Os dois lados: uma pensata sobre Uber, protestos e violência policial

Diz que ela estava indo assistir ao jogo do Galo, na última quinta-feira, devidamente uniformizada com a camisa do time. Descia a rua a pé, quando um taxista passou ao seu lado, abaixou o vidro do carro e gritou:

— CRUZEEEEIRO!!!

Ao que ela respondeu, de pronto:

— UUUBEEEERRR!!!

Ele ficou com cara de tacho, enquanto ela seguiu seu caminho, sorridente.

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Táxi X Uber virou uma rivalidade tão grande quanto a dos times de futebol. Mas também virou uma dessas “grandes” questões da atualidade, como mostra a charge do Duke do último dia 12 de agosto:

charge12082015Às vezes é meio ridículo escolher um lado, quando o que o diferencia do outro lado é apenas uma sutileza…

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O que me lembra que foi no mesmo dia 12, à noite, que assistimos a um show de horrores promovido pela Polícia Militar de Fernando Pimentel (PT). As consequências foram menos trágicas que as relatadas em abril, no Paraná, mas envolveram 62 detidos e cerca de 100 feridos pelo único “crime” de fazerem uma manifestação que travaria o trânsito por, no máximo, uma hora. Jornalistas e advogados tiveram seu direito cerceado, como se vê neste relato de uma colega. Beto Richa é do PSDB e Fernando Pimentel é do PT: alguém sabe diferenciar esses dois lados?

Ah sim, quando Beto Richa promoveu a pancadaria no Paraná, Pimentel veio a público criticar veladamente seu colega de cargo e classificar como “espetáculos lamentáveis” a repressão a protestos dos professores. Desta vez, quando a repressão ocorre a protestos de estudantes de seu próprio Estado (que criticavam uma política municipal, que nada tem a ver com o governador, diga-se de passagem), Pimentel se calou. Hoje é sábado, 15 de agosto, e ele ainda não deu uma entrevista coletiva para falar sobre a truculência policial. Seu subordinado, que comanda o Batalhão de Choque, disse em entrevista que fez bem em usar a força e poderia repetir isso quantas vezes fossem necessárias, se recebesse ordem — do governador? — para isso. Pimentel não veio a público desmenti-lo, ou seja, avalizou tudo o que o comandante disse. O famoso quem cala, consente.

Possivelmente, o governador petista conta com o esquecimento de seus eleitores. Afinal, na sexta-feira, houve novo protesto, que durou quatro horas, chegou a fechar ruas, mas foi pacífico — com uma quantidade espantosa de policiais cercando e acompanhando tudo de perto. Neste domingo, outra multidão — “distinta” da primeira, segundo a PM — também vai protestar, e provavelmente tudo correrá também de forma pacífica. Assim, pode ser mesmo que a noite de quarta caia no esquecimento.

Bom, pelo menos até que a reintegração de posse da ocupação Izidora aconteça, porque há rumores de que, desta vez, a PM não vai usar só bala de borracha. Será que Pimentel também vai copiar o outro tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo que autorizou a truculência vista na desocupação de Pinheirinho? É esperar e ver.

(A propósito, o Duke fez outras duas ótimas charges sobre o protesto, vejam AQUI e AQUI)

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Enquanto uns escolhem lados — Uber ou táxi, PT ou PSDB? — desta vez eu me recolho ao meu próprio lado, como aprendi no poeminha do filme “Menino Maluquinho“:

“Todo lado tem seu lado / eu sou meu próprio lado / E posso viver ao lado / do seu lado que era meu.”

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Taxistas de BH agora agridem até PASSAGEIROS do Uber

Taxistas não se contentam mais em perseguir e agredir motoristas conveniados ao Uber. Em Belo Horizonte, eles agora partiram para a agressão aos PASSAGEIROS também. Estou indignada. Nunca usei o Uber, inclusive porque não gosto de ter cartão de crédito ativo, mas estou criando uma ojeriza cada dia maior aos taxistas — a todos eles — por causa de uma minoria de bandidos covardes infiltrados na categoria.

