Morre o jornalista Paulo Nogueira

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Do not ask for whom the bell tolls, it tolls for thee”. Esta frase do poeta inglês John Donne, falecido em 1631, ficou célebre ao inspirar o título do romance “Por quem os sinos dobram”, de Ernest Hemingway, jornalista que cobriu a Guerra Civil Espanhola e a II Guerra Mundial. “Eles dobram por ti”. Poucas vezes senti-os tão de perto quanto ao ler na manhã de hoje no Diário do Centro do Mundo a notícia da morte por câncer, aos 61 anos, do jornalista Paulo Nogueira.

Não o conheci pessoalmente, mas pude acompanhar sua vitoriosa carreira na editora Abril e na Editora Globo. Sobretudo, pelo que ele escrevia no DCM, fundado por ele e por Kiko Nogueira em 2012, quando Paulo vivia em Londres e o irmão em São Paulo.

Segundo Kiko, Paulo deixou sua marca em cada uma das funções em que exercia no jornalismo. “A vibração, a provocação, o apuro, a busca da excelência. Antecipou tendências, fez acontecer”, descreve o irmão. “Nunca foi santo. Era duro. Era também de uma paciência infinita. Fez companheiros para a vida toda nas redações e revelou vários talentos. Fez inimigos, também, como todo grande homem. ‘Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos’, dizia, repetindo Marco Aurélio, o imperador romano, seu filósofo de cabeceira ”, revela Kiko.

Morto, Paulo Nogueira será mais lembrado pelos amigos do que pelos inimigos. Os primeiros sabem, de fato, por quem os sinos dobram. Amigos que compartilharam com ele a utopia de um Brasil mais justo.

No Diário do Centro do Mundo, não são poucos. Em menos de cinco anos, o número de acessos diários ao site subiu de 20 mil para 500 mil.

O corpo do jornalista será enterrado na tarde desta sexta-feira no Cemitério Gethsêmani do Morumbi. O velório é ali, na Praça da Ressurreição.

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O fim do Blogger (e o backup salvador)

Print da última capa do blog Tamos com Raiva

Print da última capa do blog Tamos com Raiva

Quando fui criar meu primeiro blog, junto com a amiga Maria Tereza, acho que só existiam duas ferramentas de publicação mais importantes no Brasil: o Blogspot e o Blogger, que era da Globo.com. Era ainda março de 2003 e havia poucos blogueiros no Brasil. Optamos pela segunda plataforma, que era bem fácil de usar.

O blog Tamos com Raiva (http://www.tamoscomraiva.blogger.com.br) foi minha primeira experiência jornalística. Eu estava no primeiro ano de faculdade e foi naquele espaço que comecei a fazer análises e apurações, mesmo que bastante amadoras, sobre um assunto que sempre me interessou: política. A experiência se enriqueceu ainda mais a partir de 2005, se não me engano, quando meu pai, que é jornalista desde 1972 e tem um currículo respeitável, começou a fazer o blog comigo. Foi quando a página passou a ficar mais profissional, com divulgação de informações jornalísticas sobre o mensalão tucano, a operação Satiagraha ou as denúncias envolvendo o Zeca do PT, pra ficar em três casos de que me lembro bem. Também promovíamos debates, como faço hoje aqui, sobre temas como o referendo do porte de armas.

Um dos últimos posts do blog foi sobre a invasão do escritório do “Novo Jornal”, do jornalista Marco Aurélio Carone, reproduzido no site do “Observatório da Imprensa” e na revista digital Novae. Anos depois, mais precisamente durante as eleições presidenciais de 2014, quando Aécio Neves era o candidato do PSDB, Carone — que sempre divulgou denúncias sobre a lista de Furnas e outros casos envolvendo o grupo do ex-governador mineiro — foi preso. O processo kafkaniano que justificou sua prisão até o fim das eleições (ele foi solto pouco depois da apuração das urnas) é relatado em reportagem do “Diário do Centro do Mundo” publicada no último sábado.

Naquele 2008, eu estava começando a trabalhar na “Folha de S.Paulo”, e achei difícil conciliar o trabalho no blog com o do jornal, que já era por demais puxado. Por isso, encerrei as atividades do TCR, que foi uma escola para mim, sendo meu pai meu principal professor. Na época, ele tinha atingido 100 mil leitores, o que, para nós, era uma marca histórica. E todo o conteúdo do blog ainda podia ser acessado durante todos esses anos, por quem fizesse uma busca simples num Google da vida.

Na última segunda-feira, fui procurar no TCR a reportagem que eu tinha feito, com várias fotos, sobre a invasão do “Novo Jornal”, depois de ler o material do DCM. Foi com surpresa que descobri que o blog já não existia. Ao acessá-lo, apareceu a seguinte mensagem da Globo.com:

blogger

Ou seja, o serviço do Blogger foi interrompido no final de junho deste ano, levando consigo todos os blogs hospedados lá, provavelmente milhares. Ou o histórico de blogs inativos tão antigos quanto o meu, criado há 12 anos.

Senti um imenso pesar. Tenho o backup completo do meu blog no computador, então não cheguei a perder todo o trabalho de cinco anos — aproximadamente 3 milhões de caracteres e 1.245 páginas de Word. Mas o conteúdo — que traz informações relevantes principalmente sobre políticos mineiros — não está mais disponível a quem quiser procurá-lo na web. E minha primeira experiência como blogueira e jornalista se perdeu para sempre.

O episódio me lembrou o site Fulano.com.br, que tinha um espaço só para os usuários publicarem resenhas de filmes. As melhores resenhas eram inclusive premiadas, e recebi prêmios por algumas das minhas. Em 2004, eles encerraram a seção sem aviso prévio, e dezenas de críticos do Fulano ficaram desconsolados, porque tinham perdido todo o seu trabalho. Felizmente, algum anjo da guarda tinha me inspirado a fazer um backup dos meus mais de 100 textos UMA SEMANA ANTES de o Fulano deletar os textos de todos! Estão todos guardadinhos no meu computador, me lembrando que, desde os 16 anos, eu já gostava de escrever sobre cinema.

Este Blog da Kikacastro foi criado no Natal de 2010 e já tem mais de 1.500 posts. Penso que está na hora de eu fazer um backup — nunca se sabe quando o WordPress vai resolver fechar as portas, sem mais nem menos, deletando tantos anos de trabalho. Até já descobri um site que transforma os blogs em arquivos de PDF — a ver se ainda funciona e se conseguirá armazenar um blog tão pesado quanto o meu…

E você, já salvou seus trabalhos que estão perdidos na internet? Não deixe para a próxima semana!


 

ADENDO EM 22.10.2015 – O Roberto Takata acaba de me apresentar ao site Internet Archive! Sensacional! Lá está meu bom e velho TCR, arquivadinho 🙂

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