Como será o Brasil em 2030 se os bolsonaristas continuarem no poder? Leia mais uma distopia

Charge de Jaime Guimarães

Depois que publiquei aquele conto de sábado, “O futuro distópico de um Brasil governado por bolsonaristas e olavistas“, meu amigo Jaime Guimarães, professor em Salvador (BA), ilustrador e blogueiro, disse que ficou inspirado.

E ficou mesmo, viu! Ontem ele publicou o conto “Brasil, 2030: uma distopia“, com direito a muito humor cáustico para aliviar o drama. Porque só rindo para a gente aguentar as notícias diárias com que este governo federal nos presenteia.

Leia a seguir:

 

Brasil, 2030. Fruto de uma ousada e avançada experiência com animação suspensa, um homem desperta após 30 anos em uma câmara de hibernação nos laboratórios secretos do governo. O despertar do voluntário, que identificaremos pelo codinome SILVA, foi bem sucedido. Em um dia frio e luminoso de abril, após breve reconhecimento do tempo e período histórico no qual finalmente “voltou à vida”, Silva foi submetido a exames médicos e psicológicos com o doutor Queiroz. 

                                                                     ***

– O Brasil tá bem diferente… o que aconteceu?
– Mudou tudo. A Nova Era, que começou em 2019, trouxe mudanças significativas em poucos anos. Mudanças para melhor, claro.
– Eu acabei de saber que quem manda no Brasil é a família Bolsonaro. Como assim? É aquele Jair Bolsonaro, o mesmo sujeito que vivia falando bobagens e tolices na TV?
– Mais respeito com o grande líder! Como você acordou agora, vou deixar passar. Mas na próxima vou denunciá-lo como Inimigo do Estado e será varrido do país.
– Varrido? Como assim?
– Deportado. Expulso. Ou desaparecerá. Neste assunto, aliás, eu tenho bastante experiência.
– Mas… mas… isso parece uma ditadu…
– Alto! Essa é uma das palavras proibidas da Nova Era para se referir ao Brasil. Olha, eu entendo o impacto que é acordar após 30 anos e ver tudo diferente, mas você não está colaborando. Precisa aceitar e se enquadrar ao nosso tempo.
– E o que preciso fazer para “me enquadrar”?
– Primeiro, matricular-se no Curso de Filosofia de Olavo de Carvalho.
– Mas o Olavo de Carvalho não era um astrólogo, tipo João Bidu?
– Cuidado: acima de Jair, o Messias, só Olavo. E Olavo sempre tem razão! O grande filósofo e guru da Nova Era, o responsável por desmascarar todo o plano globalista com o demônio George Soros em conluio com os comunistas, a ONU e demais idiotas úteis como artistas, ambientalistas e celebridades!
– Que história mais esquisita…
– História! Sim, a verdadeira história! Esqueça tudo o que aprendeu na escola, pois todas aquelas aulas, os livros didáticos e os professores estavam infestados de esquerdismo e comunismo. Você vai aprender a verdade e a pensar corretamente no Curso de Filosofia!
– E onde posso me matricular?
– Em qualquer escola, faculdade ou universidade. Ou, se preferir fazer o curso EAD, recomendo a UNIZAP. Vamos ensiná-lo a mexer com a ferramenta que revolucionou o conhecimento e a verdade em nosso país, o WhatsApp. De qualquer forma, em todos esses espaços a obra do mestre Olavo está disponível em livros, vídeos, áudios, memes e você terá o auxilio de professores de verdade, não daqueles tenebrosos doutrinadores comunistas que idolatravam o farsante e grande responsável pelo caos na Educação antes de Jair I, o terrível Paulo Freire.
– Ei, peraí… Paulo Freire, até onde eu lembro, foi um grande educador e referência muito respeitada na área, e não apenas no Brasil.
– FAKE NEWS! Você precisa passar por estágios avançados de descontaminação ideológica. Você fará um tratamento intenso: além do curso de Filosofia Olavo, ainda assistirá diversos vídeos de pensadores realmente geniais no Youtube.”

