Eu sou o primeiro tipo, e você?

Vejam a ilustração de Roberto Kroll, que encontrei hoje no blog Árvores de São Paulo, do ambientalista Ricardo Cardim:

ipe-figura

Eu estava pensando sobre isso há poucos dias, quando passei pelo bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, e reparei em como as ruas estavam bonitas, todas pintadas do colorido das pétalas de ipês e outras flores. E quando uma amiga comentou que o quintal dela precisava ser varrido, mas estava bem mais bonito “sujinho” de folhas 🙂

Flor não suja, enfeita. Concorda? Então você é o primeiro tipo de pessoa também 😉

E aí vai uma seleção de posts para enfeitar seus olhos neste começo de fim de semana com feriadão:

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A ‘elalização’ do mundo, em três cenas

1

Dia desses fui ao clube. Estava um céu azuuuul, sem sinal de nuvens, um sol fortíssimo, crianças brincando na piscina. Um daqueles dias deliciosos para descansar, observar as pessoas, se divertir. Tomar um picolé sem culpa, botar o papo em dia, uma cervejinha gelada para os não grávidos. Eu estava sozinha, mas com o espírito leve — nadei, comi um Fandangos de presunto, comecei a ler um livro novo, até tirei uma soneca debaixo do sol. Só tirei o celular da bolsa para o caso de o marido, de plantão, dar o telefonema costumeiro. Quando olhei ao redor, tomei um susto: todas as mesas e cadeiras estavam cheias e, em todas elas, sem exceção, as pessoas estavam olhando para seus celulares e smartphones. Sentadas, na sombra do guarda-sol, seus olhos fixos na telinha, dedos agitados deslizando sobre os teclados virtuais.

***

2

Todos os dias, dou carona a uma grande amiga até o trabalho. Quando chego na porta da casa dela, ela não costuma reparar. Está sentada, de costas pra rua, olhando sempre para baixo: para o smartphone, no colo. Olhos fixos na telinha, dedos deslizantes no teclado virtual, às vezes preciso buzinar uma segunda vez para ela “acordar” para o mundo real. Noutro dia, ela sacou o celular da bolsa, já dentro do carro, para ver o que o Waze dizia sobre o trânsito que enfrentaríamos, que parecia mais lento que de costume. Acessou o Waze, passou a informação, e continuou navegando, distraída, sem se dar conta. Fomos até o jornal com ela conectada ao meu lado, silenciosa. Outro dia fiz uma observação: “Todo dia, quando chego, você está mergulhada no celular, já reparou?” Ela rebateu: “Mas é que nessa hora estou sozinha…”.

***

3

Estamos em um show, um dos melhores shows em que já estive na vida. Madeleine Peyroux, com sua voz de Billie Holiday, no Palácio das Artes. A acústica montada por sua equipe de engenharia de som é tão perfeita que, até lá no fundão do teatro, no ponto mais distante do palco, conseguimos ouvir sua voz, baixinha, como se estivesse soprando em nosso ouvido da cadeira ao lado. Mal enxergamos a cantora e musicista, mas a escutamos melhor do que nunca. É um daqueles shows em que toda a plateia prende a respiração, não dá um pio, o escuro é absoluto, a vontade é de absorver cada acorde como se fôssemos uma esponja. Sem direito a distrações, ninguém ousa nem sequer fazer uma foto. Mas, uma fileira adiante de onde estamos sentados, uma luzinha insiste em ficar acesa o tempo todo: um Galaxy gigante, daqueles que parecem um tablet, é acionado a todo momento para troca de mensagens no WhatsApp.


 

A cada dia que passa, mais me sinto dentro do filme “Ela“, de Spike Jonze. Mas, em vez de ver uma multidão distraída com o mundo externo, 100% concentrada em seus óculos inteligentes, vejo as pessoas com as cabeças baixas, dedos vorazes, conectadas em seus smartphones (isso até os smartglasses e watches pegarem!). Sei que a internet é um mundo atraente, com milhões de coisas interessantíssimas. Mas sinto que, absortas (e dependentes) demais por esse mundo virtual, as pessoas estejam perdendo o sol, o céu azul, os passarinhos, o movimento das ruas, as músicas mais belas, os filmes no cinema e até o convívio com as outras pessoas!

