Minha mensagem de fim de ano – um balanço de garranchos e um futuro em vôo-livre

2012 foi um ano ótimo. Um ano de resoluções cumpridas, de grandes mudanças na minha vida. De uma guinada de prioridades, no 10º mês, que apaziguou meu espírito sem prejudicar minha necessidade de falar ao mundo por meio do jornalismo. Da reaproximação com a família, da redescoberta do amor.

Termino o ano satisfeita comigo mesma, por ter tido o discernimento do que deveria fazer, sem ninguém para me mostrar esse caminho antes. E a coragem de tomar minhas decisões, mesmo as mais difíceis, arcando com a consequência de todas elas, como eu já fizera tantas outras vezes.

Sigo com a vida mais leve, um pássaro de rabo imenso na árvore em frente à minha janela, me mostrando que é possível voar e encantar o mundo, mesmo sem se conhecer ao certo o rumo que deve ser tomado. Porque esse negócio de planejar tudo é uma furada. A vida bem vivida é este balanço em garranchos, como Caco Galhardo resumiu outro dia:

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Concentremo-nos nas curvas e cores que dão graça a nossos dias e meses!

***

Desejo um 2013 para todos nós cheio desses vôos-livres, de aventuras e de mudanças, pequenas ou grandes, bruscas ou corriqueiras, que deem mais gosto à nossa rotina.

Que meus amigos fumantes abandonem o vício, que os workaholics reaprendam a descansar e se divertir, que os que bebem deixem o carro em casa, que os casais briguentos reaprendam a aproveitar a convivência harmônica, que os solteiros se abram para novas experiências, que os músicos nos presenteiem com novos clássicos, que os cineastas encham as salas de cinema com espetáculos emocionantes, que os repórteres abram nossos olhos com furos espetaculares e que mais passarinhos invadam minha janela.

Ah, sim: e que em 2013 nosso Galo seja campeão da Libertadores e Mundial:

Arte do amigo Tadeu Galiza.

Arte do amigo Tadeu Galiza.

Feliz Ano Novo, moçada! E muitos posts e comentários para nós em 2013 😀

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Cinema em 2012, melhores e piores

Neste ano assisti a 24 filmes no cinema, dos quais 17 foram bem legais, 5 foram razoáveis e 2 foram muito chatos (dei mais sorte que no ano passado ;)). Confiram e programem-se para baixar ou pegar na locadora:

Vale a pena ver

  1. As Aventuras de Tintin (baita animação bem-feita sobre três tipos de histórias que adoro: de repórter, de detetive e de piratas! Mais AQUI)
  2. Precisamos falar sobre o Kevin (estarrecedor. Mais AQUI)
  3. Histórias Cruzadas (o filme nota 10 do ano. Mais AQUI)
  4. A invenção de Hugo Cabret (para os fãs de cinema. Mais AQUI)
  5. Millenium – Os Homens que não amavam as Mulheres (Bem sacadíssimo! Puta atriz boa! Mais AQUI)
  6. O Artista (outro para os cinéfilos, belíssimo filme. Mais AQUI)
  7. A Dançarina e o Ladrão (o melhor Ricardo Darín do ano. Linda história de amor.)
  8. Xingu (a história dos irmãos Villas Boas já é um filme. E viva João Miguel, o melhor ator brasileiro da atualidade! Mais AQUI)
  9. MIB 3 (engraçado e legal como os outros dois, mas melhor ainda por ter uma viagem no tempo!
  10. Para Roma com Amor (vontade de conhecer a Itália toda! E viva o Woody Allen)
  11. Deus da Carnificina (quatro atuações brilhantes. Mais AQUI)
  12. Na Estrada (fogos de artifício e um espírito mais do que bem capturado. Mais AQUI)
  13. Intocáveis (a dupla mais engraçada e tocante do universo, nos ensinando a viver de novo! E é real! Mais AQUI)
  14. As Vantagens de ser Invisível (bom filme sobre adolescência. Mais AQUI)
  15. Gonzaga – de pai para filho (belos personagens, atores esforçados. Mais AQUI)
  16. Elefante Branco (mais um Darín, mas bem mais tenso. Mais AQUI)
  17. Argo (hollywood na revolução do Irã. Mais AQUI)

