Exposição da DreamWorks no CCBB: por que ela é imperdível

Exposição da DreamWorks no CCBB-BH. Fotos: CMC

No último fim de semana – o primeiro da exposição Dreamworks Animations no CCBB de Belo Horizonte –, as filas para entrar no Centro Cultural Banco do Brasil estavam tão grandes que davam a volta no quarteirão. Fazia tempo que eu não via uma exposição assim tão popular em Beagá. Acho que desde o Escher, que lotou o Palácio das Artes.

Por isso, aproveitei a folga que tive hoje pelo fim de semana de plantão dobrado e fomos para lá. Em plena quarta-feira, às 10h, mesmo com excursão de estudantes, estava tranquilo o movimento, praticamente com zero filas, e foi possível curtir bastante.

E, olha, já vimos muita exposição bacana no CCBB – Kandinsky, Mondrian, a sensacional Patricia Piccinini, Los Carpinteros, Ai Weiwei, e muitas outras –, mas esta da Dreamworks com certeza está entre as melhores.

Não se engane pensando se tratar de um evento para crianças. Elas se divertem também, é claro, mas são os adultos que percebem melhor a maravilha que é esse trabalho de concepção, ilustração, animação, roteirização e sonorização desses filmaços que agradam a públicos de todas as idades. Estou falando de Shrek, Madagascar, Croods, Como Treinar Seu Dragão, Kung Fu Panda e outros.

Na exposição, vemos os esboços para criar personagens, as esculturas e moldes de cada um, brincamos um pouco com a animação em computadores interativos, assistimos a uma aula de roteiro, conhecemos os craques por trás dessas histórias, nos inserimos em paisagens estonteantes, vemos muita-muita arte. E, no fim, somos presenteados com um filmete de 3 minutos em 180 graus que nos coloca voando em cima de um dragão. Também tem um espaço educativo para fazer teatro de sombras, que meu filhote Luiz adorou – foi juntando gente para assistir à pecinha dele, sem ele saber e, quando ele saiu lá de trás, todo mundo aplaudiu (umas 15 pessoas!) e o bichinho ficou morrendo de vergonha, rs.

São mais de 400 itens, e levamos cerca de uma hora para visitá-los todos, mais rápido do que gostaríamos. A exposição já passou por sete países e, antes de chegar a Beagá, esteve no CCBB do Rio, onde foi vista por 600 mil pessoas. Por aqui, deve bater o recorde da ComCiência, que recebeu 312 mil visitantes.

Enfim, a diversão é garantida para todos que se interessem minimamente por animação e cinema. Meu celular não faz fotos muito boas, mas coloco algumas como degustação [clique sobre qualquer foto para ver todas em tamanho real]:

SERVIÇO

O quê: Exposição Dreamworks Animation
Onde: CCBB BH – Praça da Liberdade, 450
Quando: até 29 de julho, de quarta a segunda, das 10h às 22h
Quanto: gratuito
Sugestão: Se possível, vá durante a semana, que é mais vazio!


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3 frases de Ai Weiwei para estes tempos sombrios de bolsonarismo no Brasil

Um bote salva-vidas há de nos salvar? Fotos: CMC. Obras: Ai Weiwei

Estive no domingo na maravilhosa exposição gratuita, no CCBB de Belo Horizonte, com obras inéditas e outras já consagradas do artista e ativista chinês Ai Weiwei. Gostei muito de várias das esculturas, fotografias e pinturas de Weiwei, mas o que mais me chamou a atenção foram as frases.

Não sei se ele escreveu aquelas frases pensando no Brasil, já que esteve imerso na nossa cultura por um ano, para esta exposição. Muitos daqueles pensamentos têm validade universal. Mas o fato é que alguns se encaixam perfeitamente no momento político sombrio que o Brasil está vivendo.

Pincei três destas frases, para nossa reflexão:

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Sobre a primeira delas, aproveito para dizer algo que me traz muito alívio neste início de 2019: posso dormir todas as noites, com a consciência tranquila, sabendo que estou do lado certo da história. Bem distante do lado daqueles que idolatram torturadores e que querem tirar direitos consagrados (conquistados a duras penas) dos mais pobres e dos trabalhadores.

