Ana Estela de Sousa Pinto fala o que é preciso para ser jornalista

Continuo com o resgate da série do blog Novo em Folha, hoje com o vídeo da grande Ana Estela de Sousa Pinto, então editora de Treinamento da “Folha de S.Paulo”:

 

Veja outros vídeos da série:

Leia também:

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Juros altos e a busca desesperada por empregos

Charge do excelente Duke.

Charge do excelente Duke.

Texto escrito por José de Souza Castro:

Tenho tratado aqui da questão dos juros altos pagos pelo governo brasileiro aos rentistas – os detentores da dívida pública, sobretudo os bancos –, mas posso ter sido acusado de, a exemplo da Lava Jato, ter convicção, mas não provas.

O jornalista Clóvis Rossi, em seu artigo dominical na “Folha de S.Paulo”, muito mais bem informado, mostra que juro alto, a título de combater a inflação, é uma falácia lucrativa.

Tão lucrativa, que, “basta dizer que, em apenas um ano, os rentistas (5 milhões de famílias?) recebem do governo, via juros, o que os beneficiários do Bolsa Família (14 milhões de famílias) levam 14 anos para ganhar”, conclui Clovis Rossi.

Seu artigo aumentou em muito a minha convicção.

Ele se baseia num estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional em 1999, que desmontava a sabedoria convencional que diz que aumentar os juros derruba a inflação e vice-versa. O estudo abordou 1.323 casos de 119 países e verificou “que, na maioria absoluta deles, a inflação caiu, qualquer que tivesse sido a ação do respectivo Banco Central, aumentando, diminuindo ou mantendo a taxa de juros”.

Clóvis Rossi já havia escrito sobre esse estudo em maio de 2003, primórdios do governo Lula. E repete: “A maior porcentagem de êxito (ou seja, de casos em que a inflação caiu) se deu justamente quando o BC reduziu os juros. Nesse caso, a porcentagem de sucesso foi a 62,18% dos 476 casos examinados, contra 50,75% dos 398 casos em que a inflação caiu quando a taxa de juros aumentou.”

Na época, seu artigo despertou o interesse do professor Delfim Netto, ministro da Fazenda durante a ditadura militar de 1964, e do então ministro da Fazenda Antonio Palocci, que telefonou a Rossi e ouviu dele a pergunta óbvia: Continuar lendo

Taxa de desemprego no Brasil vai passar de 13% até 2017

O que o desemprego tem a ver com o pré-sal da Petrobras? Veja no post! Foto: Petrobras/ABr

O que o desemprego no Brasil tem a ver com o pré-sal da Petrobras? Veja no post! Foto: Petrobras/ABr

Texto escrito por José de Souza Castro:

A taxa de desemprego (que o governo prefere chamar de “taxa de desocupação”) subiu neste ano e chegou ao fim de junho em 11,3%. É a maior desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua começou a ser feita em janeiro de 2012. E deve ultrapassar os 13% até o começo do ano que vem, conforme explica neste vídeo, no final da reportagem, a repórter especial e ex-editora de Mercado da “Folha de S.Paulo”, Ana Estela de Sousa Pinto.

avagaehsuapeqUma curiosidade: Ana Estela escreveu, juntamente com a editora deste blog, o livro “A Vaga é Sua”, que ensina aos recém-formados em jornalismo como entrar no mercado de trabalho. O livro foi publicado pela Publifolha em 2010. Desde então, os jornalistas terão que se esforçar muito mais para não fazerem parte dessa estatística de 11,3% de brasileiros desempregados.

Jornalismo é um dos setores mais atingidos pela recessão. Mas ela faz vítimas em todos os setores, em todos os Estados. Piorando, desde o início do processo presidido pelo juiz Sérgio Moro com o objetivo declarado – mas não só ele, sabe-se hoje – de punir os que praticaram corrupção na Petrobras. A empresa que, desde o início do governo petista, foi escolhida para impulsionar a economia brasileira e gerar milhões de empregos no Brasil.

O que aconteceu com a maior estatal brasileira foi um ataque sistemático para enfraquecer, tanto ela, como os presidentes Lula e Dilma, para que o PT fosse excluído do poder e o petróleo do pré-sal incluído no portfólio das grandes petroleiras internacionais.

Hoje isso já ficou bem claro, com o início da venda de partes do pré-sal pelo governo Michel Temer. E com 1,4 milhão de pessoas cortadas na folha de pagamento das indústrias só no segundo trimestre deste ano.

E a Petrobras, ela não estava falida por causa da corrupção? Por causa, ainda, do grande endividamento e do baixo preço do petróleo? Agora que já se apossou da empresa, o governo interino trata de desmentir. No dia 13 de julho, a Agência Petrobras publicou o seguinte: Continuar lendo

Professor universitário precisa de mestrado? (parte 2)

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Ontem propus um debate sobre a pergunta deste post e contei o caso de dois professores idolatrados pelos estudantes de jornalismo da PUC Minas e que serão demitidos por não terem títulos de mestrado ou doutorado.

Também publiquei o depoimento do meu pai sobre um dos professores e a reflexão que ele fez sobre a necessidade de diploma para o bom exercício desta profissão.

