#PérolasDoLuiz – Educação no trânsito

– Bosta!, exclamou o Luiz.

– Onde você ouviu isso, filho?

– Papai fala no carro.

– E o que quer dizer “bosta”?

– É quando o povo dirige mal.

 

Leia também:

faceblogttblog

Anúncios

Se dirigir, não mande WhatsApp

Foto: Pixabay

Há algumas noites, eu estava na calçada da av. Nossa Senhora do Carmo, esperando o sinal de carros fechar para poder atravessar. Comecei a observar os carros. Todos com apenas uma pessoa dentro, o motorista. Comecei a observar os motoristas. E fiquei escandalizada com a constatação: 90% deles estava dirigindo com o celular na mão. Metade falando e a outra metade — choque total! — digitando enquanto dirigia.

O que me chocou foi a banalização e frequência desse grave crime de trânsito. Falar ao celular enquanto dirige deixou de ser exceção, virou a regra. Motorista antenado com o que se passa no trânsito, concentrado apenas em dirigir, este sim é exceção das exceções.

Também me chocou que metade daqueles que seguravam um celular estava digitando enquanto dirigia. Digitar é algo que toma muuuuita concentração, nosso cérebro mal consegue fazer outra coisa enquanto se ocupa de escrever. Mas lá estavam aquelas pessoas, numa noite qualquer, pilotando máquinas mortíferas sem olhar por onde andavam.

Segundo ESTA reportagem, Continuar lendo

Dois finais para uma briga de trânsito

Estamos no carro, descendo uma rua qualquer da Savassi. Logo ouvimos uma freada e uma buzinada agressiva, dois carros atrás. A caminhonetona de luxo emparelha com o carrão preto, não menos caro. Motoristas começam a bater boca. Passageiro da caminhonetona desce do carro e parte pra cima do motorista do carrão preto. Gesticula, agressivo, palavrões ao vento. Volta pra caminhonetona, mas os dois carros seguem emparelhados, tensos, com mais gritos e xingamentos sendo trocados pelas janelas abertas. Começa a se formar uma fila de carros atrás da caminhonetona, que não arreda o pé da briga de trânsito. Sinal não abre nunca. Passageiro da caminhonetona desce mais uma vez, agora disposto a esmurrar o motorista do carrão preto. Este saca uma arma, que estava debaixo do banco. “Vamos embora daqui!!!!”, eu falo, assustada. Por fim, o passageiro cede ao medo do revólver, volta a se sentar na caminhonetona, o sinal fica verde e todos seguem seus rumos.

***

Imagino um segundo fim pra história: motorista do carrão preto tira a arma e atira contra o passageiro da caminhonetona, e foge pelo vácuo de carros à frente dela. Possivelmente acaba reconhecido e preso. Ele, que já beira os 60, pode bem acabar morrendo antes de se ver totalmente livre da punição da lei. O outro, morto. O terceiro, que dirigia a caminhonetona, arrasado. Três vidas destroçadas por causa de uma briga de trânsito. De uma fechada. De alguma barbeiragem estúpida qualquer.

***

Terá valido a pena? Nem sempre o ditado que diz que não devemos levar desaforo pra casa faz sentido. Às vezes, é preferível engolir os sapos e deixar as consequências só com a pressão arterial e as noites de insônia. É o caso das brigas de trânsito.

4957

No trânsito, muitos viram animais. As ruas são o melhor laboratório para se observar a natureza humana. É onde surgem os psicopatas, os inconvenientes e os reclamões, dentre outros. Nunca se sabe qual arma cada um deles pode estar carregando: um possante, um muque, uma câmera, um distintivo, uma faca, um revólver. Existem regras — até demais –, existem leis, com punições previstas em caso de descumprimento. A fiscalização delas, no entanto, é ineficiente. Por isso, contamos apenas com a educação e a civilidade do desconhecido, do rosto estranho. Como muitos são mal-educados, e ainda querem tirar vantagem a qualquer custo, usam a lei da selva: tentam ganhar no grito. Ou na buzina estridente e desnecessária.

