Eu sou o primeiro tipo, e você?

Vejam a ilustração de Roberto Kroll, que encontrei hoje no blog Árvores de São Paulo, do ambientalista Ricardo Cardim:

ipe-figura

Eu estava pensando sobre isso há poucos dias, quando passei pelo bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, e reparei em como as ruas estavam bonitas, todas pintadas do colorido das pétalas de ipês e outras flores. E quando uma amiga comentou que o quintal dela precisava ser varrido, mas estava bem mais bonito “sujinho” de folhas 🙂

Flor não suja, enfeita. Concorda? Então você é o primeiro tipo de pessoa também 😉

E aí vai uma seleção de posts para enfeitar seus olhos neste começo de fim de semana com feriadão:

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Os dois lados: uma pensata sobre Uber, protestos e violência policial

Diz que ela estava indo assistir ao jogo do Galo, na última quinta-feira, devidamente uniformizada com a camisa do time. Descia a rua a pé, quando um taxista passou ao seu lado, abaixou o vidro do carro e gritou:

— CRUZEEEEIRO!!!

Ao que ela respondeu, de pronto:

— UUUBEEEERRR!!!

Ele ficou com cara de tacho, enquanto ela seguiu seu caminho, sorridente.

***

Táxi X Uber virou uma rivalidade tão grande quanto a dos times de futebol. Mas também virou uma dessas “grandes” questões da atualidade, como mostra a charge do Duke do último dia 12 de agosto:

charge12082015Às vezes é meio ridículo escolher um lado, quando o que o diferencia do outro lado é apenas uma sutileza…

***

O que me lembra que foi no mesmo dia 12, à noite, que assistimos a um show de horrores promovido pela Polícia Militar de Fernando Pimentel (PT). As consequências foram menos trágicas que as relatadas em abril, no Paraná, mas envolveram 62 detidos e cerca de 100 feridos pelo único “crime” de fazerem uma manifestação que travaria o trânsito por, no máximo, uma hora. Jornalistas e advogados tiveram seu direito cerceado, como se vê neste relato de uma colega. Beto Richa é do PSDB e Fernando Pimentel é do PT: alguém sabe diferenciar esses dois lados?

Ah sim, quando Beto Richa promoveu a pancadaria no Paraná, Pimentel veio a público criticar veladamente seu colega de cargo e classificar como “espetáculos lamentáveis” a repressão a protestos dos professores. Desta vez, quando a repressão ocorre a protestos de estudantes de seu próprio Estado (que criticavam uma política municipal, que nada tem a ver com o governador, diga-se de passagem), Pimentel se calou. Hoje é sábado, 15 de agosto, e ele ainda não deu uma entrevista coletiva para falar sobre a truculência policial. Seu subordinado, que comanda o Batalhão de Choque, disse em entrevista que fez bem em usar a força e poderia repetir isso quantas vezes fossem necessárias, se recebesse ordem — do governador? — para isso. Pimentel não veio a público desmenti-lo, ou seja, avalizou tudo o que o comandante disse. O famoso quem cala, consente.

Possivelmente, o governador petista conta com o esquecimento de seus eleitores. Afinal, na sexta-feira, houve novo protesto, que durou quatro horas, chegou a fechar ruas, mas foi pacífico — com uma quantidade espantosa de policiais cercando e acompanhando tudo de perto. Neste domingo, outra multidão — “distinta” da primeira, segundo a PM — também vai protestar, e provavelmente tudo correrá também de forma pacífica. Assim, pode ser mesmo que a noite de quarta caia no esquecimento.

Bom, pelo menos até que a reintegração de posse da ocupação Izidora aconteça, porque há rumores de que, desta vez, a PM não vai usar só bala de borracha. Será que Pimentel também vai copiar o outro tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo que autorizou a truculência vista na desocupação de Pinheirinho? É esperar e ver.

(A propósito, o Duke fez outras duas ótimas charges sobre o protesto, vejam AQUI e AQUI)

***

Enquanto uns escolhem lados — Uber ou táxi, PT ou PSDB? — desta vez eu me recolho ao meu próprio lado, como aprendi no poeminha do filme “Menino Maluquinho“:

“Todo lado tem seu lado / eu sou meu próprio lado / E posso viver ao lado / do seu lado que era meu.”

