A estátua do Duque de Caxias e as lições da História

Texto escrito por José de Souza Castro:

Este texto com correção na edição do dia 7 deste mês do jornal “Folha de S.Paulo” lembrou-me de episódio do qual já havia me esquecido e que, no entanto, foi marcante no jornalismo brasileiro em plena ditadura militar. Uma ditadura que muitos, por ignorância ou má fé, querem ter de volta.
Não me lembrei do artigo do jornalista Lourenço Diaféria quando eu escrevia, uns 30 anos depois, para o blog da Novae, um relato contrário ao Duque de Caxias, o herói da Guerra do Paraguai. Houve polêmica entre os leitores, e pouco depois a Novae desistiu do blog e eu deixei de colaborar para o site do qual uma das minhas filhas jornalistas, a Kika, fora por um tempo a subeditora.

De qualquer forma, o artigo não me levou à prisão, ao contrário de Diaféria. Os tempos eram outros, não vivíamos mais numa ditadura. As ameaças a jornalistas vinham da Justiça, como se vê aqui. Por enquanto, nada mudou.

Lourenço Diaféria era colunista da “Folha de S.Paulo”. No dia 1º de setembro de 1977, publicou um texto intitulado “Herói. Morto. Nós”, em que comentava a morte de um sargento do Exército dentro do fosso das ariranhas no Zoológico de Brasília. O sargento estava de folga e levara sua mulher e os quatro filhos para passear. Ao ver um garoto de 14 anos sendo atacado pelas ariranhas, pulou dentro, jogou-o para fora – e morreu dilacerado pelos bichos.

O autor também pagou pela ousadia. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Seu texto foi considerado pelo ministro da Justiça e pela Justiça Militar ofensivo às forças armadas. Pode-se ler o texto aqui, no final do artigo de Franklin Valverde, publicado em setembro de 2008 pelo Observatório da Imprensa, pouco depois da morte de Lourenço Diaféria, que já havia sido absolvido pela Justiça.

Qual a ofensa do jornalista? Continuar lendo

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JK foi assassinado pela ditadura militar

Juscelino no dia de sua posse, em 1956. Foto: Arquivo Nacional do Brasil

JK em sua posse, em 1956. Foto: Arquivo Nacional do Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Durante os 15 anos que dirigiu o Memorial JK em Brasília, desde sua construção até 1995, o coronel Affonso Heliodoro ouviu de muitos dos mais de 400 visitantes por dia uma pergunta que não soube responder em seu livro “JK Exemplo e Desafio”, publicado há 11 anos. Amigo e auxiliar do ex-presidente, o autor afirma que não há resposta à grande questão: JK morreu num acidente de trânsito ou foi assassinado?

O ex-presidente foi assassinado. É o que garantem os autores do livro “O assassinato de JK pela ditadura” (804 páginas, em dois volumes, R$ 200,00), lançado em agosto passado na Faculdade de Direito da USP, na data em que se completavam os 40 anos do assassinato. Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, divulgada nesta segunda-feira, 7 de novembro, com o título “(Quase) todos os assassinos de JK”, um dos coordenadores das pesquisas que resultaram no livro, Alessandro Octaviani, cita Affonso Heliodoro como uma de suas fontes.

Reprodução

Reprodução

Aos 100 anos de idade, desinteressado de quase tudo, segundo o filho Affonsinho – o compositor e cantor casado com uma de minhas filhas, Viviane –, o velho coronel da PM mineira que auxiliou o conterrâneo JK desde que ele era prefeito de Belo Horizonte talvez se interesse em saber, finalmente, a resposta à pergunta que todos queríamos ouvir. Continuar lendo

30 charges sobre o impeachment/golpe contra Dilma

Quando estou sem palavras para comentar alguma coisa, apelo sempre aos mestres das imagens, os chargistas. Que conseguem dizer muito — tudo — usando apenas uma frase curta, ou nem isso. Selecionei ainda na noite desta quarta-feira (31) algumas charges publicadas recentemente, em vários veículos, que traduzem este triste momento da História do Brasil, do impeachment golpe de contra uma presidente eleita democraticamente. Veja na galeria abaixo: Continuar lendo

Agosto, uma história que se repete como farsa

Getúlio Vargas em foto de 1930 na revista "O Cruzeiro"

Getúlio Vargas em foto de novembro de 1930 na revista “O Cruzeiro”

Texto escrito por José de Souza Castro:

O professor Nilson Lage conta, neste artigo, como ficou sabendo da morte de Getúlio Vargas. No dia 24 de agosto de 1954, acordou às 7 horas da manhã e ligou a Rádio Globo, onde horas antes ouvira Carlos Lacerda dizer em entrevista como era importante expulsar do Palácio do Catete o “ditador que navegava em mar de lama”. A rádio estava fora do ar. Ligou na Rádio Nacional, que tocava uma música de Debussy. Só alguns minutos mais tarde entrou o prefixo do Repórter Esso e o locutor anunciou o suicídio do presidente da República.

