A vitória da Avaaz sobre as fake news da extrema direita

Belo Horizonte também resiste contra as fake news e as medidas de terror implementadas por este governo de Jair Bolsonaro! No protesto de ontem contra os cortes na educação, o segundo em apenas 15 dias, a manifestação na cidade estava LOTADA! Bem maior que a anterior, que já estava cheia, e infinitamente maior que a dos bolsonaristas do último domingo. Foto: Humberto Trajano / G1

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Recebi nesta quinta-feira da Avaaz, sobre a qual já escrevi algumas vezes aqui, um e-mail em que anuncia: “Estamos tão orgulhosos de nosso movimento”. E com boa razão: é um movimento que ajudou o Parlamento Europeu a não “se afogar em fake news nas eleições do último final de semana”.

Pena que não tivemos uma Avaaz para nos defender de Bolsonaro nas eleições do ano passado. A ONG se concentrou no problema ao constatar o avanço da extrema direita, depois das vitórias de Trump, do Brexit e de Bolsonaro.

Para enfrentar essa ameaça, “a Avaaz expôs e forçou a derrubada do que, provavelmente, foram as maiores redes de desinformação da História”.

O trabalho da Avaaz foi financiado por 80 mil doadores e contou com a ajuda de outros 80 mil voluntários e quase 2 milhões de membros. A ONG montou uma “sala de guerra” em Bruxelas, onde um “time de 30 pessoas revelou o que 30.000 monitores do Facebook deixaram passar – uma imensa teia de redes de desinformação despejando mentiras tóxicas no coração da Europa. Nós entregamos ao Facebook 700 páginas com os resultados de uma investigação detalhada, mostrando como essas redes operam, coordenam e usam contas falsas para enganar as pessoas”, informou a Avaaz.

Acrescentou:

“E nós não só expusemos essas redes. Nós as derrubamos! Na Espanha, Itália, Polônia, Holanda, Reino Unido, França e Alemanha. Para qualquer lugar que olharmos, nós tivemos um impacto. O Facebook removeu redes que alcançaram um total estimado de 3 bilhões (!!!) de visualizações em apenas um ano!!! É o suficiente para alcançar cada um dos eleitores da Europa mais de vinte vezes!”

Em todos os lugares onde a extrema direita havia ganhado as eleições, como no Brasil, ela inundou as redes sociais com fake news e mentiras tóxicas. “A única maneira de realmente acabar com isso é pressionar governos poderosos para regulamentar o Facebook e o YouTube, limpando assim esse veneno”, sustenta a Avaaz.

Além disso, “já que extremistas cheios de ódio também apostam no não comparecimento dos eleitores às urnas, nós lançamos campanhas inspiradoras de defesa da democracia para incentivar as pessoas a votarem”. Essa campanha “foi vista por mais de 100 milhões de vezes em toda Europa dias antes da eleição! O resultado: a maior participação de eleitores em 25 anos!”

A Europa já resiste contra as fake news propagadas pela extrema-direita, usando principalmente Facebook e WhatsApp para isso. Foto: Avaaz/Divulgação

Aquilo que poderia ter sido a onda de extrema-direita minguou e virou marola. “Os sociais democratas defensores da justiça e a centro-direita pró-Europa seguem sendo os maiores partidos”. Aconteceu, na opinião da Avaaz, verdadeiro tsunami democrático “com os Partidos Verdes, heróis do clima, e os Liberais Democratas, defensores apaixonados da União Europeia, que agora manterão o equilíbrio do poder na nova Europa!”

Tantos sinais de exclamação no texto da Avaaz se explicam pelo entusiasmo com sua vitória sem precedentes contra a desinformação. Uma vitória “que saiu nas capas dos jornais de todo o mundo”.

No Brasil não, até onde sei. Apesar do reconhecimento do diretor-geral do Parlamento Europeu, Jaume Duch Guillot, segundo o qual “a Avaaz tem sido uma força poderosa que ajuda o Parlamento Europeu a engajar as pessoas a votarem nessa eleição de 2019”.

Não basta, porém, se orgulhar do trabalho feito. É preciso continuar, pois, como diz a Avaaz, “a desinformação é uma assassina de democracias e virou a arma secreta da extrema-direita”.

Diante disso, é melhor se informar. Pois, como li em algum lugar, pior do que estar lascado é estar lascado sem o saber.


Nota da Cris:

Olha a que ponto chegamos! Olha o que os jornalistas estão sendo obrigados a checar e noticiar, diante da avalanche de fake news que esse governo de extrema-direita do Jair Bolsonaro, e seus seguidores mais fanáticos, propaga por aí. Percebendo que os protestos de ontem seriam bem mais abarrotados que os de domingo último, os caras inventaram que as pessoas saíram às ruas para protestar contra um decreto fictício de Bolsonaro que proíbe drogas nas universidades. Sinceramente, quem acredita numa paspalhice dessas não merece nem comentários. Mas os jornalistas vão lá e fazem seu trabalho, checam, verificam, publicam, desmentem. O problema é que as fake news se espalham como fogo em palha, enquanto o desmentido com a verdade atinge 4.000 pessoas… Avaaz e os outros temos um longo e árduo trabalho pela frente – contra os mal-intencionados e contra os burros que acreditam neles.


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O que acontece quando os fanáticos e ignorantes saem da internet para as ruas

Todo mundo já está há dias comentando sobre o que houve em Charlottesville, inclusive o discurso posterior de Trump, criticado até por seus pares republicanos. Todo mundo está de olho na “alt-right” (direita alternativa) dos Estados Unidos, no retorno do KKK, na força que grupelhos neonazistas vêm ganhando desde que Trump assumiu o poder por lá. Todo mundo fica assustado quando vê um vídeo tão completo e corajoso como este produzido pela “Vice”, que já teve 3 milhões de visualizações em três dias:

O que eu quero acrescentar a isso é que este não é um problema restrito aos Estados Unidos. E não me refiro apenas a ódio racial, como o que ocorre lá, mas a ódio de classe, como ocorre por cá, no Brasil. É isso o que acontece quando radicais, fanáticos e ignorantes saem dos antros obscuros da internet, com seus memes e comentários irracionais, e partem pras ruas. Continuar lendo