O caso de agressão aconteceu no fim da noite de sexta-feira (7) com uma repórter da Globo Minas, a Luciana Machado, e seu marido, Marcel Telles. Ele postou o seguinte vídeo, às 2h23 da madrugada de sábado, em seu Facebook, quando, após ter levado socos de três taxistas, ainda estava sendo perseguido por um táxi! CLIQUE AQUI para assistir.

Pouco depois, ele postou o seguinte: “Quem me conhece sabe que eu não sou de briga. Ameaçaram a mim, minha mulher e o meu motorista. Foram pra cima…. 3 a 4 covardes, fora os parceiros circulando a confusão. 3 eu tenho filmados, inclusive a placa de um deles. Desculpa se não deu pra contar todos… E o resultado? Bando de covardes… Uber Já!!! #indignado”

Com as fotos:

Reprodução / Facebook Marcel Telles

Reprodução / Facebook Marcel Telles

E ontem Luciana Machado escreveu o seguinte desabafo em seu Facebook. Ninguém poderia escrever melhor sobre isso do que ela, que foi vítima da babaquice desse grupo descontrolado de taxistas. Então, termino o post com seu texto na íntegra:

“Desde que a Lei Seca foi implementada eu tive que obedecê-la, como deveriam todos os brasileiros. E passei a usar o táxi como transporte toda vez que saía pra tomar uma cervejinha ou um vinho. Qual era a ideia: garantir a minha segurança e a de outras pessoas que estão no trânsito. Passei a gastar mais dinheiro ao deixar o carro em casa, achando que estaria mais segura. Muitas vezes fui e voltei pra casa com um serviço honesto, mas muitas outras vezes entrei em carros mal cuidados, com motoristas mal educados e, principalmente, que desobedecem as leis de trânsito e ainda colocam a vida dos passageiros em risco. Todas as vezes que pegava um táxi eu já começava a me preocupar perto de casa: sabe aqueles cruzamentos de bairro, superperigosos, onde nem sempre as pessoas respeitam o sinal de pare? Pois é. Uma vez o motorista até simpático empolgou no papo (e eu nem estava a fim de conversar, só queria voltar pra casa) e quase mata nós dois. Sim, posso dizer isso porque um ônibus passava em uma velocidade considerável e o taxista simplesmente ignorou o sinal de pare. Ele felizmente conseguiu parar praticamente em cima do ônibus. Por pouco não nos acertou e justamente do lado do carro onde eu estava sentada. Outro dia, até comentei sobre isso por aqui, um outro taxista ignorou meu alerta quando, após passar em um cruzamento sem olhar, eu pedi pra ele tomar cuidado porque o seguinte era mais perigoso. Resultado: fui ignorada e, se estivéssemos passado no cruzamento alguns segundos depois, um carro teria batido em nós e, mais uma vez, do lado onde eu estava sentada.

Quando descobri a existência do Uber fiquei surpresa com a qualidade e higiene dos carros, o preparo e a educação dos motoristas, além do preço, é claro. Comecei a usar o transporte e pouquíssimas vezes recorri ao táxi. Quando entro em um até pergunto o que eles acham do Uber pra tentar entender o lado dos taxistas. Já ouvi alguns sensatos, outros nem tanto. Fato é que os taxistas se organizaram para tentar, de forma violenta, acabar com o Uber. Os motoristas são frequentemente ameaçados e, consequentemente, os passageiros também. Já passei por duas experiências assim e com o mesmo motorista.

Na primeira vez, eu e Marcel estávamos em frente ao hotel Ouro Minas aguardando o Uber. Quando ele chegou, um taxista parou na frente dele, tentando impedir que saíssemos com o carro. Reclamamos, indignados, e conseguimos ir embora.

