Filme ‘Oppenheimer’: um resumo do século 20

Filme Oppenheimer concorre a 13 Oscars em 2024
Filme Oppenheimer concorre a 13 Oscars em 2024

Vale ver no Amazon Prime Video: Oppenheimer
2023 | 3h de duração | Classificação: 16 anos | nota 9

 

O filme “Oppenheimer” foi indicado a 13 categorias do Oscar. Ou seja, ele aparece em TODAS as categorias em que poderia aparecer, literalmente (não dava para entrar em melhor animação, filme estrangeiro ou documentário, né).

E por que demorei tanto a ver um filme tão importante assim, que alguns já disseram ser, inclusive, o “filme mais importante do século”?

Por preguiça.

Sim, porque ficar três horas em uma sala de cinema é cansativo. Acho que os diretores desta era pós-pandemia estão excessivamente prolixos, editando menos do que deveriam. (As 3h26 de “Assassinos da Lua das Flores”, de Scorsese, que o digam.)

Então, eu estava esperando ele chegar no streaming. Paguei R$ 14,90 (bem menos que o cinema) pelo aluguel de 48 horas no Prime Video – e valeu a pena. Pausei para buscar água, fazer pipoca, renovar a taça de vinho, fazer xixi. Os cinéfilos chatos puristas que me perdoem, mas cresci acostumada aos comerciais entre os filmes, e isso realmente não me incomoda.

Com pausas ou sem, o fato é que temos aqui um filme excelente. A história é um verdadeiro resumo do século 20: para além da criação da bomba atômica e de todas as questões morais implicadas nela, temos a segunda guerra mundial, a guerra fria, e as perseguições políticas paranoicas contra comunistas nos Estados Unidos.

Somos apresentados a um personagem muito interessante por si só, interpretado por Cillian Murphy, que até então nunca tinha tido um papel de tamanha importância: J. Robert Oppenheimer é um cientista à frente de seu tempo, um gênio, um louco, um líder, e também um ser político, capaz de pensar em questões históricas e filosóficas enquanto conduz sua epopeia que vai mudar o mundo de lá pra cá.

Na esquerda, Cillian Murphy interpretando Oppenheimer no filme de 2023. Na direita, o personagem real.
Na esquerda, Cillian Murphy interpretando Oppenheimer no filme de 2023. Na direita, o personagem real.

O filme mostra a bomba atômica primeiro como um artefato de proteção contra os nazistas (lembrando que Oppenheimer era judeu), depois como uma ferramenta para encerrar uma guerra e promover a paz, e, por fim, como uma escalada de violência sem fim, para incrementar o poderio dos Estados Unidos frente ao seu inimigo soviético (e quaisquer outros que surgissem no caminho).

Foram mais de 200 mil mortos em Hiroshima e Nagasaki e hoje há, ainda, nove países sabidamente com armas atômicas:

  1. Estados Unidos,
  2. Rússia,
  3. Reino Unido,
  4. França,
  5. China,
  6. Índia,
  7. Paquistão,
  8. Coreia do Norte e
  9. Israel.

O filme mostra tanto o processo que levou à descoberta científica da possibilidade de uma bomba nuclear até os meandros políticos que foram criados depois, colocando uma faca no pescoço do já famoso Oppenheimer, e pavimentando esse caminho para a política atual.

Só não dou nota 10 porque Christopher Nolan realmente precisa trabalhar a concisão. Mas trata-se, ainda assim, de um filmaço histórico, com elenco de primeira, e tudo o que existe para tornar o cinema essa potência de informação que atravessa as décadas.

Na esquerda, Cillian Murphy interpretando Oppenheimer no filme de 2023. Na direita, o personagem real.
Na esquerda, Cillian Murphy interpretando Oppenheimer no filme de 2023. Na direita, o personagem real.

Oppenheimer foi indicado a 13 Oscars em 2024

E venceu estes 7 em destaque:

  1. Melhor filme do ano
  2. Melhor direção (Christopher Nolan)
  3. Melhor roteiro adaptado
  4. Melhor ator principal (Cillian Murphy)
  5. Melhor ator coadjuvante (Robert Downey Jr.)
  6. Melhor atriz coadjuvante (Emily Blunt)
  7. Malho maquiagem
  8. Melhor trilha sonora
  9. Melhor som
  10. Melhor fotografia
  11. Melhor montagem
  12. Melhor design de produção
  13. Melhor figurino

Assista ao trailer do filme Oppenheimer:

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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