Veja se estiver com tempo sobrando

  1. Sherlock Holmes 2 (Nada a ver com meu herói criado por Doyle)
  2. J. Edgar (boa atuação, personagem nem tanto, filme longo demais)
  3. Um Método Perigoso (a história de Freud e Jung, legal, mas um pouco cansativo)
  4. A Era do Gelo 4 (quatro é demais)
  5. Um Divã para Dois (ótimos atores, mas detesto a temática dos casamentos falidos. Enfim, é um bom filme, mas eu não veria de novo. Mais AQUI)

Não veja!

  1. Valente (fraco).
  2. Tão forte e tão perto (vazio e ruim e chato e previsível. Mais AQUI)

Concordam? 😀

Melhores livros de 2012

Continuando a tradição iniciada em 2010 e continuada no ano passado, segue uma lista dos sete livros mais divertidos deste ano:

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Buddy Bolden’s Blues, de Michael Ondaatje, 173 págs. – Um jazz em formato de livro, que você lê como se estivesse escutando uma música mesmo, com personagens impressionantes. Leia mais sobre ele AQUI.

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Histórias Apócrifasde Karel Capek, 175 págs. – Parábolas super sarcásticas, muitas delas dando novas versões para as histórias que mais do que conhecemos da Bíblia. Destaque para os vovôs da Idade da Pedra! Leia mais sobre ele AQUI.

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O Cemitério de Pragade Umberto Eco, 479 págs. – Suspense, ficção entrelaçada com História, personagens sensacionais. Um livro pra ler de cabo a rabo, numa sentada, mesmo tendo quase 500 páginas. Leia mais sobre ele AQUI.

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Festa no Covilde Juan Pablo Villalobos, 88 págs. – Uma criança inocente convivendo com chefes do tráfico do México. Narrando tudo sob o olhar de… uma criança inocente. Engraçado, divertido e comovente ao mesmo tempo. Leia mais sobre ele AQUI.

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O velho que acordou menino, de Rubem Alves, 269 págs. – Toda a sabedoria de Rubem Alves em suas memórias de um tempo que já passou, uma infância perdida que não existe nem mesmo no interior de Minas, onde ele viveu. Histórias divertidas, engraçadas, comoventes e que fazem pensar. Leia mais sobre ele AQUI.

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A Segunda Confissão, de Rex Stout, 248 págs. – Um mistério desvendado pelo melhor detetive da literatura, contratado para descobrir se o genro de um magnata é comunista e, no fim das contas, revelando um mistério muito mais grave. Leia mais sobre ele AQUI.

 

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Dois Rios, de Tatiana Salem Levy, 220 págs. Joana conhece Marie-Ange e as duas vivem um grande amor. Ou, numa história totalmente diferente, Antônio conhece Marie-Ange e os dois vivem um grande amor. Em comum nas duas possibilidades, apenas a reaproximação de irmãos gêmeos que tinham sido afastados pelas circunstâncias da vida e por fazerem escolhas muito diferentes. Leia mais sobre ele AQUI.

Minhas soluções contra a licença para matar (de carro)

Land Rover que atropelou Vitor Gurman, em julho de 2011, logo após o acidente numa rua tranquila de São Paulo. Reparem na placa de 30 km/h logo atrás. Para a Polícia, a motorista tinha bebido. Ela diz que ingeriu "apenas uma margarita" naquela noite. Foto de Silvio Portante/Folhapress.

Land Rover que atropelou e matou Vitor Gurman, 24, em julho de 2011, em foto tirada no dia seguinte ao acidente numa rua tranquila de São Paulo. Reparem na placa de 30 km/h logo atrás. Para a Polícia, a motorista tinha bebido. Ela diz que ingeriu “apenas uma margarita” naquela noite. (Foto de Silvio Portante/Folhapress.)

