Museu das Minas e do Metal: um passeio revelador

Como contei no post da quinta-feira passada, andei turistando por Beagá, em companhia de amigas vindas do Rio. Além de levá-las para o passeio obrigatório no Mercado Central, com direito a almoço delicioso no Casa Cheia, também fomos à feira hippie, ao Parque Municipal, ao CCBB e, por fim, paramos no Museu das Minas e do Metal, também na Praça da Liberdade, que eu ainda não conhecia.

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Como eu ia dizendo, acabei conhecendo junto com as turistas um dos museus do circuito cultural da Praça da Liberdade, que eu ainda nunca tinha visitado.

De cara, fiquei impressionada: um museu que trata de um assunto tão pouco popular — pedras e metais — estava BEM CHEIO no último domingo. Movimentadíssimo mesmo!

Fiquei feliz por constatar que é mesmo um espaço muito bacana e que bom que esteja sendo bem aproveitado pela população. Afinal, é gratuito!

O que vi lá? Dezenas de pedras preciosas lindas, com várias explicações a seu respeito, além de obras interativas, como o scanner que aponta quantos gramas de metal existem hoje no meu corpo (mais de 1 kg!).

Fiz bem poucas fotos do passeio, só para ilustrar: Continuar lendo

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Praça da Liberdade: agosto de 2015 X abril de 1985

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Foto: Mariela Guimarães / O Tempo. Clique para ver maior.

Texto escrito por José de Souza Castro:

Cheguei à Praça da Liberdade às 10h45 deste domingo, dia 16. Enquanto descia a rua da Bahia, comecei a contar. Pequenos grupos de pessoas vestindo a camisa da CBF se dirigiam evidentemente para a concentração contra o governo petista. Minha intenção era contar quantos negros estariam presentes. Não era possível contar o número total de manifestantes.

Vi no caminho vários grupos de policiais militares, muitos deles negros. Não os contei, pois estavam ali a trabalho, escalados pelas chefias, não para protestar. Dei a volta na Praça, em alguns momentos com dificuldade, por causa da aglomeração. Mais intensa diante do palco onde pessoas discursavam sobre um trio elétrico e eram ouvidos nos alto-falantes distribuídos pelos quatro cantos da praça. Discursos contra Dilma e contra o governador Fernando Pimentel, ambos do PT. Ao todo, 10 mil manifestantes na praça, segundo a PM, conforme divulgou “O Tempo” às 11h57.

Nesse mesmo portal, também li que Aécio Neves chegou à Praça às 11h32 e que ele discursou, dizendo: “Estou aqui como cidadão, não como líder partidário. Queremos um basta na corrupção”.

Soube também que outras figuras do PSDB foram aos protestos na praça da Liberdade. Foram vistos o deputado federal Marcus Pestana, o ex-candidato ao governo de Minas Pimenta da Veiga e o deputado estadual João Leite.

Não encontrei nenhum deles, já que deixei a praça às 11h15, para terminar minha caminhada em outro lugar. Estava mais atento, como disse no início, aos negros manifestantes. Contei nove, inclusive uma mulher sozinha, aparentando uns 60 anos. Vi também quatro negros que estavam no evento a trabalho, três com carrinhos cheios de latas de cervejas e refrigerantes para vender, um com um tabuleiro com narizes de palhaço vermelhos. Não sei quantos vendeu. Repórter de “O Tempo” entrevistou um ambulante, às 11h37, vendendo pulseirinhas de hippie e também com camisa contra Dilma. “Já passei fome no passado e votei na Dilma na última eleição. Não tenho do que reclamar desse governo. Não consigo entender isso aqui (protesto). Vim para ganhar dinheiro, mas vendi poucas camisas até agora”, disse ao repórter.

A Praça da Liberdade estava cheia de pessoas, mas elas não representavam de fato a população brasileira, como se vê pelo número minúsculo de negros, e sim um fração dos brasileiros: a classe média – que no passado foi muito importante para mudar regimes políticos sem o inconveniente das urnas.

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Arquivo pessoal. Clique na foto para ver maior

Já vi a Praça da Liberdade muito mais lotada. Mas nada, na minha experiência de expectador, se comparou à noite de 23 de abril de 1985. Tenho em mãos o “Jornal do Brasil” do dia seguinte. Na capa, uma foto de Delfim Vieira, tirada do alto do Edifício Niemeyer, com a legenda: “Cerca de 1 milhão 500 mil pessoas tomaram as ruas e forçaram a entrada no Palácio da Liberdade para o adeus a Tancredo”.

O avô de Aécio havia sido eleito presidente da República em eleições indiretas, depois de uma intensa campanha pelas “Diretas Já”, mas morreu antes de assumir, deixando a vaga para o vice, José Sarney, do PMDB. O neto tinha 25 anos e, por certo, não se esqueceu das lições de Tancredo.