Na última vez foi muito pior. Após comemorarmos o aniversário de uma amiga em um barzinho da Av Alberto Cintra, esperamos pelo Uber. Assim que ele chegou nós entramos e um taxista já tentou impedir que ele desse a partida. Conseguimos sair, mas outros dois taxistas chegaram e cercaram o carro. Naquele momento eu não acreditava que três idiotas estavam ameaçando o motorista, a mim e o Marcel. Descemos do carro para questionar os taxistas que começaram a falar que estávamos usando um transporte ilegal, o que não é verdade. Assim que ficaram sabendo onde eu trabalhava, piorou. O sangue ferveu, não conseguíamos ir embora e no meio do bate-boca começou a agressão. Imaginem três taxistas contra seu marido! Um segurou o Marcel praticamente com um mata-leão, enquanto os outros foram pra cima dele. Tentei segurar, empurrar, tirar, impedir de alguma forma que ele se machucasse, enquanto o Marcel se preocupava em nos proteger e saía no braço com os taxistas. Um deles disse que só não me bateu porque eu sou mulher, porque ele não batia em mulher. Não sei se isso foi sorte ou azar… Uma viatura da PM estava próxima e foi chegando devagar. Os taxistas que antes eram machões dizendo que iam chamar a polícia pra gente (inverteram tudo pra nos intimidar ainda mais), foram entrando no carro e teve um que deu até ré em plena av Cristiano Machado. Ingenuamente e muito nervosa, eu só fiz um pedido aos policiais militares que ali chegaram: por favor, nos ajude a sair daqui com segurança. Os militares nem sequer pararam o carro, desceram ou registraram o ocorrido. E, naquela hora, não tínhamos cabeça pra pensar que aquilo também era absurdo. Depois de estarmos seguros dentro do carro a caminho de casa, aí caiu a ficha. Então paramos numa Companhia da PM e fizemos o registro do boletim de ocorrência. Marcel também fez o exame de corpo delito, no IML.

Depois de me sentir insegura, violentada, com meu direito de ir e vir cerceado, vamos procurar nossos direitos. Muitos taxistas estão usando a violência para protestar e estão, cada vez mais, perdendo a razão. Em Brasília, fiquei sabendo de um caso em que um taxista chegou armado para o motorista do Uber e mandou os passageiros dele entrarem no táxi. Um advogado já me informou que isso é sequestro. Basta de violência!

Se você estiver em um Uber e for vítima do assédio dos taxistas, não saia de dentro do carro. Confirme que as portas estão trancadas, ligue a câmera e faça um vídeo, enquanto outra pessoa liga para o 190. Registre tudo o que puder. Não deixe de fazer a sua parte se você também for agredido ou intimidado. As agressões dos taxistas estão cada vez mais promovendo a ineficácia do serviço e trabalhando a favor do tão temido inimigo Uber.”

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Das vantagens de não ter carro

Este foi meu primeiro e único carrinho, o Red Bull, que tinha um lindo adesivo dos Beatles em pose de Help colado na bunda. Confesso que adoro dirigir. Mas odeio congestionamento. O bom mesmo é pegar uma estrada livre e seguir adiante. Nas cidades, no entanto, ter carro está se tornando uma opção cada vez mais burra.

A cada dia que passa, mais me convenço de que não vale a pena ter carro. Falo tanto do ponto de vista financeiro quanto do de comodidade.

Percebi isso durante meus quase cinco anos vivendo desmotorizada em São Paulo e a convicção se acentuou na volta para Beagá, durante meu trajeto diário de ônibus para o trabalho. Sei a hora em que ele vai passar. Desço para pegá-lo às 7h10 e às 7h15, no máximo 7h20, ele está lá, tirando eventuais atrasos. Ele gasta cerca de 35 minutos para chegar ao meu destino, do outro lado da cidade. Chego no trabalho às 8h, depois de andar um total de quatro quarteirões. Quando consigo me sentar, o que acontece quando o ônibus esvazia no centro (e às vezes antes), tiro um livro da bolsa e aproveito o tempo lendo, em vez de me estressar com o trânsito. Claro, os ônibus têm vários problemas, gerados pela dificuldade que os seres humanos têm em conviver uns com os outros. Mesmo assim, tendo a preferi-los, como vocês verão por quê.

