De que lado você está nestas eleições? (+ 30 charges para ajudar na reflexão)

* 13 entidades religiosas – católicas, evangélicas, judaicas, anglicanas e islâmicas – se posicionam contra a barbárie promovida por Bolsonaro.

* Mais de mil juristas – ex-ministros do STF, procuradores, magistrados, professores – fazem manifesto contra o risco à democracia se Bolsonaro for eleito.

* Mais de 190 mil pessoas já assinaram o manifesto do movimento Democracia Sim, encabeçado por intelectuais como Caetano Veloso, Chico Buarque, Arnaldo Antunes e Drauzio Varella, que diz que “a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial”.

* Pelo menos 49 jornais, de 20 diferentes países, incluindo Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e França, mas também os vizinhos Argentina e Chile, fizeram editoriais alertando para os riscos da eleição de Bolsonaro pelos brasileiros.

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Enquanto isso, um dos rostos da Ku Klux Klan declara apoio a Bolsonaro e diz: “Ele soa como nós”.

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De que lado você está?

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Eu estou ao lado da democracia, obviamente. Contra as fake news, que inclusive são financiadas via contratos milionários bancados por caixa 2 para beneficiar o candidato do PSL, que também já teve funcionária-fantasma, já ameaçou a ex-mulher de morte etc. Estou e sou contra o ódio fanático, cego e burro, que vai minando nossa democracia. E a democracia, neste momento, só está sendo representada pelo candidato Fernando Haddad, da ala moderada do PT. O outro, Jair Bolsonaro, é o candidato da barbárie, do fascismo, da incitação ao ódio nas ruas, do elogio à ditadura, da apologia à tortura, da militarização, da total ausência de propostas para o país, do absoluto despreparo, da corrupção e da máquina de inventar notícias falsas para manipular as pessoas. Tô fora desse lado!

 

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A roda da História gira mais uma vez: três gerações e três ditaduras no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Todos os povos têm momentos de união em torno de temas civilizatórios. A união se dá em torno de assuntos que transcendem para além dos interesses individuais, corporativos e partidários.

Parece que no Brasil é chegado esse momento. Pensamos diferentemente sobre tantos temas. Temos crenças, valores, ideias sobre tantos assuntos, mas em alguns pontos chegamos ao mesmo lugar – e isto é inegociável.

Este lugar, este ponto sobre o qual não discordamos, é algo chamado democracia, que engloba a preservação daquilo pelo qual todos nós lutamos há tantas décadas – a dignidade das pessoas, o respeito aos direitos humanos e a justiça social.

Os três parágrafos acima abrem o manifesto intitulado “Pela democracia, todas e todos com Haddad”, que traz como epígrafe frase famosa de Martin Luther King, o pastor negro sobre quem todos aqui já ouviram falar.

O manifesto é assinado por 1.104 juristas, professores de Direito, advogados e outros ligados ao Judiciário, além de 96 outros profissionais que ratificaram o manifesto. O segundo destes é o músico Arnaldo Antunes, cujo último poema nosso blog publicou, no último dia 12. Mas só tive conhecimento do manifesto aqui, onde se publica o texto completo e o nome dos assinantes.

Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”.

O que escrevemos agora é uma forma de adesão ao manifesto, pois não queremos estar entre os repreendidos por Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”.

Entre os bons que se manifestaram no documento, o Viomundo destacou os “ex-ministros da Justiça José Carlos Dias (governo Fernando Henrique Cardozo), Eugenio Aragão, José Eduardo Cardozo e Tarso Genro (governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence (advogado de Lula na Lava Jato), o ex-presidente da OAB Marcelo Lavenère Machado, o ex-procurador-geral de Justiça Antônio Carlos Biscaia e os advogados Pedro Dallari, Belisário dos Santos Jr, Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo de Abreu Dallari, Pedro Serrano e Marco Aurélio de Carvalho (coordenador Jurídico do PT)”.

Certamente, você encontrará conhecidos nessa lista de 1.104 democratas e, certamente, entre os 96 “outros profissionais” que aderiram ao manifesto. Dá certa inveja deles, do mesmo modo que costumávamos ter, durante a última ditadura militar, quando líamos sobre outro manifesto, do qual estivemos ausentes, por motivos óbvios.