Quando você estiver dirigindo e levar uma fechada, ou algo do gênero, sem consequências mais graves (tipo uma batida), não parta pra briga. Não perca seu tempo abaixando o vidro para xingar o roda-dura. Não desça do carro — sob hipótese alguma! Você não sabe com quem está lidando, literalmente. O melhor é reagir com esperteza (como NESTE EXEMPLO) ou respirar fundo e ir em frente. Trânsito não é lugar de mostrar que você tem razão.

E o mundo anda perigoso lá fora, nestes tempos estranhos.

Leia também:

faceblogttblog

Pague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Proibição da propaganda de cerveja em rádio e TV

Reprodução

Reprodução / Youtube

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Como o governo pode economizar bilhões restringindo a propaganda de bebida na TV”. Esse é o título de um artigo de Marcelo Godoy que li AQUI, no dia 14 deste mês. Interessante, não? “O Senado deve votar no segundo semestre o PLC 83/2015, que prevê mudanças na Lei 9.294/96, proibindo a propaganda de bebida alcoólica nas emissoras de televisão e de rádio e demais meios de comunicação”, diz Godoy.

E acrescenta:

“O Brasil perde 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em decorrência de problemas relacionados ao álcool. O custo do uso abusivo de bebida alcoólica atingiu, em 2014, algo como R$ 372 bilhões.

Todo ano, motoristas embriagados matam 50.000 pessoas. As vítimas de traumatismo chegam a 500 mil pessoas. A maioria dos feridos são levados para um pronto-socorro público. Os planos de saúde não devolvem nada ao SUS. Quem paga a conta dos feridos e mutilados é o cidadão, com seus impostos.

Dilma enviou um orçamento com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões, o que corresponde a 0,5% do produto interno bruto do país, e pediu ajuda ao Congresso para que encontrem saídas juntos.

O governo precisa cortar sem dó seus excessos e fazer muitos ajustes, mas é importante que, assim como a corrupção, certos comportamentos não sejam mais tolerados.

Por que aumentar impostos da população e cortar certos benefícios sociais se existem alternativas que podem beneficiar a todas as classes sociais?”

Resolvi pesquisar. No fim, aquilo que parecia uma boa ideia, não passa, a meu ver, de balela. Ou de um balão que murchou assim que lançado.

O projeto de lei que começou a transitar no Senado há pouco mais de um mês foi apresentado à Câmara dos Deputados pelo ex-deputado e ex-líder do PP João Pizzolatti. Não consegui descobrir quando, mas desde o começo deste ano ele não é deputado. Desistiu no ano passado de concorrer à reeleição, ao ter sua candidatura indeferida. Neste ano, está sendo investigado pela Operação Lava Jato (veja AQUI e AQUI).

Não bastasse a decepção com o autor, não me animo com a relatora do projeto na Comissão de Educação do Senado, onde chegou no dia 8 de agosto último. É a senadora Ana Amélia de Lemos, do PP gaúcho, candidata derrotada nas eleições para governadora de seu Estado no ano passado.

Recorro novamente ao artigo de Godoy:

“Os dois maiores adversários de uma decisão corajosa e responsável do Congresso para evitar o desperdício inestimável de vidas e de dinheiro são, pela ordem: o modelo de financiamento de campanhas eleitorais e o regime de concessão de rádio e TV.

No primeiro caso, várias carretas lotadas com R$ 242 milhões foram entregues pela indústria de bebidas para 76 deputados de 16 partidos nas últimas eleições.

Somente Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, recebeu sozinho um caminhãozinho com mais de 1 milhão de uma empresa da Ambev.

O financiamento de campanhas de políticos deixa evidente que os interesses de algumas empresas são opostos aos interesses da população e do país.

No segundo caso, a indústria de bebidas despeja anualmente mais de 4 bilhões de reais em publicidade em emissoras de rádio e TV e estima-se que mais de 80 senadores e deputados possuem centenas de concessões de rádio e TV espalhadas em todo pais. Os congressistas são parte deste negócio bilionário.”