De brinde, mais três belas frases, de caráter mais universal, que também me encantaram durante a visita ao CCBB:

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Das obras em si, fiz poucas fotos, mas é possível encontrá-las à exaustão no Google. Aí uma degustação, para quem não pôde ir ao CCBB, já que o último dia de exposição foi anteontem (clique sobre qualquer imagem para ver todas em tamanho real):

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Esta é a exposição MAIS INCRÍVEL que você vai ver na sua vida!

Bom, pelo menos foi assim que me senti quando vi a exposição ComCiência, da australiana Patricia Piccinini, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. Entrei no espaço meio sem saber o que ia ver, trafeguei pelas salas completamente embasbacada e saí de lá exclamando:

– Putz! Esta foi a melhor exposição que já vi na vida!

E o que isso tem a ver com um blog sobre maternidade?

É que, embora os “monstrinhos” criados por Patricia pareçam, à primeira vista, meio assustadores, eles deixam as crianças completamente alucinadas. Até meu pequeno Luiz, de 11 meses, ficou impressionado e querendo tocar em tudo o que via (mas eu não deixei, obviamente).

Luiz encantado com a obra de arte. Foto: CMC

Luiz encantado com a obra de arte. Foto: CMC

Além disso, a exposição traz uma reflexão muito interessante sobre como as crianças nascem desprovidas de preconceito e aceitam – inclusive acolhem, confortam e abraçam – os seres mais diferentes. Ao contrário dos adultos, que já desenvolveram a repulsa, o rancor, a intolerância, o medo ou o asco pelo que não compreendem bem.

(Donde surgem as agressões, as guerras e os conflitos urbanos – mas isso já é outro assunto…)

Qual é nosso parcela de culpa para que nossos filhos percam essa capacidade de ter empatia e simpatia à medida que crescem?

Não deixe de conferir ao vivo as obras de arte PERFEITAS (e, ao mesmo tempo, tão imperfeitas) criadas por Patricia. De ver com calma, ler os textos que as acompanham e, se possível, levar seu pequeno junto! A experiência será enriquecedora para todos, eu garanto 😉

Uma pequena amostra na galeria de fotos abaixo:

Serviço:

Exposição ComCiência, de Patricia Piccinini
Em cartaz até 9 de janeiro
De quarta a segunda, de 9h às 20h
CCBB, na Praça da Liberdade, 450
Gratuito
Mais informações: 3431-9400 ou no site

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Retrato sem plumas de uma elite sem lei

É muito raro eu ir ao teatro, por isso vocês quase não veem resenhas de peças aqui no blog. Então foi com satisfação que recebi o texto abaixo, escrito e enviado pelo leitor Douglas Garcia, professor de filosofia da UFOP que já foi apresentado neste espaço. A dica dele é que todos corram para assistir ao espetáculo “Infância, Tiros e Plumas”, em cartaz do Centro Cultural do Banco do Brasil de Belo Horizonte desde a última sexta-feira. Vejam por que vale a pena assistir:

 

Divulgação

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“Infância, tiros e plumas” está em cartaz no CCBB de Belo Horizonte, nas sextas, sábados e domingos até o dia 07 de Setembro. Texto de Jô Bilac e direção de Inez Viana. Fugindo do esquema “Zorra total” que grassa como uma praga em nossos palcos, é uma peça que merece ser vista.

O texto e os atores são excelentes, com destaque para as espetaculares atrizes femininas: Bianca Byington, Juliane Bodini e Carolina Pismel. A peça é engraçadíssima, lembrando o humor de filmes como o argentino “Relatos Selvagens”, de Damián Szifron e “Amores Passageiros”, de Pedro Almodóvar. O cenário é simples, mas funciona muito bem visualmente. Há poucas inserções musicais, mas quando ocorrem são de forte impacto dramático.

O texto de Jô Bilac é o maior trunfo da peça. Dotado de uma linguagem rápida e direta, tem enorme potencial de comunicação com o público e é afiado na crítica do presente brasileiro. Mais especificamente, da substituição brasileira da lei pelo “esquema”, praticada de modo complacente pelas suas elites e elevado a forma de vida e de relação com o país e com os outros. Explico.

