‘Reflexões sobre o nacional-socialismo’, em cinco (breves) tópicos

Texto escrito por Douglas Garcia, professor do Departamento de Filosofia da UFOP e colaborador frequente deste blog, sobre o livro ‘Reflexões sobre o nacional-socialismo’:

 

1. Quem são os autores?

São três autores: Arnold I. Davidson, americano, professor de filosofia, que faz uma introdução bastante útil aos textos; Emmanuel Levinas, francês de origem lituana, um dos principais filósofos do século XX, autor de “Totalidade e Infinito”; e Robert Musil, austríaco, um dos principais escritores do século XX, autor de “O homem sem qualidades”.

2. De que trata o livro?

O livro traz dois textos escritos durante os primeiros anos do período nazista, no início da década de 1930. Um ensaio de Levinas, intitulado “Algumas reflexões sobre a filosofia do hitlerismo”, de 1934. E um ensaio de Robert Musil, chamado “Ruminações de um lerdo”, de 1933. Ambos tentam compreender o nazismo como um todo simbólico e um conjunto de orientações para atitudes práticas – ou seja, como uma “cultura”, no sentido antropológico.

3. Por que vale a pena ler?

O livro vale a pena ler porque, em primeiro lugar, está firmemente enraizado na experiência dos autores, que escrevem no mesmo momento histórico em que o fenômeno nazista é produzido. Uma segunda razão para lê-lo é a elegância da escrita e a acuidade das percepções dos autores, registradas em trechos como “foi com olhos bem abertos que não vimos absolutamente nada” (Musil). Além disso, uma razão substantiva para fazer essa leitura é a de vir a ser provocado a pensar o que há de semelhante (e também de diferente) entre movimentos autoritários e antidemocráticos do passado e do presente.

4. Quais são as áreas de interesse relacionadas ao livro?

Este livro interessará bastante àqueles que têm curiosidade sobre o período do nazismo na Alemanha, bem como aos amantes da vertente ensaística e reflexiva da literatura moderna (com Musil) e os leitores de ética e filosofia da cultura (com Levinas). Assim, as áreas de interesse são basicamente: História, Literatura, Filosofia.

5. Qual é o nível de dificuldade da leitura?

O nível de dificuldade da leitura será (talvez, uma vez que não é possível traçar uma “média” abstrata dos leitores) intermediário entre o acadêmico e o de divulgação ampla, considerando a presença, aqui e ali, de termos de uso corrente na cultura alemã do início do século XX, cuja correspondência com o uso comum contemporâneo não é evidente – termos como “espírito”, por exemplo.

Reflexões Sobre o Nacional-Socialismo
Tradução:  Denise Bottmann, Priscila Catão e Flavio Quintale
Editora Âyiné
Ano de publicação: 2016
120 páginas
Preço: R$ 20,90

 

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Capas de revistas, charges e a política nazista de Donald Trump

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Só se você tiver um coração de pedra para não se chocar, indignar e emocionar com as crianças separadas dos pais pelo governo de Donald Trump.

Eu, pessoalmente, me senti como esta jornalista:

Sem muitas palavras ou mesmo conhecimento para escrever sobre o assunto, apelo para a indicação de um texto escrito por Max Boot para o Washington Post, e traduzido pelo “Estadão”. Um trecho:

“Muitas pessoas têm alertado que os EUA pagarão um preço muito alto no longo prazo por esses atos destrutivos de Trump. No entanto, é difícil citar pessoas que já foram atingidas. As guerras comerciais, por exemplo, já afetam principalmente os fazendeiros de Iowa e as montadoras de Michigan, mas grande parte do impacto se dissipará para os consumidores e pode nem ser notado imediatamente.

No entanto, com sua política desumana de separar os filhos de imigrantes ilegais de seus pais na fronteira com o México, o presidente finalmente oferece um exemplo ao vivo, direto para a câmera, de como suas medidas estão destruindo as vidas de pessoas comuns. Este caso vai muito além de outros anteriores, como o dos imigrantes deportados depois de décadas contribuindo para o país, O sofrimento de adultos não desperta tanto a simpatia popular como no caso de crianças maltratadas.

As mais de 2 mil crianças tiradas de suas famílias em um período de seis semanas e estocadas em locais que algumas pessoas comparam aos campos de concentração nazistas, não são vítimas teóricas e presumidas. São muito reais e sua terrível situação é algo deplorável. Finalmente, o impacto do trumpismo tem um rosto: o de uma menina hondurenha de 2 anos aos prantos cuja foto foi estampada na capa do New York Daily News com o título: “Cruel. Brutal. Covarde. Trump.””

