15 textos sobre a ‘reforma’ do ensino médio

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Como sempre faço [veja exemplos lá embaixo] quando um assunto merece aprofundamento que não posso oferecer só com um post do blog, selecionei alguns textos que acho importantes para esta discussão da reforma do Ensino Médio, implementada pelo governo Temer na base da canetada. É difícil medir, mas talvez este tenha sido o maior retrocesso dentro as dezenas de retrocessos deste já longo governo de Michel Temer.

Sempre que eu vir algum texto que complemente o debate, vou acrescentar aqui. Vocês vão ver que destaquei várias reflexões da jornalista Sílvia Amélia, que admiro muito. Aliás, recomendo que sigam o perfil de Facebook dela, que é cheio de preciosidades!

Mas vamos aos textos:

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Está com pressa? Por quê?

tempo

Ilustração de Jaime Guimarães

Ontem falei aqui sobre o amigo blogueiro Jaime Guimarães e, dia desses, ele escreveu um post muito bom sobre essa correria inútil em que nos metemos nesta sociedade frenética atual.

Extrapolando os exemplos que ele cita, destaco as perguntas que mais ouvi nesta gravidez:

  • logo no comecinho, até a vigésima semana, era: “Já sabe o sexo?”
  • da vigésima semana até agora (trigésima terceira): “Quando ele nasce?” “É pra quando?” “E o Luiz, já vai dar as caras?” etc.

Todas as perguntas trazem consigo uma carga de ansiedade enorme pela passagem vagarosa do tempo. Afinal, nove a dez meses de gestação é um bocado de tempo. Mas não é à toa que uma gestação leva isso tudo: afinal de contas, não estou assando um pão; tem um ser humano, com toda a sua complexidade, sendo formado!

Não me espantaria se logo os cientistas se propusessem a acelerar a gestação em uns três meses — ia ter uma fila de pais e mães dispostos a servir de cobaias. Eu já acho que nove meses são um período necessário até para mim: para minha cabeça e a do meu marido se acostumar à ideia de que vem por aí um novo serzinho que vai mudar nossa vida completamente — e inexoravelmente.

Outro exemplo comum: um casal começa a se relacionar e logo perguntam: “Vão se casar quando?” Se casam, vem outra: “Pra quando é o bebê?” E, como escreveu o Jaime: “E depois? Não duvido que muita gente tenha vontade de perguntar ‘E aí, quando vai ser o divórcio?’.”

O Jaime está fazendo pós-graduação e logo lhe perguntam: “E depois? Vai fazer mestrado? Doutorado? Pós-doutorado?” É a danada da ansiedade de novo.

Essa reflexão é muito séria, e o blogueiro, que também é ilustrador, escreveu muito melhor a respeito. Por isso, encerro logo este post para indicar a leitura do texto dele. Corram! Rápido! Não percam tempo! 😉 Brincadeirinha: não deixem de desfrutar o conteúdo com atenção, e sem pressa, CLICANDO AQUI.

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Escolas matam a criatividade?

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No post da última quinta-feira, Reflexões sobre aptidão, trabalho e aprendizado além da escola, recebi um comentário muito valioso do meu leitor das antigas, o Jaime Guimarães, que é professor e ótimo blogueiro. E ele me recomendou dois vídeos sobre o assunto.

Um deles é uma palestra de 19 minutos em que Ken Robinson fala sobre como as escolas e o sistema educacional do mundo todo matam a criatividade nata das crianças. Tem muito a ver com o que escrevi noutro dia e, apesar de ser um vídeo antigo (me parece que de 2010), faço questão de repassar a recomendação aos leitores do blog.

Um pouquinho de inspiração para começar bem a semana:

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Desperdício indecente

Foto de Apu Gomes, publicada na "Folha" de 16.4.2011

Foto de Apu Gomes, publicada na “Folha” de 16.4.2011, mostra batatas e outros alimentos novinhos, ainda dentro de sacos, jogados debaixo de um viaduto ao lado do Mercadão paulistano.

Recentemente a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou que um terço de todo o alimento produzido no planeta é desperdiçado e que, ao mesmo tempo, quase 1 bilhão de pessoas passam fome todos os dias. Meu pai escreveu artigo sobre isso. E hoje li um post excelente, do sempre ótimo blog Grooeland, também refletindo a respeito.

Em termos de escala, a responsabilidade da indústria e dos restaurantes e mercados é muito maior do que a nossa, com nosso lixo residencial. Bom, mais ou menos. Li agora que pouco mais da metade de todo o lixo produzido no Brasil é o chamado lixo domiciliar, segundo dados do IBGE de 2000. Então nossa responsabilidade pelo descarte e, consequentemente, pelo desperdício das coisas, inclusive os alimentos, é muito considerável.

E quantos de nós temos consciência disso e adotamos práticas para evitar o desperdício? A começar pelo básico: todo mundo aí raspa o prato direitinho?, só coloca no prato o que vai comer?, guarda na geladeira o que sobrou do almoço para comer depois?, só cozinha comida nova quando toda a que estava na geladeira já foi consumida? As perguntas se tornam mais incisivas quanto mais ricos forem os interlocutores, porque o desperdício é proporcional à riqueza das pessoas. Olhemos, portanto, para nossos cotidianos e busquemos uma forma de corrigir eventuais abusos.