Sobre esse manifesto, cito, por economia, a Wikipédia:

“O Manifesto dos Mineiros foi uma carta aberta publicada em 24 de outubro de 1943, no aniversário da vitória da Revolução de 1930, por importantes nomes da intelectualidade liberal (advogados e juristas) do estado de Minas Gerais em defesa da redemocratização e do fim do Estado Novo (regime ditatorial comandado por Getúlio Vargas)”.

O tempo passa e a roda da história não para. Também não, o destino trágico dos brasileiros. Em outubro de 1943, faltavam quatro meses para eu nascer e quase dois anos para o fim do Estado Novo. Em março de 1964, eu tinha 20 anos, boa idade para me indignar com mais outra ditadura. E em janeiro de 2019, a possível nova ditadura de Bolsonaro pegará meu neto mais novo – o Luiz, que os leitores do blog conhecem bem – com recém-completados 3 anos de vida.

Por ironia da história, Luiz será governado em boa parte da infância por um ditador no país, e, em Minas, por outro aventureiro que, empresário riquíssimo, ficará bem confortável sob os tacões do capitão Bolsonaro e de seus generais espertos. Nada de Estado Novo. O governador, se a maioria dos eleitores não tiver pena dos mineiros, será do Partido Novo.

Novo?

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O que Bolsonaro e seus eleitores não sabem do nosso futuro

Texto escrito por José de Souza Castro:

Chineses em meio a nuvem de poluição. A China é o maior emissor de gases do efeito estufa, seguida dos Estados Unidos. O Brasil é o sétimo país da lista dos maiores poluentes. Foto: Damir Sagolj/Reuters

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um grupo de cientistas encarregado pela ONU de orientar os líderes mundiais, divulgou no último dia 8 um relatório afirmando que em 2040, antes do previsto, o mundo estará sofrendo de escassez de comida, os incêndios florestais se agravarão e recifes de corais morrerão em escala maciça.

Esse relatório é o primeiro feito a pedido de líderes mundiais que assinaram, em 2015, o Acordo de Paris, um pacto de combate ao aquecimento global. Pacto que está sendo combatido por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, um dos países signatários. O Brasil, que também assinou, só espera a eleição de Jair Bolsonaro para também se retirar do acordo.

Trump e Bolsonaro não acreditam em aquecimento global, ao contrário, entre outros, dos prêmios Nobel de Economia deste ano, William Nordhaus e Paul Romer, que dedicaram décadas ao estudo dos impactos do clima na economia e ao papel da tecnologia na sustentabilidade.

O IPCC recebeu em 2007 o prêmio Nobel da Paz, juntamente com o americano Albert Gore, como reconhecimento pelo trabalho deles na orientação de governos. Donald Trump, porém, não se orienta pelo IPCC e Bolsonaro já deu mostras de se orientar por Trump.

Com a retirada desses dois gigantes da humanidade, ficará impossível evitar a tragédia prevista para 2040. Conforme o relatório, para evitar os danos previstos com o aquecimento global, seria necessário transformar a economia mundial em velocidade e escala sem precedentes na história.

Se continuarem as emissões dos gases causadores do efeito estufa no mesmo ritmo de agora, a atmosfera da terra estará 1,5 graus centígrados acima do que se registrava no período pré-industrial. Essa elevação da temperatura causaria inundação de áreas costeiras e aumento das secas e da pobreza no mundo. Um dano estimado em US$ 54 trilhões (cerca de R$ 199 trilhões).

Para evitar isso, seria necessário transformar a economia mundial em poucos anos. O relatório supõe que, tecnicamente, é possível realizar as mudanças necessárias, mas, politicamente, parece impossível.

Quando elaboraram o relatório, os autores nem sabiam que Bolsonaro poderia ser o próximo presidente do Brasil, a reforçar a posição política e igualmente imbecil de Trump.