Eu tinha 10 anos de idade e hoje, ao ler este artigo, me lembrei mais uma vez daquele dia, do qual nunca me esqueci. Havia sido acordado às 5h30, como de hábito no rígido colégio interno dirigido por um padre alemão que vinha insistindo, com grande relutância nossa, para seguir-lhe os passos rumo ao sacerdócio.

Às 7 horas, já estávamos na sala de aula, a do segundo ano primário. Pouco depois, a porta foi aberta de supetão por frei Elias – um cearense que não era maior do que eu naquela época – que anunciou, às gargalhadas: “Getúlio Vargas morreu”. Rapidamente, por insistência da professora, contou como foi. Ele tinha pressa para transmitir a grande notícia às outras três salas.

Acho que todos nós sabíamos quem era Getúlio. Um homem malvado que havia ajudado os americanos a derrotarem Hitler, impedindo assim que o líder alemão acabasse com o comunismo no mundo. Nosso diretor, grande admirador do Füher, só apareceu naquele dia às 11h – o horário normal das pregações dele a todos os alunos.

O padre não gargalhava, como frei Elias. Nem ao menos sorria. Começou dando uma esculhambação no subordinado de batina, que estava de pé ao seu lado, cabisbaixo. A morte de alguém, ainda mais por suicídio, não era motivo de regozijo, pregou o padre. Continuar lendo

Manifesto de 200 historiadores, professores e escritores contra a censura às biografias

Recebi, aqui no blog mesmo, por meio de um comentário escrito pelo historiador e professor da USP Marcelo Rede, o excelente manifesto que reproduzo abaixo. Já está assinado por 200 pessoas muito inteligentes, em sua maioria historiadores – mas, se me permitem, também assino embaixo de tudo o que está tão claramente defendido lá 😉

Ao manifesto:

***

No momento em que a Justiça brasileira discute o estatuto legal das biografias e que um amplo debate sobre a liberdade de pesquisa e de divulgação se estabelece no País, nós – historiadores, escritores, intelectuais e acadêmicos – vimos a público para expressar nosso apoio aos seguintes princípios.

Liberdade para as biografias

As vidas dos indivíduos são parte da história. As biografias são, portanto, formas de entender a realidade e não podem ser objeto de nenhum limite ou interdição. Castrar a biografia significa ferir mortalmente a compreensão das sociedades.

O biógrafo deve poder interpretar seus personagens livremente, assim como o historiador escolhe e analisa os seus temas sem entraves ou imposições.

O historiador não pede licença ao Estado ou aos partidos para escrever a história política; não solicita a benção de Igrejas ou templos para expor sua visão sobre a história das religiões; não depende de empresas ou corporações para analisar o fenômeno econômico. Do mesmo modo, o biógrafo não pode estar submetido à autorização do biografado para falar de seu personagem.

A biografia não busca elogiar nem insultar, mas entender. O biógrafo deve ser livre para reconhecer e expor as virtudes e os defeitos dos atores da história, acima das sensibilidades pessoais ou dos interesses de qualquer natureza. A biografia pode ser inconveniente, mas jamais desonesta com os fatos.

O respeito à privacidade não pode sobrepor-se ao interesse coletivo em se conhecer o passado e o presente. Cabe ao biógrafo distinguir criteriosamente entre a exposição inútil da vida pessoal e os detalhes significantes para a explicação do contexto.

A biografia não é uma invasão da vida alheia, mas um procedimento de análise sério e metódico, fundado em documentos e depoimentos, que visa a estabelecer as relações entre os personagens e sua época.

As trajetórias pessoais não são uma mercadoria. O direito de escrever sobre elas não deve ser objeto de negociações ou de contratos comerciais. A mercantilização dos temas e dos personagens históricos compromete a independência do autor.