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

A comparação com o nazismo é automática para todo mundo que tenha um mínimo de conhecimento de História. Pode ser exagerada, mas é automática. Trump se esquece que os Estados Unidos foram forjados por imigrantes desde o nascimento do país e agora cria uma política racista, xenófoba e agressiva, que causará danos irreparáveis a inocentes crianças.

Os ilustradores, como não me canso de dizer aqui no blog, têm um dom de traduzir em poucos traços o que os jornalistas levam muitas palavras para dizer. Por isso, resolvi mais uma vez criar uma galeria com algumas charges que encontrei nos últimos dias, que escancaram bem o absurdo da situação (clique sobre qualquer uma para ver todas em tamanho real):

Veja também:

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A eugenia branca no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

A luta pelos direitos humanos dos negros no Brasil será cada vez mais árdua. The Wall Street Journal publicou na última quinta-feira reportagem revelando que as clínicas de fertilização brasileiras procuram nos Estados Unidos doadores de esperma que sejam brancos e de olhos azuis, pois essa é a principal demanda da clientela.

Enquanto negros e mulatos são progressivamente mortos pela violência, como a vereadora do Rio de Janeiro que lutava pelos direitos das mulheres negras, a eugenia branca ganha um novo aliado. Segundo o jornal dos Estados Unidos, aumentou em 3.000% o número de brasileiros que preferem doadores brancos e de olhos azuis.

Eu não assino o jornal e não tenho acesso à reportagem completa, mas o blog Socialista Morena traduziu parte da reportagem, com a seguinte introdução:

“Parece a Alemanha nazista, mas é o Brasil de 2018: o Wall Street Journal traz nesta quinta-feira uma reportagem sobre como a procura por sêmen importado dos Estados Unidos explodiu em nosso país nos últimos anos, graças ao interesse de gente que deseja “branquear” os filhos e garantir que tenham olhos claros e aspecto europeu. Em outras palavras, eugenia. Hitler ficaria orgulhoso.”

E prossegue: Continuar lendo

Que aumente a intolerância contra os intolerantes

Grande Laerte!

Há seis anos atrás, em junho de 2005, escrevi no meu primeiro blog sobre os grupos de pessoas que, amparados em ideologias nazistas, fascistas, integralistas e afins, cospem fogo contra negros, judeus, gays e outros grupos étnicos ou minoritários.

Na época, eu achava preocupante que usassem comunidades do Orkut (que ainda estava engatinhando) para discutir suas teses sobre as maravilhas de ser branco, sobre as diferenças entre os judeus e as tortas, sobre a afronta que é ser homossexual, sobre imigrantes indesejados etc.

Hoje resolvi dar outra passeada pelas comunidades do Orkut, para ver como está a situação. Tive que procurar com mais afinco (até porque a Justiça está de olho no Google), mas ainda assim encontrei comunidades defendendo o estupro coletivo de lésbicas, um sujeito dizendo que Nova Orleans (aquela terra linda do jazz e do blues dos pântanos!) tem mais casos de crimes do que o Japão por ter mais negros e outras coisas do gênero.

Mas o que preocupa mais, hoje em dia, não é a palhaçada de anônimos covardes dizendo asneiras em comunidades para pré-adolescentes. Mas saber que alguns deles se reúnem, têm bandeiras, leis, códigos, usam coturnos com bico de ferro, canivetes e outras armas e as usam para efetivamente desferir golpes contra pessoas que estão obviamente sozinhas, em menor número, desprotegidas. E que costumam apanhar e até morrer pelo simples fato de serem negras, gays, nordestinas ou judias.

Em São Paulo, já foram identificados 200 marginais, de 25 gangues, conforme a excelente matéria da Laura Capriglione, publicada hoje. E o pior é que acham o máximo ser presos, emolduram o B.O. por agressão na parede do quarto, qual troféu, talvez por saberem que seu crime não irá muito além do registro de um boletim de ocorrência, apesar de ser o chamado “crime de ódio”, gravíssimo.

E os que nem foram identificados?, cabe perguntar.

Também me pergunto, sempre, o que leva um grupo de jovens de 16 a 28 anos a cultuar esse tipo de coisa (que, como defendi em outro post, não é aceita por nossa Constituição democrática, justamente por ferir direitos humanos universais básicos). Problemas na educação? Problemas familiares? Problemas psicológicos? Psiquiátricos? Alguma razão, séria, deve haver. E essa razão deveria ser apurada e trabalhada pelo poder público e pela sociedade.