Ao invés de impostos pesados sobre emissões de dióxido de carbono, como já fizeram legisladores de todo o mundo, incluindo China e União Europeia, para conter o aquecimento global, Trump prometeu queima intensificada de carvão nas usinas de energia dos Estados Unidos.

O Brasil é o sétimo maior emissor de gases causadores do efeito estufa e Bolsonaro já disse que também tem planos para abandonar o Acordo de Paris assinado por Dilma Rousseff. Ele sabe mais que os 91 cientistas de 40 países que analisaram mais de seis mil estudos científicos que resultaram no relatório do IPCC.

Os eleitores de Bolsonaro que se deixam guiar pelas mentiras, agora mais conhecidas como “fake-news”, que não se preocupam com o futuro da Terra – e do Brasil, em primeiro lugar –, só vão descobrir que seu ídolo não sabe tanto assim, quando, se ainda vivos, tiverem que fugir das águas do mar, dos incêndios e da extrema pobreza.

Paulo Migliacci traduziu uma reportagem do “The New York Times” sobre o relatório do IPCC. Os interessados podem ler AQUI ou no original, AQUI.

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Voto dos mineiros evita a morte do PT

Aécio Neves e Dilma Rousseff. Foto: Pedro França/ Agência Senado

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma coisa é certa: quaisquer que sejam os resultados das eleições no segundo turno, o Partido dos Trabalhadores continuará vivo. A maior frustração será dos que, no Executivo, Legislativo e Judiciário, queriam matar o PT ainda em 2018. Vou pegar aqui o caso de Minas, Estado que representa, segundo os entendidos, uma síntese do Brasil.

O PT elegeu em Minas oito deputados federais, num total de 992.392 votos. O PSDB, adversário histórico, apenas cinco, com 504.576 votos. Entre estes, Aécio Neves, com 106.702 votos. Número que lhe deu o 19º lugar na lista de 53 novos deputados federais mineiros.

Não é pouco, mas está bem distante do que se esperava de alguém que apostava se eleger presidente da República em 2014 e, não o conseguindo, deslanchou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, do PT, aliado ao vice Michel Temer, do PMDB.

Não é pouco, pois esses votos são capazes de proteger Aécio contra qualquer juiz de primeiro grau que queira julgá-lo por causa das denúncias da Lava Jato. A preocupação do neto de Tancredo Neves, eu presumo, não é com o juiz Sérgio Moro, notório carrasco do líder maior do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que, encarcerado em Curitiba, não pôde ser candidato e nem votar em Fernando Haddad, como queria.

Moro, sabe-se, não tem sido tão implacável com tucanos denunciados na Lava Jato, a começar por Aécio Neves.

Apesar disso, como bom mineiro – que desconfia que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém –, Aécio preferiu, a tentar se reeleger para o Senado, concorrendo com Dilma Rousseff, eleger-se deputado federal. Esperto…

Apesar de derrotada por Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS), ficando atrás até de Dinis Pinheiro, do Solidariedade, Dilma recebeu 2.709.223 votos, equivalentes a 15,3% do total. Ou 25 vezes a votação de Aécio. Sim, votações diferentes, mas a indicar que ele não teria cacife para vencer Pacheco e Viana. E provavelmente, nem a candidata petista.

Porque, como se disse, o PT não morreu em Minas, apesar da derrota do governador Fernando Pimentel para o estreante Romeu Zema (Novo) e Antonio Anastasia (PSDB). O primeiro teve 4,1 milhões de votos e, o segundo pouco mais de 2,8 milhões. A diferença de Anastasia para Pimentel foi de 574,7 mil votos. E dele para Zema, de 1 milhão 324 mil votos.

Uma situação proporcionalmente mais confortável de Anastasia, comparada com Haddad, no segundo turno. Ocorre, porém, que o PSDB mostrou fraqueza nas eleições em Minas. Já o Novo, de Zema, saiu fortalecido depois que este declarou, no final da campanha, apoio a Jair Bolsonaro, do PSL.

