Dois finais para uma briga de trânsito

Estamos no carro, descendo uma rua qualquer da Savassi. Logo ouvimos uma freada e uma buzinada agressiva, dois carros atrás. A caminhonetona de luxo emparelha com o carrão preto, não menos caro. Motoristas começam a bater boca. Passageiro da caminhonetona desce do carro e parte pra cima do motorista do carrão preto. Gesticula, agressivo, palavrões ao vento. Volta pra caminhonetona, mas os dois carros seguem emparelhados, tensos, com mais gritos e xingamentos sendo trocados pelas janelas abertas. Começa a se formar uma fila de carros atrás da caminhonetona, que não arreda o pé da briga de trânsito. Sinal não abre nunca. Passageiro da caminhonetona desce mais uma vez, agora disposto a esmurrar o motorista do carrão preto. Este saca uma arma, que estava debaixo do banco. “Vamos embora daqui!!!!”, eu falo, assustada. Por fim, o passageiro cede ao medo do revólver, volta a se sentar na caminhonetona, o sinal fica verde e todos seguem seus rumos.

***

Imagino um segundo fim pra história: motorista do carrão preto tira a arma e atira contra o passageiro da caminhonetona, e foge pelo vácuo de carros à frente dela. Possivelmente acaba reconhecido e preso. Ele, que já beira os 60, pode bem acabar morrendo antes de se ver totalmente livre da punição da lei. O outro, morto. O terceiro, que dirigia a caminhonetona, arrasado. Três vidas destroçadas por causa de uma briga de trânsito. De uma fechada. De alguma barbeiragem estúpida qualquer.

***

Terá valido a pena? Nem sempre o ditado que diz que não devemos levar desaforo pra casa faz sentido. Às vezes, é preferível engolir os sapos e deixar as consequências só com a pressão arterial e as noites de insônia. É o caso das brigas de trânsito.

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No trânsito, muitos viram animais. As ruas são o melhor laboratório para se observar a natureza humana. É onde surgem os psicopatas, os inconvenientes e os reclamões, dentre outros. Nunca se sabe qual arma cada um deles pode estar carregando: um possante, um muque, uma câmera, um distintivo, uma faca, um revólver. Existem regras — até demais –, existem leis, com punições previstas em caso de descumprimento. A fiscalização delas, no entanto, é ineficiente. Por isso, contamos apenas com a educação e a civilidade do desconhecido, do rosto estranho. Como muitos são mal-educados, e ainda querem tirar vantagem a qualquer custo, usam a lei da selva: tentam ganhar no grito. Ou na buzina estridente e desnecessária.

Quando você estiver dirigindo e levar uma fechada, ou algo do gênero, sem consequências mais graves (tipo uma batida), não parta pra briga. Não perca seu tempo abaixando o vidro para xingar o roda-dura. Não desça do carro — sob hipótese alguma! Você não sabe com quem está lidando, literalmente. O melhor é reagir com esperteza (como NESTE EXEMPLO) ou respirar fundo e ir em frente. Trânsito não é lugar de mostrar que você tem razão.

E o mundo anda perigoso lá fora, nestes tempos estranhos.

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Taxistas de BH agora agridem até PASSAGEIROS do Uber

Taxistas não se contentam mais em perseguir e agredir motoristas conveniados ao Uber. Em Belo Horizonte, eles agora partiram para a agressão aos PASSAGEIROS também. Estou indignada. Nunca usei o Uber, inclusive porque não gosto de ter cartão de crédito ativo, mas estou criando uma ojeriza cada dia maior aos taxistas — a todos eles — por causa de uma minoria de bandidos covardes infiltrados na categoria.

O caso de agressão aconteceu no fim da noite de sexta-feira (7) com uma repórter da Globo Minas, a Luciana Machado, e seu marido, Marcel Telles. Ele postou o seguinte vídeo, às 2h23 da madrugada de sábado, em seu Facebook, quando, após ter levado socos de três taxistas, ainda estava sendo perseguido por um táxi! CLIQUE AQUI para assistir.

