Taxistas de BH agora agridem até PASSAGEIROS do Uber

Taxistas não se contentam mais em perseguir e agredir motoristas conveniados ao Uber. Em Belo Horizonte, eles agora partiram para a agressão aos PASSAGEIROS também. Estou indignada. Nunca usei o Uber, inclusive porque não gosto de ter cartão de crédito ativo, mas estou criando uma ojeriza cada dia maior aos taxistas — a todos eles — por causa de uma minoria de bandidos covardes infiltrados na categoria.

O caso de agressão aconteceu no fim da noite de sexta-feira (7) com uma repórter da Globo Minas, a Luciana Machado, e seu marido, Marcel Telles. Ele postou o seguinte vídeo, às 2h23 da madrugada de sábado, em seu Facebook, quando, após ter levado socos de três taxistas, ainda estava sendo perseguido por um táxi! CLIQUE AQUI para assistir.

Pouco depois, ele postou o seguinte: “Quem me conhece sabe que eu não sou de briga. Ameaçaram a mim, minha mulher e o meu motorista. Foram pra cima…. 3 a 4 covardes, fora os parceiros circulando a confusão. 3 eu tenho filmados, inclusive a placa de um deles. Desculpa se não deu pra contar todos… E o resultado? Bando de covardes… Uber Já!!! #indignado”

Com as fotos:

Reprodução / Facebook Marcel Telles

Reprodução / Facebook Marcel Telles

E ontem Luciana Machado escreveu o seguinte desabafo em seu Facebook. Ninguém poderia escrever melhor sobre isso do que ela, que foi vítima da babaquice desse grupo descontrolado de taxistas. Então, termino o post com seu texto na íntegra:

“Desde que a Lei Seca foi implementada eu tive que obedecê-la, como deveriam todos os brasileiros. E passei a usar o táxi como transporte toda vez que saía pra tomar uma cervejinha ou um vinho. Qual era a ideia: garantir a minha segurança e a de outras pessoas que estão no trânsito. Passei a gastar mais dinheiro ao deixar o carro em casa, achando que estaria mais segura. Muitas vezes fui e voltei pra casa com um serviço honesto, mas muitas outras vezes entrei em carros mal cuidados, com motoristas mal educados e, principalmente, que desobedecem as leis de trânsito e ainda colocam a vida dos passageiros em risco. Todas as vezes que pegava um táxi eu já começava a me preocupar perto de casa: sabe aqueles cruzamentos de bairro, superperigosos, onde nem sempre as pessoas respeitam o sinal de pare? Pois é. Uma vez o motorista até simpático empolgou no papo (e eu nem estava a fim de conversar, só queria voltar pra casa) e quase mata nós dois. Sim, posso dizer isso porque um ônibus passava em uma velocidade considerável e o taxista simplesmente ignorou o sinal de pare. Ele felizmente conseguiu parar praticamente em cima do ônibus. Por pouco não nos acertou e justamente do lado do carro onde eu estava sentada. Outro dia, até comentei sobre isso por aqui, um outro taxista ignorou meu alerta quando, após passar em um cruzamento sem olhar, eu pedi pra ele tomar cuidado porque o seguinte era mais perigoso. Resultado: fui ignorada e, se estivéssemos passado no cruzamento alguns segundos depois, um carro teria batido em nós e, mais uma vez, do lado onde eu estava sentada.

Quando descobri a existência do Uber fiquei surpresa com a qualidade e higiene dos carros, o preparo e a educação dos motoristas, além do preço, é claro. Comecei a usar o transporte e pouquíssimas vezes recorri ao táxi. Quando entro em um até pergunto o que eles acham do Uber pra tentar entender o lado dos taxistas. Já ouvi alguns sensatos, outros nem tanto. Fato é que os taxistas se organizaram para tentar, de forma violenta, acabar com o Uber. Os motoristas são frequentemente ameaçados e, consequentemente, os passageiros também. Já passei por duas experiências assim e com o mesmo motorista.

Na primeira vez, eu e Marcel estávamos em frente ao hotel Ouro Minas aguardando o Uber. Quando ele chegou, um taxista parou na frente dele, tentando impedir que saíssemos com o carro. Reclamamos, indignados, e conseguimos ir embora.