A biografia não é uma causa jurídica. Não pode ser controlada pelos legisladores nem cerceada pelos tribunais. O Estado brasileiro já dispõe de amplo aparato legal para corrigir e coibir os eventuais abusos e desvios de uma biografia, sem necessidade de recorrer à censura prévia.

Em um Estado democrático e livre, a biografia e a história não podem ser reféns da censura privada ou de Estado, nem podem ser asfixiadas pelo medo de processos e de sanções indevidas. Negar isso seria transformar a biografia em peça de propaganda dos indivíduos biografados ou em veículo de uma verdade oficial.

A liberdade para as biografias é, em suma, parte da liberdade de expressão. É imperioso que sejam garantidas as condições de pesquisa e de divulgação de seus resultados.

SIGNATÁRIOS

  1. Adrián Pablo Fanjul – Professor da USP
  2. Aldrin Castellucci – Historiador – Professor da UNEB
  3. Alessandra Pellegrino Negrão – Historiadora e Jornalista – UCSAL
  4. Alex Degan – Historiador – Professor da UFTM
  5. Alexandre Galvão Carvalho – Historiador – Professor da UESB
  6. Alfredo Bosi – Professor da USP – Membro da Academia Brasileira de Letras
  7. Aline Vieira de Carvalho – Laboratório de Arqueologia Pública – UNICAMP
  8. Alípio de Sousa Filho – Cientista Social – Professor da UFRN
  9. Álvaro de Vita – Professor da USP
  10. Ana Chrystina Mignot – Professora da UERJ
  11. Ana Claudia Perpétuo de Oliveira da Silva – Professora da UFSC
  12. Ana Lívia Bomfim Vieira – Historiadora – Professora da U. Estadual do Maranhão
  13. Ana Luce Girão Soares de Lima – Historiadora – Pesquisadora da FIOCRUZ
  14. Ana Paula Megiani – Historiadora – Professora da USP
  15. Anamaria Marcon Venson – Historiadora – UFSC
  16. Angela Alonso – Socióloga – Professora da USP-CEBRAP
  17. Angélica Müller – Historiadora – Professora da Universidade Salgado de Oliveira
  18. Anibal Bragança – Historiador – Professor da UFF
  19. Antonio Andrade – Professor da UFRJ
  20. Antonio Dimas – Professor da USP
  21. Antonio José Barbosa – Historiador – Professor UnB
  22. Arthur Alfaix Assis – Historiador – Professor da UnB
  23. Benito Bisso Schmidt – Historiador – Professor da UFRGS
  24. Breno Battistin Sebastiani – Professor da USP
  25. Cândido Domingues – Historiador – Professor da UNEB
  26. Carla Maria Carvalho de Almeida – Historiadora – Professora da UFJF
  27. Carla Renata Antunes de Souza Gomes – Historiadora – Professora da FTSG
  28. Carlos Augusto Ribeiro Machado – Historiador – Professor da USP
  29. Carlos de Almeida Prado Bacellar – Historiador – Professor da USP
  30. Carlos Eduardo Vidigal – Historiador – Professor da UnB
  31. Carlos Henrique Barbosa Gonçalves – Historiador da Ciência – Professor da USP
  32. Caroline Jaques Cubas – Historiadora – UFSC
  33. Celso Taveira – Historiador – Professor da UFOP
  34. Chiara Vangelista – Historiadora – Professora da Universidade de Gênova
  35. Claudete Beise Ulrich – Coordenadora de estudos – U. De Hamburgo
  36. Cláudia Schemes – Historiadora – Professora da FEEVALE
  37. Cláudia Viscardi – Historiadora – Professora da UFJF
  38. Claudio Henrique de Moraes Batalha – Historiador – Professor da UNICAMP
  39. Cloves Macêdo Neto – Pesquisador – UFBA
  40. Cristiano Roque Antunes Barreira – Psicólogo – Professor da USP
  41. Cristina Scheibe Wolff – Historiadora – Professora da UFSC
  42. Daiana Crús Chagas – Historiadora – Escola Politécnica Joaquim Venâncio
  43. Daniel Aarão Reis – Historiador – Professor da UFF
  44. Daniel Barbosa Andrade de Faria – Historiador – Professor da UnB
  45. Debora Bastos – Historiadora – UFJF
  46. Débora El-Jaick Andrade – Historiadora – Professora da UFF
  47. Diogo Jorge de Melo – Historiador – Professor da UFPA
  48. Diogo Ramada Curto – Historiador – Universidade Nova de Lisboa
  49. Edgar de Decca – Historiador – Professor da UNICAMP
  50. Edilece Souza Couto – Historiadora – Professora da UFBA
  51. Eduardo H. B. Vasconcelos – Historiador – Professor da UEG
  52. Eliana de Freitas Dutra – Historiadora – Professora da UFMG
  53. Elizabeth Abrantes – Historiadora – Professora da UEMA
  54. Elizabeth Cancelli – Historiadora – Professora da USP
  55. Elza Filgueiras – Pesquisadora do Museu de Arte do Espírito Santo
  56. Erivaldo Fagundes Neves – Historiador – Professor da UEFS
  57. Estevão de Rezende Martins – Historiador – Professor da UnB
  58. Fabrina Magalhães Pinto – Historiadora – Professora da UFF
