Dicas culturais do mês: Devoradores de Estrelas, Família de Aluguel e Querida Konbini

Dicas culturais desta semana no blog da kikacastro: filmes Devoradores de Estrelas e Família de Aluguel e livro Querida Konbini
Dicas culturais desta semana no blog da kikacastro: filmes Devoradores de Estrelas e Família de Aluguel e livro Querida Konbini

Nas últimas semanas, em que o blog ficou em “modo resgate de memórias“, andei lendo uns livros e vendo uns filmes legais, que achei que valia compartilhar por aqui também.

Vou aproveitar a pausa do feriado e fazer aquele tipo de post que junta um monte de dicas curtas de uma tacada só, combinado? 😉

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Dica 1: filme ‘Devoradores de Estrelas’, em cartaz nos cinemas

Vale a pena assistir: Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary)
2026 | 2h36 de duração | Classificação: 14 anos | nota 9

Imagem de divulgação do filme Devoradores de Estrelas.
Imagem de divulgação do filme Devoradores de Estrelas.

Assisti a este filme no dia do meu aniversário e adorei. É uma ficção científica cheia de aventuras, mas também com espaço para refletirmos sobre o conceito universal da amizade.

Que, não por acaso, lembra outro filme de espaço, “Perdido em Marte“: os dois são inspirados em livros do mesmo autor, Andy Weir.

Assim como aquele filme foi quase todo carregado nas costas por Matt Damon, este filme praticamente inteiro fica nas mãos do ótimo ator Ryan Gosling, que interpreta um professor que acorda de um coma induzido em pleno espaço sideral e não se lembra muito bem como foi parar lá.

Aos poucos, ele vai recuperando a memória e, paralelamente, também vamos decifrando alguns mistérios e pontas soltas que aparecem na história.

Vamos descobrindo, por exemplo, que ele está em uma missão para salvar a humanidade. E que é comandada, da terra, pela Eva Stratt, interpretada pela ótima Sandra Hüller (de Anatomia de uma Queda e Zona de Interesse). Mas salvar de quê? E como ele vai fazer isso sozinho? Será que ele está sozinho mesmo?

Todo esse suspense vai sendo respondido aos poucos, em meio outro tanto de comédia. Enfim, é um filme leve, divertido e interessante de assistir, e as quase três horas de duração passam (literalmente) voando.

Assista ao trailer de Devoradores de Estrelas:

Dica 2: filme ‘Família de Aluguel’, disponível no Disney+

Vale a pena assistir: Família de Aluguel (Rental Family)
2025 | 1h49 de duração | Classificação: 12 anos | nota 8

Imagem de divulgação do filme Família de Aluguel
Imagem de divulgação do filme Família de Aluguel

Este filme se passa todo no Japão, e foi interessante assistir a ele na mesma semana em que, coincidentemente, li dois livros que também se passam naquele país (vou falar deles a seguir).

O Japão é um país muito espantoso para mim. A cada nova descoberta que faço sobre aquela cultura, mais me impressiono. Neste filme, descobri que uma prática comum por lá são as agências especializadas em fornecer atores profissionais para interpretar papéis de familiares, amigos ou colegas de trabalho de quem os contrata.

Como assim? O primeiro exemplo que aparece no filme até que faz algum “sentido”. Uma jovem que é lésbica contrata a agência para simular um casamento hétero para que seus pais, muito conservadores, a deixassem em paz. O ator contratado finge ser um noivo canadense e ela efetivamente se muda para o Canadá depois da cerimônia. Conquista, assim, sua liberdade.

Mas as outras situações que aparecem no filme são cada vez mais complicadas. O que parece, inicialmente, uma prática relativamente inocente para ajudar pessoas que vivem sob o jugo de uma sociedade fechada e autoritária, aos poucos vira uma rede intricada de mentira, que, como toda mentira, é capaz de deixar muitos feridos pelo caminho.

Brendan Fraser (vencedor do Oscar por A Baleia) faz o papel do americano que mora em Tóquio há 7 anos e é contratado como ator dessa agência especializada, mas passa a se angustiar com os dilemas morais das tarefas que assume.

