#Playlist: 16 versões do hino ‘Apesar de Você’. Seja resistência você também!

Cale-se!

Chico Buarque criou “Apesar de Você” para falar sobre a falta de liberdades do período da ditadura militar. Para sorte dele e nossa, a censura dos milicos era burra e acabou liberando o lançamento do compacto, em 1970, achando que a letra era só sobre uma briga de namorados.

Só que um dia captaram a mensagem e acabaram censurando a canção, que foi proibida de tocar nas rádios de todo o país entre 1971 e 1978.

Esta foi apenas uma das várias formas de arte censuradas durante a ditadura militar no Brasil, para prejuízo da cultura popular.

Hoje vivemos em uma suposta democracia, mas os governantes da vez, afagados pelos fundamentalistas religiosos do país (turma da qual fazem parte), estão se sentindo mais fortes para tentar censurar obras artísticas, ainda que isso seja terminantemente proibido por nossa atual Constituição.

Encontram resistência. Ao tentar vetar um livro de quadrinhos da Bienal, a prefeitura do Rio acabou gerando um verdadeiro levante em nome da liberdade de expressão, das liberdades das artes, e contra qualquer forma de censura. Nunca a Bienal do Livro do Rio fez tanto sucesso como neste 2019.

Quero fazer parte da resistência. Você também? Então veja essa ideia que eu tive inspirada no manifesto que um grupo de escritores criou durante a Bienal.

Grave um videozinho cantando “Apesar de Você”, do Chico, e poste em suas redes sociais. Pode colocar as hashtags #apesardevocê #censuranuncamais #todoscontraacensura #todospelaliberdade e as que você achar melhor. A ideia é que esses videos circulem como um hino de resistência contra essas tentativas de censurar as artes, que começaram já há alguns anos, mas agora vêm se fortalecendo.

Tomemos cuidado para que não criem garrinhas e virem um monstro mais difícil de matar.

Não se importe de estar desafinado, de não saber a letra etc. O importante é a mensagem. Gravei meu videozinho em 5 minutos, desafinadamente, diante dos meus livros (e das roupas por passar), lendo a letra para não me perder. O que importa é: “Amanhã vai ser outro dia!

Se quiser ouvir vozes mais afinadas cantando o mesmo hino, preparei uma seleção com 15 versões da canção do Chico Buarque, incluindo duas dele próprio. Aumente o som e bom proveito:

 

Leia também:

  1. A censura ao beijo gay dos quadrinhos e o fundamentalismo religioso no Brasil
  2. ‘O alvo somos todos nós’: leia o manifesto contra a censura na Bienal do Livro e veja o vídeo de escritores lendo ‘Apesar de você’
  3. Brasil, o ex-país do Carnaval
  4. O futuro distópico de um Brasil governado por bolsonaristas e olavistas
  5. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  6. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  7. Fanatismo é burro, mas perigoso
  8. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas
  9. Há um Jair Bolsonaro entre meus vizinhos?

Ouça também:

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‘O alvo somos todos nós’: leia o manifesto contra a censura na Bienal do Livro e veja o vídeo de escritores lendo ‘Apesar de você’

Clique na imagem para ver o vídeo.

 

“A Bienal Internacional do Livro Rio é a oportunidade que temos, a cada dois anos,
de nos reunirmos, encontrar nossos públicos, nos inspirar e debater livremente
sobre todo e qualquer tema, sem restrições e com empatia. Um evento de conteúdo
qualificado e diverso, reconhecido nacional e internacionalmente como o maior
festival cultural do Brasil.

Nos últimos dias, a Bienal se tornou um abrigo democrático, ao lado de 600 mil
pessoas que prestigiaram o evento, contra as insistentes tentativas de censura.
Se engana quem pensa que o alvo é a Bienal Internacional do Livro. O alvo somos
todos nós, cidadãos brasileiros, pois não precisamos ter quem determine o que
podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar. O brasileiro
não precisa de tutor. Precisa de educação para que cada um possa fazer suas
escolhas com consciência e liberdade.

