86 charges sobre o escândalo da #VazaJato (para compartilhar com aquele tio reaça que adorava o Sergio Moro)

Se alguém ainda não entendeu a gravidade do conluio entre um juiz federal de primeira instância que queria virar ministro do STF pelo caminho mais fácil e um procurador da República que ficou famoso por denunciar, sem provas muito claras nem pra ele, o candidato favorito à presidência da República, para justamente evitar que esse candidato ganhasse nas eleições, bom, se alguém ainda não entendeu a gravidade disso, talvez valha a pena desenhar.

Para isso, peço ajuda aos universitários. Ou melhor, aos chargistas, esses mestres do desenho prolixo, mestres da palavra desenhada. Selecionei, até o momento, 17 charges [número atualizado para 86 charges até o dia 26.6.2019] sobre o escândalo da #VazaJato, que, se o Brasil fosse um país sério, deveria levar à anulação de todas as condenações feitas pelo juiz Sergio Moro, deveria levar ao afastamento imediato de Moro e Dallagnol de seus cargos e deveria levar à revisão e eventual anulação do pleito de 2018. Mas, como o Brasil não é sério, não vai dar em nada. Então, resta-nos rir um pouco desta situação toda e continuar dizendo, como temos dito há quase seis meses, em alto e bom som:

Eu avisei!

Agora vamos às charges (vou atualizando a galeria à medida que encontrar novas charges por aí):

Leia também:

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E a democracia na Venezuela? Não vem ao caso

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela”, afirma o economista Boaventura Sousa Santos, em artigo no jornal Público, de Portugal.  Estranho que alguém quatro anos mais velho que eu e muito mais experiente ainda se choque com a parcialidade da imprensa. Houvesse vivido no Brasil, desse espanto ele estaria imune.

Aqui a imprensa é sempre parcial, quando em jogo interesses de ricos e poderosos ante o restante da população. Não só do país, mas do mundo.

Na Venezuela, diz Boaventura, o que está em causa são as maiores reservas de petróleo do mundo e não a democracia. E quando os Estados Unidos ameaçam com sanções por causa do plebiscito de domingo, o motivo é o mesmo, porque “é crucial para o seu domínio global manter o controlo das reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático, que tenha este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais petrolíferas, na maioria, norte-americanas, põe-se na mira de uma intervenção imperial”, interpreta o economista português.

Foi por esta razão que o Iraque foi invadido e o Médio Oriente e a Líbia arrasados, acrescenta Boaventura. “Pela mesma razão, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração do petróleo do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros.”

Pela mesma razão, prossegue, o Irã voltou a estar em perigo, Continuar lendo

Brasil tem extermínio de negros, inclusive institucional

Texto escrito por José de Souza Castro: 

“Os negros e pardos brasileiros são vítimas de racismo institucional?”. Essa pergunta fecha o artigo do jornalista Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa, publicado neste sábado sob o título “O genocídio dissimulado”.

Ele começa por criticar o desinteresse da imprensa pelo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil. Apenas os jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo” publicaram notícia a respeito. O primeiro, numa pequena nota escondida no meio de uma coluna. O segundo, numa reportagem que, segundo Luciano, parece ter sido baseada na apresentação feita pelo diretor do instituto, Daniel Cerqueira, ao estudo publicado no 4º Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea, no capítulo intitulado “Segurança Pública e Racismo Institucional”.

O articulista desconfia de negligência da imprensa, mas também pode ser que o Ipea tenha falhado na divulgação do estudo.

Indiscutível é a importância de suas revelações, como se pode ver neste pequeno resumo do texto de Luciano Martins Costa:

  • Mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil; há um forte viés de cor/raça nessas mortes; o negro é discriminado duas vezes – pela condição social e pela cor da pele.
  • O risco de morte violenta se apresenta muito mais elevado para adolescentes e jovens do sexo masculino, independentemente da cor da pele ou da classe de renda e educação, do que para pessoas adultas. Ou seja: no período da vida em que mais se expõem à interação social é quando os jovens brasileiros estão sob maior risco de morte.
  • Os brasileiros negros e pardos, sejam ricos ou pobres, seja homem ou mulher, têm quase oito vezes mais possibilidade de se tornar vítima de homicídio do que as pessoas não-negras. Para cada três vítimas de assassinato no Brasil, duas têm a pele escura.
  • O estudo expõe o relativo equilíbrio entre os dois universos comparados – 96 milhões de negros e pardos e 94 milhões de não-negros. O resultado é chocante: apesar de serem as maiores vítimas da violência, negros e pardos evitam fazer queixa à polícia em caso de agressão, porque não acreditam na instituição ou por medo de represália.
  • Os números contextualizados pelo Ipea revelam a persistência de uma política de extermínio causada ou permitida por instituições públicas no Brasil, seja pelo desinteresse em atender ocorrências que têm negros e pardos como vítimas, seja pela ação letal da polícia quando esses cidadãos estão envolvidos ou são suspeitos de participar de ações delinquenciais.
  • Apenas no caso de suicídios os índices de mortes entre não-negros é superior, ou seja, mesmo com chances muito menores de segurança e bem-estar, negros e pardos dão mais valor às suas vidas.

Não é a primeira vez que este blog tem escrito sobre o racismo no Brasil, que torna nossa democracia tão incompleta. Se a imprensa desse a importância necessária ao tema, talvez nosso racismo dissimulado não fosse tão persistente.

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Nota da Cris: Nem todo jornal ignorou o estudo do Ipea. O mineiro “O Tempo” (onde hoje trabalho) dedicou a capa da editoria Brasil ao estudo, em material de página inteira que saiu na edição impressa de 18/10 e no portal.

O cartunista Latuff é um dos que mais abordam a questão em sua polêmica arte. Abaixo, alguns exemplos:

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Leia também:

O cochilo da Petrobras (em berço esplêndido)

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Ao participar neste fim de semana de um evento sobre energia, em São Paulo, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que a empresa vai dobrar de tamanho até 2020 com a produção do pré-sal, de onde virá metade do petróleo que estiver extraindo daqui a sete anos. Atualmente, o custo de produção do pré-sal está entre 40 e 44 dólares por barril, valores inferiores ao custo de produção nos Estados Unidos, estimado entre 44 e 50 dólares.

Na véspera, a Reuters revelou que o protagonismo da Petrobras nos leilões promovidos pela Agência Nacional de Petróleo desde que o monopólio foi quebrado em 1998, não se repetirá na 11ª rodada, marcada para os dias 14 e15 de maio. O menor interesse da estatal abriria espaço para maior participação de empresas estrangeiras e outras nacionais de menor porte no leilão, o primeiro a ser realizado no Brasil desde 2008.

No ano anterior, a OGX, empresa recém-fundada por Eike Batista, venceu a licitação para 21 blocos, desembolsando cerca de R$ 1,5 bilhão e dividindo, pela primeira vez, o protagonismo com a Petrobras.

Empresas petrolíferas de 71 países mostraram interesse nessa licitação, e 64 foram habilitadas, um número recorde. A Petrobras esperou até o último dia do prazo para se inscrever. As empresas vão disputar a concessão dos blocos terrestres, sobretudo na margem equatorial, que tem semelhanças geológicas com áreas da Guiana e da costa oeste africana, grandes produtoras de petróleo. Quem descobrir óleo ou gás nessas áreas vai poder exportá-lo em estado bruto até que ele se esgote, pagando ao governo royalty mais baixo do que o da média mundial. Nenhuma empresa internacional tem interesse em construir refinarias no Brasil.

A falta de protagonismo da Petrobras, no próximo leilão, está relacionada, conforme especialistas da área ouvidos pela Reuters, “à situação financeira da companhia, comprometida com um vultoso plano de investimento, com a necessidade da empresa de finalizar projetos em curso e com a primeira rodada do pré-sal, que será realizada também neste ano, que obrigatoriamente demandará grandes recursos da petrolífera”.

Petrolíferas internacionais se preparam para investir até US$ 1 trilhão nos próximos anos no Brasil. Há dois anos, o Bloomberg revelou ao mundo que as reservas brasileiras alcançam 123 bilhões de barris na área do pré-sal. Informações como essa deixam os investidores internacionais ouriçados, enquanto os brasileiros se esquentam ao sol ou dormem em berço esplêndido.