O PSL, por sinal, que não existia em 2014 na Assembleia Legislativa mineira, elegeu agora seis deputados estaduais. Um a menos que o PSDB, que terá sete cadeiras (em 2014, eram nove), empatando com o MDB, seu parceiro no impeachment de Dilma Rousseff. O PT terá a maior bancada, com 10 deputados. Em 2014, elegeu também 10, mesmo número do MDB. Um partido se segurou ali, o outro caiu.

Os oito deputados federais petistas eleitos em Minas somaram 992 mil votos. Seis deles mais bem votados que Aécio Neves. Os cinco tucanos totalizaram menos de 505 mil. Os nove deputados estaduais petistas somaram mais de 608 mil votos, enquanto os sete tucanos foram pouco além de 460 mil.

Diante desses números, concluo com uma pergunta: entre PT e PSDB, quem mais periga desaparecer em Minas?

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Eu acredito e confio nas urnas eletrônicas

Ao contrário da turma do Bolsonaro, que até orquestrou uma mentira hoje, e do Aécio Neves, que bateu nessa tecla de “fraude” ad nauseam em 2014, eu acredito e confio nas urnas eletrônicas.

Se quase metade dos brasileiros quer ter esse sujeito que tem tanto apreço pela ditadura militar no poder, eu entendo isso: quase metade dos brasileiros querem isso, no dia de hoje, 7 de outubro. Como bem escreveu o Antonio Prata em texto que compartilhei mais cedo, essas pessoas votam sabendo tudo o que Bolsonaro representa, não estão ingênuas e iludidas, não. Espero que um dia a consciência doa, mas hoje devem estar celebrando.

Se um sujeito como Flávio Bolsonaro é eleito, pelas urnas eletrônicas, para o Senado, é isso também: ele foi eleito legitimamente. Se Dilma é derrotada nas urnas para o Senado em Minas, vale o mesmo: foi derrotada legitimamente. Os brasileiros elegeram um dos legislativos mais reacionários da história. Elegeram. Via urnas eletrônicas, que já são usadas há 22 anos no país.

Agora haverá segundo turno presidencial e em vários Estados. Farei o que estiver ao meu alcance para tirar votos do Bolsonaro (acho que as pessoas têm que começar a dar nome aos bois, viu? Chega de coiso e afins, tinha gente usando o #elenão como se fosse sobre o Lula, vamos falar o nome que deve ser falado!). O fato é que “nunca antes na história do Brasil” houve viradas no segundo turno, ainda mais com 14 pontos percentuais de diferença (estou somando os votos da “direita” e da “esquerda” no retrato de agora, enquanto escrevo este texto). Mas pra tudo existe uma primeira vez. E, quando se trata de uma disputa entre um governo fascista e um governo democrático, sempre pode haver lugar para um restinho de esperança. Para gente que votou no Amoedo não votar no Bolsonaro porque sabe o que está em risco. Para gente que se absteve ou votou nulo ir marcar presença e ajudar a fazer a diferença, porque sabe o que está em risco. Para o Bolsonaro criar coragem e ir participar dos debates, para expor seu programa de governo (vergonhoso, diga-se de passagem) para todo o Brasil e todo o mundo. Afinal, se ele pode ir até a Record dar uma entrevista (ilegal, diga-se de passagem), por que não teria saúde para ir a um debate?

Retomando o que eu disse no parágrafo sobre o texto do Antonio Prata, acho difícil que um cara que votou no Bolsonaro mude de repente para o Haddad, porque esse cara votou exatamente sabendo no tipo de projeto que estava votando. Mas ainda restam 52% de brasileiros para ajudarem a virar esse jogo. Vamos juntos? 🙂

 


P.S. Para os amigos que ainda caem na conversa de que o PT “vai transformar o Brasil numa Venezuela” (Cuba saiu de moda, né?), um lembrete e uma recomendação: 1) Lembrete: O PT ocupou o poder por 12 anos, com vários defeitos, mas o Brasil esteve longe de virar uma Venezuela. Aliás, os bancos nunca lucraram tanto quanto na Era Lula. 2) A recomendação: leia este texto AQUI e entenda por que o risco de termos uma ditadura com Bolsonaro no poder é muito maior do que com Haddad no poder. É bem didático 😉

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