Pouco depois, ele postou o seguinte: “Quem me conhece sabe que eu não sou de briga. Ameaçaram a mim, minha mulher e o meu motorista. Foram pra cima…. 3 a 4 covardes, fora os parceiros circulando a confusão. 3 eu tenho filmados, inclusive a placa de um deles. Desculpa se não deu pra contar todos… E o resultado? Bando de covardes… Uber Já!!! #indignado”

Com as fotos:

Reprodução / Facebook Marcel Telles

Reprodução / Facebook Marcel Telles

E ontem Luciana Machado escreveu o seguinte desabafo em seu Facebook. Ninguém poderia escrever melhor sobre isso do que ela, que foi vítima da babaquice desse grupo descontrolado de taxistas. Então, termino o post com seu texto na íntegra:

“Desde que a Lei Seca foi implementada eu tive que obedecê-la, como deveriam todos os brasileiros. E passei a usar o táxi como transporte toda vez que saía pra tomar uma cervejinha ou um vinho. Qual era a ideia: garantir a minha segurança e a de outras pessoas que estão no trânsito. Passei a gastar mais dinheiro ao deixar o carro em casa, achando que estaria mais segura. Muitas vezes fui e voltei pra casa com um serviço honesto, mas muitas outras vezes entrei em carros mal cuidados, com motoristas mal educados e, principalmente, que desobedecem as leis de trânsito e ainda colocam a vida dos passageiros em risco. Todas as vezes que pegava um táxi eu já começava a me preocupar perto de casa: sabe aqueles cruzamentos de bairro, superperigosos, onde nem sempre as pessoas respeitam o sinal de pare? Pois é. Uma vez o motorista até simpático empolgou no papo (e eu nem estava a fim de conversar, só queria voltar pra casa) e quase mata nós dois. Sim, posso dizer isso porque um ônibus passava em uma velocidade considerável e o taxista simplesmente ignorou o sinal de pare. Ele felizmente conseguiu parar praticamente em cima do ônibus. Por pouco não nos acertou e justamente do lado do carro onde eu estava sentada. Outro dia, até comentei sobre isso por aqui, um outro taxista ignorou meu alerta quando, após passar em um cruzamento sem olhar, eu pedi pra ele tomar cuidado porque o seguinte era mais perigoso. Resultado: fui ignorada e, se estivéssemos passado no cruzamento alguns segundos depois, um carro teria batido em nós e, mais uma vez, do lado onde eu estava sentada.

Quando descobri a existência do Uber fiquei surpresa com a qualidade e higiene dos carros, o preparo e a educação dos motoristas, além do preço, é claro. Comecei a usar o transporte e pouquíssimas vezes recorri ao táxi. Quando entro em um até pergunto o que eles acham do Uber pra tentar entender o lado dos taxistas. Já ouvi alguns sensatos, outros nem tanto. Fato é que os taxistas se organizaram para tentar, de forma violenta, acabar com o Uber. Os motoristas são frequentemente ameaçados e, consequentemente, os passageiros também. Já passei por duas experiências assim e com o mesmo motorista.

Na primeira vez, eu e Marcel estávamos em frente ao hotel Ouro Minas aguardando o Uber. Quando ele chegou, um taxista parou na frente dele, tentando impedir que saíssemos com o carro. Reclamamos, indignados, e conseguimos ir embora.

Na última vez foi muito pior. Após comemorarmos o aniversário de uma amiga em um barzinho da Av Alberto Cintra, esperamos pelo Uber. Assim que ele chegou nós entramos e um taxista já tentou impedir que ele desse a partida. Conseguimos sair, mas outros dois taxistas chegaram e cercaram o carro. Naquele momento eu não acreditava que três idiotas estavam ameaçando o motorista, a mim e o Marcel. Descemos do carro para questionar os taxistas que começaram a falar que estávamos usando um transporte ilegal, o que não é verdade. Assim que ficaram sabendo onde eu trabalhava, piorou. O sangue ferveu, não conseguíamos ir embora e no meio do bate-boca começou a agressão. Imaginem três taxistas contra seu marido! Um segurou o Marcel praticamente com um mata-leão, enquanto os outros foram pra cima dele. Tentei segurar, empurrar, tirar, impedir de alguma forma que ele se machucasse, enquanto o Marcel se preocupava em nos proteger e saía no braço com os taxistas. Um deles disse que só não me bateu porque eu sou mulher, porque ele não batia em mulher. Não sei se isso foi sorte ou azar… Uma viatura da PM estava próxima e foi chegando devagar. Os taxistas que antes eram machões dizendo que iam chamar a polícia pra gente (inverteram tudo pra nos intimidar ainda mais), foram entrando no carro e teve um que deu até ré em plena av Cristiano Machado. Ingenuamente e muito nervosa, eu só fiz um pedido aos policiais militares que ali chegaram: por favor, nos ajude a sair daqui com segurança. Os militares nem sequer pararam o carro, desceram ou registraram o ocorrido. E, naquela hora, não tínhamos cabeça pra pensar que aquilo também era absurdo. Depois de estarmos seguros dentro do carro a caminho de casa, aí caiu a ficha. Então paramos numa Companhia da PM e fizemos o registro do boletim de ocorrência. Marcel também fez o exame de corpo delito, no IML.