CLIQUE AQUI para ler até o fim! Vale a pena 😉


 

Leia também:

  1. O futuro distópico de um Brasil governado por bolsonaristas e olavistas
  2. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  3. Brasil, o ex-país do Carnaval
  4. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  5. Fanatismo é burro, mas perigoso
  6. Para uns, para outros e para mim
  7. Tem certeza absoluta? Que pena
  8. Post especial para quem se acha com o rei na barriga
  9. Reflexão para as pessoas cheias de si
  10. A saudável loucura de cada um de nós
  11. Qual é a sua opinião, cidadão?
  12. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  13. Mais posts sobre fanatismo
  14. Mais posts sobre as eleições
  15. Fanatismo é burro, mas perigoso
  16. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas
  17. Há um Jair Bolsonaro entre meus vizinhos?

***

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15 textos sobre a ‘reforma’ do ensino médio

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Como sempre faço [veja exemplos lá embaixo] quando um assunto merece aprofundamento que não posso oferecer só com um post do blog, selecionei alguns textos que acho importantes para esta discussão da reforma do Ensino Médio, implementada pelo governo Temer na base da canetada. É difícil medir, mas talvez este tenha sido o maior retrocesso dentro as dezenas de retrocessos deste já longo governo de Michel Temer.

Sempre que eu vir algum texto que complemente o debate, vou acrescentar aqui. Vocês vão ver que destaquei várias reflexões da jornalista Sílvia Amélia, que admiro muito. Aliás, recomendo que sigam o perfil de Facebook dela, que é cheio de preciosidades!

Mas vamos aos textos:

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Está com pressa? Por quê?

tempo

Ilustração de Jaime Guimarães

Ontem falei aqui sobre o amigo blogueiro Jaime Guimarães e, dia desses, ele escreveu um post muito bom sobre essa correria inútil em que nos metemos nesta sociedade frenética atual.

Extrapolando os exemplos que ele cita, destaco as perguntas que mais ouvi nesta gravidez:

  • logo no comecinho, até a vigésima semana, era: “Já sabe o sexo?”
  • da vigésima semana até agora (trigésima terceira): “Quando ele nasce?” “É pra quando?” “E o Luiz, já vai dar as caras?” etc.

Todas as perguntas trazem consigo uma carga de ansiedade enorme pela passagem vagarosa do tempo. Afinal, nove a dez meses de gestação é um bocado de tempo. Mas não é à toa que uma gestação leva isso tudo: afinal de contas, não estou assando um pão; tem um ser humano, com toda a sua complexidade, sendo formado!

Não me espantaria se logo os cientistas se propusessem a acelerar a gestação em uns três meses — ia ter uma fila de pais e mães dispostos a servir de cobaias. Eu já acho que nove meses são um período necessário até para mim: para minha cabeça e a do meu marido se acostumar à ideia de que vem por aí um novo serzinho que vai mudar nossa vida completamente — e inexoravelmente.

Outro exemplo comum: um casal começa a se relacionar e logo perguntam: “Vão se casar quando?” Se casam, vem outra: “Pra quando é o bebê?” E, como escreveu o Jaime: “E depois? Não duvido que muita gente tenha vontade de perguntar ‘E aí, quando vai ser o divórcio?’.”

O Jaime está fazendo pós-graduação e logo lhe perguntam: “E depois? Vai fazer mestrado? Doutorado? Pós-doutorado?” É a danada da ansiedade de novo.

Essa reflexão é muito séria, e o blogueiro, que também é ilustrador, escreveu muito melhor a respeito. Por isso, encerro logo este post para indicar a leitura do texto dele. Corram! Rápido! Não percam tempo! 😉 Brincadeirinha: não deixem de desfrutar o conteúdo com atenção, e sem pressa, CLICANDO AQUI.

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Escolas matam a criatividade?

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No post da última quinta-feira, Reflexões sobre aptidão, trabalho e aprendizado além da escola, recebi um comentário muito valioso do meu leitor das antigas, o Jaime Guimarães, que é professor e ótimo blogueiro. E ele me recomendou dois vídeos sobre o assunto.

Um deles é uma palestra de 19 minutos em que Ken Robinson fala sobre como as escolas e o sistema educacional do mundo todo matam a criatividade nata das crianças. Tem muito a ver com o que escrevi noutro dia e, apesar de ser um vídeo antigo (me parece que de 2010), faço questão de repassar a recomendação aos leitores do blog.

Um pouquinho de inspiração para começar bem a semana:

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Desperdício indecente

Foto de Apu Gomes, publicada na "Folha" de 16.4.2011

Foto de Apu Gomes, publicada na “Folha” de 16.4.2011, mostra batatas e outros alimentos novinhos, ainda dentro de sacos, jogados debaixo de um viaduto ao lado do Mercadão paulistano.