Enquanto a lei é impessoal, supõe o respeito aos direitos iguais de todos e um compromisso coletivo com o país, o “esquema” é pessoal, supõe o poder de desrespeitar todos que se ponham como obstáculo aos próprios interesses privilegiados e um descompromisso com a ideia de país. Não por acaso, a peça se passa em um aeroporto e em um avião, na primeira classe de um voo para a Disney. Para essa elite, o Brasil é apenas um cenário como outro qualquer.

A peça capta com rara sensibilidade esse estado de coisas que é o nosso. Seu achado é desdobrar em pequenas cenas cômico-dramáticas, que se comunicam entre si, a estrutura geral brasileira de “esquema” e desrespeito sistemático das pessoas. E mostrar como essa estrutura se dinamiza: prática comum das elites, ela se espraia para todos os grupos sociais, inclusive as crianças. Com efeito, uma das cenas mais cruéis da peça se dá quando duas crianças humilham um comissário de bordo negro e nordestino. A peça lança mão de um mecanismo desestabilizador do preconceito: mostra a brutalidade brasileira passada às crianças como mecanismo de perpetuação de desigualdade de direitos e de oportunidades.

Imperdível.

Uma nota pessoal: depois da peça, ouvi uma situação que poderia ter se passado “dentro” da peça. Fui jantar em um bom restaurante da Zona Sul, muito movimentado naquele horário. Ao dirigir-me ao lavabo, não pude deixar de ouvir um dos garçons comentar com outro: “Ele falou para mim: ‘Você vai me atender AGORA!’ e eu falei para ele: ‘E você vai largar o meu braço'”.

Brasil.

—> Mais sobre a peça:

“Infância, Tiros e Plumas”
Em cartaz até 7 de setembro
Sexta, sábado e segunda às 20h; domingo às 19h
Duração: 80 minutos
R$ 10 inteira, R$ 5 a meia
No CCBB: Praça da Liberdade, 450
Mais informações AQUI

—> Quer enviar seu texto para o blog?

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Cássia Eller volta ao mundo, em carne, osso, voz e violão

Era 12 de agosto de 2001 e lá fui eu, acompanhada da minha irmã Vivi*, para o Mineirão. Estava acontecendo o até então tradicional Pop Rock Brasil, onde adorei ouvir o Skank, gostei bem menos de Capital Inicial e detestei ouvir Jota Quest e Sideral. Mas, antes de todos esses, quando ainda era dia e fazia sol, eu escutei Cássia Eller ao vivo. A Vivi era fãzona dela e tinha ido ao Pop Rock praticamente só para ver seu show. Eu gostava menos, mas adorava a música “O Segundo Sol” — que foi justamente a primeira que ouvi ao pisar no Mineirão naquele dia.

Não podia nem imaginar naquela tarde que, apenas quatro meses depois, Cássia Eller — aquele vozeirão que tocava de samba a Nirvana, passando por Beatles e Renato Russo — estaria morta.

De lá pra cá, passaram-se 13 anos. Comecei a gostar mais dela, à medida que minhas referências musicais se ampliavam, muito além do que eu conhecia aos 16 anos de idade. Fui percebendo, aos poucos, que aquela voz de Cássia Eller era única em território brasileiro. Sim, temos Elis, temos Marisa Monte, temos Elza Soares, e tantas outras. Mas o timbre de Cássia, seus gritos, sua irreverência no palco, sua espontaneidade vocal, seu gosto musical eclético — tudo isso é absolutamente único no Brasil, e remete a outros gênios do canto no mundo como Janis Joplin e Amy Winehouse.

Assim como as duas, Cássia morreu jovem, antes de completar os 40 anos. E morreu “causando”, no auge da fama (o que pode tê-la matado, por ser tão tímida e avessa ao sucesso fora dos palcos). Foi como um fogo de artifício, explodindo em sua passagem pela Terra, como outros loucos do mundo que já foram alvo de post neste blog (veja AQUI).

De qualquer forma, estava um pouco apagada em minha memória. E aí, coincidência ou não, foi de novo num agosto que voltei a ver um show de Cássia Eller, exatos 13 anos depois que a vi no Pop Rock. Ela não ressuscitou, mas foi como se fosse: assim que Tacy de Campos apareceu no palco, na noite deste domingo, de cabelos raspados, camiseta folgada, calça justinha, e cantando Lanterna dos Afogados com um baita vozeirão grosso e meio rouco, me vi diante de Cássia Eller de novo.