Vi também aquela manifestação de abril de 1985. Não me passou pela cabeça contar quantos negros havia ali. Mas tenho certeza de que ninguém vestia a camisa da seleção brasileira e que quem se reunia na Praça da Liberdade, naquele trágico evento, representava muito bem o sentimento dos brasileiros. Como transparece na manchete do JB: “Minas sepulta Tancredo com a dor do país”.

Arquivo pessoal. Clique para ver maior

Arquivo pessoal. Clique para ver maior

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Luzes de Natal na Praça da Liberdade

Hoje é Dia de Reis e, além de ser a data escolhida para todas as simpatias prometendo bolso cheio de dinheiro e muita fartura na mesa, também é o dia de praxe para desmontar as árvores de Natal de todo o mundo. E, claro, também as luzinhas que iluminam a cidade nesta época do ano.

Por isso, quem não viu as luzes da Praça da Liberdade nas últimas noites, agora só poderá vê-las em fotografias. No último domingo, estive lá — eu e centenas de pessoas de todas as idades que lotavam este espaço público da cidade — e fiz algumas dessas fotos. Não ficaram muito maravilhosas, porque fiz com um celular mequetrefe e estava na hora do lusco-fusco, a pior para um equipamento ruim. Mas já ajudam a sentir o clima 😉

Clique sobre qualquer foto para ver todas em tamanho real:

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Cenas do protesto com milhares de pessoas em Belo Horizonte

Fazia uma linda tarde de sol, com céu azul e jogo do Brasil inaugurando a Copa das Confederações. Aquelas pessoas poderiam estar na piscina, no buteco, ou simplesmente estiradas no sofá de casa, com uma latinha de cerveja na mão, de frente pra TV. Ah sim: também poderiam estar no Facebook.

Mas preferiram sair de casa, empunhando cartazes, faixas, bandeiras, apitos e narizes de palhaço, para protestar por uma causa que é ampla o suficiente para comportar dezenas de grupos diferentes, muitos dos quais apartidários. E, embora estivessem acompanhados de perto por policiais militares, na cavalaria, no choque, a pé, em motos e carros, tudo o que testemunhei desse protesto coletivo foi pacífico, do início ao fim.

Diz a polícia que havia 8.000 pessoas. No Facebook, 21 mil confirmaram. O fato é que havia muita gente, gente que nunca vi reunida, em tamanha quantidade e disposição, nos meus 28 anos de Beagá.  Milhares de pessoas que percorreram juntas, ao menos das 14h às 16h30 (tempo em que acompanhei), um trajeto de 3 km.

Abaixo, algumas (mais de cem!) cenas dessas duas horas e meia de protesto (que talvez tenha continuado, mas não acompanhei tudo), sem detidos, sem brigas e sem confusão em todo esse tempo.

***

Quando cheguei, às 14h, havia um pouco de gente ainda na praça da Savassi, onde tinham começado a se reunir às 13h, mas o grosso já se encaminhava para a Praça da Liberdade, fechando todo um sentido da avenida Cristóvão Colombo:

Todas as fotos: CMC. Clique sobre elas para vê-las em tamanho real.

Todas as fotos: CMC. Clique sobre elas para vê-las em tamanho real.

O trânsito ficou uma droga para os desavisados que resolveram ir até a Savassi de carro:

IMGP3062Mas não é que muito motorista, ao longo de todo o percurso, buzinou e fez joinhas em apoio aos manifestantes? Muito mesmo, foi surpreendente:

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IMGP3300Teve até motorista de ônibus (vários, aliás) sorrindo para o pessoal e concordando com seus apelos (“Motorista, trocador, quero ver se seu salário aumentou!”). Este aí fez o sinal do quanto ganha sua categoria:

IMGP3246Também teve muito apoio entre passageiros de ônibus, nos prédios, e entre outros pedestres que estavam na rua só observando a carreata:

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E, afinal, o que queria toda essa gente? Seus cartazes improvisados trazem muita coisa. São várias as mensagens, reclamações, reivindicações e contestações. Por exemplo:

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IMGP3164Além de cartazes, os manifestantes também levaram outros itens para agitar o protesto:

Nariz de palhaço...

Nariz de palhaço…

Máscaras...

Máscaras…

Apitos...

Apitos…

A Constituição de 1988.

A Constituição de 1988…

Flores...

Flores…

Panelas...

Panelas…

Instrumentos musicais...

Instrumentos musicais…

Megafone...

Megafone…

Tinta...

Tinta…

Um jipe vermelho (!)...

Um jipe vermelho (!)…

E até quadro e boina!

E até quadro e boina!

A propósito, esta não foi a única criança que vi, teve mais duas:

Esta ficou até o fim!

Esta ficou até o fim!

Esta também aguentou firme!

Esta também aguentou firme!

