Jornalista Juca Kfouri relembra início da carreira em entrevista para o livro ‘A Vaga É Sua’

Juca Kfouri em foto dos anos 70.
Juca Kfouri em foto dos anos 70. Crédito: arquivo pessoal

Continuando com o resgate que me propus a fazer neste mês dos jornalistas, hoje trago a entrevista que eu e a Ana Estela de Sousa Pinto fizemos com o jornalista Juca Kfouri para nosso livro A Vaga é Sua, publicado em 2010 pela Publifolha.

Entrevista com Juca Kfouri para o livro A Vaga É Sua (2010)

Como conseguiu seu primeiro trabalho?

Não consegui. Conseguiram para mim. Estava entrando na faculdade de sociais na USP, tinha 19 anos, era de um grupo clandestino (ALN), queria ter meu próprio aparelho porque tinha medo que meus pais e meus irmãos acabassem presos pelas minhas traquinagens e tinha um amigo que trabalhava no Dedoc da Editora Abril.

Era um celeiro de repórteres, um lugar muito legal, porque a única coisa que não tinha era jornalistas. Tinha geógrafos, filósofos, historiadores, gente formada em letras, era um microlaboratório da USP.

A editora Abril ia lançar a Placar. Eu era doido por futebol, tinha meus arquivos de futebol, e esse meu amigo sugeriu aos que iam lançar Placar que me entrevistassem. Eles gostaram de mim e me contrataram para fazer pesquisa.

Mas tinha um problema: eu era voluntário ao CPOR, para aprender a fazer guerrilha. Tive que sair do CPOR, foi uma dificuldade, mas comecei a trabalhar em imprensa assim, no Dedoc, para atender a revista Placar em março de 1970.

Você se lembra dessa entrevista na qual foi contratado?

Lembro, e também de quem estava lá: Maurício Azêdo [primeiro editor-chefe da “Placar”, hoje presidente da Associação Brasileira de Imprensa], Woile Guimarães [secretário de Redação da Placar quando a revista foi lançada, hoje dono da produtora de TV GW Comunicação], Roger Karman [foi vice-presidente da Abril e presidente da TVA], Cláudio de Souza [“fundador” e primeiro diretor da revista “Placar”]…

Era um pelotão de fuzilamento! E você estava nervoso?

Acho que eu fui um pouco irresponsável. Achei tudo tão engraçado, tão inusitado, falei “não tenho nada a perder”. Então, fui lá e fiz um número. Os caras me perguntavam de futebol, e de futebol eu sabia. Meio que eu sabia também que estava num ambiente mais pro progressista que pro reacionário, então não precisava disfarçar o que achava do Brasil da época.

Não me lembro de ter ficado nervoso. Lembro-me de ter ficado surpreso quando me avisaram que eu seria contratado, e que ia ganhar alguma coisa na casa dos US$ 2.000, era muito dinheiro.

E o que você acha que tinha que os convenceu a te contratar?

Cara de pau. Eu sabia do que eu estava falando, e sou uma pessoa extrovertida. Qual era meu papel naquele momento: eles precisavam alguém pra atender a revista Placar; e eu tinha o perfil adequado.

Se você tivesse que contratar alguém inexperiente hoje, o que acharia fundamental?

Ô, Ana, essa é a pergunta de 100 milhões de dólares.

Não “a” coisa, mas “uma” coisa fundamental…

O olhar. Um olhar confiável. É meu parâmetro: é no olho do cidadão. A única coisa que não engulo é a mentira.

***

Na segunda-feira (20) volto com a entrevista que fizemos com Laura Capriglione 🙂

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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