Jornalista Laura Capriglione relembra início da carreira em entrevista para o livro ‘A Vaga É Sua’

Laura Capriglione em seus primeiros anos de Folha. Foto: Folhapress
Laura Capriglione em seus primeiros anos de Folha. Foto: Folhapress

Continuando com o resgate que me propus a fazer neste mês dos jornalistas, hoje trago a entrevista que eu e a Ana Estela de Sousa Pinto fizemos com o jornalista Laura Capriglione para nosso livro A Vaga é Sua, publicado em 2010 pela Publifolha.

Entrevista com Laura Capriglione para o livro A Vaga É Sua (2010)

Como começou a carreira?

Eu era professora em 1985, nessa época eu estava dando aula em todas as escolas judaicas de São Paulo. Ninguém queria dar aula nessas escolas, então sobrava vaga. Como a Folha era um lugar que não exigia o diploma do jornalista e tinha acabado de fazer o projeto Folha, toda a esquerda gostava do projeto e vinha trabalhar aqui.

Como conseguiu entrar?

Fiz um concurso para repórter do Fovest. Como eu era uma “estudante profissional” na USP – porque tinha feito física, ciências sociais, economia e depois direito –, eu conhecia muito a faculdade. Então eu prestei esse concurso… e não passei.

Eu era casada com o Ricardo, que passou. Ele andava meio doente e, no dia que veio trabalhar, teve uma crise e passou super mal. Meia hora depois ele voltou pra casa. Aí me chamaram pra pegar a vaga do Ricardo (risos).

Como era esse concurso?

Tinha banca. Tava a editora de educação e ciência e alguém da SR [Secretaria de Redação].

Você conhecia alguém dos que te entrevistaram?

Não.

Tava nervosa?

Tava nervosa pra caralho. Eu achava que trabalhar na Folha era a coisa mais legal do planeta Terra. E era mesmo. Mas, como eu não era jornalista, não era uma coisa que pra mim fosse um destino. Eu podia dar aula, ser professora, trabalhar no Censo e podia virar jornalista na Folha. Calhou de virar jornalista na Folha.

O que acha que viram em você?

Na época eu acho que valia bastante o fato de eu conhecer muito a USP. Eu conhecia todos os professores, tinha sido da diretoria do DCE da USP, tinha feito física, que é importante pra quem cobre educação e ciência, conhecia fontes dessa área de ciência, e tinha a vivência no movimento estudantil. Acho que foi isso, basicamente.

Qual era sua principal lacuna?

Todas. Eu não sabia nada de jornalismo. Eu lia muito jornal, lia a Folha religiosamente. (Nessa época todo mundo tinha orgulho de andar com jornal debaixo do braço. Tinha os idiotas que não liam jornal e tinha a gente que lia jornal, lia revista, sabia o que estava acontecendo.) Mas, fora isso, todas as lacunas possíveis.

Me lembro que, quando entrei aqui, tinha uma superfechadora chamada Rose, que era brava. Ela chegou assim: “LAURA, PASSA A RETRANCA!” Meu deus do céu, eu não tinha a menor ideia do que fosse uma retranca! Eu quase chorei nesse dia.

Eu nunca tinha me preocupado em escrever profissionalmente, então tinha lacunas de gramática. Nessa época a Folha era uma escola de formação mesmo. Era muito bom pra suprir esse buraco que eu tinha na minha formação.

Se fosse escolher um jornalista pra trabalhar com você hoje, quais características procuraria?

Eu ia procurar uma formação cultural geral, que tivesse uma boa base, mas eu acho que o mais importante é que o cara tenha entusiasmo com a vida.

***

Depois do feriado volto com a entrevista que fizemos com Laurentino Gomes 🙂

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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