Na última vez foi muito pior. Após comemorarmos o aniversário de uma amiga em um barzinho da Av Alberto Cintra, esperamos pelo Uber. Assim que ele chegou nós entramos e um taxista já tentou impedir que ele desse a partida. Conseguimos sair, mas outros dois taxistas chegaram e cercaram o carro. Naquele momento eu não acreditava que três idiotas estavam ameaçando o motorista, a mim e o Marcel. Descemos do carro para questionar os taxistas que começaram a falar que estávamos usando um transporte ilegal, o que não é verdade. Assim que ficaram sabendo onde eu trabalhava, piorou. O sangue ferveu, não conseguíamos ir embora e no meio do bate-boca começou a agressão. Imaginem três taxistas contra seu marido! Um segurou o Marcel praticamente com um mata-leão, enquanto os outros foram pra cima dele. Tentei segurar, empurrar, tirar, impedir de alguma forma que ele se machucasse, enquanto o Marcel se preocupava em nos proteger e saía no braço com os taxistas. Um deles disse que só não me bateu porque eu sou mulher, porque ele não batia em mulher. Não sei se isso foi sorte ou azar… Uma viatura da PM estava próxima e foi chegando devagar. Os taxistas que antes eram machões dizendo que iam chamar a polícia pra gente (inverteram tudo pra nos intimidar ainda mais), foram entrando no carro e teve um que deu até ré em plena av Cristiano Machado. Ingenuamente e muito nervosa, eu só fiz um pedido aos policiais militares que ali chegaram: por favor, nos ajude a sair daqui com segurança. Os militares nem sequer pararam o carro, desceram ou registraram o ocorrido. E, naquela hora, não tínhamos cabeça pra pensar que aquilo também era absurdo. Depois de estarmos seguros dentro do carro a caminho de casa, aí caiu a ficha. Então paramos numa Companhia da PM e fizemos o registro do boletim de ocorrência. Marcel também fez o exame de corpo delito, no IML.

Depois de me sentir insegura, violentada, com meu direito de ir e vir cerceado, vamos procurar nossos direitos. Muitos taxistas estão usando a violência para protestar e estão, cada vez mais, perdendo a razão. Em Brasília, fiquei sabendo de um caso em que um taxista chegou armado para o motorista do Uber e mandou os passageiros dele entrarem no táxi. Um advogado já me informou que isso é sequestro. Basta de violência!

Se você estiver em um Uber e for vítima do assédio dos taxistas, não saia de dentro do carro. Confirme que as portas estão trancadas, ligue a câmera e faça um vídeo, enquanto outra pessoa liga para o 190. Registre tudo o que puder. Não deixe de fazer a sua parte se você também for agredido ou intimidado. As agressões dos taxistas estão cada vez mais promovendo a ineficácia do serviço e trabalhando a favor do tão temido inimigo Uber.”

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6 comentários sobre “Taxistas de BH agora agridem até PASSAGEIROS do Uber

  1. Já usei o Uber algumas vezes e o serviço deles realmente é diferenciado. Apesar de suas semelhanças com o táxi, cada serviço tem suas vantagens e desvantagens.
    O Uber ganha principalmente em conforto e em tarifas mais baixas dependendo do itinerário e tempo da viagem. Aceitar cartão de crédito é uma grande vantagem pra mim também.
    O táxi é melhor pelo tempo de espera médio até o carro chegar. Utilizando aplicativos como Easy Taxi e 99 Táxis, consigo um carro com um tempo de espera menor que o do Uber, em média. A outroa vantagem, que provavelmente é temporária, é o desconto de 20% que alguns aplicativos tem dado aos clientes – nesse caso o preço do táxi acaba ficando menor.
    Fui um early adopter e defensor dos aplicativos de táxi, pois eles realmente melhoram absurdamente a experiência de pegar um táxi. Foi bom para os taxistas e ruim para as cooperativas, mas o mais importante é que foi melhor para o cliente.
    Deixar o Uber prosperar dividindo os clientes com os táxis é melhor para o consumidor e para a sociedade como um todo.

    O pior de tudo é que cada passo dos taxista cria um antipatia maior ao serviço de táxi e atrai consumidores para o Uber. Aparentemente os taxistas ainda não entenderam que eles só dão tiros pela culatra e estão agindo completamente ao contrário do que deveriam.

