A magia dos circos (e como ela permanece inalterada há décadas)

Olha se não é a coisa mais linda essa paisagem dos circos! Essas tendas iluminadas… Foto: Pixabay

Meus pais foram e são ótimos pais e me proporcionaram uma infância extremamente feliz (tanto que eu nem queria deixar de ser criança nunca). Mas numa coisa eles falharam: nunca me levaram ao circo quando criança.

Fui conhecer o circo pela primeira já adolescente ou adulta, quando minha irmã mais velha ganhou um ingresso para o do Marcos Frota e fui acompanhá-la. Não me lembro de quase nada, ou seja, não me marcou muito. E aí é que tá: o circo tem uma magia que geralmente bate em cheio na criançada, e não necessariamente nos adultos.

Toda vez que penso em circo, sinto um calorzinho no peito. Mas por que, se não fui ao circo quando criança e ele não me marcou quando mais velha? Porque recorro à minha memória literária e cinematográfica. A filmes como “Dumbo” e “O Palhaço” e livros como “Água para Elefantes” – dentre muitos outros –, que ajudaram a criar essa afeição por universo tão extraordinário.

E olha que esses filmes e livros relatam um circo geralmente pouco glamourizado e bem diferente dos circos atuais, já que em sua maioria possuem animais (hoje banidos de circos em 11 Estados brasileiros, inclusive Minas Gerais). Mas tem toda aquela aventura que a gente imagina dos grupos itinerantes, da montagem das tendas, dos ensaios, dos números arriscadíssimos e impressionantes para o público.

Fora a nostalgia que os circos carregam. Eles mantêm tradições inabaláveis há décadas, apesar de toda a mudança que ocorreu em quase todas as áreas, por conta do avanço tecnológico. Nos circos, parece que estamos em antigamente. Entramos naquelas tendas e é como se tivéssemos sido transportados para o passado. Lá estão as maçãs-do-amor, as pipocas e algodões-doces. Lá está o “respeitável público!”. E os palhaços, acrobatas, equilibristas, trapezistas e malabaristas. O figurino brilhante e colorido.

Se você olha fotos antigas de circos, no Brasil e no resto do mundo, e as compara com apresentações atuais, verá que quase nada mudou. E ainda tem esse caráter universal do circo: ele é quase igual seja no sertão do Ceará ou em um parque da Califórnia. É como se fosse mesmo um universo paralelo, um mundo mágico, um portal para a felicidade e a admiração, que percorre o mundo e, de vez em quando, estaciona em algum lugar para provocar aplausos e “uaus!” do público da vez.

Foi com isso tudo em mente que levei meu filho e meu sobrinho ao circo no sábado. A apresentação tinha, se não me engano, duas horas de duração e, na metade, eles, que já estavam bem cansados e com sono, pediram para ir embora. Perdemos os malabaristas e sabe deus o que mais. Mas, nessa hora em que assistimos de boca aberta às apresentações do equilibrista, da trapezista e dos acrobatas e palhaços, os dois pequenos de 3 anos nem piscaram. Eu, com meus 34, tampouco.

Espero conseguir voltar com calma algum dia, para podermos assistir a tudo até o fim, mas já fiquei feliz em ter incutido nos dois esse universo de magia, que só as crianças são capazes de apreender completamente.

Veja algumas fotos do espetáculo:

SERVIÇO:
Circo Maximus

Onde: estacionamento do Extra/Minas Shopping (av. Cristiano Machado, 400 – União)
Quando: terça a sexta às 20h; sábados, domingos e feriados, às 16h, 18h e 20h
Quanto: R$ 30 para adultos e R$ 15 a meia (com promoção AQUI).
Mais informações: 44-9911-1036, site e Facebook
Temporada: Estreou no dia 31 de maio e fica até o dia 14 de julho.


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Exposição da DreamWorks no CCBB: por que ela é imperdível

Exposição da DreamWorks no CCBB-BH. Fotos: CMC

No último fim de semana – o primeiro da exposição Dreamworks Animations no CCBB de Belo Horizonte –, as filas para entrar no Centro Cultural Banco do Brasil estavam tão grandes que davam a volta no quarteirão. Fazia tempo que eu não via uma exposição assim tão popular em Beagá. Acho que desde o Escher, que lotou o Palácio das Artes.

Por isso, aproveitei a folga que tive hoje pelo fim de semana de plantão dobrado e fomos para lá. Em plena quarta-feira, às 10h, mesmo com excursão de estudantes, estava tranquilo o movimento, praticamente com zero filas, e foi possível curtir bastante.

E, olha, já vimos muita exposição bacana no CCBB – Kandinsky, Mondrian, a sensacional Patricia Piccinini, Los Carpinteros, Ai Weiwei, e muitas outras –, mas esta da Dreamworks com certeza está entre as melhores.

Não se engane pensando se tratar de um evento para crianças. Elas se divertem também, é claro, mas são os adultos que percebem melhor a maravilha que é esse trabalho de concepção, ilustração, animação, roteirização e sonorização desses filmaços que agradam a públicos de todas as idades. Estou falando de Shrek, Madagascar, Croods, Como Treinar Seu Dragão, Kung Fu Panda e outros.