Não leu? CLIQUE AQUI pra começar 😉

E eu prometi colocar hoje aqui a minha opinião sobre o assunto. Aí vai ela:

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Quando estudei jornalismo na UFMG, entre 2003 e 2008, sentia falta de uma coisa muito simples: professores com conhecimentos práticos do funcionamento de uma Redação. Ok, era legal refletir sobre as questões inerentes à comunicação e sobre várias outras questões do campo das humanas (aproveitei a grade curricular flexível para fazer aulas de tudo um pouco: de ciências políticas, sociais, econômicas, direito, belas artes, estatística, cinema… Até pré-história eu estudei!). Achava massa ter um professor que era considerado um dos melhores especialistas do país em semiótica etc. Mas sentia falta demais de alguém que pudesse falar de verdade como era trabalhar em um jornal diário de circulação nacional, em uma revista de jornalismo investigativo, enfim, que pudesse dar conselhos práticos sobre a profissão (ainda bem que eu tinha meu pai! Mas e os outros alunos?!). Pra piorar, não havia jornal laboratório — enquanto estudei lá, foi criada a Rádio UFMG, que foi essencial na minha formação, mas só pude estagiar lá por oito meses, já no fim do curso.

Enquanto isso, ouvia relatos da minha irmã e de outros estudantes da PUC Minas e pensava como era bacana eles terem uma formação tão prática, tão voltada para o mercado, e terem um jornal tão tradicional como o Marco, para que os alunos pudessem treinar a fazer reportagem pra valer.

Ou seja, se me perguntassem, naquela época, se eu preferia que 100% dos meu professores fossem pós-doutores ou se abriria mão de 50% deles para ter aulas mais práticas com os caras mais feras das Redações, eu com certeza responderia a segunda opção.

Minha ressalva é que isso não vale para todo curso, mas posso bancar minha posição quando se trata de um curso mais técnico que teórico, como o jornalismo.

Tanto é assim que eu considero que os cinco meses em que fui trainee da “Folha de S.Paulo” foram mais úteis como aprendizado prático do jornalismo, para mim, do que os quatro anos de faculdade de Comunicação Social da UFMG. A equação da minha formação é basicamente a seguinte:

ensinamentos do meu pai
+
edição de blogs jornalísticos ao lado do meu pai
+
oito meses de estágio na rádio UFMG Educativa
+
cinco meses de trainee na “Folha”

Só depois dessa experiência eu passei a me considerar graduada em jornalismo, pronta pra exercer de verdade a profissão.

Quando resolvi sair da “Folha”, eu disse à Ana Estela, que foi editora de Treinamento do jornal por vários anos, que estava voltando para Beagá sem nada certo, sem novo trabalho, mas que correria atrás do meu sonho de um dia ser professora de jornalismo. E ela me respondeu: “Você será uma excelente professora!”.

Eu acho que seria mesmo uma boa professora, pelo menos no que diz respeito às aulas práticas — mas, para ser aceita em uma faculdade, mesmo para dar oficinas, tenho antes que fazer um mestrado, ingressar na carreira acadêmica, fazer pesquisas etc. Será que é mesmo necessário, para dar uma oficina de pauta, apuração e redação de reportagem, que a pessoa tenha um doutorado em algum assunto ultrateórico ou megaespecífico da comunicação? Você, como estudante de jornalismo, preferiria ter uma aula dessas com um Fernando Lacerda, um José de Souza Castro, com anos de experiência nas costas, ou com um cara de 30 anos de idade, doutor em comunicação, mas que nunca trabalhou com jornalismo na vida?

Bom, cada um é cada um, mas eu ainda prefiro mil vezes o que aprendi com meu pai e com a Ana Estela e com a Tacyana Arce (que hoje mergulhou fundo na vida acadêmica, mas foi minha “mestra” como editora na rádio). E, sem eles como meus professores, eu jamais me consideraria uma jornalista completa, com ou sem diploma.

Leia também:

Dicas para montar um portfólio online

arquivo

Aproveitei meu dia de folga hoje para finalmente montar meu portfólio online, que é algo que sempre recomendei para o pessoal do “Novo em Folha“.

Na verdade, não ficou bem como um portfólio, já que resolvi agregar o máximo possível de reportagens legais que fiz, para servir como um arquivo aqui para o blog, na seção recém-criada nessa abinha aí em cima. Separei nada menos que 211 trabalhos, coisa mais do que exagerada para um portfólio normal.

O processo de agrupar esse material me deu um baita trabalho, que poderia ter sido poupado se eu já soubesse o que vou dividir por aqui:

  1. O Issuu é o melhor site para fazer esse tipo de publicação. E olha que testei dezenas de ontem pra hoje. Fácil de usar, mas a versão gratuita tem limitações: só permite baixar até 20 documentos e, cada um, deve ter um limite máximo de 100 MB. Somando todas as reportagens que eu queria ter baixado, cheguei a 1,22 GB! Então tive um trabalho extra para cortar algumas, diminuir o tamanho de outras etc. Se você já montar seu portfólio pensando em algo focado e enxuto — como deve ser –, leve em consideração também o limite que você terá para fazer tudo num único documento.
  2. A melhor forma que encontrei de juntar várias páginas de PDF num documento só foi o programinha, levinho e facílimo, Gios. Você pode baixá-lo AQUI.
  3. Além de fazer o PDF, que tal atualizar seu currículo e criar uma conta no Linkedin? Não é só quando estamos à cata de emprego que devemos manter nossos perfis em redes sociais de trabalho atualizados. No caso de jornalistas, principalmente, isso é imprescindível. Mesmo querendo continuar no mesmo veículo em que estamos, é bom termos o “cartão de visitas” sempre em dia, inclusive para obtermos boas propostas de frilas no meio do caminho.

Aliás, acho que nunca sugeri isso aqui no blog, mas o livro “A Vaga é Sua“, que escrevi com a Ana Estela de Sousa Pinto, tira todas essas dúvidas que pairam sobre a cabeça de estudantes de jornalismo, principalmente. #ficaadica ;D