  59. Fatima Pivetta – Pesquisadora da FIOCRUZ
  60. Felipe Spadari da Silva – Historiador – Centro de Documentação e Memória Maurício Grabois
  61. Fernando Teixeira da Silva – Historiador – Professor da UNICAMP
  62. Francisco Alambert – Historiador – Professor da USP
  63. Francisco Alcides do Nascimento – Historiador – Professor da UFPI
  64. Francisco Bethencourt – Historiador – Professor do King’s College London
  65. Francisco Carlos Palomanes Martinho – Historiador – Professor da USP
  66. Francisco Marshall – Historiador – Professor da UFRGS
  67. François Dosse – Historiador – Professor da Universidade de Paris-XII
  68. Gabriela Pellegrino Soares – Historiadora – Professora da USP
  69. Gislene Aparecida dos Santos – Geógrafa – Professora da UFPR
  70. Giuliana Ragusa – Professora da USP
  71. Gláucia de Oliveira Assis – Antropóloga – Professora da UDESC
  72. Graciela Foglia – Professora da UNIFESP
  73. Heloisa Maria Murgel Starling – Historiadora – Professora da UFMG
  74. Heloisa Pontes – Antropóloga – Professora da UNICAMP
  75. Henrique Mondanez de Sant’Anna – Historiador – Professor da UnB
  76. Ione Oliveira – Historiadora – Professora da UnB
  77. Iris Kantor – Historiadora – Professora da USP
  78. Izabel Andrade Marson – Historiadora – Professora da UNICAMP
  79. Jacqueline Hermann – Historiadora – Professora da UFRJ
  80. Jacyntho Lins Brandão – Professor da UFMG
  81. Jefferson José Queler – Historiador – Professor da UFOP
  82. Joana Maria Pedro – Historiadora – Professora da UFSC
  83. João Fábio Bertonha – Historiador – Professor da U. Estadual de Maringá
  84. João José Reis – Historiador – Professor da UFBA
  85. Jorge Coli – Historiador – Professor da UNICAMP
  86. Jorge Ferreira – Historiador – Professor da UFF
  87. José Murilo de Carvalho – Historiador – Academia Brasileira de Letras
  88. José Otávio Guimarães – Historiador – Professor da UnB
  89. Josianne Francia Cerasoli – Historiadora – Professora da UNICAMP
  90. Juliana Rodrigues Lucena – Historiadora – Professora da Faculdade Líder
  91. Juliano Custódio Sobrinho – Professor da Uninove
  92. Julio Cesar Magalhães de Oliveira – Historiador – Professor da USP
  93. Júlio Pimentel Pinto – Historiador – Professor da USP
  94. Junia Ferreira Furtado – historiadora – Professora da UFMG
  95. Kátia Pozzer – Historiadora – Professora da ULBRA
  96. Keila Grinberg – Historiadora – Professora da UNIRIO
  97. Larissa Rosa Correa –Historiadora – Instituto Internacional de História Social de Amsterdam
  98. Laura de Mello e Souza – Historiadora – Professora da USP
  99. Leandro Ranieri – Professor da UFSCar
  100. Lenira Zancan – Pesquisadora da FIOCRUZ
  101. Lia Gomes Pinto de Sousa – Historiadora – FIOCRUZ
  102. Lídia Cunha – Historiadora – Professora da UESB
  103. Lídia Maria Vianna Possas – Historiadora – Professora da UNESP
  104. Lúcia Guimarães – Historiadora – Professora da UERJ
  105. Luiz Bernardo Pericás – Historiador – Professor da USP
  106. Luiz Carlos Soares – Historiador – Professor da UFF
  107. Luiz Cláudio Machado – Historiador
  108. Luiz Eduardo Catta – Historiador – Professor da UNIOESTE
  109. Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, Historiador – Professor da UFOP
  110. Luiz Mott – Antropólogo – Professor da UFBA
  111. Luiz Teixeira – Historiador – Pesquisador da FIOCRUZ
  112. Maciel Henrique Carneiro da Silva – Historiador – Professor do IFPE
  113. Mafalda Cunha – Historiadora – Professora da Universidade de Évora
  114. Marcelo Cândido da Silva – Historiador – Professor da USP
  115. Marcelo Rede – Historiador – Professor da USP
  116. Márcia Maria Menendes Motta – Historiadora – Professora da UFF
  117. Márcio de Souza Soares – Historiador – Professor da UFF
  118. Márcio Souza Gonçalves – Professor da UERJ
  119. Marco Antonio Silveira – Historiador – Professor da UFOP
  120. Marcos Fábio Freire Montysuma – Historiador – Professor da UFSC
  121. Marcos Martinho – Professor da USP
  122. Marcos Napolitano – Historiador – Professor da USP
  123. Margareth Rago – Historiadora – Professora da UNICAMP
  124. Maria Carolina Bissoto – Consultora – Comissão de Anistia – Ministério da Justiça
  125. Maria Clementina Pereira Cunha – Historiadora – Professora da UNICAMP
  126. Maria Cristina Pereira – Historiadora – Professora da USP
  127. Maria Helena P. T. Machado – Historiadora – Professora da USP
  128. Maria Helena Rolim Capelato – Historiadora – Professora da USP
