta neste ano mais uma vez? Vocês acompanharão tudinho neste post, porque vou acrescentando as resenhas em forma de link na lista abaixo, à medida que for assistindo aos filmes. Por enquanto, neste 16 de fevereiro, só vi dois da lista: “A Forma da Água” e “Extraordinário”.

PRINCIPAIS FILMES DO OSCAR 2018:

  1. A Forma da Água (13 indicações), nota 9
  2. Dunkirk (8)
  3. Três anúncios para um crime (7), nota 9
  4. O destino de uma nação (6)
  5. Trama Fantasma (6)
  6. Lady Bird (5)
  7. Corra! (4)
  8. Mudbound (4)
  9. Me chame pelo seu nome (3)
  10. Eu, Tonya (3)
  11. The Post (2), nota 9

VEREI TAMBÉM SE SOBRAR TEMPO:

  1. Viva! A vida é uma festa (2)
  2. Artista do desastre (1)
  3. Doentes de Amor (1)
  4. Projeto Flórida (1)
  5. Todo o Dinheiro do Mundo (1)
  6. Roman J. Israel, Esq. (1)
  7. A Grande Jogada (1)
  8. Logan (1)
  9. Extraordinário (1), nota 9

Começa a contagem regressiva! Tic-tac, tic-tac…

Leia também:

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A Forma da Água: uma fábula sobre o amor proibido

Para ver no cinema: A FORMA DA ÁGUA (The Shape of Water)
Nota 9

Um dos temas mais recorrentes no cinema e na literatura mundiais é o amor proibido. De “Romeu e Julieta” a “A Bela e a Fera”, passando por tantos outros que abordam o amor interracial, intergalático, interétnico, e assim por diante. Então não chega a ser tão original assim o amor entre a faxineira muda e o homem anfíbio, meio monstro-meio deus, preso no laboratório ultrassecreto onde ela trabalha.

É apenas por conta de alguns poucos clichês na narrativa em forma de conto de fadas sobre o amor proibido que resolvi tirar um pontinho desse filme tão belo. Porque, na hora mesmo em que eu estava assistindo, só consegui mergulhar a fundo na história, torcer, me extasiar com a beleza daquele amor, envolto em fotografia poética (que explorou tão bem a luz filtrada pela água) e em trilha sonora perfeita. No fim, sala de cinema abarrotada de gente, quase fui eu a puxar os aplausos, como só acontece ao final dos bons filmes.

A história é de um capricho tão bom de se ver, tão delicado, que fica óbvio perceber a importância desse projeto na vida do diretor mexicano Guilhermo del Toro. Continuar lendo