Vejam se eu estivesse indo de carro. Poderia sair para o trabalho às 7h20. Geralmente gasta-se os mesmos 30 minutos de carro até aquele bairro, com o trânsito do horário. O tempo que eu gastaria caminhando alguns quarteirões do ponto de ônibus para a empresa, é o que se gasta procurando vaga para estacionar, em alguns casos. Ou seja, eu chegaria ainda às 8h, mas sem ter podido ler meu livro, tendo que me estressar com congestionamento e tendo gastado bem mais que os R$ 2,65 da passagem de ônibus, com a gasolina, que já está com o litro mais caro que isso em alguns postos (como os carros costumam gastar 1 litro a cada 10 km e o trabalho é distante 11 km de casa, a conta é simples).

Muito bem, aí as pessoas podem argumentar que nem sempre há ônibus para todos os lugares, que não dá para ir de ônibus para uma cachoeira etc.

Eu respondo que, na hora de sair à noite, por exemplo, vale ir de táxi, que em Belo Horizonte não é tão caro (bandeirada de R$ 3,90 e km rodado de R$ 2,24) — eu São Paulo eu já contraindicaria. Assim, para ir a um barzinho a 3 km de distância, gasta-se cerca de R$ 10. Por outro lado, os estacionamentos estão cobrando R$ 10 ou mais por hora para parar o carro.

(Nem vou falar das vantagens de poder beber à vontade sem ter que preocupar com Lei Seca e com homicídio com dolo eventual e com como sua vida pode ser destruída se você dirigir depois de encher a cara. É covardia tocar nesse assunto neste post.)

E, para viajar, vale alugar um carro. Uma diária de um carro econômico sai a cerca de R$ 100, em planos que não cobram gasolina à parte. Dividindo por quatro passageiros, R$ 25 — bem menos que qualquer ônibus de rodoviária. Pode-se passar um fim de semana gastando R$ 50 e, como é esporádico, isso fica mais em conta do que ter um carro.

O meu ponto é: carro é igual família. Você não só gasta R$ 25 mil para adquirir um (contando que seja o mais popular), mas também tem que pagar outros R$ 1.000 por ano de IPVA. Além disso, paga outros R$ 1.000 em parcelas para o seguro. O litro de gasolina sai até a absurdos R$ 2,80 em alguns postos da cidade, mas vamos estimar com R$ 2,30. Para quem anda 20 km por dia para ir e voltar ao trabalho, como eu, e trabalha 24 dias por mês, chegamos a R$ 110 de gasolina gastos por mês, em média, fora as outras viagens com o carro além da ida ao trabalho. Os estacionamentos vêm cobrando até R$ 20 a hora, dependendo do lugar. Tem talão de rodízio, tem flanelinha. E a manutenção, que é o olho da cara. Quantos táxis e ônibus e carros alugados esporadicamente são necessários para compensar toda essa grana?

Deixo o cálculo aos matemáticos, engenheiros de tráfego e economistas. Que fiquem à vontade para trazer o problema nos comentários do blog. Outros estudos já foram feitos a respeito, inclusive desconsiderando o ônibus.

O que mais me interessa é que, além de tudo, não há mais prazer em dirigir nas grandes cidades — e olha que eu amo dirigir! Belo Horizonte travou na última sexta, porque era sexta e porque estava chovendo. São Paulo é um caos há muito tempo, bateu algum recorde na última segunda. Salvador tem um dos piores trânsitos que já vi na vida. Isso porque a média de ocupantes de carros no país é de apenas 1,4 pessoas. Olhe ao redor num congestionamento e tente encontrar um carro com dois ocupantes. Será difícil. Com três simplesmente não existe. Todo mundo quer o suposto conforto de andar de carro, no ar condicionado, a velocidade de galinha. No ônibus, ao menos, é possível ocupar o tempo lendo. Se quarenta ocupantes de carros fossem para os ônibus, estes andariam bem mais rápido, já que as vias estariam 40 carros menos entulhadas, tornando o transporte público mais eficiente.