Depois de me sentir insegura, violentada, com meu direito de ir e vir cerceado, vamos procurar nossos direitos. Muitos taxistas estão usando a violência para protestar e estão, cada vez mais, perdendo a razão. Em Brasília, fiquei sabendo de um caso em que um taxista chegou armado para o motorista do Uber e mandou os passageiros dele entrarem no táxi. Um advogado já me informou que isso é sequestro. Basta de violência!

Se você estiver em um Uber e for vítima do assédio dos taxistas, não saia de dentro do carro. Confirme que as portas estão trancadas, ligue a câmera e faça um vídeo, enquanto outra pessoa liga para o 190. Registre tudo o que puder. Não deixe de fazer a sua parte se você também for agredido ou intimidado. As agressões dos taxistas estão cada vez mais promovendo a ineficácia do serviço e trabalhando a favor do tão temido inimigo Uber.”

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O adolescente do Morro do Papagaio e o adulto de Stanford

crimes

Recentemente li no jornal “O Globo” que uma comediante norte-americana cometeu uma série de infrações, na cara dos policiais, e não foi presa por nenhum deles. Ela tentou mostrar com seu vídeo que, por ser branca, tinha privilégios — se um negro tivesse feito a mesma coisa, provavelmente teria ido em cana, ou até sido morto. A provocação ocorre num momento em que os EUA vivem sérios problemas com mortes de jovens negros por policiais, desde o crime em Ferguson, quando o adolescente negro Michael Brown, de 18 anos — que estava desarmado — foi morto a tiros por um policial branco, que pouco depois foi inocentado pelo Grande Júri, levando o país inteiro a protestar.

Bom, será que no Brasil a coisa é muito diferente? Basta ver o raio-X do sistema penitenciário brasileiro para perceber que não: nossos presos são, em sua maioria, negros (67% em média e, em alguns Estados, chegam a ser 90% do total! Enquanto, na população em geral, pretos e pardos somam apenas 51%). Quem tiver interesse em conhecer melhor nossos presídios sem ter que ir visitá-los pessoalmente pode se debruçar sobre ESTE levantamento divulgado pelo Ministério da Justiça em junho de 2014, com destaque para as páginas 48 a 72. Diz o texto de introdução, assinado pelo ministro da Justiça: “Os problemas no sistema penitenciário que se concretizam em nosso país devem nos conduzir a profundas reflexões, sobretudo em uma conjuntura em que o perfil das pessoas presas é majoritariamente de jovens negros, de baixa escolaridade e de baixa renda.”

A grande maioria dos crimes que levam uma pessoa à prisão são crimes contra o patrimônio, principalmente furto e roubo simples, além de tráfico de drogas. Acontece que, com essas Polícias Civis sucateadas que nós temos, que não conseguem investigar (há um déficit de 31.500 peritos no país, pra não falar de delegados e outros), boa parte dos crimes é construída em cima de flagrantes. E a diferença entre enquadrar uma pessoa como usuária de drogas ou como traficante é muito subjetiva: pra se ter uma ideia, a média de apreensões de drogas no país é de 66,5 gramas — menos que uma caixinha de remédios! (Esses dados podem ser vistos AQUI.) Um branco rico pode ser ouvido e liberado na mesma noite em que um negro pobre e morador da favela pode ser fichado como traficante perigoso.

Quando falamos em criminosos que cometeram crimes de furto ou roubo, a coisa também fica clara. Enquanto o furto de galinhas ou de chinelos leva pessoas pobres à prisão e emperra ainda mais nosso já atolado sistema judiciário, com ações chegando até ao Supremo Tribunal Federal, os megacriminosos, que roubam milhões ou bilhões, não são presos (crimes contra a administração pública são a acusação de apenas 0,4% dos presos). Eles têm bons e caros advogados, afinal…

Nesta semana, outro tipo de crime se tornou emblemático para este post: os crimes contra a honra.

Há dois dias, um adolescente de 14 anos, que não tinha passagem pela polícia, morador do Morro do Papagaio, uma comunidade de Belo Horizonte, postou em seu Instagram uma foto de dois policiais militares em sua rua, com a seguinte legenda: “Vermes lombrando a quebrada”. A foto foi rapidamente compartilhada pelo WhatsApp, outra rede social, e chegou até os PMs daquele batalhão. Eles rapidamente apreenderam o rapaz. Motivo: ele cometeu um crime de “injúria” (o mesmo que você comete ao chamar alguém de “imbecil”, por exemplo).