O garoto tem 18 anos de idade. Bebeu, depois dirigiu. Perdeu controle do carro, que só tinha permissão para guiar havia seis meses, e invadiu a calçada, após um cavalo-de-pau. Bateu em mãe e filha que estavam, de mãos dadas, passeando por ali. Prensou a filha, dois anos de idade, lindeza pura, contra um portão. Duas vezes. Ela morreu na hora. A mãe se machucou pouco, teve alta no mesmo dia. Mas adquiriu uma chaga permanente, incurável. Não vai adiantar o garoto responder pelo crime de homicídio com dolo eventual, ficar anos na cadeia. A chaga permanecerá.

E aquele rapaz é só uma consequência de uma cultura de décadas, incrustada na nossa sociedade. Que diz, que grita, que propaga: beber é bom e beber antes de dirigir é OK. Uma latinha só tá valendo (até a Lei que valia até pouco tempo atrás dizia isso, gritava isso: uma latinha pode! Uma latinha pode!). E é bom ter máquinas potentes, cada vez mais potentes, correndo pelas ruas. Dane-se o pedestre, o dono da rua é o carro. Aliás, danem-se também os ciclistas, os ônibus. A cultura é a do carro e a do álcool e essa cultura entra na cabeça do jovem com a facilidade proporcional a sua imaturidade.

Quem lê meu post deve achar que sou superior a esta cultura. Nada disso. Eu bebo. Hoje em dia não mais dirijo com frequência, nem tenho carro, nem sei se quero voltar a ter. Mas já tive e já dirigi depois de beber. Usei meu primeiro salário para pagar a aula de legislação e, com os seguintes, a de direção. Era minha prioridade zero. Só não posso assumir a culpa pelo desprezo geral contra pedestres, porque sempre os respeitei, inclusive porque eu mesma adoro caminhar. Mas todo o resto eu já fiz. Meu anjo da guarda cansou de me salvar e, mais importante ainda, salvar os outros inocentes ao meu redor. Contou com o fato de que dirijo muito bem, mas certamente é um milagre que eu nunca tenha batido o carro, nem tenham batido em mim. Talvez com o propósito de me fazer chegar até este dia de hoje, defensora veemente da alcoolemia zero ao volante, a única taxa segura conhecida.

Não adianta só prender o garoto de 18 anos. Claro, ele deve ser responsabilizado, mas nada vai mudar realmente enquanto essa cultura não mudar. E, para isso acontecer, é preciso muita coisa: a começar por proibir certos comerciais na TV, como já aconteceu com os cigarros.

No dia em que chegarmos ao nível de preconceito a que estão submetidos os fumantes hoje, em relação aos que bebem e dirigem, provavelmente vamos ter obtido algum sucesso. E olha que os que fumam, em tese, só estão prejudicando a si próprios. Os que bebem e dirigem receberam carta branca para matar. Licença para matar. Dizem que a Constituição garante o direito de ir a vir, mas não garante o direito de ir e vir dirigindo por aí. O que permite a alguém fazer isso é um negócio chamado licença, que só é dado a quem tem condições seguras para isso – e, como o nome diz, é só uma licença, algo temporário, não definitivo e com condicionantes básicos. Por isso, acho que cassar a licença em definitivo seria a punição adequada para muitos desses jovens inconsequentes. Os que dão de ombros para a multa de quase R$ 2 mil, mas não se imaginam sem o carrão, aquela máquina potente e idolatrada, extensão de sua masculinidade. Cassem-lhe as licenças!, diria a Rainha de Copas.