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    • Exato. Quem agride perde a razão. Eu nunca usei Uber, nem mesmo uso apps de táxi. E várias vezes já usei o serviço dos táxis, principalmente depois da lei seca e antes de eu ficar grávida. Pra falar a verdade, não tenho nenhuma dessas grandes críticas que todos têm aos taxistas: carro sujo etc e tals. Nunca liguei pra isso. Ou seja, só estou criando antipatia agora e única e exclusivamente por causa da atitude de um grupo de taxistas que estão agindo como criminosos. Pior: com a conivência da polícia, pelo que conta a Luciana no relato dela.

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  2. Oi Kika, conforme comentei no twitter peço ate desculpas se entendi o inicio do post de forma errada. Mas é que no inicio esta apenas taxistas e no fim do paragrafo esta especificado que são uma minoria. Pode ter certeza que são uma minoria mesmo que fazem essa imbecilidade de partir pra agressão. Mas são a grande maioria que se sente prejudicados pelo Uber. Existe diversos trâmites,cursos, taxas e impostos para pagar para ser taxista que vejo de forma injusta um aplicativo dar esse mercado a quem não passa por essas instâncias. Fora as décadas que demorou para a classe ter uma lei que transformou o taxista em profissão (o que aconteceu a pouco). Essa lei alias deu direito as viúvas dos taxistas mortos, pois antes elas tinham que devolver a licença a BHTrans perdendo assim seu sustento. Existe varias denuncias de “internet” nesse caso (com relação a frota de táxi, limpeza dos carro, falta de educação do motorista,etc) pois existe instruções da BHTrans para que a tropa seja planificada (carros por exemplo não pode ter mais do que 5 anos) podendo o motorista até perder a licença caso não siga essas regras. Fico claramente ao lado deles(fora as agressões) pois vejo que muitas pessoas desconhecem o que é ser taxista, que são vulgarmente conhecido pelos assaltantes como caixa rápido (pela facilidade de assaltar e conseguir dinheiro). A situação só esta sendo vista apenas pelo lado dos passageiros e dos motoristas do Uber e não vejo pessoas olhando o lado dos taxistas também. Mas concordo que se partirem para agressão vão perder (se já não perderam) o respeito e a empatia por sua causa.Abraço

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    • Pois é, Gustavo. Eu nunca tive nenhuma queixa de taxistas. Também nunca usei o Uber (que acho que se difere do serviço do transporte, por ser o contrato de um motorista particular, mas, enfim, carece de regulamentação legal para que isso fique mais claro), então nem posso comparar. Até então, eu estava em cima do muro nessa discussão, pensando principalmente na grande maioria dos taxistas que estão sendo prejudicadas pelo preconceito que a ação de uma minoria está lançando sobre a categoria toda. Mas acho que, ao agredir até os passageiros do Uber, essa minoria extrapolou qualquer limite. Já era um absurdo perseguirem e agredirem os motoristas do Uber, porque essa discussão tem que ser travada na Câmara e na Assembleia, e não nas ruas. Os motoristas do Uber, em princípio, não estão cometendo nenhuma infração ou crime, porque a lei simplesmente não prevê aplicativos de caronas pagas em seu texto. Eles trabalham em cima de um vácuo jurídico. Mas os taxistas que estão armando tocaias, agredindo, fazendo ameaças e até sequestros (como a Luciana descreveu no texto dela), estão, sim, cometendo crimes graves, previstos na legislação do código penal. Eles devem ser punidos e os taxistas devem repudiá-los também. Não acha? Beijos

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      • Claro, os taxistas que partem para agressão devem ser punidos pelo o que a lei manda. Onde almoço é muito frequentado por taxistas e eles não apoiam a utilização da violência para resolver a questão. O sindicato também repudia isso. Posso estar equivocado mas o existe restrições para o motorista particular atuar, exatamente para não prejudicar os demais meios de transportes urbanos (que possuem legislação própria para fazer o transporte de passageiros). Já existe um grande conflito entre os taxistas daqui e de Lagoa Santa, e vai ficar pior pois já existe motoristas do Uber aqui buscando passageiros em Confins (acho que esse serviço por exemplo é exclusividade do transporte público – táxis, táxis especiais e ônibus).O principal vácuo está no poder publico que está se omitindo dessa discussão que pode evoluir pra algo mais trágico

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