Guilherme Boulos, meu candidato

Texto escrito por José de Souza Castro:

Guilherme Boulos instantes antes de começar a ser entrevistado no programa Roda Viva. 7.5.2018

A campanha política nem começou e já tenho candidato a presidente da República. Mesmo se Lula vier a ser, não voto nele, ao contrário do que tenho feito desde a primeira vez em que foi o candidato do PT. Não acredito mais que seu partido possa mudar o Brasil, como necessário. E duvido que vá surgir candidato melhor que o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, do Psol, convicção consolidada ao assistir sua entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Quem não assistiu pode fazê-lo na internet:

Ciro Gomes, que será entrevistado no dia 28 de maio por Ricardo Lessa e seus convidados, é meu velho conhecido e não acredito na sinceridade de suas propostas, candidato que é do PDT, um partido que se tornou uma espécie de PMDB desde a morte de Brizola. Antes de Ciro Gomes, no dia 21, é a vez do empresário João Amoêdo, candidato do Partido Novo. Não estarei entre seus ouvintes, pois de “novo”, ele não tem nada. Basta dizer que já trabalhou para Unibanco e Itaú e tem como formulador de seu plano de governo Gustavo Franco, presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Outro queridinho dos tucanos, Rubens Figueiredo, apresentado como cientista político, foi um dos entrevistadores de Boulos. Foi divertido vê-lo sendo massacrado pelo líder dos sem-teto. Idem, Fabio Wajngarten, empresário de mídia que ajudou a organizar reuniões de Bolsonaro com a comunidade judaica, conforme o Diário do Centro do Mundo.

Gostei especialmente da primeira medida anunciada por Boulos. Se eleito, no primeiro dia de governo vai convocar um plebiscito para que os brasileiros decidam se serão mantidas ou não todas as medidas antissociais tomadas no governo Temer.

Seria a primeira de uma série de plebiscitos, para que o Brasil, castigado sempre por partidos que não têm, sequer, democracia interna, venha a ter, de fato, um governo democrático.

Talvez assim consiga amenizar a desigualdade social num país em que seis pessoas têm mais renda e riqueza que 100 milhões de brasileiros. “Hoje o grande problema nacional é o tema da desigualdade social”, afirmou Boulos. Ele promete regulamentar o sistema financeiro, pois “a economia tem que servir à sociedade e não a sociedade à economia”.

Para o candidato do Psol, a corrupção de que trata de forma seletiva a Lava Jato é um grande problema, mas não tanto quanto a “corrupção consentida”. Um exemplo desse tipo de corrupção, disse Boulos, é “a porta-giratória” pela qual passam dirigentes do Bradesco – um dos patrocinadores do Roda Viva –, e de outros importantes bancos privados, quando convidados para serem ministros da Fazenda ou presidentes do Banco Central, voltando, ao fim do mandato, aos bancos de origem depois de bem servi-los com recursos públicos.

Ou seja, depois de permitirem, gostosamente, que o Brasil tenha o maior “spread” do mundo, que é a diferença entre o custo do dinheiro que recolhem e o que os bancos cobram, na forma de juros e taxas, pelos empréstimos que fazem aos incautos clientes.

Ah, sim. Boulos também quer fazer reforma da Previdência Social, mas não como a que planejou o governo Temer. Esta é muito ruim, classificou ele, porque não mexe nos privilégios dos militares nas Forças Armadas e da alta cúpula do Poder Judiciário, por exemplo, mas quer retirar dos pobres até o direito de se aposentarem antes de morrer.

Bem, são coisas que todos nós sabemos e até já cansei de escrever a respeito, mas seria no mínimo divertido ter na Presidência da República, depois dos generais, de Sarney, de Collor, de Fernando Henrique Cardoso e dos dois eleitos pelo PT, alguém como Boulos.

Seria interessante também por podermos apostar: Boulos, o Intrépido, levará mais tempo ou não do que João Goulart para ser derrubado pela Rede Globo e pela turma do Trump? Seja qual for o tempo gasto, será uma pena se Sônia Guajajara, a primeira indígena brasileira a ser eleita vice-presidente, não puder assumir a Presidência da República, como Temer, no lugar de Boulos.