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25 charges sobre o ataque terrorista em Paris e a liberdade de expressão

Na quarta-feira da semana passada — há exatamente uma semana, portanto — dois irmãos jihadistas declarados invadiram um semanário satírico de Paris, o “Charlie Hebdo”, e abriram fogo contra as pessoas que lá estavam, deixando 12 mortos. Dois dias depois, houve mais dois atos terroristas — cometidos pelos mesmos irmãos e por um terceiro homem, assumidamente ligado ao Estado Islâmico –, com reféns, que levaram a mais cinco mortes. Enquanto escrevo, o assunto começa a desaparecer aos poucos do noticiário e das conversas de bar. Para não deixá-lo morrer, publico abaixo 25 charges que selecionei de vários veículos ao longo da última semana, que abordam não só a tragédia em si, mas também um assunto muito caro a este blog: a liberdade de expressão.

Goste-se ou não do trabalho que era feito pelos cartunistas da “Charlie Hebdo”, eles tinham o direito de fazê-lo. Para mim, o que aconteceu em Paris acende uma luz vermelha que nos leva à seguinte reflexão: o mundo está tão sério, e se levando tão a sério, que as vítimas desta guerra que começa a se desenhar não são soldados ou chefes de Estado: são jornalistas e cartunistas, homens que lidam diariamente com a sátira, a ironia e o humor, por meio de traços e palavras. Não gosta do que desenham? Responda com um desenho também, ou com um texto, com algo no campo das artes e das ideias. Se responder na Justiça já me parece abusivo, os que apelaram ao fuzilamento sumário só me remetem a um homem das cavernas imaginário — e piorado.

Bom, vamos aos chargistas, que conseguem falar muito mais e melhor do que eu, usando bem menos palavras. Abro com a ilustração de Beto Trajano, feita especialmente para este blog, e sigo com minha favorita do Duke:

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Duros de matar – e a charge continua

Charge do ilustrador Nando Carvalho, do jornal "O Tempo"

Charge do ilustrador Nando Carvalho, do jornal “O Tempo”

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Conheci Wolinski, não sei se no final da década de 60 ou início de 1970, lendo “O Pasquim”. Este jornal nasceu em junho de 1969 para substituir “A Carapuça”, que era editado por Sérgio Porto – o Stanislaw Ponte Preta –, falecido no ano anterior. E morreu em novembro de 1991, no Rio, depois de enfrentar por muitos anos a ferocidade de censores oficiais que não tinham censo de humor.

Wolinski foi assassinado neste 7 de janeiro, em Paris, por desconhecidos igualmente mal-humorados que invadiram fortemente armados a redação do jornal satírico “Charlie Hebdo” e mataram ali outras 11 pessoas. Entre elas, quatro chargistas. Uma gente dura de matar.

Chamei os assassinos de mal-humorados. Não é um bom adjetivo, diante da gravidade do crime que cometeram. Vai muito além. A Associação Mundial de Jornais e o Fórum Mundial de Editores expressam isso bem melhor, na nota divulgada pouco depois do atentado em Paris:

“Com 61 jornalistas mortos em 2014 e o ano novo começando sob condições tão terríveis, nós observamos que um ataque desta natureza atinge o coração das liberdades que a imprensa da França defende tão apaixonadamente. Não é apenas um ataque contra a imprensa, mas também contra a sociedade e os valores pelos quais todos lutamos. Isto deve ser um alerta para todos nós nos impormos contra o crescente clima de ódio que ameaça fraturar nossa compreensão de democracia.”

A palavra democracia remete novamente a “O Pasquim”, que foi lançado no dia 26 de junho de 1969, com tiragem de 20 mil exemplares, exatamente 195 dias depois da publicação do Ato Institucional nº 5 que orientou o golpe militar de 1964 rumo a uma longa e sangrenta ditadura. E que instaurou a censura prévia e impôs uma coercitiva Lei de Imprensa ao país

Em novembro de 1970, depois que “O Pasquim” publicou uma sátira do quadro de D. Pedro I às margens do Ipiranga gritando “Eu quero mocotó” em vez de “Independência ou morte”, toda a equipe responsável pelo jornal foi em cana e só saiu da prisão em fevereiro de 1971.

