Breve vídeo, de 16 segundos, para que você possa descansar a cabeça um pouquinho

Tem muita coisa terrível acontecendo e nos exaurindo e exaurindo o Brasil inteiro. No último ano.

Por isso hoje trago um pequeno videozinho que fiz no dia 19 de agosto, apenas como um convite ao descanso. Porque não tem como fazer nada de útil para a sociedade quando estamos completamente esgotados, não é mesmo?

São só 16 segundos para você respirar um pouquinho:

E se você é daqueles que tem feriado, bom proveito!

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Dilma escolhe Maiakovski como seu guia no inferno

Dilma em seu pronunciamento nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. Foto: Lula Marques/ AGPT

Dilma em seu pronunciamento nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. Foto: Lula Marques/ AGPT

Texto escrito por José de Souza Castro:

Acredito que os que vinham combatendo o golpe contra a democracia, representado pelo impeachment da presidenta da República por 61 votos dos senadores (contra 20) sentiram-se desanimados e tristes nesta quarta-feira, 31 de agosto. Eu fiquei assim, sem qualquer ânimo para escrever neste blog, até ouvir o discurso de Dilma Rousseff, pronunciado depois de ser cassada. “Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?”, disse ela, citando Maiakovski.

Maiakovski, o grande poeta russo, que completou:

“O mar da história é agitado/ As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,/ Rompê-las ao meio,/Cortando-as como uma quilha corta.”

É um discurso histórico, o de Dilma. Por que não tomar conhecimento dele? Se os jornais, rádios e tevês não o divulgarem, certamente o farão os sites na internet, como AQUI. Continuar lendo

Escolas matam a criatividade?

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No post da última quinta-feira, Reflexões sobre aptidão, trabalho e aprendizado além da escola, recebi um comentário muito valioso do meu leitor das antigas, o Jaime Guimarães, que é professor e ótimo blogueiro. E ele me recomendou dois vídeos sobre o assunto.

Um deles é uma palestra de 19 minutos em que Ken Robinson fala sobre como as escolas e o sistema educacional do mundo todo matam a criatividade nata das crianças. Tem muito a ver com o que escrevi noutro dia e, apesar de ser um vídeo antigo (me parece que de 2010), faço questão de repassar a recomendação aos leitores do blog.

Um pouquinho de inspiração para começar bem a semana:

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Taxistas de BH agora agridem até PASSAGEIROS do Uber

Taxistas não se contentam mais em perseguir e agredir motoristas conveniados ao Uber. Em Belo Horizonte, eles agora partiram para a agressão aos PASSAGEIROS também. Estou indignada. Nunca usei o Uber, inclusive porque não gosto de ter cartão de crédito ativo, mas estou criando uma ojeriza cada dia maior aos taxistas — a todos eles — por causa de uma minoria de bandidos covardes infiltrados na categoria.

O caso de agressão aconteceu no fim da noite de sexta-feira (7) com uma repórter da Globo Minas, a Luciana Machado, e seu marido, Marcel Telles. Ele postou o seguinte vídeo, às 2h23 da madrugada de sábado, em seu Facebook, quando, após ter levado socos de três taxistas, ainda estava sendo perseguido por um táxi! CLIQUE AQUI para assistir.

Pouco depois, ele postou o seguinte: “Quem me conhece sabe que eu não sou de briga. Ameaçaram a mim, minha mulher e o meu motorista. Foram pra cima…. 3 a 4 covardes, fora os parceiros circulando a confusão. 3 eu tenho filmados, inclusive a placa de um deles. Desculpa se não deu pra contar todos… E o resultado? Bando de covardes… Uber Já!!! #indignado”

Com as fotos:

Reprodução / Facebook Marcel Telles

Reprodução / Facebook Marcel Telles

E ontem Luciana Machado escreveu o seguinte desabafo em seu Facebook. Ninguém poderia escrever melhor sobre isso do que ela, que foi vítima da babaquice desse grupo descontrolado de taxistas. Então, termino o post com seu texto na íntegra:

“Desde que a Lei Seca foi implementada eu tive que obedecê-la, como deveriam todos os brasileiros. E passei a usar o táxi como transporte toda vez que saía pra tomar uma cervejinha ou um vinho. Qual era a ideia: garantir a minha segurança e a de outras pessoas que estão no trânsito. Passei a gastar mais dinheiro ao deixar o carro em casa, achando que estaria mais segura. Muitas vezes fui e voltei pra casa com um serviço honesto, mas muitas outras vezes entrei em carros mal cuidados, com motoristas mal educados e, principalmente, que desobedecem as leis de trânsito e ainda colocam a vida dos passageiros em risco. Todas as vezes que pegava um táxi eu já começava a me preocupar perto de casa: sabe aqueles cruzamentos de bairro, superperigosos, onde nem sempre as pessoas respeitam o sinal de pare? Pois é. Uma vez o motorista até simpático empolgou no papo (e eu nem estava a fim de conversar, só queria voltar pra casa) e quase mata nós dois. Sim, posso dizer isso porque um ônibus passava em uma velocidade considerável e o taxista simplesmente ignorou o sinal de pare. Ele felizmente conseguiu parar praticamente em cima do ônibus. Por pouco não nos acertou e justamente do lado do carro onde eu estava sentada. Outro dia, até comentei sobre isso por aqui, um outro taxista ignorou meu alerta quando, após passar em um cruzamento sem olhar, eu pedi pra ele tomar cuidado porque o seguinte era mais perigoso. Resultado: fui ignorada e, se estivéssemos passado no cruzamento alguns segundos depois, um carro teria batido em nós e, mais uma vez, do lado onde eu estava sentada.

Quando descobri a existência do Uber fiquei surpresa com a qualidade e higiene dos carros, o preparo e a educação dos motoristas, além do preço, é claro. Comecei a usar o transporte e pouquíssimas vezes recorri ao táxi. Quando entro em um até pergunto o que eles acham do Uber pra tentar entender o lado dos taxistas. Já ouvi alguns sensatos, outros nem tanto. Fato é que os taxistas se organizaram para tentar, de forma violenta, acabar com o Uber. Os motoristas são frequentemente ameaçados e, consequentemente, os passageiros também. Já passei por duas experiências assim e com o mesmo motorista.

Na primeira vez, eu e Marcel estávamos em frente ao hotel Ouro Minas aguardando o Uber. Quando ele chegou, um taxista parou na frente dele, tentando impedir que saíssemos com o carro. Reclamamos, indignados, e conseguimos ir embora.

Na última vez foi muito pior. Após comemorarmos o aniversário de uma amiga em um barzinho da Av Alberto Cintra, esperamos pelo Uber. Assim que ele chegou nós entramos e um taxista já tentou impedir que ele desse a partida. Conseguimos sair, mas outros dois taxistas chegaram e cercaram o carro. Naquele momento eu não acreditava que três idiotas estavam ameaçando o motorista, a mim e o Marcel. Descemos do carro para questionar os taxistas que começaram a falar que estávamos usando um transporte ilegal, o que não é verdade. Assim que ficaram sabendo onde eu trabalhava, piorou. O sangue ferveu, não conseguíamos ir embora e no meio do bate-boca começou a agressão. Imaginem três taxistas contra seu marido! Um segurou o Marcel praticamente com um mata-leão, enquanto os outros foram pra cima dele. Tentei segurar, empurrar, tirar, impedir de alguma forma que ele se machucasse, enquanto o Marcel se preocupava em nos proteger e saía no braço com os taxistas. Um deles disse que só não me bateu porque eu sou mulher, porque ele não batia em mulher. Não sei se isso foi sorte ou azar… Uma viatura da PM estava próxima e foi chegando devagar. Os taxistas que antes eram machões dizendo que iam chamar a polícia pra gente (inverteram tudo pra nos intimidar ainda mais), foram entrando no carro e teve um que deu até ré em plena av Cristiano Machado. Ingenuamente e muito nervosa, eu só fiz um pedido aos policiais militares que ali chegaram: por favor, nos ajude a sair daqui com segurança. Os militares nem sequer pararam o carro, desceram ou registraram o ocorrido. E, naquela hora, não tínhamos cabeça pra pensar que aquilo também era absurdo. Depois de estarmos seguros dentro do carro a caminho de casa, aí caiu a ficha. Então paramos numa Companhia da PM e fizemos o registro do boletim de ocorrência. Marcel também fez o exame de corpo delito, no IML.