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Desta vez, não estava na multidão suada do Mineirão, todos de pé, mas num ambiente muito anticassiaellerístico: sentadinha no teatro do CCBB, debaixo de ar condicionado, pernas cruzadas. Apesar disso, não faltou vontade de cantar junto quando Tacy “Eller” de Campos entoou hits como Mercedes-Benz, Palavras ao Vento, Top Top, Por Enquanto, Coroné Antônio Bento, Todo Amor que Houver Nessa Vida, Malandragem, ECT, Relicário e Smells Like Teen Spirit. (E, claro, O Segundo Sol).

Primeiro de tudo: o timbre da voz de Tacy é o mesmo do de Cássia. Ela canta grosso, a muié! Mas conversa soprando, como os entendidos de Cássia Eller dizem que ela fazia, de tão tímida que era. Anda no palco marchando, mas conversa com desconhecidos com os braços enroscados atrás das costas. Arrepia em português, espanhol, inglês e francês e era uma conquistadora, de homens e mulheres, embora insegura e meio dependente dos outros para fazer as coisas mais pés-no-chão, como pagar as contas. Assim ela foi retratada no espetáculo e assim eu a imaginava mesmo. A atriz Tacy de Campos encarnou Cássia Eller como se ela tivesse nascido de novo — será que um dia conseguirá deixar o personagem? O que sei é que, com aquele vozeirão, se Tacy fizer carreira na música, vou comprar os CDs todos.

Não bastasse isso, todos os outros personagens também são incríveis, interpretados por outras pessoas que têm um talento imenso tanto para a voz quanto para o instrumental. A voz mais maravilhosa de todas, na minha opinião, foi de Evelyn Castro, que interpreta a mãe de Cássia e uma de suas namoradas. Mas também são lindas as vozes de Thainá Gallo (que faz Lan Lan), Eline Porto, que faz Eugênia, a mulher e também mãe de Chicão, e de Emerson Espíndola, que faz um Nando Reis gracinha demais, ainda mais quando canta All Star.

Divulgação

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São duas horas de show e teatro (mais show que teatro, ainda bem), com 34 canções, e a narrativa da impressionante vida de uma mulher que deixou uma marca importante na música brasileira, fazendo questão de se firmar como intérprete, e não compositora. Nessas duas horas, eu ri, chorei, me arrepiei, fiquei triste e fiquei feliz. Mas o mais legal é que fui assombrada por uma antiga ídola da minha adolescência — ou seja, vivenciei um relógio voltando no tempo, me vi de novo com 16 anos de idade, ao lado da minha irmã mais velha, como se estivesse naquela pausa mágica, de fim de ano, que só os fogos de artifício proporcionam: olhando e admirando.


Um pouco de serviço:

  • O espetáculo “Cássia Eller – O Musical” já passou pelo Rio de Janeiro e chegou a Beagá na última sexta-feira (8). Ficará em cartaz até o dia 1 de setembro, uma segunda-feira. Grande parte dos dias já esgotaram e os ingressos começam a vendidos nas quartas-feiras, quando logo se esgotam, o que tem gerado uma fila enorme, desde o raiar do dia (as vendas online já se esgotaram). A inteira custa R$ 10 e a meia, R$ 5.
  • O musical é apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), num daqueles prédios maravilhosos e históricos da praça da Liberdade. Nas sextas e segundas, às 20h; sábados e domingos, às 19h.
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Fotos: CMC

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  • Depois de Beagá, São Paulo receberá a peça entre 19/9 e 10/11. Em seguida, Brasília, terra onde Cássia Eller começou sua carreira artística, verá o espetáculo de 5 a 22/12 e, depois, de 9 a 26/1/2015.
  • Cássia viveu em Belo Horizonte dos 6 aos 10 anos e, mais tarde, aos 19 anos (não descobri até quando), época em que trabalhou como ajudante de pedreiro na capital mineira. Era torcedora do Galo 😉
  • O musical tem direção de João Fonseca e Vinícius Arneiro, texto de Patrícia Andrade e direção musical de Lan Lan e de Fernando Nunes, ambos músicos que tocaram na banda de Cássia.
  • CLIQUE AQUI para se informar mais sobre o musical.

* Minha irmã Vivi (Viviane Moreno) hoje é jornalista de cultura, subeditora do jornal “Hoje em Dia”.