E tinha outros cabeças-brancas:

IMGP3197 IMGP3203E cabeças verdes…

IMGP3304E uma porção de cabeças cobertas:

IMGP3114 IMGP3118 IMGP3131 IMGP3275 IMGP3318 IMGP3337 IMGP3341 IMGP3349Aliás, tinha de tudo, minha gente:

Nacionalistas,

Nacionalistas,

punks,

punks,

rivais em campo,

rivais em campo,

rastafáris,

rastafáris,

casais de namorados,

casais de namorados,

vários casais, aliás,

vários casais, aliás,

tatuados,

tatuados…

pessoas com muletas!

até pessoas com muletas!

Também tinham muitas bandeiras, mas só de um partido político, o PSTU. As pessoas, em vários momentos, gritaram pedindo que abaixassem essa bandeira e que fossem embora, por aquele pretender ser um movimento apartidário. Também foi comum ouvir gritos de “Aqui não tem partido!” e outros criticando o Marcio Lacerda, o Aécio Neves, a Dilma Rousseff e outros políticos. Isso foi bem legal. Mas eis algumas bandeiras que apareceram por lá:

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IMGP3097Também havia várias pessoas da imprensa:

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Que estavam preocupadas em flagrar possíveis tumultos causados pela polícia, como ocorreram em São Paulo. No entanto, em Beagá, embora estivessem em todos os lugares, os policiais mantiveram uma distância saudável dos manifestantes (e vice-versa):

IMGP3057 IMGP3090 IMGP3117 IMGP3347 IMGP3366Também não presenciei nenhuma “depredação ao patrimônio público”. No máximo uns balõezinhos da Fifa estourados:

IMGP3353A única infração que presenciei foi cometida por motoristas afobados que estavam na avenida Afonso Pena e resolveram passar por cima do canteiro central para retornarem. Alguns foram multados, mas ofereço as placas para o caso de a BHTrans ainda se interessar em correr atrás de alguma multa perdida:

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Até tu, táxi!

IMGP3216 IMGP3217 IMGP3218Uma garota ficou extremamente feliz por ter se posicionado no canteiro, bloqueando a passagem de um dos carros, até que um PM se aproximasse para multá-lo. Outra que ficou feliz foi esta aí embaixo, porque deu uma flor a um guarda municipal e ainda fez o dia dele, com um abração público:

IMGP3303Por fim, encerro com algumas cenas gerais, para verem como esteve realmente cheio:

Na praça da Liberdade.

Na praça da Liberdade.

Idem.

Idem.

Praça tomada!

Praça tomada!

Descendo a Cristóvão Colombo.

Descendo a João Pinheiro.

Idem.

Idem.

Na praça Afonso Arinos.

Na praça Afonso Arinos.

Na Afonso Pena.

Na Afonso Pena.

Entre os carros.

Entre os carros.

Ainda Afonso Pena.

Ainda Afonso Pena.

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Praça Sete.

Praça Sete.

Existe amor em BH.

Existe amor em BH.

Amazonas.

Amazonas.

E o fim, em frente à praça da Estação, que estava fechada para algumas pessoas verem o jogo do Brasil e Japão.

E o fim, em frente à praça da Estação, que estava fechada para algumas pessoas verem o jogo do Brasil e Japão.

Vejam quanta gente!

Vejam quanta gente!

No meio do caminho, marcaram outro protesto para segunda-feira, às 13h, na Praça Sete. Se, por um lado, haverá muito mais pessoas trabalhando, o que deve esvaziar o movimento, por outro, o trânsito da cidade, já caótico, deve parar. Por isso, fica minha recomendação: #vádebusão ou #vádebike ou #váapé, já que #irdemetrô, em Beagá, é quase não querer chegar.

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6 meses de Beagá

Beagá me acolheu de volta com muito sol, muitas alegrias, passarinhos e carinho de pessoas que estavam por aqui.

Admirada com a cidade, dia desses, percorri a pé o caminho entre dois pontos turísticos da cidade, a Praça da Liberdade e a Praça do Papa. E saí fotografando, com o celular mesmo, tudo o que vi pela frente.

Aí o resultado:

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Praça da Liberdade. (Todas as fotos: CMC)

Foto0075

Praça da Liberdade.

Foto0076

Caminhadores na Praça da Liberdade.

Foto0077

O céu de BH 1.

Foto0078

O céu de BH 2.

Foto0079

Secretaria da Cultura e a melhor luz do dia.

Foto0080

Foto0081

Av. Cristóvão Colombo.

Foto0082

Av. do Contorno.

Tentando capturar a lua imensa.

Tentando capturar a lua imensa.

Direções para a lua ;)

Direções para a lua 😉

Praça Milton Campos – e a lua.

Praça Milton Campos – e a lua.

A hora mágica em BH.

A hora mágica em BH.