Os militares que esperavam com a prisão matar o jornal se decepcionaram, pois ele continuou saindo com a ajuda de muitos colaboradores. Em alguns momentos, com mais de 200 mil exemplares.

É o que se espera que aconteça agora com o jornal francês, atacado, ao que parece, por causa de suas charges irreverentes do profeta Maomé.

“O Pasquim” só morreu três anos depois da Constituição de 1988. Já havia cumprido sua missão de castigar, pelo riso, os costumes vigentes durante a ditadura. E entrou para a história do jornalismo brasileiro, com os traços irreverentes de Jaguar, Henfil, Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius, Fortuna, Gudacci, Redi, Laerte, Miguel Paiva, Angeli, Luscar, Coentro, Duayer, Nilson, Nani, Edgar Vasques, Lailson, Santiago, Mariano, Solda, Cláudio Paiva, Hubert, Alcy, Biratan, Mariza, Paulo e Chico Caruso, Bosc, Crumb, Quino, Steinberg.

E Wolinski.

Para rememorar tais nomes, me vali de um artigo de Gregório Macedo, comemorando os 40 anos de “O Pasquim”, em junho de 2009.

Aos ditadores, reacionários e fanáticos de toda ordem que buscam extirpar o humor da face da Terra, um aviso: não vão conseguir. Como mostra este artigo do “Portal O Tempo“, chargistas do Brasil e do mundo inteiro não se renderão.

Publicados no mesmo dia da matança…

Notável também o artigo do veterano jornalista brasileiro João Batista Natali sobre a história do jornal “Charlie Hebdo”. Ele nasceu de uma censura ao jornal satírico “Hara-Kiri”:

“Em novembro de 1970, morria aos quase 80 anos o general Charles de Gaulle, militar, estadista e ex-dirigente da Resistência à ocupação alemã. Ele se retirara, aposentado, numa pequena aldeia da Normandia, Colombey-les-Deux-Églises. O jornal satírico “Hara-Kiri” estampou em manchete: “Baile Trágico em Colombey: um morto.”

A publicação foi proibida de circular pelo então ministro do Interior, o gaullista conservador Raymond Marcellin, com o aval do então presidente Georges Pompidou, também gaullista.

Os jornalistas e cartunistas do jornal decidiram então contornar a proibição e lançaram o “Charlie Hebdo”, versão semanal do mensal “Charlie”, que mantinham em homenagem a Charles Brown, personagem de histórias em quadrinho do norte-americano Charles Schulz (1922-2000).”

Que o terror não venha jamais a matar esse Charlie! Que não aconteça com ele o mesmo que a “O Pasquim”, que só começou a morrer, já nos estertores da ditadura, quando terroristas passaram a incendiar bancas que vendiam esse jornal. Metade delas se submeteu à ameaça. As vendas despencaram. Mesmo assim, ele sobreviveu por mais alguns anos. Duro de matar!

Leia também:

Para descontrair: mais de 40 charges geniais da “The New Yorker”

Uma das coisas mais engraçadas e inteligentes, um dos tipos de humor mais sofisticados que já vi na vida, são as charges da “The New Yorker”. Tratam de tecnologia, mídia, amor, velhice, casamento, e diversos outros assuntos, sempre com crítica ou ironia, com frases enxutíssimas, e às vezes até sem nenhuma frase.

Posto abaixo algumas (46!), sempre retiradas do ótimo blog do Ricardo Lombardi, o Desculpe a Poeira.

“O.K. Onde ele está?”

“O.K. Onde ele está?”

"Como assim você nunca quer passar um tempo com meus amigos durante nossas visitas conjugais?"

“Por que você nunca quer passar um tempo com meus amigos durante nossas visitas conjugais?”

"Sempre que conheço alguém, tento aceitá-lo por quem eu sou."

“Sempre que conheço alguém, tento aceitá-lo por quem eu sou.”

"Você pode sair com boas cartas, mas ainda tem péssima sorte."

“Você pode sair com boas cartas, mas ainda tem uma sorte terrível.”

"Isso é parte do nosso processo."

“Isso é parte do nosso processo.”

[Caixinha de sugestões]

[Caixinha de sugestões]

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“Aprendi a não escutar os críticos que estão certos sobre mim.”