Na exposição, vemos os esboços para criar personagens, as esculturas e moldes de cada um, brincamos um pouco com a animação em computadores interativos, assistimos a uma aula de roteiro, conhecemos os craques por trás dessas histórias, nos inserimos em paisagens estonteantes, vemos muita-muita arte. E, no fim, somos presenteados com um filmete de 3 minutos em 180 graus que nos coloca voando em cima de um dragão. Também tem um espaço educativo para fazer teatro de sombras, que meu filhote Luiz adorou – foi juntando gente para assistir à pecinha dele, sem ele saber e, quando ele saiu lá de trás, todo mundo aplaudiu (umas 15 pessoas!) e o bichinho ficou morrendo de vergonha, rs.

São mais de 400 itens, e levamos cerca de uma hora para visitá-los todos, mais rápido do que gostaríamos. A exposição já passou por sete países e, antes de chegar a Beagá, esteve no CCBB do Rio, onde foi vista por 600 mil pessoas. Por aqui, deve bater o recorde da ComCiência, que recebeu 312 mil visitantes.

Enfim, a diversão é garantida para todos que se interessem minimamente por animação e cinema. Meu celular não faz fotos muito boas, mas coloco algumas como degustação [clique sobre qualquer foto para ver todas em tamanho real]:

SERVIÇO

O quê: Exposição Dreamworks Animation
Onde: CCBB BH – Praça da Liberdade, 450
Quando: até 29 de julho, de quarta a segunda, das 10h às 22h
Quanto: gratuito
Sugestão: Se possível, vá durante a semana, que é mais vazio!


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3 frases de Ai Weiwei para estes tempos sombrios de bolsonarismo no Brasil

Um bote salva-vidas há de nos salvar? Fotos: CMC. Obras: Ai Weiwei

Estive no domingo na maravilhosa exposição gratuita, no CCBB de Belo Horizonte, com obras inéditas e outras já consagradas do artista e ativista chinês Ai Weiwei. Gostei muito de várias das esculturas, fotografias e pinturas de Weiwei, mas o que mais me chamou a atenção foram as frases.

Não sei se ele escreveu aquelas frases pensando no Brasil, já que esteve imerso na nossa cultura por um ano, para esta exposição. Muitos daqueles pensamentos têm validade universal. Mas o fato é que alguns se encaixam perfeitamente no momento político sombrio que o Brasil está vivendo.

Pincei três destas frases, para nossa reflexão:

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Sobre a primeira delas, aproveito para dizer algo que me traz muito alívio neste início de 2019: posso dormir todas as noites, com a consciência tranquila, sabendo que estou do lado certo da história. Bem distante do lado daqueles que idolatram torturadores e que querem tirar direitos consagrados (conquistados a duras penas) dos mais pobres e dos trabalhadores.

De brinde, mais três belas frases, de caráter mais universal, que também me encantaram durante a visita ao CCBB:

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Das obras em si, fiz poucas fotos, mas é possível encontrá-las à exaustão no Google. Aí uma degustação, para quem não pôde ir ao CCBB, já que o último dia de exposição foi anteontem (clique sobre qualquer imagem para ver todas em tamanho real):

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Memorial Minas Vale: um museu sobre a cultura e a história mineiras

No ano passado fui turistar pela primeira vez no Museu das Minas e do Metal, como contei aqui no blog. Neste ano, finalmente fui conhecer direito o Memorial Minas Vale, que também fica no Circuito Cultural da Praça da Liberdade, bem ao lado do outro museu.

É fundamental conhecermos bem os museus e outros espaços culturais que existem em nossa cidade – antes que acabem sendo destruídos, como aconteceu recentemente com o Museu Nacional, no Rio, que nunca tive a chance de conhecer e agora não terei mais…

No caso deste memorial, não se trata de um museu de acervo, mas de memória mesmo, um espaço cheio de cenários que nos transportam para os séculos 18, 19 e início do século 20. Tem a sala dos poetas e escritores, com Drummond e Guimarães Rosa, a sala das grutas e arte rupestre, a sala da arte do Vale do Jequitinhonha, e muito mais. Saí de lá encantada!

Pra melhorar, o memorial está no antigo prédio da Secretaria do Estado da Fazenda de Minas Gerais, datado de 1897, o que já vale uma visita por si só, porque o edifício de três andares é lindíssimo.

Ah, e a visita é gratuita 😉

Vejam algumas fotos que tirei por lá (clique em qualquer uma para ver todas em tamanho real):

Fiz também dois videozinhos, mostrando duas salas especiais na exposição. O primeiro é este, sobre o turismo radical na natureza mineira, que tem um som de mato-grilo-sapo-passarinho delicioso de ouvir:

O segundo é este, na sala da gruta com arte rupestre, que me transportou para minha infância, quando meu pai me levou para ver a Gruta Rei do Mato e a Gruta da Lapinha:

(Uma dica para quem tem criança: peça o kit da trilha da criança na recepção, para seu baixinho se divertir mais! Ele contém um mapa, uma lanterna, uma lupa, um espelho e um binóculo. Deve ser devolvido no final da visita. Dei bobeira e não pedi para o Luiz…)

Quer conhecer?