Um dia depois desse episódio, um adulto branco, brasileiro que mora nos Estados Unidos, burlou a vigilância de seguranças e se infiltrou numa comitiva presidencial, da chefe de Estado brasileira, a presidente Dilma Rousseff, que estava em viagem oficial aos Estados Unidos, onde firmou vários acordos com Barack Obama. Ele conseguiu — por uma grave falha de segurança, diga-se — ficar num mesmo corredor estreito por onde passou a presidente da República. Ao vê-la, começou a chamá-la de “vagabunda” e “comunista de merda” (crimes de injúria), “assassina” (crime de calúnia, que é mais grave que a injúria) e ainda cometeu uma ameaça, que é um crime previsto no artigo 147 do nosso Código Penal (“…tem mais é que ser morto”).

Tudo foi registrado em vídeo pelo próprio agressor, que postou a filmagem em seu Facebook. Nada aconteceu com ele, até agora (além de ser aplaudido por um punhado de antipetistas fanáticos). Não foi interrogado, nem levado para depor, como o adolescente do Morro do Papagaio, mesmo tendo cometido crimes mais graves desferidos contra uma chefe de Estado.

Dois pesos, duas medidas.


(Nesse passo, prevejo um futuro próximo. A maioridade penal vai ser reduzida até os 10, 12 anos de idade, para todos os tipos de crime. As crianças negras e/ou pobres que encherem o saco de policiais vão ser rapidamente detidas e levadas para prisões. Sem advogados que prestam e com a defensoria pública cada vez mais atolada, vão ficar mofando vários meses ou anos até que alguém se lembre de julgá-las. É possível que, se tiverem mesmo cometido um furto ou roubo, seu caso vá parar até no STF antes que possam ser soltas. Os presídios, já sem vagas, vão se abarrotar cada vez mais, e os presos vão começar a morrer lá dentro. Os brasileiros “de bem” vão comemorar (finalmente a pena de morte terá sido oficializada no país), do lado de fora, até que seus filhos sejam pegos na boca de fumo comprando maconha ou se envolvam em um crime de trânsito porque beberam demais na balada e eles tenham que pagar um advogado bom para livrá-los da prisão e seguirem com suas vidas — afinal, são só jovens, quem nunca fiz isso antes?, merecem uma segunda chance, vou endireitá-los. E a limpeza étnica e social vai seguir, firme e cada vez mais forte no país.)

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10 textos para refletirmos sobre a importância de respeitar a OPINIÃO dos outros

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Charge do Duke

 

Na última terça-feira publiquei o texto em que eu dizia por que não pretendo fazer parte da marcha que vai acontecer no dia 15, próximo domingo (a propósito, também não vou na de hoje). Apesar de achar protestos legítimos e também uma maneira útil de demonstrar a insatisfação com o governante e cobrar respostas, o mote principal da marcha do dia 15 é o impeachment da presidente da República, que é um processo muito traumático para o país e que, na minha opinião, não faz sentido neste momento, já que nenhuma acusação prevista em lei paira sobre a mandatária reeleita. Por fim, registrei meu temor de ver este protesto sendo apropriado por um grupo que defende a intervenção militar no país, que é algo que vai totalmente de encontro às minhas convicções pessoais.

Bom, foi minha opinião. Tenho este blog para, entre outras coisas, escrever livremente minhas ideias, para quem quiser ler. A resposta foi impressionante. No momento em que escrevo este post (manhã de quinta), foram 663 comentários ao post, nos quatro endereços em que ele foi publicado (aqui, no jornal “O Tempo“, no Brasil Post e na revista Fórum) e na página do Facebook do blog. Pode-se dizer que 80% dos comentários eram para me xingar, muitos dizendo que sou petista ou que recebo dinheiro do governo para escrever no meu blog. Fico me perguntando se essas pessoas só vão para a passeata porque receberam dinheiro da oposição ou por serem filiadas a algum partido. Será que as pessoas só se posicionam porque foram compradas? Bom, eu não. Como respondi a um deles, minhas “asneiras” eu escrevo de graça mesmo 😉

(Por outro lado, aproximadamente 101.000 pessoas tinham compartilhado o post, pelas ferramentas das quatro páginas, até a manhã de ontem. Como 90% dos que compartilharam o fizeram porque gostaram do texto, posso dizer que aqueles que comentaram me xingando são uma minoria pequetitinha.)