“Aprendi a não escutar os críticos que estão certos sobre mim.”

[Fumaça preta / Fumaça Branca / Bolhas] “Essa é para aniversários”

[Fumaça branca / Fumaça preta / Bolhas]
“Essa é para aniversários”

"Isso me impede de olhar para meu celular a cada dois segundos."

“Isso me impede de olhar para meu celular a cada dois segundos.”

[Jornal sobre trânsito]

[Jornal sobre trânsito]

"Ela acha que é touchscreen."

“Ela acha que é touchscreen.”

“Você alguma vez já sentiu que está aqui apenas pelo salário?”

“Você alguma vez já sentiu que está aqui apenas pelo salário?”

"Desculpe. Estou lendo brilhante demais?"

“Desculpe. Estou lendo brilhante demais?”

[Compartilhe pelo: Facebook/Twitter/Youtube]

[Compartilhe pelo: Facebook/Twitter/Youtube]

"Veja bem, é um dos primeiros trabalhos de Rembrandt."

“Veja bem, é um dos primeiros trabalhos de Rembrandt.”

"Bem-vinda à América, vaca."

“Bem-vinda à América, vaca.”

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"É fofo, Tom, e eu sei que este é o site onde nos conhecemos, mas para nosso aniversário pensei que pudéssemos ir a um restaurante."

“É fofo, Tom, e eu sei que este é o site onde nos conhecemos, mas para nosso aniversário pensei que pudéssemos ir a um restaurante.”

[Babás do velho oeste.]

[Babás do velho oeste.]

“Hoje não, querido, mas aqui está um voucher”

“Hoje não, querido, mas aqui está um voucher”

“Babás são tão caras.”

“Babás são tão caras.”

“Eu fiz a conta. Se a gente quiser ler toda a obra de Proust nesta vida, temos de começar amanhã de manhã”.

“Eu fiz a conta. Se a gente quiser ler toda a obra de Proust nesta vida, temos de começar amanhã de manhã”.

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“A outra coisa que eu adoro sobre beber é que não dá para fazer online”

“A outra coisa que eu adoro sobre beber é que não dá para fazer online.”

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"Harold continua preferindo dormir com o tradicional jornal impresso."

“Harold continua preferindo dormir com o tradicional jornal impresso.”

"Sua mãe é um pouco superprotetora, né?"

“Sua mãe é um pouco superprotetora, né?”

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“Odeio meus fãs.”

"Só faltava essa, lá vem meu ex. Tente não agir tão careca." [Jogo de palavras bad/bald]

“Só faltava essa, lá vem meu ex. Tente não agir tão careca.” [Jogo de palavras bad/bald]

"Seu último desejo foi que suas cinzas não deixassem uma bagunça."

“Seu último desejo foi que suas cinzas não deixassem uma bagunça.”

"Você se parece exatamente como sua foto de perfil."

“Você se parece exatamente como sua foto de perfil.”

"Isso? É uma porção mágica que deixa tudo o que você diz interessante."

“Isso? É uma porção mágica que deixa tudo o que você diz interessante.”

"Larry, você não pode pôr a culpa de TUDO na mídia."

“Larry, você não pode pôr a culpa de TUDO na mídia.”

"Aqueles que não conseguem fazer, comentam."

“Aqueles que não conseguem fazer, comentam.”

"Estou pensando em me aposentar."

“Estou pensando em me aposentar.”

"Cedo demais?"

“Cedo demais?”

ny38

[Ilha hipster.]

[Ilha hipster.]

"Me entedie pra eu dormir, papai."

“Me entedie pra eu dormir, papai.”

"As melhores coisas na vida são de graça. As piores custam R$ 19,99."

“As melhores coisas na vida são de graça. As piores custam R$ 19,99.”

"Eu mudo os móveis de lugar e ele nem repara."

“Eu mudo os móveis de lugar e ele nem repara.”

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“Nós estamos procurando pessoas para demitir.”

“Nós estamos procurando pessoas para demitir.”

"Todo mundo que me segue no Twitter já sabe o que fiz nas férias!"

“Todo mundo que me segue no Twitter já sabe o que fiz nas férias!”

"Moby-Dick? De novo?"

“Moby-Dick? De novo?”