  • Funcionamento: Terças, quartas, sextas-feiras e sábados: das 10h às 17h30, com permanência até 18h; Quintas: das 10h às 21h30, com permanência até 22h; Domingos: das 10h às 15h30, com permanência até 16h
  • Endereço: Praça da Liberdade, 640, esquina com Rua Gonçalves Dias. Tel.: (31) 3308-4000
  • Gratuito
  • Mais informações AQUI

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Conheça Rafael David, um artista autodidata que, aos 34 anos, largou tudo para perseguir seu sonho

Igrejinha da Pampulha, de Rafael David, na Av. Professor Magalhaes Penido, 378, Jaraguá, BH

Uma das minhas páginas fixas favoritas aqui do blog é a vitrine que criei para os grafites espalhados pelas ruas de Belo Horizonte. Você pode espiar AQUI, se ainda não conhece. Eu não sou grafiteira, nem conheço muitos desses talentosos artistas, faço apenas o trabalho de fotografar toda vez que encontro um muro desses na minha frente, e divulgar naquela galeria.

Foi assim que o Rafael David, de 34 anos, chegou até meu site e me procurou para mostrar seus belos trabalhos. Trocamos e-mails, porque eu queria conhecer um pouquinho mais da história dele, e achei emocionante perceber como o desenho sempre fez parte de sua vida, desde a infância, e só agora ele teve coragem de correr atrás desse sonho de viver da arte.

Por isso, e para divulgar esses trabalhos tão bonitos, compartilho aqui neste post a história de Rafael David. Tomara que possamos ver muitos trabalhos dele estampados nos prédios da cidade nos próximos anos!

“Sou nascido e criado no bairro Ouro Preto, em BH, pertinho da lagoa da Pampulha. Estudei em escola pública toda a vida e, desde sempre, tive certa facilidade e gosto para desenhar. Luz e sombra sempre me chamaram a atenção.

Na segunda série do ensino fundamental, a professora prometeu que o aluno com as melhores notas no fim do ano ganharia um belo relógio como prêmio. Eu tive as melhores notas, mas o prêmio foi alterado para um kit de desenho, já que, segundo a professora, eu passava boa parte do tempo desenhando em meus cadernos… Fiquei sem relógio mas ganhei um incentivo.

Nos anos seguintes, continuei ganhando algumas telas e tintas, e pude brincar bastante.

Em 1998, fomos visitar uma parente em Vitória (ES) e, na praia, vi uns caras pintando quadros em papel cartão com spray e fiquei maravilhado com aquilo, passei horas observando como faziam para aprender também. Quando voltei de viagem, não dei descanso a meu pai até ele me comprar algumas latas de spray e o papel cartão – e esse foi meu primeiro contato com spray. Fiz alguns quadros que até ficaram bons, mas, como era muito caro, parei por ali com os sprays.

Aos 18 anos decidi tingir e pintar camisas para vender na escola e ganhar algum dinheiro. Não ganhei muito, mas foi nesse processo que eu realmente descobri que tinha um potencial forte para a arte, porque comecei a pintar nas camisas rostos de artistas com uma precisão que surpreendia até a mim. Pintei muitas camisas, atendi encomendas, mas, como não dava para sobreviver, fui deixando de lado.

Depois disso, trabalhei de office-boy, boleiro em quadras de tênis, auxiliar de escritório, entre outros “bicos”. Moro pertinho de muitos bares e restaurantes e, depois de muito relutar, sonhando em viver da arte, não tive opção e entrei para o ramo de restaurantes. Comecei como copeiro, daí para garçom, e cheguei até a gerência em uns 12 anos de restaurante. Nesse meio-tempo, mantive minha ligação com a arte fazendo tatuagens em casa para complementar o orçamento.

No ano passado, pelo peso e insatisfação de estar trabalhando e consumindo tanto tempo e energia em um ramo que nunca almejei, entre outros problemas pessoais, fui passar um tempo em um sítio de um amigo. Lá, ele perguntou se eu queria pintar uma parede, deixou eu escolher o tema, e me perguntou qual o material a ser comprado. Foi assim que, depois de anos, voltei a pegar em uma lata de spray e fiz aquele elefante quebrando barreiras, meu primeiro grafite. Isso me lavou a alma e marcou meu reencontro com a arte! Gostei demais e decidi de vez explorar ao máximo o dom que Deus me deu, me dedicando exclusivamente à arte, porque é ela que sustenta minha alma.”

Gostou da história e do trabalho do Rafael David? Você pode ver mais no Instagram que ele acabou de criar: @rafadarte. Quem quiser contratar um mural do Rafael, pode entrar em contato pelo telefone/whatsapp (31) 99480-6381.

 

E você, também abandonou o que fazia para perseguir um sonho antigo? Conhece mais alguém que tenha feito isso? Envie a história para mim e ela pode ser contada também 😉

Leia também:

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