ela

E não estou aqui dizendo que estou imune a essa “elalização” do mundo. Eu também me surpreendo enfurnada em um smartphone nos momentos mais impróprios. Mas tenho feito um esforço para me desconectar um pouco. Neste fim de semana, vou radicalizar: vamos para um cantinho no meio do mato, desses em que nem o telefone pega direito, muito menos a internet 3G. Sem TV no quarto. Só um mergulho na natureza, nas matas, nos passarinhos, no céu estrelado e, com sorte de o tempo colaborar, nas cachoeiras. Volto na semana que vem, muito mais relaxada, e, quem sabe, posso até compartilhar aqui no blog algumas informações sobre esse “spa antitecnologia”. Até lá 😉

Leia mais sobre as discussões tecnológicas:

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As melhores fotografias de 2014

O tradicional concurso de fotografias da “National Geographic” já escolheu seus vencedores, após receber mais de 9.200 inscrições, enviadas de mais de 150 países.

Vocês podem ver todos os premiados AQUI. Abaixo, uma amostra.


Vencedor do Grande prêmio e da categoria PESSOAS:

Foto de Brian Yen, em Hong Kong.

Foto de Brian Yen, em Hong Kong.

Foi mesmo minha favorita na categoria. A segunda de que mais gostei foi esta:

Foto de Karine PURET, em Paris.

Foto de Karine PURET, em Paris.


Na categoria LUGARES, esta foi a vencedora:

Foto de Triston Yeo, em Budapeste, Hungria

Foto de Triston Yeo, em Budapeste, Hungria

Achei muito chique, mas talvez tivesse escolhido esta abaixo:

Foto de Peter Franc, em Tóquio

Foto de Peter Franc, em Tóquio


E, na categoria NATUREZA, quem ganhou foi esta:

Parece um quadro! Foto de Nicole Cambré, na Tanzania.

Parece um quadro! Foto de Nicole Cambré, na Tanzania.

Esta categoria sempre me impressiona mais. Outras duas que amei:

Foto de Archna Singh, na Índia.

Foto de Archna Singh, na Índia.

Foto de Henrik Nilsson, no Canadá.

Foto de Henrik Nilsson, no Canadá.

E você, quais selecionaria, se fosse um jurado da National Geographic? Veja todas as mais de 9.000 fotos inscritas e escolha suas favoritas 😉 Você também pode CLICAR AQUI e baixar seu papel de parede favorito. E tem até como brincar de quebra-cabeças com os quadros 😀

Leia também:

As melhores fotografias de 2013

O tradicional concurso de fotografias da “National Geographic” já escolheu seus vencedores, após receber mais de 7.000 inscrições, enviadas de 150 países.

Vocês podem ver todos os premiados AQUI. Abaixo, uma amostra:

Grande prêmio e vencedor na categoria Natureza. Fotógrafo: Paul Souders. Local: Hudson Bay, Manitoba, Canada.

Grande prêmio e vencedor na categoria Natureza. Fotógrafo: Paul Souders. Local: Hudson Bay, Manitoba, Canada.

Vencedor na categoria Lugares. Foto de Adam Tan. Feita em Yuanyang, China.

Vencedor na categoria Lugares. Foto de Adam Tan. Feita em Yuanyang, China.

Vencedor na categoria pessoas. Foto: Cecile Smetana Baudier. Local: Dinamarca.

Vencedor na categoria pessoas. Foto: Cecile Smetana Baudier. Local: Dinamarca.

Menções honrosas:

Foto de Stephen De Lisle, no Canadá.

Foto de Stephen De Lisle, no Canadá.

Foto de Yosuke Kashiwakura, em Tóquio, Japão. (Um ninho de corvos)

Foto de Yosuke Kashiwakura, em Tóquio, Japão. (Um ninho de corvos)

Búfalos tomando sol na praia; foto de Andrew Lever, em Andaluzia, Espanha.

Búfalos tomando sol na praia; foto de Andrew Lever, em Andaluzia, Espanha.

Foto de Maurin Bisig, na República da Gâmbia, África.

Foto de Maurin Bisig, na República da Gâmbia, África.

Foto de Michele De Punzio, em Roma, Itália.

Foto de Michele De Punzio, em Roma, Itália.

Foto de Cecile Smetana Baudier, na Dinamarca.

Foto de Cecile Smetana Baudier, na Dinamarca.

Foto de Andrew Biraj, em um lixão em Bangladesh.

Foto de Andrew Biraj, em um lixão em Bangladesh.

Deixei de fora do post aquelas fotos que achei muito photoshopadas, como esta e esta.

Aproveito para recomendar que vejam as fotos enviadas para a “National Geographic” feitas apenas durante a “hora mágica” (que eles chamam de golden hour), em que o sol está da cor de ouro velho 🙂 Cliquem AQUI — cada uma mais linda que a outra.