Depois de me sentir insegura, violentada, com meu direito de ir e vir cerceado, vamos procurar nossos direitos. Muitos taxistas estão usando a violência para protestar e estão, cada vez mais, perdendo a razão. Em Brasília, fiquei sabendo de um caso em que um taxista chegou armado para o motorista do Uber e mandou os passageiros dele entrarem no táxi. Um advogado já me informou que isso é sequestro. Basta de violência!

Se você estiver em um Uber e for vítima do assédio dos taxistas, não saia de dentro do carro. Confirme que as portas estão trancadas, ligue a câmera e faça um vídeo, enquanto outra pessoa liga para o 190. Registre tudo o que puder. Não deixe de fazer a sua parte se você também for agredido ou intimidado. As agressões dos taxistas estão cada vez mais promovendo a ineficácia do serviço e trabalhando a favor do tão temido inimigo Uber.”

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Se até as vacas fazem rolezinhos…

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Depois que li ESTE TEXTO me dei conta de que não há nada mais antigo e defasado do que os rolezinhos. Na verdade, desde que há jovens no mundo (ou desde que o mundo é mundo), eles provavelmente existem. No tempo dos meus pais, eles diziam que estavam fazendo “footing” na pracinha da cidade do interior — aquela onde fica a igreja. Na verdade, os jovens ficavam dando voltas e mais voltas — rolezinhos — enquanto se observavam, paqueravam e iniciavam namoros. Nos anos 1990 — há mais de 20 anos, portanto! — os grandes centros de lazer já começaram a substituir as pracinhas nas capitais. Ou seja, os rolezinhos passaram a acontecer nos shoppings. Os Mamonas Asssassinas, banda ícone daquela época, até registraram isso em música. A diferença para o que acontece hoje é só uma: a quantidade. Por causa das redes sociais, muito mais jovens passaram a combinar os rolezinhos, ao mesmo tempo, ainda com o mesmo objetivo de se divertirem. Aí o pessoal prestou atenção, esqueceu a própria juventude — e assustou.

Dito tudo isso, passo a sentir um quê de ridículo por ter filosofado tanto a respeito das causas e consequências sociais dos rolezinhos. E acho ainda maior a sensação de ridículo ao ver que eles mobilizam secretários de segurança pública e até a presidente da República do meu país — na mesma época em que o Maranhão vive uma verdadeira guerra em seus presídios. É patético e escabroso ver toda aquela força ser empregada pela polícia contra aqueles jovens. Chega a ser cômico ver a palavra “rolezinho” estampada na manchete dos maiores jornais do país. Provavelmente, um estrangeiro que lesse isso pensaria se tratar de um fenômeno impressionante, algo absolutamente incomum — e ficaria chocado ao constatar se tratar apenas de jovens da periferia indo ouvir um funk e dar uns beijos em shoppings de algumas capitais.

Por isso, decidi que não mais vou abordar o assunto por aqui. Acabou. A menos que o evento, que é mais velho que a serra, realmente se transforme em algo absolutamente novo, vou ignorá-lo. Vou continuar protestando contra os abusos da polícia, mas não por ocorrerem num rolezinho, e sim por serem desferidos contra os mesmos jovens que já apanham diariamente em seus bairros. E que os rolezinhos continuem livremente, que sejam felizes, de preferência com menos sociólogos, filósofos e colunistas desocupados (eu me enquadrando nisso tudo) discorrendo sobre o evento, como se fosse coisa de E.T.s.

Para coroar minha decisão, deixo aqui um vídeo bem-humorado de uma cena que só poderia ter acontecido em nossa querida roça-grande de belo horizonte, que tanto amamos. Em 2011, uma dezena de vaquinhas resolveu fazer um “rolezinho” em um shopping da cidade. Aderiram a uma não-causa dos humanos, que, naquela época, já era mais do que corriqueira:

E bora todo mundo rolezar — mas com um pouco menos de política, de vez em quando, minha gente 😉

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