Outra solução para o problema, no meu ponto de vista, é aumentar a idade mínima para obtenção da licença. Com 18 anos todo mundo é imaturo e idiota – eu já fui, eu também já dirigi depois de beber. Claro que não dá pra saber qual a idade em que a pessoa já está madura. Há os que demoram 40 anos para atingi-la, há os que chegam aos 18. Mas, de um modo geral, pelo que conheço da minha geração e da posterior a ela, aos 18 ninguém está maduro ainda, não. Pelo contrário, está acabando de entrar na faculdade, com todas aquelas festas, aquela liberdade, aqueles doidões da Belas Artes, os pseudo-revolucionários do DCE etc. Quase que dá pra dizer que é o pico da imaturidade na vida da maioria. Aos 25 já se espera – e já há uma cobrança social e cultural nesse sentido – que a pessoa esteja trabalhando, pagando as contas, saindo da casa dos pais, em um relacionamento mais estável etc.

E aí teremos o seguinte caldeirão: pessoas mais velhas e mais maduras antes de obter licença para dirigir, num contexto cultural que não incentiva e até discrimina quem bebe e depois dirige e com multas e prisão pesada para os poucos que fogem da curva. Esse foi o caminho percorrido pela maioria dos países ditos desenvolvidos, que até muito pouco tempo atrás também tinham índices de mortos em acidentes nas estradas altos como os nossos (no Brasil, da ordem de 42 mil por ano, uma epidemia, uma guerra), como a Espanha, e que hoje vivem uma curva normal, que dá o devido significado acidental à palavra “acidente”.

E o garoto de 18 anos teria uma vida normal. E os pais da linda Anna Victória, de dois anos, também teriam uma vida normal. E o Natal seria mais fácil para todos.

***

PS. Assisti ao documentário abaixo, Luto em Luta, quando ele estreou, em setembro, ainda em São Paulo. Se conseguirem o DVD, vale a pena ver:

O dia em que ganhei o pior presente do amigo-oculto

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Como já declarei aqui, eu amo Natal. Quando era criança, fazia shows para minha família, em que distribuía presentes que eu tinha comprado em lojas de R$ 2,99 com tostões que eu ia juntando ao longo do ano. Quando fiquei mais velha, instituí uma nova tradição na casa: o amigo-oculto.

Um dia, numa reunião natalina apenas entre os primos de um dos lados da família, descobrimos a variável do amigo-oculto ladrão. Cada um tinha que levar um presente unissex na faixa dos R$ 30, embrulhado, e o jogo incluía escolher um presente ainda embrulhado ou roubar o que alguém já tinha escolhido antes. Com uma regra de ouro: um mesmo presente só pode ser roubado no máximo duas vezes. E, se ninguém te roubar, já era: aquele embrulho que você escolheu fica sendo o seu.

Como tem que ser unissex, a maioria caprichou nas escolhas de bebidas, chocolates, livros, CDs ou coisas mais divertidas, como um avental de churrasqueiro com estampa com a receita de uma caipirinha, canecos de chopp, enfeites inusitados etc.

Eis que chega minha vez de escolher um embrulho. E, por alguma circunstância que não lembro qual foi, resolvi pegar o único pacotinho que ainda estava fechado, em vez de roubar um bom presente dos outros. Parece que todos os bons presentes já tinham sido roubados duas vezes, numa frenética busca pelo melhor pacote, e eu, que tinha sido a última sorteada, fiquei sem muitas opções.

Expectativa geral. O que haveria naquele último pacotinho, tão menor que os outros, tão mal embrulhado, deixado para trás por todos os participantes?

Quando abro, todos caem na risada: uma calculadora de plástico, dessas que custam R$ 2,99, que não sabem nem fazer raiz quadrada! Muito parecida com aquelas bugigangas que eu conseguia comprar com meus tostões quando era criança e fazia meus shows de Natal para a família. Mas, neste caso, comprada por um primo meio pão-duro que não quis gastar os R$ 30 do jogo 😉

Acho que nunca usei a calculadora, e nem sei onde está. Certamente foi o pior presente de amigo-oculto que já ganhei na vida. Mas, mesmo assim, foi o que mais me marcou – e até hoje desperta as gargalhadas de todos da família, inclusive do primo, já zoadíssimo por todos.

Talvez não tenha sido o pior presente, no fim das contas 😀