Cidade vazia

Um dia absolutamente normal, sem nada de espetacular, em São Paulo. (Foto: CMC)

Diz o último Censo que São Paulo tem 11.244.369 filhos-de-deus espremidos.

Daí que a frota de carros é de 7.000.000 e um filho-de-deus não acha por bem dar carona ao outro, então vai um enfileiradinho atrás do outro, em ruas malplanejadas ou seguindo aqueles GPS’s burros que, em vez de serem úteis para criar alternativas nas ruazinhas dos bairros, enviam as pessoas para os mesmos corredores engarrafados de sempre.

Tem também que o transporte público é cheio de defeitos, as linhas do metrô ainda são muito restritas, especialmente nas periferias, e os bairros nobres protestam contra elas como o diabo contra a cruz, vai entender por quê.

(E os bairros não nobres deixam de protestar contra sua ausência, o que agrava o quadro caótico.)

Yes, São Paulo é caos. E olha que só abordei os fatores excesso de gente (sem contar os que moram em cidades próximas e flutuam nesta Terra Cinza ao longo do dia, por diversas razões), trânsito ruim e transporte público ruim. Deixa a enchente, a violência e afins para outro dia, que post bom é post curto (“como” este).

Mas eis que chega dezembro. 5 de dezembro, primeira segunda-feira do mês. E saio do busão interestadual, após as costumeiras oito horas e meia de olhos obstinada e inutilmente fechados. E ando por uma rodoviária estranhamento vazia. E sigo em direção à estação de metrô Tietê e vejo, com estes olhos que a terra há de comer, para trazer mais um clichê ao texto, apenas cinco — juro, CINCO! — pessoas na fila para carregar o cartão do metrô. Na fila para comprar bilhete, que é sempre maior naquela estação, onde chegam mais pessoas do Brasil inteiro a todo momento, não devia ter mais que 20.

Atualizo os seres que só frequentam aeroportos na vida: ali costumam ter, respectivamente, 50 e 80 pessoas nas filas, com boa vontade de minha contagem.

Continuo até o trem e, para minha surpresa, embora fossem 7h da manhã, horário de pico, na linha azul a caminho da Luz e da Sé, consigo entrar de primeira e RESPIRAR lá dentro! Dá até mesmo — pasmem! — para segurar naquelas traves de apoio. E elas FORAM necessárias, porque, se eu caísse, era possível que eu REALMENTE caísse em alguém, e não ficasse entalada praticamente flutuando entre os corpos como já me aconteceu várias vezes naquele horário e naquela estação.

Pego a linha vermelha na Sé, normalmente a mais cheia de todas, e um passageiro SE OFERECE para segurar minha sacola. Entrego a ele, mas ACABA NÃO PRECISANDO, porque na estação seguinte vaga um lugar ao seu lado e eu mesma passo a segurar meus pertences. No Anhangabaú!

Saio do metrô em direção à minha casa e a rua em que moro, que normalmente é barulhenta, movimentadíssima, cheia de carros e pessoas, está deserta. Sem pessoas, sem carros. Silenciosa, às 7h40.

A avenida São João, perto do trabalho, está sem trânsito às 11h. Na volta do trabalho, às 20h30, idem. Tudo menos movimentado, portanto mais silencioso, portanto mais escuro (é o psicológico, minha gente. Tipo eu escutando pior quando tiro os óculos). Mas mais sossegado. Talvez mais perigoso, porque gente é vida, mas também mais pacífico. Mais lento. Mais interiorano. Menos atribulado.

Ok, as crianças entraram de férias, os universitários de um modo geral também, até os alunos da USP devem ter parado. Muitos pais de crianças tiram férias juntos, para viajar com os filhos, sem contar as férias coletivas de empresas interessantes por aí. Mas que é mágico, é. 2 de dezembro: o inferno de sempre, um acidente que agrava tudo muito mais. 5 de dezembro: tcharam!, São Paulo se esvazia, não é mais aquela capital caótica e pulsante de mais de 11 milhões, é a cidadezinha da quermesse na igreja, do cara gritando “Curíntia!” na rua, provavelmente um incrédulo bêbado, do metrô cheio mas não insuportável, das ruas vazias até dos camelôs que vendem DVD pirata a R$ 2 de um filme que nem saiu de cartaz no cinema ainda (fora o que nem estreou).

É a cidade vazia, e ela é tão boa que dezembro merecia um ano inteiro!