  129. Maria Lêda Oliveira – Historiadora – Professora da USP
  130. Maria Paula Nascimento Araujo – Historiadora – Professora da UFRJ
  131. Maria Rosa Dória Ribeiro – Historiadora – Fulbright Scholar – College of New Rochelle
  132. Maria Stella Martin Bresciani – Historiadora – Professora da UNICAMP
  133. Maria Valéria Barbosa – Arquivista – UNICAMP
  134. Mariângela Nogueira – Tradutora
  135. Marilia Barcellos – Professora da UFSM
  136. Marina de Mello e Souza – Historiadora – Professora da USP
  137. Marineide de Oliveira Gomes – Professora da UNIFESP
  138. Mariza do Carmo Rodrigues – Historiadora – Professora da UNEB
  139. Mary del Priore – Historiadora – Professora da Universidade Salgado de Oliveira
  140. Mary Junqueira – Historiadora – Professora da USP
  141. Mateus H. F. Pereira – Historiador – Professor da UFOP
  142. Maurício Cardoso – Historiador – Professor da USP
  143. Maximus Santiago – Médico – Professor da UFF
  144. Milton Guran – Professor da UFF
  145. Moacir Rodrigo de Castro Maia – Historiador – Professor da UFRJ
  146. Monica Duarte Dantas – Historiadora – Professora da USP
  147. Nara Azevedo – Historiadora – Pesquisadora da FIOCRUZ
  148. Neide Elias – Professora da UNIFESP
  149. Neri de Barros Almeida – Historiadora – Professora da UNICAMP
  150. Nikelen Acosta Witter – Historiadora – Centro Universitário Franciscano
  151. Nivaldo Rodrigues da Silva Filho – Professor da UEPB
  152. Orávio de Campos – Núcleo de Arte e Cultura
  153. Orlando Luiz de Araújo – Historiador – Professor da UFCE
  154. Patrícia Melo Sampaio – Historiadora – Professora da UFAM
  155. Patrícia Santos Hansen – Historiadora – Universidade de Lisboa
  156. Paulo Elian – Historiador – Pesquisador da FIOCRUZ
  157. Paulo Fontes – Historiador – Professor do CPDOC-FGV
  158. Pedro Ernesto Fagundes – Professor da UFES
  159. Peter Robert Demant – Historiador – Professor da USP
  160. Priscila Musquim Alcântara – Historiadora – UFJF
  161. Rachel Soihet – Historiadora – Professora da UFF
  162. Raquel Glezer – Historiadora – Professora da USP
  163. Regina Dantas – Historiadora – Professora da UFRJ
  164. Renato da Silveira – Professor da UFBA
  165. Renato Lessa – Cientista Político – Presidente da Biblioteca Nacional
  166. Renato Pinto Venâncio – Professor de Arquivologia da UFMG
  167. Ricardo Figueiredo de Castro – Historiador – Professor da UFRJ
  168. Ricardo Henrique Salles – Historiador – Professor da UNIRIO
  169. Ricardo Lima – Jornalista – Coordenador da Editora da UNICAMP
  170. Rita de Cássia da Silva Almico – Professora da UFF
  171. Robert W. Slenes – Historiador – Professor da UNICAMP
  172. Ronald Raminelli – Historiador – Professor da UFF
  173. Ronaldo Vainfas – Historiador – Professor da UFF
  174. Sandra Reimão – Professora da USP
  175. Sérgio Alcides – Professor da UFMG
  176. Sérgio da Mata – Historiador – Professor da UFOP
  177. Sidney Chalhoub – Historiador – Professor da UNICAMP
  178. Silvana Rubino – Historiadora – Professora da UNICAMP
  179. Silvia Hunold Lara – Historiadora – Professora da UNICAMP
  180. Sonia Faerstein – Professora da UERJ
  181. Stuart B Schwartz – Historiador – Professor da Universidade de Yale
  182. Suzana Chwartz – Professora da USP
  183. Tânia Mara Pereira Vasconcelos – Historiadora – Professora da UNEB
  184. Tania Maria Dias Fernandes – Pesquisadora da FIOCRUZ
  185. Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira – Historiadora – Professora da UERJ
  186. Tânia Salgada Pimenta – Pesquisadora da FIOCRUZ
  187. Teresa Cristina de Novaes Marques – Historiadora – professora da UnB
  188. Teresa Cristófani Barreto – Professora da USP
  189. Théo Lobarinhas Pinero – Historiador – Professor da UFF
  190. Thiago Rattes de Andrade – Historiador – UFJF
  191. Thomás Haddad – Historiador da Ciência – Professor da USP
  192. Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses – Historiador – Professor Emérito da USP
  193. Valéria Andrade – Professora da UFCG
  194. Valéria Gomes da Costa – Historiadora – Professora da Faculdade Anglo Líder
  195. Vanda Arantes do Vale – Historiadora – Professora da UFJF
  196. Vânia Vasconcelos – Historiadora – Professora da UNEB
  197. Vavy Pacheco Borges – Historiadora – Professora aposentada da Unicamp
  198. Vima Lia de Rossi Martin – Professora da USP
  199. Walter Fraga – Historiador – Professor da UFRB
  200. Yara Aparecida Couto – Professora da UFSCar