Foi com alívio e muito orgulho que recebemos as duas decisões de ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (8/9), impedindo que a Bienal
Internacional do Livro continuasse sofrendo assédio à literatura e aos seus leitores.
Do contrário, se criaria uma jurisprudência que colocaria todos os eventos
culturais, autores, editoras e livrarias do Brasil à mercê do entendimento do que é
próprio ou impróprio a partir da ótica de cada um dos 5.470 prefeitos do país.

Encerramos essa edição histórica da Bienal Internacional do Livro Rio com o
coração cheio de orgulho e determinação. A Bienal não acaba hoje. Ela seguirá em
cada um de nós todos os dias. O festival foi memorável. Deu voz e ouvidos a todos
os públicos. Reuniu e celebrou a cultura junto com autores, artistas, pensadores,
líderes sociais, religiosos, jornalistas, acadêmicos, ativistas, e muitos outros.
Viva a Bienal do Livro Rio! Viva a cultura! Viva a liberdade e a democracia!!

 

Assino embaixo! (Grifos meus).

 

 

Leia também:

  1. A censura ao beijo gay dos quadrinhos e o fundamentalismo religioso no Brasil
  2. Brasil, o ex-país do Carnaval
  3. O futuro distópico de um Brasil governado por bolsonaristas e olavistas
  4. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  5. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  6. Fanatismo é burro, mas perigoso
  7. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas
  8. Há um Jair Bolsonaro entre meus vizinhos?

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A censura ao beijo gay dos quadrinhos e o fundamentalismo religioso no Brasil

Esta foi a capa da “Folha de S.Paulo” de hoje:

Me deu um quentinho no peito saber que ainda existe jornal corajoso desse jeito, ainda mais pela história que vivi lá dentro.

Estamos, neste 7 de setembro, nos oito meses de governo Bolsonaro, e parece que ele decidiu de vez se voltar apenas para a ala mais radical e brutamontes do país.

E daí? Você, que não acompanha muito o noticiário político e segue com sua vidinha de sempre, deve estar se perguntando.

E daí que estamos diante de um fundamentalismo religioso crescente, de um fanatismo burro levando a censuras das artes, do ensino e de várias outras áreas caras ao desenvolvimento de uma sociedade.

Vocês sabem como a luta contra a censura sempre foi minha principal bandeira, né? Sempre falo disso por aqui.

Então é de revirar meu estômago ver “fiscais da prefeitura” invadindo uma Bienal do Livro para censurar uma HQ que não tem nenhum conteúdo pornográfico ou mesmo erótico e que não desrespeita o ECA, nem nada disso.

É fundamentalismo puro e simples. É uma violação ao Estado de Direito. É um estupro da nossa Constituição de 1988.

Para quem acompanhou a história recente do Irã e do Afeganistão, dentre outros países, sabe que é fácil e rápido instaurar um regime fundamentalista num país. Em coisa de um ano, tudo pode mudar. Em 15 anos, se nada for feito, a distopia que eu criei pode se aproximar de uma cruel realidade. E aí, pra reverter a coisa toda, será um trabalho realmente árduo.

Inclusive porque muitos estragos que estão sendo feitos em apenas oito meses de governo já serão bem difíceis de recuperar. Na educação e no meio ambiente, por exemplo.

O Brasil é, cada vez mais, o ex-país do Carnaval.

É isso que queremos pra ele?

Charge do Duke publicada no jornal O Tempo de 7 de setembro.

Leia também:

  1. Brasil, o ex-país do Carnaval
  2. O futuro distópico de um Brasil governado por bolsonaristas e olavistas
  3. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  4. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  5. Fanatismo é burro, mas perigoso
  6. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas
  7. Há um Jair Bolsonaro entre meus vizinhos?

 

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