E aí vamos à questão do ovo e da galinha. Já ouvi de várias pessoas que elas andariam de transporte público, se ele fosse bom. Mas não consideram o contrário: se mais pessoas andassem de transporte público, o espaço aberto pelos carros tirados das ruas seria muito maior, proporcionalmente, possibilitando que houvesse mais ônibus em circulação e que eles andassem mais rápido do que podem andar hoje.

Isso tudo é mudança de mentalidade. Se as pessoas colocassem na ponta do lápis e vissem que carro dói no bolso, na saúde e no conforto, talvez mudassem de postura. E, com isso, talvez levassem os governos a pararem de planejar as cidades apenas para os carros. E, talvez, um dia, chegássemos ao patamar de uma Nova York da vida, em que ninguém anda de carro no centro e há metrô para todo canto. Ou uma Londres, que instituiu o pedágio urbano e tem ônibus considerados referências em todo o mundo. Talvez pudéssemos transformar a região da Savassi num boulevard, fechado para carros, aberto para bicicletas, como nos melhores sonhos urbanísticos. Em vez disso, temos uma avenida Civilização, em Justinópolis, Ribeirão das Neves, abarrotada de carros comprados com IPI reduzido, em política suicida do governo federal, parados em fila, como num grande estacionamento.

É isso. Nossas ruas viraram estacionamentos e logo só nos restará andar a pé.

Trânsito num dia qualquer em São Paulo. (Foto: CMC)

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Crônicas do fim do mundo — o jornal impresso

Sempre fui defensora da resistência do jornal impresso diante de novas mídias. Ele pode até perder uma fatia do público, mas vai continuar firme e forte por vários anos, como o rádio e até a já idosa TV — era o que eu sempre dizia.

Mas uma conversa no táxi ontem me desiludiu:

— Você está lendo o jornal por obrigação profissional ou porque você gosta de ler mesmo?, me perguntou o taxista enquanto eu ia para a leitura do terceiro caderno.

Surpresa, levei uns dois segundos para responder.

— Porque eu gosto.

Ele riu alto.

— É que ler jornal hoje em dia é suspeito, né!

É duro. Se o taxista acha tão espantoso que eu leia jornal, é sinal de que ele nunca vê ninguém lendo. E taxistas convivem com trocentas pessoas todo santo dia, de todas as idades, durante o dia todo.

É o fim do mundo…

O fim do mundo e a menina de 14 anos

Desconheço autor da foto.

Já contei duas vezes aqui histórias que ouvi de taxistas falantes.

Muito boas.

Hoje ouvi mais uma, bem triste.

Disse ele:

— Outro dia estava com uma passageira que me mostrou a foto da filha dela. Tinha 14 anos de idade. Ela estava triste, disse que sem dormir há vários dias, porque não via a filha há semanas. A menina estava viciada em drogas desde os 9. Ela falou que tinha outros três rapazes, mas nenhum deles nunca tinha se envolvido com drogas. Perguntei: “E como deixou acontecer isso com a caçula?” E ela: “Não sei, minha filha vivia nas ruas brincando, quando me dei conta, ela já tinha sumido. Ficou mais de um ano sem aparecer, usando drogas. Depois reapareceu, mas aí sumia de novo de tempos em tempos.” Ela não sabia mais o que fazer com a criança. Com 14 anos, vê se pode!

Lembrei da “gangue das meninas“. Suspirei.

O mundo está prestes a acabar mesmo.

***

(Aliás, hoje caiu uma pauta no meu colo justamente sobre o fim do mundo. Em breve será publicada, então continuem lendo os jornais ;))