***

Não estranha o fato de tantos historiadores terem assinado. Afinal, se o STF não derrubar a aberração prevista em um código, que os “artistas” do Procure Saber resolveram defender, não só o jornalismo e as biografias estarão sob risco de serem censurados, mas também o trabalho dos historiadores — e, por consequência, a própria construção da História do Brasil. Um exemplo muito bem colocado pelo genial Ruy Castro:

“Os herdeiros do presidente Emílio Garrastazu Médici, por exemplo, talvez tolerassem uma biografia do seu parente, mas exigiriam “ajustes” nas referências à tortura durante o seu mandato. O Médici pai ou avô que eles conheceram não se identificaria com o homem descrito pelo biógrafo como responsável pelo pior período da ditadura. Afinal, quem conheceu papai ou vovô Emílio melhor do que eles, que privaram de sua intimidade? “Ajustes” teriam de ser feitos.
A medida beneficiaria também os herdeiros do delegado Sérgio Fleury –eles não gostariam de ver o seu ilustre parente mostrado como o maior torturador da história do Brasil. Donde, “ajustes”. E o mesmo quanto a possíveis biografias de Luiz Carlos Prestes, Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Costa e Silva, Tancredo Neves e outros personagens centrais da política brasileira – quem, aos olhos de seus filhos e netos, não será merecedor de “ajustes”?
Todos os citados já morreram e, mesmo assim, por intermédio de seus herdeiros, continuariam interferindo no contar a história do Brasil.  (…) Melhor passar logo o apagador no Brasil e deixá-lo um grande quadro em branco.”

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