Chegou a hora de ser otimista

Texto escrito por José de Souza Castro:

Há um mês escrevi que chegou a hora de ser pessimista. Errei. Certifiquei-me do erro ao ler esta entrevista do governador do Maranhão, Flavio Dino, publicado dois dias antes do 7 de Setembro pelo Brasil de Fato. Pessimismo, diz o político do PCdoB, “é uma armadilha ideológica, porque é a paralisia da sociedade em relação aos problemas nacionais e, ao mesmo tempo, uma espécie de diversionismo, porque você desvia a atenção do que está acontecendo”.

É hora, isso sim, de a esquerda se programar para as eleições de 2018, trazendo ao eleitor novas propostas. “Não se pode continuar a fazer o mesmo que fazíamos, porque há novas questões”, disse Flávio Dino à repórter Cristiane Sampaio. “Precisamos financiar os serviços públicos e, para isso, precisamos de Justiça Tributária, no sentido de que os mais ricos, os milionários, bilionários, os rentistas e o capital financeiro têm que pagar os seus impostos com proporcionalidade em relação aos mais pobres”, exemplificou Dino. Para ele, a injustiça tributária no Brasil é uma anomalia escabrosa.

Ao lado disso, o país está perdendo o próprio conceito de soberania que é o poder de estabelecer a confiabilidade da nossa moeda, a segurança das relações jurídicas, Conforme Dino, “quando olhamos tudo isso que está acontecendo, é que nós identificamos que, com esse sentimento de que o Brasil não tem jeito, o povo brasileiro realmente põe tudo a perder, ou, no sentido mais da luta política, de que ‘a culpa é dos vermelhos’, ‘a culpa é da esquerda’, é algo que atende exatamente aos interesses dessa minoria de privilegiados que não têm o menor respeito pelo sofrimento do nosso povo, pelos desempregados, por aqueles que precisam do trabalho, da geração de renda, de investimentos, que moram no Brasil”.

Só é possível para a esquerda voltar ao comando do país se Continuar lendo

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Morre o jornalista Paulo Nogueira

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Do not ask for whom the bell tolls, it tolls for thee”. Esta frase do poeta inglês John Donne, falecido em 1631, ficou célebre ao inspirar o título do romance “Por quem os sinos dobram”, de Ernest Hemingway, jornalista que cobriu a Guerra Civil Espanhola e a II Guerra Mundial. “Eles dobram por ti”. Poucas vezes senti-os tão de perto quanto ao ler na manhã de hoje no Diário do Centro do Mundo a notícia da morte por câncer, aos 61 anos, do jornalista Paulo Nogueira.

Não o conheci pessoalmente, mas pude acompanhar sua vitoriosa carreira na editora Abril e na Editora Globo. Sobretudo, pelo que ele escrevia no DCM, fundado por ele e por Kiko Nogueira em 2012, quando Paulo vivia em Londres e o irmão em São Paulo.

Segundo Kiko, Paulo deixou sua marca em cada uma das funções em que exercia no jornalismo. “A vibração, a provocação, o apuro, a busca da excelência. Antecipou tendências, fez acontecer”, descreve o irmão. “Nunca foi santo. Era duro. Era também de uma paciência infinita. Fez companheiros para a vida toda nas redações e revelou vários talentos. Fez inimigos, também, como todo grande homem. ‘Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos’, dizia, repetindo Marco Aurélio, o imperador romano, seu filósofo de cabeceira ”, revela Kiko.

Morto, Paulo Nogueira será mais lembrado pelos amigos do que pelos inimigos. Os primeiros sabem, de fato, por quem os sinos dobram. Amigos que compartilharam com ele a utopia de um Brasil mais justo.

No Diário do Centro do Mundo, não são poucos. Em menos de cinco anos, o número de acessos diários ao site subiu de 20 mil para 500 mil.

O corpo do jornalista será enterrado na tarde desta sexta-feira no Cemitério Gethsêmani do Morumbi. O velório é ali, na Praça da Ressurreição.

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Moro e o blogueiro Eduardo Guimarães: quem cometeu crime?

Eduardo Guimarães fala a Laura Capriglione, do Jornalistas Livres, sobre condução coercitiva. Foto: Reprodução

Texto escrito por José de Souza Castro:

O blogueiro Eduardo Guimarães foi acordado na manhã desta terça-feira em sua residência em São Paulo por agentes da Polícia Federal que receberam do juiz Sérgio Moro a ordem para que fizessem condução coercitiva dele à delegacia e a apreensão de seu computador, notebook e celular – inclusive o de sua mulher. O juiz da Lava Jato, que já abrira um processo contra o blogueiro por se sentir ameaçado por ele, queria a confirmação do nome da fonte do Blog da Cidadania que há um ano deu o furo sobre a condução coercitiva de Lula.

Ao ser liberado, depois de prestar depoimento, sem confirmar ou negar o nome da fonte já identificada pela Lava Jato, Eduardo Guimarães estava acompanhado por seu advogado, Felipe Hideo, para quem a iniciativa buscava ilegalmente “violar o sigilo da fonte”. Eles foram entrevistados ali pelo site Jornalistas Livres, que divulgou um vídeo que se espalhou rapidamente pela blogosfera [nota da Kika: o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas também emitiu nota oficial se posicionando. Leia AQUI. Mais tarde, a jornalista Laura Capriglione também gravou vídeo de Eduardo Guimarães sobre o ocorrido. Assista AQUI].

O deputado Paulo Teixeira (PT-S) perguntou a Sérgio Moro sobre a legalidade de exigir do blogueiro o nome da fonte e ouviu do juiz o seguinte: “Ele não é jornalista”. O juiz parece desconhecer que no Brasil não se exige o diploma de jornalista e que Eduardo Guimarães, formado em Direito, criou o blog há 12 anos, onde faz jornalismo.

O comportamento do juiz foi muito criticado por blogueiros, aos quais me alio, e seu gesto interpretado como uma tentativa de calar os críticos da Lava Jato na Internet. Como exemplo, Continuar lendo

Contradições contemporâneas (passado e presente se estapeiam; esquerda e direita são uma coisa só)

1.

A ex-guerrilheira, que lutou contra a ditadura com unhas e dentes, hoje presidente da República pelo PT, convoca as tropas do Exército e pede reforço de policiais militares, civis, federais e rodoviários para proteger a realização de um leilão (que entrega o pré-sal do país a consórcios formados principalmente por petroleiras estrangeiras) de sindicalistas historicamente ligados ao PT que querem protestar.

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2.

O cantor, que lançou a música “É proibido proibir” em 1968, e músicas inspiradas em personagens reais, como Giulietta Masina, que foi perseguido pela ditadura, teve canções censuradas e teve que se exilar, escreve artigos em que defende, pública e desavergonhadamente, a autorização prévia para que livros biográficos possam ser feitos e publicados, além do pagamento de percentual a quem inspirou o texto. Outros dois músicos, também perseguidos e censurados e etc, que escreveram a canção “Cálice”, hoje defendem que biógrafos se calem.

***

(Para nossa reflexão. Passado e presente se estapeiam. Esquerda e direita se misturam. Tudo é igual, ou será algum dia, como os porcos e os humanos.)

A propósito, o Vinicius Luiz, de quem já falei aqui no blog, criou um excelente Tumblr para mostrar as contradições que surgem quando tentamos definir o que é esquerda e o que é direita. Engraçadíssimo, vejam AQUI 😀