É hoje o ato nacional contra a censura!

Pra quem não sabe, é nesta terça-feira, dia 21 de novembro, o ato nacional contra a censura. Vai ser no Palácio das Artes, aqui em Beagá, a partir das 18h, com várias apresentações musicais.

O movimento foi criado pela Frente Nacional Contra a Censura e já teve o apoio de vários artistas de peso, como Caetano Veloso, Chico Buarque, o Grupo Galpão, Débora Falabella, dentre vários outros.

Chico Buarque resume bem por que devemos todos participar deste ato ou pelo menos apoiá-lo:

“É necessário que artistas e brasileiros esclarecidos em geral se manifestem enquanto é tempo contra a escalada desses movimentos que se dizem conservadores, mas que na verdade se valem de práticas fascistas de intimidação e violência nas ruas e nas redes sociais contra a liberdade de expressão.”

 

Esta é uma bandeira que este blog e esta blogueira carrega com muito orgulho! #CensuraNuncaMais #ArteLivre

Leia também:

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  5. Fanatismo é burro, mas perigoso
  6. O anarquista que enxerga
  7. Para uns, para outros e para mim
  8. Tem certeza absoluta? Que pena
  9. O vizinho que pensa diferente de você
  10. Post especial para quem se acha com o rei na barriga
  11. Reflexão para as pessoas cheias de si
  12. A saudável loucura de cada um de nós
  13. Qual é a sua opinião, cidadão?
  14. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  15. O fanatismo e o ódio de um país que está doente

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A estátua do Duque de Caxias e as lições da História

Texto escrito por José de Souza Castro:

Este texto com correção na edição do dia 7 deste mês do jornal “Folha de S.Paulo” lembrou-me de episódio do qual já havia me esquecido e que, no entanto, foi marcante no jornalismo brasileiro em plena ditadura militar. Uma ditadura que muitos, por ignorância ou má fé, querem ter de volta.
Não me lembrei do artigo do jornalista Lourenço Diaféria quando eu escrevia, uns 30 anos depois, para o blog da Novae, um relato contrário ao Duque de Caxias, o herói da Guerra do Paraguai. Houve polêmica entre os leitores, e pouco depois a Novae desistiu do blog e eu deixei de colaborar para o site do qual uma das minhas filhas jornalistas, a Kika, fora por um tempo a subeditora.

De qualquer forma, o artigo não me levou à prisão, ao contrário de Diaféria. Os tempos eram outros, não vivíamos mais numa ditadura. As ameaças a jornalistas vinham da Justiça, como se vê aqui. Por enquanto, nada mudou.

Lourenço Diaféria era colunista da “Folha de S.Paulo”. No dia 1º de setembro de 1977, publicou um texto intitulado “Herói. Morto. Nós”, em que comentava a morte de um sargento do Exército dentro do fosso das ariranhas no Zoológico de Brasília. O sargento estava de folga e levara sua mulher e os quatro filhos para passear. Ao ver um garoto de 14 anos sendo atacado pelas ariranhas, pulou dentro, jogou-o para fora – e morreu dilacerado pelos bichos.

O autor também pagou pela ousadia. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Seu texto foi considerado pelo ministro da Justiça e pela Justiça Militar ofensivo às forças armadas. Pode-se ler o texto aqui, no final do artigo de Franklin Valverde, publicado em setembro de 2008 pelo Observatório da Imprensa, pouco depois da morte de Lourenço Diaféria, que já havia sido absolvido pela Justiça.

Qual a ofensa do jornalista? Continuar lendo

Brasil, o ex-país do Carnaval

Carnaval do Rio em 2014, bons tempos. Foto: Wikimedia Commons

 

Dia desses, postei no Facebook um singelo desabafo:

Me perguntaram a que aspecto eu me referia e respondi: “Vários, basta acompanhar o noticiário”.

O noticiário que coloca um defensor da ditadura militar e de torturador condenado nas primeiras posições da disputa presidencial. Um noticiário que entrevista esse cara e ouve dele que transformará, caso eleito, todas as escolas em colégios militares. Um noticiário que mostra que um grupelho de aborrecentes reacionários conseguiu censurar uma mostra que reúne várias obras de arte, algumas centenárias. E até um tumblr foi banido em consequência disso. O noticiário recente inteiro me mostra um país cada dia mais careta e carola, mais a fim de marchar e rezar, um ex-país do Carnaval, do Stanislaw, do criativo, do humor, do samba e do lúdico. Um país cada dia mais obscurantista, fanático, retrógrado, radical. De volta à Idade Média.

Suspiros.

Esta obra é de 1910, for Christ sake!!!

Eu não ia mais escrever sobre Bolsonaros, MBLs e afins porque acho que esses caras não deveriam ganhar nenhuma linha no noticiário, nem nos jornalões nem nos blogs alternativos. Também não ia comentar o caso do Santander, porque, sinceramente, foi um assunto da semana retrasada e tendo a achar que tudo o que devia ser dito a respeito já foi, tanto pelos xiitas quanto pelos “sunitas”.

Mas hoje concluí que trata-se daqueles temas que a gente não pode deixar de se posicionar, pra não consentir calando. E, ainda por cima, é um dos temas que são mais caros a este blog. Já disse aqui antes: não levanto bandeira de quase nada nesta vida, mas se tem uma causa que eu abraço é a da liberdade de expressão, imprensa e pensamento. Liberdade artística, é claro, entra no meio.

Vi as peças — algumas poucas, dentro da enorme coletânea — que seriam expostas pelo Queer Museu. Minha reação foi parecida com a que tenho após visitar qualquer exposição: achei algumas obras péssimas, outras geniais, algumas vazias e outras bonitas. Não sou crítica nem super entendida de arte, então essa minha opinião é simplesmente irrelevante.

Só acho que todos têm direito a produzir e expor arte. E que arte tem como um de seus objetivos justamente incomodar, provocar, pôr o dedo na ferida para gerar reflexão ou mudanças. Algo que essa coleção censurada conseguiu, afinal, tá de parabéns. “Ah, mas é ofensivo”. Se todas as obras de arte que ofendem a algum grupinho tivessem que ser censuradas, não haveria mais arte no mundo. Só a ditadura do pensamento único. Charlie Hebdo ofendeu um grupo islâmico radical e levou bomba. É isso que queremos? Censura ou bomba para tudo o que nos incomoda ou diverge de nós?

“Ah, mas crianças não deveriam ver”. E daí? Existe um mecanismo aplicado há anos pelo Ministério da Justiça que se chama “classificação indicativa”. Só garotos acima de 14, 16 anos estão preparados para ver algumas daquelas peças? Bota classificação então, tão simples.

Mas não: o Brasil abdicou do direito de pensar, de rir, de provocar. Agora a ordem da vez é marchar e rezar. Salve-se quem puder.

Cena do clipe superclássico do Pink Floyd “Another Brick in the Wall”

 

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  13. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  14. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  15. Pelo direito de não levantar bandeira nenhuma

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