O que me entristece é que já temos 30 anos consecutivos de democracia e liberdade de imprensa no Brasil e até hoje as pessoas não aprenderam a lidar com a divergência de ideias, opiniões e visões de mundo. Quer dizer, ainda não amadurecemos como democracia. Discordar, hoje em dia, significa brigar, agredir. Isso nas redes sociais e na internet como um todo é ainda mais visível. As pessoas, com raras exceções, não convivem bem com quem pensa diferente: se pensa diferente, é comprado, ou é petista fanático, ou tucano fanático. É preto ou branco: ninguém mais enxerga o cinza.

Como este é outro dos temas recorrentes aqui no blog, resolvi fazer uma compilação de posts, assim como fiz no Dia da Mulher. Textos que podem, quem sabe, ajudar na reflexão para esses dias de tamanha intolerância, de tamanho ódio, de tamanha arrogância, que vemos amplificados no mundo virtual. Talvez, ao fim desta leitura, as pessoas parem para pensar se vale a pena continuar xingando, agredindo ou gritando — alguém ainda vence algum debate no grito? — ou se não é muito melhor usar argumentos, fontes confiáveis de informação, troca de ideias educadas. Se ninguém se convencer do seu ponto de vista, pelo menos não terá deixado relacionamentos mortos ou feridos no meio do caminho, né 😉

Aí vai:

  1. Manifesto a favor do direito de divergir, em que defendemos a divergência de ideias em forma de um manifesto, escrito pelo jornalista Beto Trajano.
  2. Fanatismo é burro, mas perigoso, em que falamos da perigosa autoconfiança que o fanatismo proporciona às pessoas, que as leva a tomar as decisões mais estúpidas.
  3. O anarquista que enxerga, em que faço uma crônica sobre as pessoas, com visões de mundo diferentes e até antagônicas, que convivem todos os dias, o tempo todo, sem se darem conta disso.
  4. Para uns, para outros e para mim, em que reitero que devemos respeitar as opiniões diferentes e falo que nem sempre ter convicções de tudo é bom.
  5. Tem certeza absoluta? Que pena, em que compartilho uma frase que minha professora favorita da UFMG disse um dia e que me marcou para sempre.
  6. O vizinho que pensa diferente de você, em que uma charge do Duke vale mais que mil palavras.
  7. Post especial para quem se acha com o rei na barriga, em que trago uma reflexão do grande cientista e escritor Carl Sagan, que nos coloca em nosso lugar.
  8. Reflexão para as pessoas cheias de si, em que divido um texto da sabedoria chinesa sobre o assunto.
  9. A saudável loucura de cada um de nós, em que também relativizo a forma como olhamos para os defeitos dos outros.
  10. Qual é a sua opinião, cidadão?, em que mostro um jeito simples de os cidadãos opinarem sobre os assuntos mais importantes que estão sendo debatidos no Congresso e pressionarem os legisladores, mesmo sem precisar sair de casa.
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Charge do Laerte

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Os estupros coletivos de jovens meninas ocorrem debaixo do nosso nariz

Vídeo feito por atores indianos ironizando os estupros corriqueiros sofridos por jovens indianas. Reprodução/Youtube.

Vídeo feito por atores indianos ironizando os estupros corriqueiros sofridos por jovens indianas. Reprodução/Youtube.

A cena é a seguinte: uma festa de jovens universitários, todos com 17 a 20 e poucos anos, querendo curtir a vida adoidado, como no filme do Matthew Broderick. Começa a chapação: vodca com suco, cerveja, uísque com energético. Mas os homens bebem em garrafas diferentes das mulheres. Na delas, um pó branco se mistura à bebida, disfarçadamente. Ao beber o batidão “bolado”, elas apagam. São levadas para um quartinho, onde são estupradas, às vezes por vários homens, que se revezam. Estupro coletivo. Muitas, jovens demais, acordam no meio do estupro, morrendo de dor, sangrando. Violentadas em sua primeira vez. O crime é acobertado pela vergonha das vítimas e pela visão dos homens envolvidos, os abusadores, de que tudo aquilo é normal.

A cena descrita acima não aconteceu na Índia, desta vez. Acontece rotineiramente em uma das cidades mais importantes de Minas, e patrimônio cultural da humanidade: Ouro Preto. Mais precisamente, nas repúblicas universitárias que existem aos montes na primeira capital mineira.

A denúncia foi manchete do jornal “O Tempo” desta segunda-feira. Recomendo a leitura a todos que se interessam pelos temas em que a reportagem resvala, como direitos das mulheres e machismo. Que deveriam ser caros a todos nós — mulheres, homens, universitários, ex-universitários, atuais ou futuros pais e mães de meninas e meninos vulneráveis etc.

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