Mas o mesmo vale para restaurantes e mercados. Vejam o caso do Mercado Municipal de São Paulo. Fiz uma matéria em 2011, com o colega Apu Gomes, mostrando que, todos os dias, 22 toneladas de comida vão parar no aterro da cidade. Depois da venda por atacado do Mercadão, milhares de quilos de comida novinha, não vendida, vão parar debaixo de um viaduto — onde moradores de rua, principalmente (mas não só), aparecem para tentar aproveitar algo. Um deles, extremamente inteligente e esclarecido, que entrevistei, questiona acertadamente: “Podiam separar e dar pra gente carente. Jogam fora muita coisa boa”.

Deixo uma reprodução da matéria, que só saiu na versão impressa da “Folha”, abaixo. Acho que, junto com o post do Grooeland (que reforço ser de leitura obrigatória!), nos ajuda nessa reflexão mais velha que a serra e ainda tão preocupante:

“Xepa do Mercadão faz a festa dos moradores de rua

Acabou a feira no Mercado Municipal (região central de São Paulo) e os frutos amassados, muito maduros ou já murchos, que encalham nas bancas, são deixados pelos feirantes a 150 metros dali, no parque Dom Pedro 2º.
É uma montanha de batatas, tomates, mangas, cenouras, mamões e abacaxis, alguns ainda fechados em sacolas ou caixas, a maioria largada no chão, sob o viaduto.
Por trás dessa fartura abandonada, a indignação dos moradores de rua com o desperdício de 22 toneladas diárias de comida que, varridas como lixo, vão parar no aterro de Guarulhos, na Grande São Paulo.
“Podiam separar e dar pra gente carente. Jogam fora muita coisa boa”, afirma Levi Menezes, 43, enquanto come um abacate madurinho encontrado ali no chão.
Morador do local, Luiz Moura, 50, pega uma batata e dá uma mordida nela, crua. “Depois que lava, dá pra aproveitar.”
Donas de casa, aposentados e até gente aparentando ter dinheiro também passam por ali a partir das 6h, quando o Mercadão termina a venda por atacado, e a feira da rua, que dura toda a madrugada, também acaba.
Para dar conta de tanta comida jogada fora, cerca de 30 garis fazem a varrição, que começa às 6h30 na rua da Cantareira e acaba quatro horas depois, no viaduto.
As aposentadas Jacira, 50, e Conceição, 68, debruçam-se sobre um monte de quiabos no meio-fio e selecionam os melhores.
“A gente cata, lava com sabão, raspa, bota de molho no vinagre e cozinha. Ninguém nunca morreu, não”, afirma Jacira.
Joselito dos Santos, 46, seleciona mangas e batatas, lava e revende: um saco de 60 kg de batatas sai por R$ 10 (no Mercadão custa R$ 240) e uma caixa com 30 mangas, por R$ 7 (no “oficial”, chega a R$ 150).
Não demora e passa um homem, num Fiat Uno, e compra algumas jacas dele.”

2º livro das férias

Histórias Apócrifas“, de Karel Capek, foi uma das dicas que recebi de vocês naquele post de março, sobre o quanto eu andava lendo pouco.

Foi apenas o segundo que li, dentre as sugestões — por enquanto. E quem me aconselhou veementemente, e mais de uma vez, a ler esses contos, foi meu amigo Jaime “Groo” Guimarães.

Pois bem, a orelha era promissora: “Como teria sido o tribunal que condenou Prometeu por roubar o fogo dos deuses? Que resmungos trocaria um velho casal da Idade da Pedra lamentando a decadência das novas gerações e a fala de perspectivas da humanidade? Quais seriam os comentários maldosos que corriam entre os soldados gregos no cerco de Troia? O que um esforçado padeiro de Jerusalém diria sobre Cristo e seu milagre dos pães?”

Realmente, todas essas perguntas abrem margem para mil possibilidades de histórias paralelas aos clássicos trazidos até nós pela Bíblia, pela mitologia grega e pela História. Possibilidades que uma mente criativa como a desse escritor tcheco transforma em iguarias.

Tem de tudo ali. Muito humor, muito sarcasmo e, sobretudo, um certo tom de parábola, de reflexão, de tentar encontrar a moral da história por trás das velhas histórias que engolimos desde crianças.

Isso é sensacional.

Mas coloco um porém. Esses exemplos listados na orelha são justamente os melhores contos do livro. Fora eles, a fórmula fica um pouco repetitiva. E o próprio estilo do Capek, que é delicioso, não muda muito: diálogos, muitos diálogos, praticamente só diálogos formando os contos, bem curtos, com os personagens falando em tom rabugento, mantendo as formas do português mais correto, com todos os seus “vós sois” e afins.

E isso tem explicação: os contos foram escritos em datas aleatórias, publicados em jornal, sem a intenção original do autor de formar um livro fechado com todos eles. Então é natural que uma fórmula que funciona excelentemente para um conto isolado fique desgastada quando ele é colado, em fileira, ao lado de outros contos com o mesmo estilo, inspiração e intenção.

Nada disso, porém, tira o mérito do autor. Minha sugestão é que vocês leiam muito mais devagar que eu li (devorei em dois dias, espreguiçada na rede), esperando, entre um conto e outro, algumas semanas. E comecem pelos vovôs da Idade Média, são imperdíveis!

“Histórias Apócrifas”
Karel Capek
De R$ 21 a R$ 35
Editora 34
175 págs