Contribuição de leitor: ‘Eu vi’, por Nuno Kembali

Livro de contos de Nuno Kembali

Nuno Kembali / Reprodução

Fazia tempos que o blog não recebia uma contribuição de leitor, mas, para compensar, esta que chegou está realmente incrível. O conto abaixo foi enviado por Nuno Kembali, 55, escritor brasileiro nascido no Recife. Ele é autor das novelas “O Matagal ou o vão combate é mais embaixo” e “Rota 12: sobre jaguaretês e outros bichos no diadema do tempo”, com playlists disponíveis no Spotify. Quem quiser saber mais sobre o Nuno pode encontrá-lo no Facebook e no Wattpad.

 

Agora vamos ao excelente conto de Nuno Kembali! Boa leitura: Continuar lendo

Anúncios

Stefan Salej: ‘Do pobre, nobre e podre’

Fotos: Pixabay

Texto escrito por Stefan Salej*

“A frase de Hamlet, na peça teatral do inglês William Shakespeare de mesmo título, “há algo podre no Reino da Dinamarca”, pode ser mais uma vez repetida para os momentos de hoje no Brasil: há algo de podre neste país. O mais recente escândalo da “carne fraca”, ou seja, carne podre que pobre come, adiciona mais um capítulo à novela de podridão e corrupções que vivemos no país. A cada momento aparece um escândalo, os políticos de todos os partidos ficam mais enlameados, e as condenações cada vez mais longe. Ninguém sabe onde isso vai parar e quando vai parar. E a razão é simples: a podridão é de tal tamanho que o país precisa de um renascimento, surgir das cinzas como Fênix para recomeçar. É uma transição dolorosa na qual a parte mais triste é que, mesmo com um processo como a Lava Jato, em curso há três anos, parece que ninguém se assusta e que não mudam os hábitos, sejam nas empresas, na administração pública ou entre políticos. Se para um respeitado deputado que vira ministro, um simples superintendente do Ministério da Agricultura no seu Estado é chamado de Grande Chefe, então a escala de valores está de cabeça para baixo e quem manda mesmo e vale alguma coisa na hierarquia do poder é o Grande chefe e não o tal do deputado.

A operação da Carne Fraca traz muitas lições. Continuar lendo

Contribuição de leitor: ‘A Estação’

Quem me enviou o texto que publico abaixo assina sob o pseudônimo Moreira Szpak. Ele é paranaense, de 25 anos, blogueiro desde os 14, empresário e estudante… E não me disse muito mais que isso em sua identificação.

Se gostar do conto abaixo, você poderá ler vários outros, do mesmo estilo, no blog Contos da Vida.

Vamos ao texto:

Foto: Pixabay

A Estação

“Eu observava, do outro lado da plataforma, um casal e seus dois filhos. Enquanto a mãe distraía e dava de comer ao mais novo, o pai se divertia com a outra filha em uma brincadeira que eu não conhecia mas que, certamente, era muito divertida.

Os pais, entre uma garfada aqui e outra risada ali, se entreolhavam sorridentes. Era um sorriso puro, se via apenas respeito, amor e sinceridade entre eles. Comecei a refletir sobre tudo à minha volta. Aos meus 13 anos, eu sonhava em ser pai aos 21, e ser avô aos 50. Pensei nas namoradas que tive, nas oportunidades que perdi – e nas que aproveitei, mas não levei até o final.

Lembrei de amores roubados, beijos escondidos, amores proibidos. Lembrei de você também, pois via naquela mulher da outra plataforma o mesmo sorriso de quando nos encontrávamos ou, então, de quando falávamos sobre família e eu lhe confidenciava o desejo de ter três filhos. Ah, como eu amo o teu sorriso!

Vi naquelas crianças uma juventude inteira pela frente, repleta de alegria, amor e oportunidades e senti o dever de alertá-las sobre a importância de se agradecer a cada manhã nova, a cada raio de sol que entraria pela janela. Senti o dever de dizer: ouçam seus pais sempre, mas tentem mesmo que eles digam ser impossível; queria dizer que lágrimas cairiam daqueles lindos olhinhos mas que, lá no fundo, seriam necessárias e ajudariam em sua vida adulta; queria dizer que, apesar de cansativa, a universidade e o conhecimento são necessários para que se faça a diferença na vida de outras pessoas – e nas nossas também.

Senti o desejo de alertar sobre as aventuras do amor, precaver quanto às decepções e armadilhas, invejas e tentativas de destruir o que eles haviam conhecido e vivido dentro de casa como sendo o amor verdadeiro. Dizer que quando o coração doer, é porque a pessoa faz falta de verdade; que quando houver lágrima logo depois vem o sorriso; que quando houver pedaços, haverá como consertar, basta deixar que o tempo sirva como reparador.

Eram tantos conselhos para dar, tanta segurança para passar àquelas crianças. E eu senti o desejo de fazer isso, me levantei e comecei a caminhar em direção delas.

Fui interrompido pelo trem, que chegou, a porta se abriu diante de mim e pude, então ir embora. Afinal, de que adiantaria dar a receita de uma vida perfeita sendo que, na verdade, o que se espera de qualquer ser humano é que viva de forma a errar e aprender com cada ação?

De que adiantaria uma receita só para produzir vários mesmos de um eu?”


Você também escreve contos, crônicas, poemas, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog, na seção de textos enviados pelos leitores 😉

Leia também:

faceblogttblogPague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!