Que, por sinal, não disse – e não lhe foi perguntado na entrevista, pois ninguém na TV Cultura é bobo – o que pretende fazer para quebrar o oligopólio da Globo, antes que seja tarde.

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Ainda o ‘jeitinho safado’ nas eleições de 2018

Texto escrito por José de Souza Castro:

Antes do Carnaval, escrevi a respeito de um texto do prefeito de Betim, Vittorio Medioli, intitulado “O jeitinho safado”, publicado no dia 4 deste mês em seu jornal “O Tempo”. Afirmei que o artigo do milionário teve pouca repercussão. No dia 12, três dias depois de meu artigo neste blog, Ranier Bragon publicou na “Folha de S.Paulo” reportagem sob o título “TSE publica resolução que libera autofinanciamento de campanhas”.

Exatamente a reclamação de Medioli, que achou uma safadeza do atual Congresso Nacional, formado em boa parte por milionários, ter limitado em apenas 10 salários mínimos o valor do autofinanciamento. Para se eleger prefeito, depois de 16 anos como deputado federal, Medioli gastou do próprio bolso R$ 3,6 milhões. Foi o único financiador de sua campanha eleitoral.

Ao escrever o artigo, Medioli, assim como eu, não sabia que o “TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou no início deste mês a íntegra da resolução que permite aos candidatos financiarem 100% de suas próprias campanhas”, conforme informação de Bragon.

Curiosamente, o texto completo da resolução do TSE, aprovado em dezembro de 2017, só agora foi publicado. Se não for mudado até o dia 5 de março, data limite para que o TSE “publique todas as regras definitivas das eleições de 2018, candidatos com renda e patrimônio elevados levarão grande vantagem sobre os demais”, informa Bragon. E argumenta: Continuar lendo

O prefeito Medioli e o ‘jeitinho safado’ dos deputados e senadores

Texto escrito por José de Souza Castro:

O atual prefeito de Betim, Vittorio Medioli, do PHS, foi destaque numa notícia de “O Globo” por ter sido o candidato que mais gastou dinheiro na campanha para prefeito em 2016, em todo o Brasil. Ele gastou R$ 3,9 milhões e foi o único doador de sua campanha. Se concorresse nas eleições deste ano, só poderia gastar R$ 9.690 de seu próprio bolso – ou dez salários mínimos. Tudo por causa de um “jeitinho safado” dos atuais deputados e senadores na luta para se reelegerem.

“O jeitinho safado” é o título de artigo de Medioli em seu jornal “O Tempo”, publicado no dia 4 deste mês e que não teve a repercussão merecida. Nem entre os próprios leitores do jornal. Quatro dias depois, apenas 16 comentaram o artigo, entre eles, Job Alves dos Santos, que disse: “Excelente abordagem. Agora, como fazer que isto chegue ao público? Esta é uma notícia que precisaria viralizar na internet. Mas a imprensa é modesta na divulgação.”

Segundo Medioli, que escreve semanalmente um artigo em seus jornais e que foi deputado federal pelo PSDB mineiro por 16 anos, as novas regras foram aprovadas pelo Congresso Nacional “exclusivamente para facilitar a reeleição de quem tem cargo”. Não espere o eleitor “novidades e renovação”. Os que já se locupletam em seus mandatos, concederam-se “alguns bilhões de dinheiro público destinados para causa própria de quem aprovou a lei. Facilita-se, assim, a camuflagem do caixa 2 de antigos financiadores, que, tendo sido secados pela Lava Jato, pretendem, como nunca, manobrar debaixo do pano do fundo eleitoral”, interpreta o prefeito de Betim.

Tudo se fez em Brasília, continua Medioli, “para inviabilizar as candidaturas avulsas, expressão mais democrática de um país realmente civilizado, e limitar a irrisórios dez salários o aporte do próprio candidato para sua campanha. Ficou proibido gastar por amor à pátria os recursos que o cidadão ganhou com seu trabalho honesto, taxado pela maior carga tributária das Américas. Não poderá enfrentar o mal que castiga a nação com meios iguais”. E repisa: “A reserva de mercado inclui canalhas e afasta voluntários.” Continuar lendo