Recentemente a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou que um terço de todo o alimento produzido no planeta é desperdiçado e que, ao mesmo tempo, quase 1 bilhão de pessoas passam fome todos os dias. Meu pai escreveu artigo sobre isso. E hoje li um post excelente, do sempre ótimo blog Grooeland, também refletindo a respeito.

Em termos de escala, a responsabilidade da indústria e dos restaurantes e mercados é muito maior do que a nossa, com nosso lixo residencial. Bom, mais ou menos. Li agora que pouco mais da metade de todo o lixo produzido no Brasil é o chamado lixo domiciliar, segundo dados do IBGE de 2000. Então nossa responsabilidade pelo descarte e, consequentemente, pelo desperdício das coisas, inclusive os alimentos, é muito considerável.

E quantos de nós temos consciência disso e adotamos práticas para evitar o desperdício? A começar pelo básico: todo mundo aí raspa o prato direitinho?, só coloca no prato o que vai comer?, guarda na geladeira o que sobrou do almoço para comer depois?, só cozinha comida nova quando toda a que estava na geladeira já foi consumida? As perguntas se tornam mais incisivas quanto mais ricos forem os interlocutores, porque o desperdício é proporcional à riqueza das pessoas. Olhemos, portanto, para nossos cotidianos e busquemos uma forma de corrigir eventuais abusos.

Mas o mesmo vale para restaurantes e mercados. Vejam o caso do Mercado Municipal de São Paulo. Fiz uma matéria em 2011, com o colega Apu Gomes, mostrando que, todos os dias, 22 toneladas de comida vão parar no aterro da cidade. Depois da venda por atacado do Mercadão, milhares de quilos de comida novinha, não vendida, vão parar debaixo de um viaduto — onde moradores de rua, principalmente (mas não só), aparecem para tentar aproveitar algo. Um deles, extremamente inteligente e esclarecido, que entrevistei, questiona acertadamente: “Podiam separar e dar pra gente carente. Jogam fora muita coisa boa”.

Deixo uma reprodução da matéria, que só saiu na versão impressa da “Folha”, abaixo. Acho que, junto com o post do Grooeland (que reforço ser de leitura obrigatória!), nos ajuda nessa reflexão mais velha que a serra e ainda tão preocupante:

“Xepa do Mercadão faz a festa dos moradores de rua

Acabou a feira no Mercado Municipal (região central de São Paulo) e os frutos amassados, muito maduros ou já murchos, que encalham nas bancas, são deixados pelos feirantes a 150 metros dali, no parque Dom Pedro 2º.
É uma montanha de batatas, tomates, mangas, cenouras, mamões e abacaxis, alguns ainda fechados em sacolas ou caixas, a maioria largada no chão, sob o viaduto.
Por trás dessa fartura abandonada, a indignação dos moradores de rua com o desperdício de 22 toneladas diárias de comida que, varridas como lixo, vão parar no aterro de Guarulhos, na Grande São Paulo.
“Podiam separar e dar pra gente carente. Jogam fora muita coisa boa”, afirma Levi Menezes, 43, enquanto come um abacate madurinho encontrado ali no chão.
Morador do local, Luiz Moura, 50, pega uma batata e dá uma mordida nela, crua. “Depois que lava, dá pra aproveitar.”
Donas de casa, aposentados e até gente aparentando ter dinheiro também passam por ali a partir das 6h, quando o Mercadão termina a venda por atacado, e a feira da rua, que dura toda a madrugada, também acaba.
Para dar conta de tanta comida jogada fora, cerca de 30 garis fazem a varrição, que começa às 6h30 na rua da Cantareira e acaba quatro horas depois, no viaduto.
As aposentadas Jacira, 50, e Conceição, 68, debruçam-se sobre um monte de quiabos no meio-fio e selecionam os melhores.
“A gente cata, lava com sabão, raspa, bota de molho no vinagre e cozinha. Ninguém nunca morreu, não”, afirma Jacira.
Joselito dos Santos, 46, seleciona mangas e batatas, lava e revende: um saco de 60 kg de batatas sai por R$ 10 (no Mercadão custa R$ 240) e uma caixa com 30 mangas, por R$ 7 (no “oficial”, chega a R$ 150).
Não demora e passa um homem, num Fiat Uno, e compra algumas jacas dele.”