Eu, que sou muito avessa a mentiras, fico o tempo todo questionando a prática, mas, ao mesmo tempo, tentando entender a cultura intrigante e misteriosa (e, ainda assim, fascinante) que sustenta esse tipo de coisa. Quem consegue entender o Japão e os japoneses?

Assista ao trailer de Família de Aluguel:

Dica 3: livro ‘Querida Konbini’, de Sayaka Murata

Eu tinha acabado de ler “O expresso de Tóquio“, de Seichō Matsumoto (discutido no clube do livro de 1 de abril), que já se passava em todo o Japão. É um livro de detetive, publicado na década de 1950, cujo personagem literalmente corta o país de Norte a Sul, de trem, em sua investigação de um suposto duplo suicídio.

Na verdade, não gostei muito desse livro. Como boa aficionada por livros de mistério, achei que Seichō tratou seus leitores como bobos, repetindo à exaustão alguns conceitos. No clube do livro, ouvi várias observações muito ricas (como sempre!) sobre a cultura japonesa, e uma delas trazia a informação de que os japoneses são mesmo muito minuciosos e gostam de ter certeza absoluta de que o que estão falando ficou claro.

Como eu disse na dica anterior, quem consegue entender o Japão e os japoneses? A cada conhecimento que tenho deles, fico espantada e fascinada com aquele país e suas idiossincrasias.

Mas não foi com “O expresso de Tóquio” que acho que enriqueci mais a minha visão sobre esse povo. Poucos dias depois, li “Querida Konbini”, de Sayaka Murata, e acho que pude aprender bem mais (sem contar que um dos meus autores favoritos é Kazuo Ishiguro).

É um livro cuja protagonista é uma mulher que não se encaixa na sociedade. Não nos é dito qual é o “diagnóstico” do qual ela precisa “se curar” (nas palavras de sua irmã), mas ela claramente foge dos padrões de “normalidade”.

Aos 36 anos, mora sozinha em sua kitnet, não tem muitos amigos, nunca sequer se imaginou tendo algum relacionamento amoroso e imita os gostos e comportamentos dos colegas para evitar causar estranhamentos.

Ela encontra um refúgio em seu trabalho como atendente de uma konbini (loja de conveniência comum no Japão, que funciona 24 por 7). Ali é um lugar onde se sente “útil”, se sente uma peça da grande engrenagem da sociedade.

E tudo funciona bem para ela, até que um outro personagem entra em sua vida questionando essas normas e padrões da sociedade, e mexendo drasticamente em sua rotina.

Esse livro me fez pensar sobre várias coisas, mas duas principais:

  • as pessoas cujas vidas são ditadas pelo trabalho, e que ficam perdidas e disfuncionais quando mudam de emprego, por exemplo (sejam atípicas como esta personagem ou não)
  • e a reflexão sobre ser “normal” ou não, de como quem foge do padrão gera incômodo na sociedade, se sente um E.T., e a inclusão passa a ser vista como um esforço.

Foi um livro também interessante para entender mais um pouquinho desse quebra-cabeça que é a cultura e a sociedade japonesas. Fácil de ler, devorei em praticamente um só dia, no feriado da Semana Santa.

Vale dizer que a autora Sayaka Murata, de apenas 46 anos, também trabalhou por mais de uma década em uma konbini. Este seu premiado livro, o décimo que ela publicou, foi traduzido para mais de 18 idiomas e vendeu mais de 700 mil exemplares só no Japão. No Brasil, ganhou a tradução caprichada de Rita Kohl.

Capa do livro Querida konbini, de Sayaka MurataQuerida konbini,
Sayaka Murata
Editora Estação Liberdade,
152 páginas
R$ 53,83 no Mercado Livre (preço consultado na data do post; sujeito a alterações)

 

Como comprar o livro de crônicas (Con)vivências, de Cristina Moreno de Castro, do blog da kikacastro.

 

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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