E quem é a senadora Ana Amélia? Encontrei isso na minha pesquisa: “A senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) foi Cargo em Comissão (CC) do próprio marido, já falecido, o senador biônico Octávio Omar Cardoso, em 1986, acumulando essa função com o cargo de diretora da Sucursal do Grupo RBS, em Brasília. A portaria nº 256, de 9 de junho de 1986, assinada pelo então Primeiro-Secretário do Senado, senador Enéas Faria, designou Ana Amélia de Lemos para exercer a função de Secretária Parlamentar, do gabinete do vice-líder do Partido Democrático Social, Senador Octávio Cardoso, a partir de 1º de abril do corrente ano”. Íntegra AQUI, mas vale destacar este parágrafo:

“Na época, Ana Amélia era diretora da sucursal da RBS, em Brasília, assinando uma coluna no jornal Zero Hora. A jornalista mudou-se para Brasília em 1979, acompanhando seu então marido Octávio Omar Cardoso, suplente do senador biônico Tarso Dutra (falecido em 1983), que foi efetivado no cargo em 1983, exercendo-o até 1987. Na capital federal atuou como repórter e colunista do jornal Zero Hora, da RBS TV, do Canal Rural e da rádio Gaúcha. Em 1982, foi promovida a diretora da Sucursal em Brasília.”

Minha dúvida: a quem servirá o relatório da senadora? Aos milhões de brasileiros que são incentivados pela propaganda a consumir cerveja, em anúncios em rádios e televisões, ou ao antigo patrão que não lhe faltou na primeira campanha eleitoral para o Senado, em 2010, e para o governo estadual, em 2014? Nas mãos da funcionária e ex-diretora da maior afiliada da Rede Globo no país, esse projeto de Pizzolatti – que há muito o esqueceu – vai avançar no Senado?

O mais triste é que, mais do que nunca, por causa da crise tão decantada pelo Grupo Globo, o país precisa desse tipo de economia que salva vidas e pode evitar que outros cortes no Orçamento da União sejam feitos à custa dos mais pobres.

O Brasil não precisaria voltar a discutir esse problema, se os parlamentares, em 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso, não tivessem cedido à pressão das cervejeiras e da imprensa, ao não incluir a propaganda da cerveja na Lei 9.294/1996, que dispôs “sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4° do art. 220 da Constituição Federal”.

Leia também:

faceblogttblogPague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Retomando a campanha de respeito aos pedestres

Durante a Semana Nacional de Trânsito de 2013, eu e o colega Acir Galvão criamos um adesivo original, com uma mensagem de respeito aos pedestres. Um mês depois, procurei uma gráfica, imprimi um lote desses adesivos e divulguei aqui no blog, para quem tivesse interesse. Enviei a todos os leitores que pediram (só cobrei R$ 1, que foi meu custo unitário na gráfica), mas infelizmente foram muito poucos.

A maioria dos adesivos continuava esquecida no meu armário, guardadinha.

adesivo

Até que, há alguns dias, fui procurada pelo leitor Valdir Luiz, de Cornélio Procópio, no Paraná. Ele disse que estava procurando adesivos para colocar em sua frota de ônibus e encontrou os meus na internet. Encomendou dez, de uma vez!

Ele me explicou que trabalha com reforma e revenda de ônibus velhos e que colocou os adesivos em todos os veículos e ainda vai encomendar mais, para distribuir entre os amigos. “É sempre gratificante saber que contribuímos para a conscientização das pessoas e principalmente que salvamos indiretamente a vida de alguém”, me disse Valdir.

E ele me mandou uma foto de um de seus ônibus com o adesivo já colado. Vejam que demais!

DSCF1461

Foto: Valdir Luiz

 

Espero que a iniciativa e o exemplo de Valdir inspirem outros motoristas ao redor do país e que esse trabalho de conscientização continue. Ainda falta pouco mais de um mês para a Semana Nacional de Trânsito de 2015, mas, afinal, todas as semanas deveriam ser de respeito no trânsito, né mesmo?

Se você também tiver interesse em adquirir adesivo(s) para seu carro, entre em contato comigo 😉 Clique AQUI para ver como fica o adesivo em um carro cinza/prata e em um carro vermelho.

Leia também:

faceblogttblogPague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!